Sexta-feira, Maio 28, 2004
Afinal de contas, o que é que você ainda está fazendo aqui ?
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15:14 Comentários:
Sábado, Março 20, 2004
E se eu não estiver mais aqui quando você voltar ?
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14:05 Comentários:
Domingo, Março 14, 2004
Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos ricos.
Certas coisas não se explicam facilmente. Pessoas que gostam da cor laranja, terrorismo, gentes-de-teatro e críticos de filmes ainda não vistos.
Após o sucesso de Paixão de Cristo, que já pode ir direto para a TV de tão batido que está, o lançamento mais comentado do momento é Indiana Jones 4. Cinéfilos brasileiros atestam que o filme não é pró-palestina, embora Harrison Ford use turbante.
Sobreviventes brasileiros do atentado em Madri confirmam que o mais assustador foi ver Raul Seixas, no seu costume Patropi, na estação de embarque antes das explosões cantando "Ói, ói o trem...". Um mineiro jura que também viu Elis Regina cantando "Você pega o trem, o sol na cabeça...".
Não sei cantar nenhuma dessas músicas, nem fui conferir as letras porque de terrorismo, me basta as FM's.
A cor laranja ou alaranjada é um mistério para mim. Assim como quem queira casar ou não se separar de Marta Suplicy. Por falar nisto, o maior mistério do Oriente não é o Islã, mas sim, Yoko Ono. E isto basta para deixar clara minha posição anti-laranja.
Poucos crêem na história de Adão e Eva, mas ninguém duvida de Yoko, que sendo a maçã podre, deu início ao mau gosto musical do ocidente. E não me choca tanto as explosões de bombas simultâneas em locais diversos quanto o lançamento simultâneo de cd, dvd e livro de Caetano Veloso, que aliás, já advertia: "Eta, eta, eta..."
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18:08 Comentários:
Relembrar é Morrer Mais um Pouquinho
Enfim, chega o carnaval em Curitiba. Vai começar o famoso Bostival de Teatro. É tempo dos curitibanos ficarem mais ridículos. Sim, só porque é tempo de festival, neguinho vai assistir tudo quanto é peça. Coisa de três por dia. Uma atrás da outra.
Fora de temporada de festival, no máximo ele vai a teatro assistir formatura de parente e show da Marisa Monte no Guairão. Não que ir a teatro seja algo decente. Em Curitiba, pelo menos, não é. Não pelas gentes-de-teatro, que só me fazem rir do seu figurino quando não estão em cena (em cena nunca vi, portanto, é muito pior). Mas sim pela gentes-que-querem-ser-de-teatro.
Antes ficassem só nos teatros, mas agora periga você pegar uns performáticos no meio da rua lhe obrigando a assistir aquilo. É como eu sempre respondo àqueles hippies que me param no calçadão da XV perguntando se eu gosto de poesia: "Não depois que você me leu a sua."
* clique aqui para ler sobre o Bostival de Teatro do ano passado. Ah, nada como a repetição de temas.
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17:59 Comentários:
Domingo, Março 07, 2004
Não Vale A Pena
I
Segundo Aristóteles, as duas ciências que lidam com a arte da discussão são a Retórica e a Dialética. A primeira trata da arte da persuasão e a segunda, da investigação.
Contudo, na retórica aristotélica, interessa o teor dos argumentos utilizados, deixando de lado a pessoa do orador e os fatos de que ele fala. Ou seja, para Aristóteles, no nível de abstração em que ele trata a Retórica, pouco importa se o orador é gordo ou magro, feio ou bonito, cheiroso ou fedido. Da mesma forma, não interessa se é ou não honesto. Os fatos, por mais polêmicos que o sejam, também ficam de fora. Assim, por mais persuasivo que sejam, de início, temas como aborto, pena de morte, etc., não fazem parte da Retórica, que pode, evidentemente, sobre eles se aplicar.
A retórica assim, tratando do teor dos argumentos utilizados, é o discurso utilizado nos debates políticos, eleitorais e no tribunal do júri, por exemplo. A persuasão do eleitor para votar, do jurado para condenar ou absolver, é conquistada através de um discurso retórico utilizado pelo orador, que trabalha com a verossimilhança dos argumentos. Já é evidente, portanto, que na retórica, o papel do "auditório" é fundamental, porque é ele quem decide o debate.
A dialética, como forma de investigação, não se preocupa em persuadir ninguém. Aqui, o método é confrontar os argumentos contraditórios em relação a um tema para descobrir as premissas e princípios em comum de onde partem os argumentos, podendo-se então chegar a uma resposta mais racional e correta, e porque não, mais verdadeira. O debate público (leia-se persuasão), porém, também pode ser realizado dialeticamente. Só que aqui os limites para o debate são mais estreitos.
Isto porque no debate dialético, pressupõe-se que os contendores são pessoas bem informadas sobre o tema, e principalmente, sejam honestas o suficiente para que sua disposição seja encontrar a verdade apesar de "perder" o debate. Simples, o debate se inicia com posições antagônicas. O método dialético permite que se descubram premissas e princípios em comum. Investigando-se a partir deles, chegam-se a conclusões que necessariamente deverão ser aceitas pelos debatedores, mesmo que elas sejam o contrário do que pensavam. Não há, portanto, a rigor, persuasão.
Aristóteles também tratava de outras duas técnicas para a arte da discussão, que contudo são na verdade, caricaturas da Retórica e Dialética. A sofística e a erística. A primeira é a relação de esquemas de argumentação falsa, de falácias lógicas. Não há argumento correto aqui, ou verdadeiro. Já a erística é a arte da discussão belicosa, onde se trata simplesmente de vencer a todo custo, não importa a que preço, se com argumentos verdadeiros ou falsos. A erística não foi desenvolvida por Aristóteles, ao contrário da Sofística, em que ele aplicou critérios dialéticos para refutá-la (Refutações Sofísticas).
Vê-se portanto, que na Erística, a persuasão do auditório também é o fim do discurso, como na Retórica, mas desta se difere porque busca a persuasão através de quaisquer meios, inclusive os desonestos.
Cabe ressaltar que Schopenhauer é quem teria desenvolvido a erística aristotélica, em sua obra ¿Dialética Erística¿. Contudo, não se pode assim afirmar porque nesta erística schopenhauriana, há uma mistura de todos os tipos discursivos (poética, retórica, dialética e lógica), deles se aproximando e se afastando em maior ou menor medida. Bem esclarecidas essas distinções, a erística schopenhauriana também tem seu valor na arte da discussão, contudo, exatamente para se saber como não proceder e, principalmente, como se defender de argumentos erísticos utilizados contra você.
Com esta breve introdução já se pode perceber facilmente que o debate público hoje no Brasil, especialmente o político, é muito mais erístico do que retórico e que a dialética está a léguas de distância de todo esse falatório.
II
Após essas considerações iniciais, entro no tema que quero realmente aqui tratar. As discussões pela internet, seja através de listas de discussão, fóruns, entre sites ou blogs e nos comentários destes.
A primeira constatação aqui é a ausência de um auditório, de um árbitro, de alguém que vá decidir o debate. Não havendo isto, a única possíbilidade de uma discussão chegar a algo proveitoso, ou para que possa existir mesmo, seria ela se dar no terreno da dialética, com todas as suas implicações e limites absolutamente necessários.
Ou seja, relembrando, os debatedores devem ser absolutamente honestos para buscarem premissas ou princípios em que estejam de comum acordo, desvendando a partir daí de onde surgiram as divergências, sendo ainda mais honestos agora, para reconhecer que possam estar errados. Pressupõe-se também um mínimo de informação sobre o assunto por parte dos debatedores.
Se não for nessas condições o debate dialético, não se realiza. Aristóteles mesmo dizia que não se deveria dialetizar com quem não conheça o assunto e as regras de argumentação válida.
Mas não é isto que ocorre em 98% dos debates que leio por aí ou mesmo que participei. E tendo em vista a inexistência de um auditório a ser "persuadido" (a inexistência, é claro, se dá não pela inexistência de leitores, mas sim pela impossibilidade de se determinar quem está lendo e com quem este está de acordo), tem-se que a Retórica mesma também já se torna desvirtuada.
Abre-se espaço então, ou para sofismas os mais descarados ou a erística pura e simples. E aí, meu amigo, é briga de torcida organizada. É vale-tudo, é salve-se quem puder. Ou seja, não vale a pena. Não há vencedores, só perdedores. Muito menos se consegue descobrir se alguém tinha razão.
III
Nessa última semana, algo nesse sentido aconteceu.
No blog hoje fechado do Flamarion , tratou ele a respeito da tortura e do terrorismo. Especificamente, sobre elas no contexto havido durante a ditadura militar brasileira. As opiniões do Flamarion suscitaram debate nos seus comentários e não sei se em outros blogs (só li o ocorrido no "Contra a Ilusão"). Não entrarei aqui no mérito da discussão. Meu interesse é outro.
Concordando com Aristóteles, só posso crer que um tema deste só poderia ser dialetizado, através da concordância de premissas mínimas balisadoras da discussão.
A primeira delas, à evidência, é a imoralidade em si da tortura ou do terrorismo. A honestidade para este debate só poderia partir desta premissa, porque se para alguém a tortura ou o terrorismo são morais, o debate já não é aquele posto pelo Flamarion, de entre dois males, um (terrorismo) ser pior do que o outro, mas a análise em si da tortura e do terrorismo.
Por esta razão, à mera leitura dos textos do Flamarion, constata-se que essa premissa estava implícita. Não tenho mais como citar trechos dos textos porque foram retirados do blog, mas se bem me recordo, no final de um dos textos ele coloca que prefere a tortura ao terrorismo, não porque aquela seja válida, mas sim porque seria necessária em certas circunstâncias, para combater um mal maior, qual seja, o terrorismo.
A honestidade aí é só o início da conversa. Mas quase todas as reações surgidas partiram do pressuposto exatamente inverso, sem fundamentar em absoluto suas opiniões, de que o Flamarion estava a defender a tortura. Um, não lembro quem, lembrava que a tortura era algo horrível, seja feito pela ditadura, por Fidel Castro, por quem quer que seja. Outro, perdendo-se em contestações que de modo algum se referiam ao texto atacado, afirmava que a tortura era imoral, falava em exército de cristãos, etc. e tal. Ambos tratavam da premissa de que tortura é um mal. Coisa que em nenhum momento, creio eu, o Flamarion discordaria. Mas nem um nem outro pareceram muito preocupados em debater o assunto, mas somente em "desmascarar" o autor, se "horrorizarem" diante do "absurdo", se "indignarem" como virgens castas que foram violadas. No frigir dos ovos, não sei se não se pode vislumbrar aí a velha teoria do bode expiatório de René Girard...
Interessante notar que aquele que se valeu de uma argumentação "cristã", sequer se apercebeu que em nenhum momento tomou uma atitude cristã. Pegou em pedras e as atirou e deu por findo o seu serviço.
Estaríamos aí diante de pessoas talvez honestas, mas péssimas leitoras, ou então desonestas simplesmente. Não cheguei a nenhuma conclusão, até porque não me interessa saber. Porque é triste ver na sua plenitude, os "sophomores" em ação. É palavra grega aplicada a péssimos leitores letrados, ou como diz Alexander Pope, os chamados cabeças-duras cultos ou ignorantes letrados.
Desses passamos para os desonestos. Que é certamente aquele que partiu para a ignorância pura e simples ao dizer que o texto era uma apologia do crime, sendo que encaminhou o mesmo ao Ministério Público. E pouco importa aqui se a pessoa é péssima leitora ou não. Se não for, mais desonesto é, ao utilizar deste expediente baixíssimo. E o pior é que, crente que o outro estava cometendo um crime, no mesmo instante nem se apercebe que ao chamá-lo de nazista, crime evidente também cometeu. Nada diferente daqueles artistas que, indignadíssimos com o que um crítico escreveu, pedem aos donos do jornal que o demitam...
E vejam, 90% dos comentários foram nessa base. Sequer entramos no conteúdo do texto do Flamarion ou arranhamos o seu mérito. Estamos aqui a vislumbrar, como naqueles clássicos do futebol, onde ficam aqueles sujeitos próximos ao cordão de isolamento da polícia, a xingar a outra torcida. Esses sequer torcem para seu time, muito menos assistem ao jogo. Particularmente, acho linda a ¿guerra¿ de torcidas, com bandeiras, papel picado, foguetório, cantorias, etc. Se a discussão ficasse nesse "nível", não me incomodaria em nada. Basta ter consciência que isto não é o jogo a ser jogado, e pronto. Mas não foi isto o que ocorreu.
Creio que apenas um comentador dos textos foi realmente honesto e tentou formalizar o debate.
Não me recordo dos nomes das pessoas ou das que lembro, não me recordo qual dos argumentos se valeu, pelo que peço desculpas desde logo eis que não teria problema algum em citá-las aqui, fosse possível o acesso aos textos e comentários. Apenas devo lembrar que, segundo o Flamarion informou, tinha gente comentando usando o nome de outros blogueiros. Segue daí que não se pode afirmar realmente se quem disse o que disse, era realmente esta pessoa.
Salvo engano (cito tudo de memória), o argumento que este último utilizou era que estava incorreta a informação do Flamarion que a ditadura militar iniciou-se em resposta a atos terroristas de guerrilheiros de esquerda ou então, que a tortura teria sido resposta a tais atos. Para ele, a tortura era algo inerente ao regime. Embora o argumento não se dirija à principal questão suscitada pelo Flamarion, qual seja, a tortura é menos pior do que o terrorismo, mesmo assim ele é pertinente e pode-se, através dele, chegar-se à tese principal.
Portanto, aqui abriria-se a possibilidade de um verdadeiro debate, e dos mais profícuos. Porque aí é plenamente possível buscar-se as premissas que responderiam essas perguntas, no caso, a investigação histórica. Mas não houve essa pretensão de ambas as partes. Instalada a controvérsia, irredutível, não haveria meios de através do mero debate retórico, que um "cedesse" diante do argumento do outro. Seria mera repetição dos argumentos à exaustão, sem sair-se do mesmo lugar. Na verdade, não prosseguida com a discussão dialética, a tendência mesmo é da discussão resvalar para a retórica vazia e desta para a erística, como me parece ter sido o caso.
IV
Em razão da confusão havida, o Flamarion fechou seu blog. É uma pena, verdadeiramente. Espero que ele repense essa decisão quando as coisas estiverem mais calmas. Lembro-me do blog do Gustavo Nogy, "O Céu É Dos Violentos", que fechou por razões quase idênticas e ainda hoje sua falta é sentida.
Discussões como essa surgem diariamente entre blogs. Todas não valem a pena. Aquele que admite dialetizar com quem não conheça o assunto ou não tenha a honestidade intelectual suficiente para, em constatando estar errado, abandonar suas antigas opiniões, não só perde tempo como também comete grave erro contra si próprio. E a razão é simples, a partir do momento em que acredita estar realmente discutindo algo de modo honesto e aceita o debate efetuado com desonestidade pelo outro contendor, a reação evidente é também ser desonesto. E aí, o pecado é comum e todos são perdedores.
E pior, a continuação da briga, não pode ser outra se não uma "descida aos infernos", onde o debate desonesto de opiniões e troca de insultos proferidos no calor da discussão passa-se ao uso da ofensa premeditada e fria, perverso expediente psicológico que tranforma a indignação do oponente em estranheza e medo.
E é necessário ressaltar que não estou aqui para defender o Flamarion. Ele próprio sabe muito bem se defender e o estava fazendo. O que aqui escrevi, vale também para o Flamarion, que talvez seja o que mais se envolveu em discussões desleais e inócuas nesse mundo dos blogs. Acredito tranquilamente na sua honestidade, porque não a confundo com sua virulência nos contra-ataques. Comungo de boa parte de suas opiniões externadas no seu blog. Não por outra razão, participo com ele do blog da Sociedade. Mas isto não me impede de externar aqui que ele também erra quando aceita o jogo sujo e faz uso das mesmas armas.
Se conselho fosse bom, não era de graça, já dizia meu avô. Não aconselho aqui quem quer que seja. Mas que não vale a pena, ah, não vale mesmo.
V - Explicações Iniciais
Sim, as explicações iniciais, infelizmente, tiveram que vir ao final deste longo texto. Por uma razão simples, mas tão triste quanto essa forma de discussão em blogs. Adianto-me a elas.
A primeira parte deste texto se trata de um simples resumo e apanhado dos textos de Aristóteles, Emile Boutroux, Éric Weil, Olavo de Carvalho e Chaim Perelman. Qualquer equívoco, portanto, deve ser endereçado primeiro a mim, que então provavelmente errei no recorte das idéias. Somente num segundo momento é que as objeções devem se dirigir aos "responsáveis" pelas mesmas.
Não trouxe este esclarecimento inicial (indispensável por uma questão de honestidade intelectual) em razão de que a teoria que expus tem a contribuição de Olavo de Carvalho. E neste país, a simples menção deste nome impede qualquer debate, qualquer aprofundamento de idéias, de estudos, etc. Ou ele simplesmente é tratado como um desequilibrado mental ou com uma indiferença esclarecedora.
Até hoje não surgiu um sujeito, unzinho só capaz de dialetizar com Olavo de Carvalho. Se bem me recordo, o "melhor" argumento que usaram foi o do "cansei". "Cansei dessa lenga-lenga de revolução gramsciana, farc¿s, globalização comunista, etc. e tal". Ou seja, não diz nada sobre o que Olavo fala, e acredita que ele próprio (o cansado) é a medida de todas as coisas, e portanto, o seu enfado provaria o erro da tese "cansativa". Dispenso maiores comentários pela evidência da fragilidade, senão imbecilidade, do argumento.
Assim, esse esclarecimento vem ao final exatamente para evitar a reação padrão que aconteceria se o nome de Olavo de Carvalho viesse estampado lá em cima. Vindo só aqui, ao menos o sujeito foi obrigado a pensar sobre o que antes foi escrito, para só então, lendo essas linhas finais, chegar ao seu porto seguro mental: "Ah, tinha que ser mais um lambe-botas do olavismo..."
O resto é com a honestidade intelectual desse sujeito ou de qualquer outro para quem a simples menção do nome de Olavo, não o faça desviar do assunto.
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18:54 Comentários:
Segunda-feira, Março 01, 2004
Em Dia
Voltei mais preguiçoso do que nunca. Como se isto fosse possível. Não estou com saco de publicar aqui. Prefiro sair por aí a ler coisas melhores, como os links aí ao lado. Aproveito e agradeço ao Andre S. a referência elogiosa à minha pessoa humana, no seu excelente Desaforos, que virou Saudade e mais não arrisco dizer porque já deve ter mudado de nome e roupa.
Parabéns pelo aniversário ao outro André, o de Oliveira, cujo Esquisito é das melhores coisas da rede. O chefe Flamarion está de casa nova, muito simpática, ainda que sem as tradicionais pinturas na parede. Sem contar os novos posts na Sociedade.
Você perdeu os mais de 150 comentários sobre o post em que fala sobre sexo, do Alexandre Soares Silva ? Eu também perdi, ainda bem. Isto me lembra aquela pegadinha tradicional em que uns sujeitos ficam gritando de dentro de um terreno murado "41....41.....41.....41" e um passante, curioso, bota a cabeça por sobre o muro para espiar o que está acontecendo. Nesta hora, toma uma tortada na cara. E o pessoal de dentro "42....42....42....42..."
Ah, leia isto, sim ?
Por incrível que pareça, deu praia todos os dias no lixoral paranaense. E ainda escapei de uma boa. Explico-me. Como lá cheguei na quarta de cinzas, era de se esperar que ainda alguns carnavalescos por lá se encontrassem. Assim, ao chegar, vali-me de minha profilática técnica que jamais me deixou na mão.
Além da indumentária praiana, lanço pés de um bom par de meias e vou à sacada. Fico então a observar a rua, a praia, o calçadão, etc. Somente depois de me certificar que esse tipo de gente já se foi, tiro as meias e desço para um passeio à beira-mar. Conforme a MTV me ensinou, só assim consigo evitar doenças sexualmente transmissíveis, como o bicho de pé e a frieira.
Pois bem, enquanto analisava o ecossistema, minha adorável esposa já lagarteava em volta da piscina em busca do sol. Não conseguiu escapar daquela ¿família¿ que comia umas dez tapiocas, fazia uso do cinzeiro de chão (daqueles de corredor de prédio, sabe ?) e estava a decidir se já era hora de ir na "Casa do Siri" ou não, para comer uns espetinhos (sim, a tal casa do siri é na verdade, a "Casa do Camarão", restaurante famoso da orla de Caiobá, cujo atendimento é um lixo e a o preço mais salgado que o mar).
Graças a Deus, não os encontrei em nenhum dos dias. E as meias foram tiradas ali pelas onze da manhã de quinta-feira.
E já que falei em sexo, carnaval, preservativos, etc. e tal, não custa lembrar que quem avisa amigo é, quem adverte é o Ministério da Saúde e se tudo deu errado, ponha a culpa no Papa. Alguém tem que ser responsável, certo ?
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18:50 Comentários:
Terça-feira, Fevereiro 24, 2004
Vou-me embora prá Pasargada, lá sou amigo do rei.
É chegado o fim dos tempos de ficar odara. O que significa que se inicia a minha temporada. O lixoral paranaense fica até simpático entre março e fim de novembro. Portanto, utilizarei a minha inteligente troca de trabalhar na segunda e terça de carnaval e me liberar na quinta e sexta de cinzas. Meu feriado começa hoje. Volto no domingo.
P.s.: Carlinhos Brown preso. Quem foi que disse que o carnaval não é um tesão ?
P.s. 2: para não lhe deixar no desalento, deixo duas lições de casa. Duas pessoas apareceram por aqui em busca de "pocotopocotopocoto" e "significado de peide". Seu trabalho é (i) conseguir entender porque um simples "pocoto" já não resolveria o problema do primeiro sujeito; e (ii) fazendo uso do método lógico-empírico-dedutivo, responder se o outro sujeito não tem cu ou não tem nariz.
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19:54 Comentários:
Um PC Para Chamar de Seu
Consequência nada interessante deste episódio Waldomiro e PT corrupto, foi o bate-boca entre Marilena Chauí, a Roberta Miranda dos filosofantes de plantão, e José Arthur Giannotti (que se diz professor daquela, o que evidentemente, depõe contra qualquer pessoa), nas páginas da Folha de São Paulo da semana passada. Não sei se a rinha já terminou, pois só acompanhei o ataque risível de Marilena e a resposta pouco apimentada de Giannotti.
Segundo aquela, a ética é um "espaço simbólico" da política que está em disputa, sendo que os atuais acontecimentos nada mais são do que tentativas de retirar o PT de seu posto de dono da ética. Giannotti, que tempos atrás defendeu um espaço amoral na seara política, veio defender esta tese e responder aos ataques de Marilena.
Marilena é uma piada, como todos sabem. Ela chega ao cúmulo de dizer que a acusação contra o PT é hipócrita porque o caso se deu antes do atual governo e no Rio, durante o governo Garotinho. Como se Waldomiro não tivesse sido nomeado pela cota do PT e como se Waldomiro não fosse hoje integrante do tal atual governo. Mas basta ler a Época desta semana para se saber que Waldomiro manteve a prática agora no governo Lula. Bem se vê quem é hipócrita.
Mas longe de mim entrar neste bate-boca. Eu, coitado de mim, que creio que a ética é atitude individual, decisão de fazer o bem em vez do mal, o certo em vez do errado, não consigo mesmo entender como pode um grupo inteiro ser ético, independente dos atos de seus integrantes.
O tal espaço simbólico da ética só foi reconhecido por Marilena quando esse "espaço" interessou para seu partido e sua ideologia tomarem o poder. A ética pela ética está muito longe de seu ideario. Ou seja, não interessa saber quem é ético ou não, mas sim quem "ocupa o espaço", sendo que só há lugar para um. Logo, se alguém é ético, os outros, pela lógica marilênica, não o são.
Já Giannotti, embora dê mais voltas e possa enganar alguns passantes, também não me parece cheirar bem. Afinal, sua tese de espaços de amoralidade na política nada mais serve do que justificar a manutenção do poder a qualquer preço.
Marilena "descobriu" que a ética serve como instrumento na luta pelo poder. Giannotti descobriu que basta ter o poder para se perceber que a ética é um instrumento desnecessário. No fundo, vê-se que são mais parecidos do que imaginam. Assim como o PSDB e o PT.
George Orwell dizia que "é preciso ser intelectual para acreditar nessas coisas, nenhum homem comum seria tão tolo".
Por isto, esqueça dessa bobagem de perguntar a esses sábios o que afinal é a Ética para eles. Assim mesmo, com maiúscula e valor próprio e absoluto. Não há "espaço" para esse tipo de "especulação" nesse país.
Waldomiro é o menor de nossos problemas.
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19:52 Comentários:
Domingo, Fevereiro 22, 2004
Breve Reflexão Cristã em um Domingo de Carnaval
É certo que a arte da distinção merece o epíteto de arte. Mais certo ainda é que se trata de estudo básico e introdutório em qualquer filosofia. Nem por isto é algo simples ou fácil. Longe disto.
A tarefa dos jurados na Sapucaí está aí para não me deixar mentir. A ciência é algo sublime e complexo. Ainda assim, sempre que pratico a arte do distinguo, preciso de doses extras de coragem e engov.
Pode ser que tudo seja culpa de um dileto amigo que então me clareou o caminho ao me fazer ver a diferença entre cagar na cara e cagar no olho. Imagine o cu...muito bem....imagine o olho.... Pare, por favor, foi o que disse e ele evidentemente ignorou. Desde então, tenho muito cuidado com pombos.
Dito isto, tem-se não ser fácil a distinção entre um baile de carnaval e uma missa carismática. A pouca roupa, responde-me um amigo. Replico que estivessem todos pelados, não creio que os carismáticos notassem, tal o transe. O sexo, diz outro. Ok, no carnaval você pode comer alguém. Mas nessas missas, a masturbação não fica muito longe. Já ouviu falar em sexo tântrico ?
Vê-se que a distinção é complicada e não é para poucos. Sendo assim, faço como todo mundo hoje em dia e me contento com pouco. Há diferença ? Talvez, mas não interessa. Como diz o Violent Femmes, o que importa queridos, em ambos os casos, é "dance, motherfucker, dance !".
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15:53 Comentários:
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Enquanto isto, no Campo de Concentração....
"Ficamos conhecendo o ser humano como talvez nenhuma geração humana antes de nós. O que é, então, um ser humano ? É o ser que sempre decide o que ele é. É o ser que inventou as câmaras de gás; mas é também aquele ser que entrou nas câmaras de gás, ereto, com uma oração nos lábios."
(FRANKL, Victor E. Em Busca de Sentido. 10a. edição. Editora Sinodal. Pág. 84)
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19:06 Comentários:
Beber é não ter a vergonha de ser feliz.
A Irlanda do Norte é um país simpático. Todo país com fama de bêbado é simpático. Daí que me interessei em assistir a seleção brasileira jogar contra o selecionado irlândes. Bêbado estivesse, o jogo teria sido muito bom.
Reza a lenda que será permitido aos jogadores de futebol jogarem embriagados porque o álcool não seria doping. Mentira, porque todos sabemos que o Paraíso não é na terra. Independente da política no futebol, certo mesmo é que Roque Jr. só pode jogar bêbado. Eu se fosse ele dizia que estava, pelo menos. Só isto explica o futebol desse moço.
Questão relevante é saber se você gostou ou não da nova camisa. Aquele cágado em forma de comentarista da Globo, não gostou porque tinha muito verde. Concluo que ele não gosta da bandeira nacional, mas na verdade eu quero mais é que se foda. Sendo amarela quase inteira, os detalhes são detalhes tão pequenos quanto o cágado.
Outra questão mais relevante ainda, foi a tese levantada pelo cágado, de que a bola devia estar diferente porque os jogadores não estariam conseguindo dominá-la "direito". Ah, o efeito da bebida é realmente fantástico ! Aliás, o maior mérito do cágado como comentarista, em toda sua vida, foi aparecer dormindo sentado num dos intervalos de algum jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2002.
Eu não sei quanto terminou o jogo. Saí nos 20 do segundo tempo para tomar uma. O futebol é um vício, Garrincha já dizia. Vargas disse que saiu da vida para entrar na história. Garrincha poderia dizer o mesmo, graças à bebida. Morreu por ela, mas não teria jogado sem.
Para fnalizar, assisti na ESPN Brasil, festa em homenagem a Sócrates. Durante a noite, homenagens, no dia seguinte futebol e churrasco com os amigos. Sempre com um copo na mão. Sempre falando torto. Nunca bêbado. Não é à toa que ele inventou o passe de calcanhar.
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19:05 Comentários:
Domingo, Fevereiro 15, 2004
Porque nem tudo que é grande é tão difícil de encontrar.
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15:57 Comentários:
Porque Não Basta
Há dias de delicadeza. Dias em que se acorda com um beijo que te acolhe para além do bom dia. Que parecem estar sempre ao fundo com aquela trilha sonora de canções tristes e lentas.
Dias de olhares. Olhares que pedem, quase suplicam. Dias frágeis, de choro fácil, mas limpo, sem escândalo. O paladar não é exigente, mas quer sabor. O tato precisa do outro. A visão embaça, mas é mais viva. A audição procura as folhas embaladas pela brisa, em busca do sentido de permanecer.
Dias em que o Amor se faz com letras maiúsculas, ainda que em minúsculos gestos. Dias em que ela é tudo. Não completa, não é cara-metade. Ela é você. E você precisa disto. Porque você sabe que ama. Porque você não se esquece disto. Porque um dia será sua vez de ser por ela.
Há dias de delicadeza. Quase sempre, também são dias delicados. E é preciso quem te leve pela mão. Quem ilumine mesmo não vendo o quão escuro está o teu caminho. Enfim, quem aceite o encargo da entrega. Em dias assim, um singelo beijo de boa noite, para ela já basta como um muito obrigado. Não para mim.
"Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte." Cantares 8,6.
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15:54 Comentários:
Like The Comet
Não entendo quem leia críticas de filmes antes de assistí-los, "para saber se é bom". Quanto mais falam de um filme, menos eu tenho vontade de assistir. Ser do contra é gostoso. Mais ainda saber que você fica puto com essas coisas.
Fazia um ano e meio que não ia a um cinema. Minha média é um filme por ano. Eu sei, eu sei, é um exagero. Mas eu gosto de cinema, confesso. Assisti ao Último Samurai. Se Tom Cruise é o último deles, não me espanta o número de suicídios de japoneses. O filme é bom, em parte. Mais não digo, até porque a incoerência não é uma virtude só da arte. Mas as flores realmente estavam lindas, perfeitas.
E eu lhes pouparei de comentários sobre os mamíferos que assistiram o filme na mesma sessão. Embora o sujeito que não achava a saída para ir ao banheiro tenha valido o ingresso. Tem o Retorno do Rei, mas o aparelho de DVD ficou ainda mais simpático agora. So, see you next year.
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15:53 Comentários:
Living On The Edge
Sou extremamente pacato. E não viro guerreiro como o gato do He-Man. O exílio é sempre a melhor solução. Como diz o Dante , não entro em discussões em que a vitória é certa. Por isto não entendo os samurais. Fico com Indiana Jones.
Não há graça em escrever se não for para chocar. Equilibro-me no limite. Naquela tênue linha que não separa o seu ódio do meu riso. Não há diques de contenção. Me aconselharam desde cedo a atirar antes e perguntar depois. Tolerância Zero é propaganda. Tiro na nuca é solução. Cuidado com o degrau.
posted by Chico |
15:51 Comentários:
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
Everything In It's Right Place
Querem me prejudicar. Cobram-me uma carreira. Não é à toa que o Tráfico é o INSS dos pobres. Tudo vale a pena se o saldo não é pequeno. Tornarei-me um orc.
Minto desbragadamente aqui. Adoro palavras difíceis em textos desconexos. Ainda aprenderei a abrir as portas como Kramer. Até lá, fico com meu cérebro, que como o do Homer, adora sair batendo a porta na minha cara.
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Promoção Enquanto Durar o Estoque
Não tenho nenhuma dúvida que a maioria dos problemas "psicológicos" se resolve com uma técnica bem simples. Quando estiver em "crise", pergunte-se por que você não se mata. Quando lhe vier à mente a primeira resposta, dê um forte tapa na sua cara, daqueles de estalar (se precisar de ajuda nesta parte, estou à disposição). Repita o procedimento nas duas próximas respostas. A partir da quarta, preste atenção. Anote se quiser. Depois, vá até a janela. Olhe o horizonte. Não o prédio em frente. O horizonte.
Repita esta técnica quantas vezes for necessário. Quando você começar a sentir uma vontade irresistível de rir de si mesmo olhando o horizonte, parabéns, você está curado. Agora, go get a life.
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Sessão da Tarde
Sempre que assisto CSI, imagino Sherlock Holmes sentado no cantinho do laboratório, comentando com Watson, "Elementar meu caro, a ciência me substituiu. Mas como acabou de constatar, ainda descubro antes e melhor. O charme, Watson, o charme é imprescindível. Grissom é um bruto citando Sheakspeare. Não resistiria a dois quartos de hora comigo naquela sala escura".
Dostoievski também se encontra em cada fundo de cena de Cold Case. Mas aposto que o russo vai-se embora antes do fim. Não resistiria à câmera lenta e à pieguice. Só se é jogador até certo ponto. Não assisto The West Wing. Basta-me o noticiário regular.
Vem aí a 3ª. temporada de 24 horas. Confesso que me divirto pacas com essa série. Daquelas de lhe grudar no sofá de nervoso. Sinto-me como uma criança esperando o capítulo final da Caverna do Dragão. Dessa vez vai.
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Domingo, Fevereiro 08, 2004
Há 1001 Maneiras de Preparar Neston
Dormia bem, não podia reclamar. Passava das oito horas legais diariamente. Não raro chegava a dez. Cumpria a mesma rotina sempre, do que também não reclamava. Após o banho, café da manhã com a esposa que invariavelmente lhe contava os sonhos da noite anterior. Era impressionante a capacidade de superação no absurdo desses sonhos. Já teve de tudo. Até um tapa certa vez ele levou dormindo porque a estava traindo no sonho. E vá dizer que isto não se podia levar a sério. Ele nunca se lembrava de seus sonhos. Achava mesmo que não sonhava, o que tornava aquela conversa, além de absurda, besta. Levava as crianças ao colégio e ia trabalhar. Sempre assim. Naquele dia, não foi diferente. Até a hora da reunião ordinária...
Ele estava lá, sentado escutando o diretor esbravejar contra a falta de garra da equipe, que as vendas já não eram as mesmas, patati, patatá. Todo começo de semana era assim. Naquela reunião, o setor de Araújo era a bola da vez. Escutava ele pacientemente as críticas pertinentes ou não do chefe, quando um estouro dos vidros que separavam a sala do corredor abafaram os esbravejos. Cerca de quinze piratas adentraram. Espadas de base fina e grossa lâmina ziguezagueavam por sobre as cabeças. Todos cheiravam mal e à bebida velha. Alguns com tapa-olho, a maioria de barba. De comum mesmo, os gorrinhos vermelhos amarrados atrás da cabeça. Só um usava um grande chapéu com a tradicional caveira e os ossinhos cruzados abaixo dela.
Araújo estava sem ar, assustadíssimo, sem compreender. Olhou em volta da mesa e viu poucos dos colegas estupefatos. A maioria parecia que sequer enxergava o que acontecia. O pirata de chapéu, certamente o capitão, gritava com o chefe, mas Araújo não conseguia discernir as palavras porque não entendia de onde vinha a coragem do chefe para não demonstrar qualquer incômodo com aquilo. Na verdade, era ele totalmente indiferente aos piratas. Araújo então se desesperou quando o capitão levantou sua espada. Quando ela começava a descer em direção ao pescoço do chefe, Marcelo, seu vizinho de sala, subitamente levantou-se e vestido como um gladiador romano, portava nas mãos uma enorme espada que com ela, evitou o golpe mortal. Araújo, aproveitando da confusão, conseguiu fugir, não sem antes olhar Marcelo, vibrando como nunca, enfrentar os quinze piratas sozinho. Até mesmo uma piscadela para ele, Araújo imaginou ter visto. Saiu correndo, desistindo de chamar os demais, que simplesmente ficavam fazendo anotações em suas cadernetas.
Entrou em desabalada carreira na sua sala. As três linhas telefônicas do escritório estavam ocupadas. Ele se tranquilizou. Certamente os demais funcionários já haviam chamado a polícia. Era hora de ir embora. Atrapalhado e nervoso, derrubou uma pilha de pastas que estava em cima de sua mesa. Automaticamente começou a recolhê-las quando escutou a porta da sala fechando lentamente. O rangido preguiçoso da dobradiça demorou a terminar. Aterrorizado, só conseguia olhar para os sapatos daquele que ali entrara. Eram impecáveis sapatos de couro negro, extremamente limpos e polidos. Formava a parte frontal, larga dos dedos, um pequeno espelho de abóbada de onde Araújo pôde contemplar o próprio rosto. Não se reconheceu. Aos poucos levantou os olhos e pôde conferir quem era.
Um senhor alto, de cabelos e longa barba branca, vestido num fino terno de risca-de-giz, camisas brancas com listras verticais pretas e gravata bordô, com um pequeno lenço da mesma cor no bolso do coração do paletó. Uma cicatriz na face, um cigarro dourado num canto da boca. O chapéu era igualmente impecável. Mas os olhos é que chamavam a atenção. Eram escuros. Olhos óbvios de arquivo, daqueles sem chaves cujo dono sabe de cor onde fica cada coisa. E um deles era independente do resto do rosto. Não era vesgo ou algo assim. Os olhos viravam para onde queriam, mas parecia que ele tinha absoluto controle daquilo.
Araújo levantou-se sem conseguir dizer nada. O olhar de ameaça do homem à sua frente parecia aos poucos aliviar-se. Após uma longa tragada no cigarro cuja baforada cobriu a sala de uma penumbra cinza e cheiro de madeira antiga, o homem lhe disse: "Você pode tentar fugir e vai tentar, mas no fundo já sabe que nós o pegamos..." Araújo mal conseguiu ouvir o que o homem disse porque pensava numa forma de escapar. Mas aquela era a única porta e da janela, dez andares o separavam da realidade do chão.
Após analisar rapidamente a falta de opções, Araújo sequer percebeu que o homem havia sentado à sua frente e examinava suas pastas com olhar de desprezo e nojo. Araújo assustou-se com uma grande sombra que adentrava pela janela, e de imediato viu a ponta da asa de um bicho enorme invadir a sala. Sem pensar e apavorado com o homem à sua frente que mexia agora no bolso de dentro do seu paletó, Araújo virou-se rapidamente e saltou pela janela aberta. Centímetros depois estava sentado no pescoço de um imenso pterodáctilo que já o levava por sobre a cidade. Sua mente já não respondia. Conseguiu apenas vislumbrar o homem na janela de sua sala. Parecia sorrir, mas poderia ser mera impressão causada pelo brilho do cigarro dourado.
Cinco minutos depois, o bicho pousou calmamente na praça em frente à sua casa. Ainda sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo, fez um carinho na cabeça do animal que após um grunhido, balançou-se e voltou aos céus. Araújo olhou à sua volta. Havia dezenas de pessoas nas ruas do entorno. Nenhuma parecia lhe dar atenção ou demonstrar surpresa. Salvo aqueles dois meninos que jogavam bola no gramado ali perto, que boquiabertos escondiam-se por detrás de uma árvore. Araújo não teve coragem e foi para casa.
A volta para casa também possuía um ritual, idêntico para todos os dias. A leitura dos jornais no sofá da sala de visita acompanhado de uma cerveja. Brincava com as crianças, ajudava a arrumar a mesa para o jantar e assistia TV com a esposa antes de dormir. Mas naquele dia chegara antes da hora. Não havia ninguém em casa. As crianças chegariam da natação com a esposa dali a meia hora. Pegou o jornal e foi para a sala de visita. Não quis a cerveja. Mas preparou um duplo Jack Daniels que tinha comprado por causa daquele filme do Clint Eastwood. Não conseguiu tomar puro e misturou com as quatro pedras de gelo, água com gás gelada. Começou a ler o jornal, mas nada o fazia prestar atenção. Lera a parte de esportes, sem entusiasmo. A parte de política e de "cidades" simplesmente lhe pareceram fora da realidade. Nunca lia o caderno de cultura, mas chamou-lhe a atenção o título de uma coluna. Parou no terceiro parágrafo. Desistiu do jornal. Ligou o computador para brincar na Internet, o que não conseguira fazer no trabalho, mas tudo lhe parecia devagar e tedioso. Resolveu tomar novo banho. Quando molhava a cabeça tirando o shampoo que lhe escorrera nos olhos, estrondos do lado de fora lhe chamaram a atenção.
Pareciam fogos de artifício, mas eram diferentes. Vislumbrou por entre os olhos ensaboados e através da pequena janela que dali dava para a rua, enormes galeões espanhóis ao fundo do mar, que parecia revolto. Densas nuvens negras cobriam vez por outra a vista, mas não o suficiente para lhe impedir de perceber que havia uma batalha. Os barulhos eram tiros de canhões trocados entre os navios. Aos poucos os navios se distanciavam. Araújo já terminava de se enxugar quando pôde novamente ouvir os barulhos das gaivotas nervosas em cima das pedras.
As crianças chegaram. Algo de diferente nelas, mas não conseguiu descobrir o que era. A esposa preparava o jantar, contando seu dia, enquanto ele colocava a mesa. Terminada a tarefa, não deu chances para que ela soubesse do seu. Passeou pela casa e sentiu falta de livros nas prateleiras cheias de vasos vazios e briquebraques variados. Entrou silenciosamente no quarto das crianças. A mais nova ainda fazia sua lição de casa enquanto o mais velho jogava videogame. Quis jogar com o filho, mas este negou o pedido. Quis ajudar o outro, mas não era necessário. Sem querer, olhou para a única prateleira sem brinquedos. Lembrou-se dos livros infantis que o avô das crianças costuma dar-lhes de presente. Eram vários, mas Peter Pan lhe chamou a atenção, sem saber bem o porque.
Sentou-se na cama debaixo do beliche dos meninos e começou a ler a história. O cheiro do livro então lhe lembrou. Era o mesmo livro que tinha lido quando menino na fazenda do pai. Sentado no balanço montado pelo caseiro debaixo da goiabeira, percebeu-se vestido com aquela velha bermuda preferida de criança e com as chinelas de couro. O cheiro do bolo de fubá e café fresco que a mãe sempre fazia no fim de tarde lhe abriram o apetite. Olhou para a varanda e viu o pai com seu inseparável chimarrão jogando conversa fora com o caseiro, seu Aloísio. Sentiu duas cabeças se aninhando embaixo de seus braços. Eram os filhos. Pediram que ele lesse em voz alta. Assim fez.
Era raro, mas no jantar quis saber tudo sobre o dia dos filhos. Achou o empadão da esposa extraordinário. A esposa estranhou, mas não reclamou de nada.
Acordaram. E com eles, a rotina. Após o longo banho, o café com a esposa e a história do sonho contada como sempre. Ele riu. Era absurdo, mas fazia sentido. Contou então o seu sonho. Os olhos brilhavam. A esposa lhe perguntou se algo havia acontecido. Respondeu-lhe que nada demais. Só que dessa vez, lembrava-se do sonho. Ela achou melhor não entender. Araújo percebeu que em sete anos, estava atrasado pela primeira vez. Pediu à esposa que levasse os filhos para a escola. Não tinha tempo a perder. Não queria ser descontado pelo atraso. Torcia para que Sininho ainda não tivesse saído. Só o pozinho mágico poderia lhe salvar.
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18:44 Comentários:
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
Pixote Não Morreu
Fiquei muito feliz com as indicações de Cidade de Deus para o Oscar. É muito raro eu ter a oportunidade de não assistir um filme duas vezes. Creio que agora posso escrever uma tese sobre ele. Como disse o Mainardi: "Cidade de Deus é muito bom. Assisti ontem e hoje não me lembro de mais nada."
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18:18 Comentários:
Tomou ?
A Parmalat faliu. Eu sempre soube que ser palmeirense era um problema grave de caráter. E o símbolo esmeraldino se coaduna mais com o arquirival incolor. Mas isto não interessa. Proibiram a Nestlé de comprar a Garoto. Eu sempre preferi o Sonho de Valsa mesmo. Ponham a culpa no Michael Jackson.
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18:17 Comentários:
When Tomorrow Comes
O otimismo é algo assustador. Frase famosa diz que se você sentir duas bolinhas lhe batendo na bunda, não se preocupe porque o pior já passou. Idiotice seria um elogio. Não que o pessimismo seja o ó do borogodó, mas ao menos não faz passar ridículo.
Buda era pelo equilíbrio, modernos dizem-se realistas. Não é à toa que não existem mais circos. Os palhaços estão todos soltos. Mas não creio que seja só eu que se constrange com as propagandas na televisão.
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18:16 Comentários:
Domingo, Fevereiro 01, 2004
Sempre que escuto alguém dizer "Ou você faz parte da cura ou é parte da doença" concluo que seu estado é terminal e resta rezar para que não sofra muito. Minto, eu quero que sofra e muito.
Aquele que se acha parte da cura, tenha certeza, é doente e sintoma da doença. Nunca vi alguém que seja parte da doença, admitir. Daí que concluo que a doença deva ser sexualmente transmissível.
Eu não sei se acredito em vacinas, nem sei de que doença tanto falam. Por via das dúvidas, ponham a culpa no Papa.
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18:29 Comentários:
Estatuto do Idoso, Estatuto da Criaça e do Adolescente, Lei de Cotas Para Negros, Lei do Desarmamento, etc.....
"O que sempre fez do Estado um inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso."
Holderlin
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18:25 Comentários:
Zé Pequeno O Caralho, Meu Nome É Primeiro Ministro
No Corcel II com rodas de magnésio à minha frente, leio o adesivo de que o carro é velho mas está pago. Lembro-me do meu sogro nos idos antigos voltando da praia com um amigo rico, que aos pobres parados no acostamento porque o motor "ferveu", gritava: "Venda esta merda !"
Nunca viajei para o exterior, mas quando for, gritarei o mesmo do avião. Claro, desde que eu já esteja em águas internacionais. Acham um absurdo o avião novo do Lula. Com esse dinheiro, dava para isso e aquilo e aqueloutro e mais um pouco. Eu prefiro ele longe.
Avisam-me os jornais que Zé Dirceu é agora chefe de governo. Estamos quase parlamentaristas. Se for um passo para a monarquia, aceito. Aguardo ansioso a dissolução do Congresso Nacional.
No Manhattan Connection da semana passada, após o Mainardi esplanar o que ele acha melhor para o Iraque, aquele menor de idade respondeu que se isto acontecesse, desestabilizaria a Turquia. "Dane-se a Turquia !" gritou o Diogo daqui do Brasil. Segundo uns e outros, certamente ele estava tentando imitar Paulo Francis.
Neste domingo tivemos o clássico Atletiba aqui no Paraná. Os dirigentes, sempre brilhantes, queriam que o jogo só tivesse uma torcida. A do time mandante. E que assim fosse sempre nos clássicos. Obviamente, todo mundo caiu de pau na idéia imbecil e os dirigentes foram obrigados a desistir da idéia. Vejo que o Lula está fazendo o mesmo neste país, mas só alguns poucos vêem problema nisto. Idéias imbecis caem como uma luva para um povo imbecil. Só entendemos de futebol.
Update: o clássico terminou empatado. A torcida do Coritiba, que jogava em casa, saiu comemorando do estádio. Time pequeno é isto aí. O Atlético ganhava de 1 x 0 e ficou só se defendendo no segundo tempo. No final, os jogadores saíram dizendo que o resultado foi bom porque a obrigação da vitória era do outro lado. Time pequeno também é isto aí.
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18:24 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
Just Casual Talk
Esqueci de avisar que publiquei na Sociedade. Post do dia 24.
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Sempre quis ter um mordomo. E já disse que sou fã de barbeiro.
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13:41 Comentários:
Os Estatísticos Contra Atacam
No telejornal de agora da hora do almoço, uma reportagem mostra que as águas do lixoral paranaense são mais quentes que as dos vizinhos estados do sul do país. E agora comprovou-se cientificamente, segundo o "cientista" entrevistado, que quanto mais ao norte do país, mais quente fica a água. A ciência é realmente um espanto de quão avançada está em dizer o óbvio.
Mas enganam-se todos. Aqui é mais quente que em RS e SC porque o lixoral é minúsculo, a jacuzada é em número gigantesco e portanto, o mijo abunda.
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13:38 Comentários:
Ordem e Progresso
Assaltaram uma agência do Bradesco aqui perto. Dez minutos depois penduraram uma grande faixa: "Fechado Por Motivo de Assalto". Estamos evoluindo, não resta dúvida.
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13:37 Comentários:
Por que não falo de literatura por aqui ?
Queria que a Academia Brasileira de Letras pegasse fogo bem na hora do chá de um dia com presença total dos "imortais". E que eu fosse o porteiro do prédio.
Queria também ser Paulo Coelho. Da minha parte na posteridade, quero-a em dinheiro e já. Assim posso comprar livros de verdade e lê-los sossegadamente em minha biblioteca privada.
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13:36 Comentários:
Não costumo frequentar exposições de artes plásticas. Não gosto do cheiro de banheiros públicos.
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13:35 Comentários:
Li a transcrição do debate entre o Olavo e o Alaor Caffe, ocorrido na USP no final do ano passado e que movimentou o "cenário" blogueiro de "direita". O problema está realmente com Olavo de Carvalho. Em vez de trucar, ele grita que tem o gato. Assim não dá jogo mesmo.
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13:35 Comentários:
Domingo, Janeiro 25, 2004
Leio na embalagem da minha barrinha de cereal que um dos ingredientes é o "açúcar invertido". E se não for sal ?
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17:41 Comentários:
Hail, Hail
Eu implico com estatísticas. Eu sei que elas devem servir para alguma coisa. Mas em quase tudo que elas se metem, ninguém mais consegue conversar. Elas falam alto demais e são grosseiras.
Veja-se o futebol, por exemplo. Não há mais possibilidade de se acompanhar comentários nos intervalos e as análises do final do jogo. Fica aquela chatice de que o time A deu 598 chutes a gol, teve 79% da posse de bola, desarmou o adversário 3.839 vezes e teve 1.345 escanteios a seu favor. Mas perdeu de 1 x 0 pro time B que só deu 3 chutes a gol e mais nada. O velho quem não faz, leva, dito em míseros trê segundos já dizia muito mais e melhor do que todas as planilhas desses supostos "experts" em futebol. Não à toa, no chatíssimo campeonato por pontos corridos essas bestas humanas fiquem achando lindo a porcentagem de pontos do campeão, etc. e tal. O futebol não deveria ser chato assim.
E isto é só um exemplo. Em quase tudo as estatísticas se metem para fazer confusão. Na Veja da semana passada, a revista apresenta um economista que "comprovou" por uma batelada de dados, que nos estados americanos em que legalizou-se o aborto, o índice de criminalidade é menor do que nos estados em que o proibem. Brilhante comprovação. Eu não preciso ter uma batelada de dados para afirmar com toda segurança que se legalizarmos os homicídios e os roubos, os índices de criminalidade serão ínfimos. Uma maravilha, não ? Há quem adore viver neste mundo de faz-de-conta.
Mas ele vai mais longe. Munido de todos os dados estatísticos possíveis, ele comprova que uma criança indesejada que viva numa família desestruturada, a probabilidade dela vir a ser uma criminosa é muito maior do que numa família estruturada e em que ela foi desejada. Ou seja, melhor se ela tivesse sido abortada. Hitler pensava que se matássemos todos os judeus, também teríamos um mundo melhor.
Só mais um exemplo e eu juro que paro. Nesta sanha imbecil pelo controle de armamentos neste país, houve uma profusão de dados estatísticos que "comprovam" por A mais B a necessidade de proibi-las. Até agora ninguém me respondeu de que forma esses dados são confiáveis se aquele que, portando uma arma de modo legal, ao evitar um crime contra si ou terceiros não registra queixa ou avisa o IBGE ?
Eu sou exemplo vivo disto. Saindo de um festa na casa de um colega, acompanhado de mais uns cinco amigos, parou um fuscão azul com quatro sujeitos mais do que mal encarados e vieram caminhando em nossa direção. Um dos meus amigos que possuía arma, na mesma hora a sacou e apontou para os sujeitos, que sem dizerem absolutamente nada deram meia volta e foram embora. Quantas vezes isto já aconteceu ? Não se sabe porque não há estatística alguma. Portanto, a estatística apresentada não pode ser levada a sério, mas somente como mais um dado a ser analisado num país em que a polícia não consegue dar segurança à população e o crime orgnizado comanda mais da metade das grandes cidades do país.
Naquela reportagem da Veja, eles informam que o tal cientista recebeu um importante prêmio por seus "estudos". E a revista dá mais um: o do bom senso. É uma pena realmente que me tenham tirado o direito de portar armas. Ainda bem que logo vão me liberar para matar criancinhas nas barrigas das mães. Tudo de muito bom senso.
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17:40 Comentários:
See You Soon
Tio Neneca estava aflito. Andava de um lado para o outro na sala de jantar. Fumava um atrás do outro sem terminar nenhum cigarro. A casa estava quieta como nunca antes eu tinha visto. Minha irmã estava no quarto, não quis descer. Zezinho e Marquinho estavam na sala de TV, junto com o pai. Ouço mamãe chegar.
Ela entrou rápida e nervosa. Perguntou pelo tio, que já vinha vindo da sala ao lado. Mamãe disse que tia Lucinha não suportou. Eu ia perguntar, mas tio Neneca deu um grito tão alto e começou a chorar tanto que me assustei. Minha mãe lhe consolava e meu pai tinha sumido. Zezinho e Marquinho não tiravam os olhos da TV. Eu não sei porque, mas quis abraçar o tio. Me grudei na perna dele.
Vô Inácio entrou logo depois, com uma cara muito triste e abatido. Nada disse e foi para seu quarto. Minha mãe pediu licença para nós e levou meu tio embora. Não encontrei meu pai. Fui lá para trás da casa, e subi no abacateiro. Desconfio que tia Lucinha não volta mais.
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17:39 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
A Russa
A coisa ruim, a mulher mais feia do mundo, aquela que não foi agraciada com uma deformidade física porque isto justificaria sua feiura. Uns a chamam de bruxa porque são simpáticos, outras a chamam de Sofia (sim, a do Nazareno) porque se acham divertidos.
Ele descobriu que ela possui um veículo. Imediatamente pensou em quem foi o louco do Detran que liberou carteira para esta ratazana com cara de tamanduá-bandeira. Previu um sujeito ou sujeita qualquer descuidadamente olhando pelo espelho retrovisor e se deparando com aquilo. Ninguém ficaria em condições de continuar dirigindo após esta visão.
Não saberia dizer que veículo era. Bastava a certeza de que veio direto do Inferno. Viu o horror na cara do manobrista do estacionamento, que apesar da pouca idade, perdeu sua inocência em definitivo. Vislumbrou aquele ser disforme de costas, embora não se possa dizer ao certo quando ela está de frente. Um calafrio lhe percorreu a espinha lembrando dos tempos de colégio, o que inclui a faculdade.
Ela se virou e o tempo parou. O Tempo é um filho da puta mesmo. Em câmera lenta ele se movimentou até que ela terminasse de contorcer o que supostamente seria sua espinha e ficar de frente (?) para a rua. Era ela. Impossível duas. Impossível a clonagem.
Ela veio andando com aquele jeito malemolente, sem controle das pernas. Aquele leve tremelique na cabeça que lembrava um Parkinson controlado, a boca sempre aberta e a baba branca ligando os dentes superiores e inferiores, sempre à vista. O cabelo nunca lavado ainda era o mesmo. Sempre do mesmo tamanho. Lembrou-se que muitos desconfiavam que ela já nasceu com aquele musgo pelos ombros.
Os óculos ainda são os mesmos. Ainda bem porque não se pode assim olhar diretamente os olhos da besta, que são mais do que vesgos. O figurino é o mesmo. Camiseta de loja de criança, calça jeans e o indefectível tênis vermelho. E agora também tem uma pastinha surrada carregada na mão esquerda, que ela segurava como se estivesse tendo um derrame.
Ela cruzou a rua e ele ainda sem respirar em frente à janela do segundo andar, na esperança de que ela desviasse do seu prédio. O café esfriava na pequena xícara à sua frente. Mas não havia dúvidas. Embora não se podendo definir a priori se aquele andar era em linha reta, ela entrou direto no prédio. Ele correu então para a porta da frente, trancou-a pela segunda vez, apagou as luzes e mandou a secretária não dar um pio sequer.
Não se sabe em que andar ela fica. Por via das dúvidas, desde então ele tomou as precauções básicas. Nunca voltou ao 13º . Passou a utilizar as escadas para evitar o contato nos elevadores. Nunca mais ficou de conversa fiada nos corredores ou portaria. Medidas básicas mas que eram paliativas, porque Murphy é aliado dela.
Dias depois, enfim, aconteceu. Era final do expediente. Ali pelas sete da noite. Afrouxou a gravata, tirou o paletó, desligou as luzes e trancou a porta. Duas vezes. Desceu pelas escadas tenso. Eram quatro lances até chegar no S2, onde tinha sua vaga de garagem. Quando chegou, as luzes não se acenderam automaticamente, como era o costume. Para se achar, apertou o botão do alarme do carro que com suas duas piscadas lhe avisou onde estava. Em sua direção caminhou lentamente, percebendo o terrível barulho do silêncio. Eis que escutou a campainha do elevador.
Abriu-se a porta do elevador preenchendo a garagem com aquela luz branca sem graça e sem vida. Em razão dela, viu que além do seu carro, havia outro ao longe, num obscuro espaço que nunca imaginou fosse uma vaga de garagem. Como ninguém saía do elevador, cometeu o maior erro da sua vida. Olhou.
E lá estava aquilo. O capeta cujo rosto atearam fogo e apagaram a tamancadas lhe olhou e por segundos ficou parada o fitando. Ele já suava como um porco, estava com a boca seca, as pernas bambas e certamente pálido. Ela disse algo absolutamente ininteligível. Ele tentou responder, mas palavras lhe faltaram.
O horror de Dante no inferno era muito menor do que o dele, posso garantir. Imaginou de tudo naqueles instantes. Cobras, lagartos, aranhas, bichos nojentos saindo dos bueiros daquele sub-solo vindo se encontrar com sua rainha. Um cheiro forte e fétido nublaria sua mente. Um trono feito de encanamentos e borracha antiderrapante surgiria de dentro do segundo elevador e a rainha das trevas declararia aberto o julgamento.
Ele já estava praticamente dentro do carro quando ela conseguiu se aproximar. Ela quis lhe cumprimentar como gente, dando beijinho na bochecha, quiçá dois, ó horror, e se fossem três ? Ele se abaixou, fingiu ter derrubado algo. Ela continuava falando e ele já não sabia se estava respondendo. Tudo acontecia muito rapidamente mas parecia que levava anos. O elevador fechou as portas. A luz da garagem não acendeu mesmo.
Felizmente, já não se sabe narrar ao certo, o que aconteceu. De suas lembranças, apenas flashs dele ter pego um pedaço de cano que jazia na garagem, de longa data sem serventia. Gritos indefiníveis. Alguma coisa respingava nele, mas ele não quis saber do que se tratava. Após alguns golpes no vazio e outros certeiros, sentiu algo que parecia uma mão na sua cara e o cheiro daquilo que parecia ser o cabelo da besta em forma de besta. Sufocado, desmaiou.
Acordou já no hospital. Estava no soro e ninguém no quarto. Chamou a enfermeira que então lhe contou que o porteiro do prédio havia escutado gritos vindo da garagem e chamou a polícia que o encontrou desacordado ao lado de um bicho gigante morto. Chamaram uma ambulância e ele então estava ali, somente por precaução, já que as escoriações não eram graves. Então adentrou o quarto um policial que lhe perguntou sobre o acontecido. Explicou o que acima lhes narrei, escondendo um ou outro detalhe, como por exemplo, a existência da besta em forma de besta.
O policial avisou que o bicho foi levado para o laboratório de uma universidade onde fariam estudos para descobrir afinal, o que era aquilo. Ainda aquela noite passou no hospital, sob observação. O sono não foi tranquilo, como seria de se prever. Acordou assustado várias vezes. O pesadelo era o mesmo, mas sempre inacabado. Quando chegava a hora em que ela falava o "õrã, õrã, võcê põr ãqûî ! Lêmbrã dê mîm ?", ele acordava banhado de suor e tremendo de medo.
Ele nunca mais seria o mesmo, como gostava de dizer. Jamais esqueceria o dia em que desceu ao inferno e dele retornou. Mas a vida continuou. Hoje já faz treze meses desde o fatídico dia. Já não tinha medo mais dos elevadores e até na garagem tinha voltado a guardar o carro.
Até esta tarde. Que estava agradável. Como sempre, ele fez seu ritual. Um breve intervalo. Um cafezinho que sempre tomava de pé, olhando pela janela o movimento da rua em frente. Olhou o estacionamento que já não lhe lembrava nada. Reparou no manobrista, o mesmo guri, já mais corado. E então, viu novamente o horror nos seus olhos.
Seu coração bateu em velocidade absurda. Ficou fraco e não conseguiu mais segurar a xícara, que caiu e se quebrou fazendo um estridente barulho. Sentiu que perderia os sentidos em poucos instantes, o que efetivamente aconteceu. Não sem antes ter olhado aquela mão esquerda, em forma de derrame, segurando a pastinha marrom atravessando a rua.
A última coisa que se lembra foi de ter ouvido um riso gelado e seco vindo da rua e em seguida alguém falando atrás dele: "Õrã, Õrã..."
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Domingo, Janeiro 18, 2004
Fla x Flu
Nesse encontro turístico entre presidentes de países das Américas, realizado no México recentemente, Bush, para atacar a ditadura cubana e os suspeitos governos da Venezuela e do Haiti, tratou a liberdade como direito "divino".
Levantei uma sobrancelha e cocei meu queixo, na falta da barba. E lembrei-me de Capeaux, falando de Jacob Burckhardt: "não existe poder temporal de direito divino; mais provavelmente será de direito satânico".
E confirmando minhas suspeitas, vejo que Hugo Chavez rapidamente respondeu: "a César o que é de César, a Cristo o que é de Cristo". Não é por nada não, mas acho que o Bush deu a desculpa que esse cara nem procurava...
Os fundamentos do Estado laico. Quais são ? Liberdade, igualdade, fraternidade ? Da primeira vez, rolaram cabeças. Depois ? Ora, por onde passa um boi, passa uma boiada.
Os gays querem se casar. A Igreja não deixa. O Estado, quase. Mas uma coisa nada tem que ver com a outra. Afinal, o casamento do Estado não é o mesmo casamento da Igreja. Mas as mulas homossexuais fazem passeatas em frente às igrejas querendo o "reconhecimento" do casamento entre gays. Afinal, vocês querem ter papel passado ou casar de branco ? E as mulas "religiosas" não se contentam com a proibição da sua Igreja. Querem a do Estado também. A César o que é de César.
O Estado francês proibiu nas escolas, manifestações religiosas através do uso de apetrechos, como por exemplo, cruzes e os lenços das mulheres mussulmanas. A medida é contra mussulmanos. Há um limite de "tamanho" no apetrecho, o que praticamente retira o crucifixo pendurado no pescoço, da proibição. O fundamento é óbvio: o Estado é laico, a escola é do Estado, logo... Bons tempos aqueles em que a briga era pela liberdade de não usar uniformes. A Cristo o que é de Cristo.
A Cássia Kiss disse na Veja que abortou um filho em 1987, para não atrapalhar a carreira. Perdeu o marido que amava e se arrepende amargamente do que fez até hoje. Criminosa !, gritam os pró-vida. Ela sabe, respondo baixinho para não ser confundido com os pró-liberdade de matar. E isto basta. O resto é confissão e perdão. Com Cristo.
Ainda na Veja, leio que aquele Procurador da República que certamente nunca comeu ninguém, Luiz Francisco de Souza, lançou um livro intitulado "Socialismo - Uma Utopiã Cristã". O Apocalipse descrito na Bíblia, já dizia: "Eis que aqui apresentarei alguns da Sinagoga de Satanás, que dizem que são judeus, e não são, mas mentem." (Apoc. 3:9)
Voltemos a Carpeaux. Cita ele, em um de seus ensasios (Leviatã, encontrado nos "Ensaios Reunidos", vol. I, editoras UniverCidade e Topbooks), um diálogo havido entre Frederico, o Grande e o bispo de Culm. Disse o Grande ao bispo que sua "esperança era de chegar um dia ao paraíso, talvez escondido por baixo do pálio de um dos seus bispos católicos". No que o bispo lhe respondeu: "Vossa Majestade encurtou tão implacavelmente a minha capa, que não posso esconder por baixo dela contrabando nenhum".
A César o que é de César, a Cristo a que é de Cristo. Palavras do Senhor, Graças a Deus. Mas muito mal usadas nesse nosso tempo. E cada vez mais São Paulo Apóstolo está com a razão: "Pois todos pecaram e estão privados da glória de Deus".
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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
Johnny Cash. Ícone americano morto no final do ano passado. No fim da vida, já debilitado, gravou quatro discos de uma série intitulada American Recordings. Regravações de famosas canções americanas. Tem de tudo. Dos Beatles ao U2, passando pelo Elton John. Aliás, a versão de One, do U2 ficou uma obra prima.
Os discos devem ser ouvidos como um inventário da vida de Cash. Embora poucas canções sejam de sua autoria, todas ganham uma abordagem tão original de Cash, que acabam se tornando mais suas do que dos seus compositores originais. E talvez isto se explique pela entrega de Cash. Acho que entrega é um termo exato neste caso. Em cada canção, cada acorde tocado e sílaba cantada, percebe-se claramente um lamento, um testemunho, uma confissão de Cash.
Se é verdade que haverá um dia em que seremos obrigados a nos confrontar com o que fizemos de nossas vidas, este dia, para Cash, são condensados nesses quatro discos, em forma de música. A sinceridade de Cash me parece tão flagrante e tão bela que certas canções tomam ares transcendentais. Cash já não era deste mundo.
Uma canção em especial se destaca. É do último álbum da série. Hurt, do Nine Inch Nails, que citei no post abaixo. Com um violão e um piano poderosos, a versão de Cash para essa pesada canção é uma das pérolas mais maravilhosas já gravadas. A canção é tão tocante que é impossível ficar impassível diante da sua audição. Ouvir Cash, como que se confessando, rezando mesmo, cantar no embalo daqueles acordes vigorosos e sempre crescentes:
What have I become / My sweetest friend / Everyone I know / goes away in the end / And You could have it all / My empire of dirt / I will let you down / I will make you hurt.
Mas aqui, por um desses milagres do acaso, algo mais se juntou para dar significado a esta canção. Foi o videoclipe dela. Um dos mais belos já feitos. O clipe é todo entrelaçado por imagens de filmes de Cash, da juventude e carreira do cantor, com cenas de Cash, hoje, em casa, sozinho, ora sentado desolado em sua cadeira, ora no piano, ora com seu violão. Nas cenas finais, a esposa de Cash aparece atrás dele, simplesmente olhando-o, com carinho, resignada e comovida. Trechos da crucificação de Cristo também surgem. Era um homem se entregando. Mas com uma dignidade tamanha, que não poderia ser outro o resultado final.
O clipe simplesmente emociou os EUA inteiro. Bono, cantor do U2, disse que chorou mais nos 3 minutos do clipe do que em 2 horas de qualquer filme. O compositor da música, Trent Reznor, ficou sem palavras, profundamente comovido após assistir o clipe. O diretor do mesmo, conhecido de Cash de tempos idos, afirmou que não quis fazer um obituário do cantor, mas simplesmente contar sua história. Ainda bem que assim o fez, sem estrelismos e pretensões outras, porque é a vida de Cash o que jorra do clipe. Nada mais emociona do que um homem, no final de sua vida, ter a coragem de jogar suas pérolas aos porcos. Cash teve seus dias de porco, mas soube burilar como poucos suas pérolas. E caridosamente nos ofertou. Que ele nos redima. E que ele, como diz os últimos versos da canção, possa ter encontrado seu caminho, que evidentemente não seria neste mundo:
If I could start again / A million miles away / I would keep myself / I would find a way.
Assista o clipe aqui.
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17:02 Comentários:
Domingo, Janeiro 11, 2004
Qualquer Canção
Rememorando os primeiros passos vacilantes deste blog, lembrei do que deveria ter sido o primeiro post, mas que nunca saiu do "papel". Escrevia eu sobre canções tristes. De amor, de sofrimento, etc. e tal. Mas nunca gostei dele. Por mais que eu escrevesse, nunca conseguia dizer o que realmente queria dizer. Ficou ali guardadinho na gaveta do HD, juntando poeira e clusters perdidos. Depois de um tempo, relia e achava pior do que antes. Nunca o publiquei.
E nem o vou porque agora o deletei para sempre. E por uma simples razão. Enquanto lia meus posts antigos e me lenbrava dos nunca publicados, aproveitei para ouvir antigas canções de antigos cd's que há tempos não eram convocados para o time titular. E descobri porque nunca gostei daquele primeiro post, por mais trabalhado como o foi. Diz aí Chico, que não sou eu, mas o Buarque:
Qualquer canção de dor / Não basta a um sofredor / Nem cerze um coração rasgado / Porém, inda é melhor / Sofrer em dó menor / Do que você sofrer calado.
Era isto mesmo. Jamais o que eu poderia falar sobre tais canções chegaria perto do significado de um dó menor ou lá menor. Preferi portanto, ficar calado. E é fácil compreender isto. Por exemplo, pegue-se o trecho final de "Fake Plastic Trees" dos malucos do Radiohead. Quando a letra "If I could be who you wanted.... if I could be who you wanted... all the time... all the time" surge daqueles arranjos delicados e tristíssimos, confesso que quase choro. Me emociono. Falaria disto naquele post, mas prefiro continuar ouvindo o outro Chico:
Qualquer canção de amor / É uma canção de amor / Não faz brotar amor e amantes / Porém, se essa canção / Nos toca o coração / O amor brota melhor e antes.
Tem quem ache "pobrinho" essas quaisquer canções de amor e de dor. "Só me emociono escutando Chopin, aquilo é música de verdade". Concordo, mas e dái ? Não dá para sofrer ou se emocionar escutando "Hurt", na versão do Johnny Cash ou "Detalhes" do Roberto Carlos (sim, "Detalhes" do Roberto Carlos. Estou me lixando para essa careta feia) ? É claro que dá.
Aliás, vai me desculpar, mas para sofrer pela bem amada sou mais os "pobrinho" mesmo. Aliás, desconfio daquelas "profundidades" sentimentais de uns e outros. Ninguém sofre de modo chique. Talvez se demonstre de modo chique. Na dor do fim, então lá no fundinho, aquele mesmo que você não tem coragem de ir quando tomou aquele pé na bunda, quem vai estar mesmo é o Tim Maia cantando "Me Dê Motivos".
Há quem discorde, por óbvio. Mas a esses nada digo, pois o Tim Maia os assombrará o suficiente. Por favor Chico, termina o que começamos:
Qualquer canção de bem / Algum mistério tem / É o grão, é o germe, é o gen da chama / E essa canção também / Corrói como convém / O coração de quem não ama.
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20:09 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Um ano já. Me diverti pacas por aqui. Enquanto assim continuar, não paro. Embora o tempo tenda a ser cada vez mais escasso. Datas assim nos põe a pensar e a revisar. Desde o princíipio aquela voz na minha cabeça berrava, foi diminuindo o volume, mas ainda permanece susurrando diabolicamente: "a quem você pensa que engana, hein, hein ?". Por vezes ela tenta me enganar, imitando Fábio Jr. e me dizendo o mesmo com outras palavras: "Que que há, que tá se passando com essa cabeça...".
A mim, penso que não me engano, embora não tenha tanta certeza. Alguns desavisados certamente já enganei. Alguns amigos também, embora nunca me tenham falado nada. Mas se bem conheço, caíram como patinhos. Não criei inimigos, ainda, surpreendentemente.
E lembrar que no meu período de faculdade, 2/3 dos 70 alunos da sala, se pudessem, me matariam sem dó nem piedade. Uma em especial que, tendo em vista seu talento nato para varrer o chão do salão de festas após uma churrascada, indignou-se quando joguei, do sofá onde estava sentado e bebendo a décima quinta lata, uma moedinha de cinquenta centavos em sua direção. Vai entender esta gente.
Mas acho que ainda arrumo um inimigo. Apareceram alguns analfabetos para arranjar confusão na caixinha de comentários, mas nada que chegue aos meus pés. Porque é claro, para ser inimigo o sujeito tem que ser tão bom quanto eu. (Ninguém se arrisca ? Ói que eu estou provocando, hein ? Tenho a pachorra de me achar o bonzão, embora meu carro não seja vermelho. Não vai demonstrar que está indignado ? É, quem tem cu, tem medo)
Mas enfim, voltando ao assunto. Escrevo porque tenho que escrever. Tenho que, entende ? É como almoçar, jantar, dormir, tomar banho... Muitos posts eram textos anteriormente escritos e perdidos no meu HD. Antes deste blog, cansei de enviar e-mail's incomodando amigos com considerações sobre os fatos do dia ou outras besteiras mais. Quando descobri os blogs, bem, arranjei mais um caderninho para escrever minhas bobagens. Só isto.
"Mas terás leitores !", um sopro de vento gelado sussurrou ao meu ouvido então. Pois que venham, respondi e continuo a responder. Não cobro nada e portanto, lê quem quiser. Não me envaideço da existência de leitores ou comentadores, ou me irrito com idiotas que se acham no direito de me xingar pelos cometários. Pago o preço, assim como pago para ter comida, água para o banho, etc.
Não tenho muito mais a acrescentar. Muito do que sei e até do que não sei já foi respondido pelos filósofos Calvin & Hobbes, o que me basta. "Por que escrevo ?" , pergunto-me socraticamente. E eles respondem:
"Calvin: - Este livro 'Ligue os Pontos' põe-me doído ! Olha para isto.
Hobbes: - É um pato.
Calvin: - Eu sei ! Quem quer desenhar um pato ? Eu é que não. Eles obrigaram-me ! Fui manipulado ! O meu talento artístico nato foi usado contra a minha vontade para dar a uma entidade coletiva a idéia base de ave aquática ! Que ultraje !
Hobbes: - Outro duro golpe na inteligência criativa.
Calvin: - A partir de hoje, ligarei os pontos à minha maneira."
"Disponibilizar ou não disponibilizar comentários por aqui ?", dialogo à la Hamlet com os dois, que me intrigam:
"Calvin: - E se alguém nos chamar de 'dupla de peripatéticos patéticos' ?!
Hobbes: - Nunca ouvi alguém dar-se ao trabalho de rimar insultos esquisitos.
Clavin: - Mas não devemos ter a resposta pronta ?"
"E se surgirem devotos ? E se eu correr o risco de virar um exemplo, um motivo, um modelo ? E se vierem atrás de respostas ?", devaneio à lá Nietsche ou Paulo Coelho, e eles me acalmam:
"Calvin: - 'Viver cada momento' é o meu lema. Nunca saberemos quanto tempo temos. Amanhã podemos estar atravessando uma rua e 'Blam', uma betoneira nos atropela ! Então nos arrependemos de ter esquecido os prazeres ! Eis porque eu quero 'viver cada momento'. Qual é o teu lema ?
Hobbes: - 'Sempre olhar antes de atravessar a rua'."
"Mas eu sou mau demais. Oh, horror, eu estrago a diversão dos outros em concursos públicos , em viagens de turismo , em amigos secretos ... Já mandei gente para o hospício, e se me deixassem, tinha matado outas ... Não seria este blog então um atestado ou um passaporte para o inferno ou, no mínimo, um caminho para a solidão e o esquecimento ?" - agostinianamente me confesso. Mas Calvin & Hobbes, assim como Marx pensava que tinha, tem resposta para tudo:
"Calvin: - Se o céu é bom e eu gosto de ser mau, como poderei ser feliz lá ?
Hobbes: - Como irias parar ao Céu se gostas de ser mau ?
Calvin: - Digamos que eu não faria o que queria fazer. Supõe que eu levaria uma vida irrepreensível. Supõe que negaria minha verdadeira natureza !
Hobbes: - Não sei se terei imaginação suficiente.
Calvin: - Talvez o Céu seja um lugar onde nos deixem ser maus."
Ah, me lembrarão aquela frase do Henfil, de que "se não houve frutos, valeu a beleza das flores...se não houve flores, valeu a sombra das folhas....se não houve folhas, valeu a intenção da semente". Desculpe, mas não tem nada disso não. Isto aqui é um cactus já plantado. Não se interessa em saber se você o acha belo ou horrendo. Ele sabe que é belo. Ele não precisa do seu regador de lisonjas ou do seu saco de esterco. Ele bebe água bem de vez em quando e só. Aguenta invernos e verões. A estiagem foi feita para ele. Teme apenas as enchentes. Porque não há quem sobreviva aos afagos dos tapinhas nas costas.
Quer saber, ele está de parabéns.
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20:40 Comentários:
Domingo, Janeiro 04, 2004
2004, O Terceiro Depois De 2001
Queria ter algo a dizer sobre o ano novo. Foi uma semana agradável, pode ser ? Sem novidades. Tudo como era dantes no quartel de Abrantes.
Havia uma japonesa e seus chapéus, boinas, lenços, etc. Usava um para cada dia da semana, sendo um pela manhã, outro pela tarde. De noite ela repetia o da manhã. Lembrei-me das Sete Faces do Dr. Lao. Mas são lembranças doídas demais para mim, pois me recordo de Benji, o cão benfeitor. Sinto-me deveras emocionado neste instante. Melhor pensar nos Aventureiros do Bairro Proibido ou então no Curso de Verão. Bons tempos aqueles. Não sei se ainda o são. Trabalho sempre na parte vespertina e da sessão, me sobra os avisos na hora do Jornal Hoje.
A lei de Murphy já se fez presente neste novo ano. Ou o que mais explicaria aquela velha de 97 anos que foi encontrada com vida depois de oito dias debaixo dos escombros do terremoto no Irã ? Muito cuidado nos inícios de ano, é uma de minhas regras.
E qual foi o primeiro bebê de 2004 a nascer na sua cidade ? E quantos casos de queimaduras de primeiro grau por causa da bebida alcóolica ? Viu o tamanho do engarrafamento ? Além de Belo Horizonte, onde mais já teve enchente ? O começo de ano é bem chato.
Já posso tirar minha cueca branca nova ou ainda estamos sendo ridículos ? Uma velha quis pular as sete ondas na meia-noite. O mar estava agitado porque é gente boa. Foi preciso um salva-vidas. Ela se engasgou com as uvas-itália.
Por falar neles, aqui no Paraná três paulistas mocorongos viraram notícia. Final de tarde foram passear numa ilhota que fica a uns 50 metros de distância do continente e que é ligada por uma trilha de pedras. Veio a noite e a maré cobriu as pedras. Os mongos ficaram com medo de pular, dar duas braçadas e chegar no continente. Até Benji riria disso, vivo estivesse. Resultado: 8 salva-vidas chamados para socorrer os energúmenos, que ao menos se recusaram a dar entrevista. Engraçado é que de dia, não há 8 salva-vidas naquela praia...
O Brasil já começou sendo mais ridículo do que no ano passado. Agora, começamos a fichar os americanos que chegam por aqui. Assim como eles fazem conosco por lá. Depois nos gabamos de sermos anti-americanos. Ora, a gente imita tudo que vem de lá. E somos uma imitação bem chinfrim, porque pegamos em 90% dos casos, o que tem de pior, como acabamos de comprovar.
E isto é só o começo do ano. Ainda virão as falas do Lula, os bonés do Lula, as viagens do Lula, as gafes do Lula. Espero que ele peide em rede nacional desta vez. Tem gente feliz porque sá faltam três anos. Eu acho que são sete, mas deixe estar. E o primeiro nem foi tão ruim assim. Ainda falta 60% da nossa renda para ser confiscada. Eles começaram de leve.
Queria ter algo a dizer sobre o ano novo. Que venha 2005 é tentador, não ?
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17:46 Comentários:
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Feliz Ano Novo
Meu Natal foi uma beleza. Com um atrativo à mais. Dia 25 estreou o último "Senhor dos Anéis". Enfim estreei meu taco de beisebol que ganhei há 10 anos atrás. Peguei dois vestidos de Gandalf e uma família inteira, cujo pai era Aragorn; a mãe, a fada que não sei o nome e os filhos, estavam de hobbits. Foi muito agradável.
Oh, assistirei sim. Mas só depois que essa escumalha terminar de assistir suas cinco vezes seguidas. Ali pelo fim de fevereiro ainda pego em cartaz, tenho certeza.
Vou me encharcar do cheiro do mar e volto lá pelo dia 05 de janeiro. Enquanto isto, fique à vontade. Tem cerveja na geladeira. Se quiser chá, por favor se retire. A porta da rua é a serventia da casa.
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18:05 Comentários:
Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
O Natal sempre foi muito esquisito. Uma tensão no ar, uma correria sabe-se lá para que, uma boa vontade repentina, uma falta de paciência constante, angústia generalizada, stress e muito barulho. Onde você vai é só barulho. E então as pessoas acham que "o ano está acabando muito depressa".
Tenho poucas certezas. Natal em família é uma delas. O Natal ser muito melhor do que o Ano Novo, outra. E eu sempre gostei. Poupe-me da "constatação" que é uma festa para o "frio" e não tem sentido num país tropical. Você é que não tem sentido algum. Suma daqui.
Igualmente o "consumismo" do momento em nada me incomoda. Consumo o ano inteiro. Fico querendo aquele livro, aquele cd, aquele DVD e aquele terno o ano inteiro. Ainda bem que tem uma data a mais no ano, além do aniversário, onde posso ganhar tudo e mais um pouco. Me incomoda sim, o griteiro e a correria, mas até um débil mental sabe que isto "faiz parti".
Blá, blá, blá... não lhe dou ouvidos mesmo. Já disse para sumir daqui e leve sua catilinária anti-capitalista com você. Ah, você vai se eu lhe der só um bom motivo para a troca de presentes nesta época do ano ? Lhe dou três. E são Reis Magos.
As boas ações já me irritaram antes. Hoje, não. Que existam ao menos uma vez no ano. Que seja hipócrita, que seja ridícula. Que a Cida, diarista aqui de casa, possa ter ao menos um jantar no ano, com mesa farta e roupa "nova". Isto me convenceu.
Experimente olhar a noite do dia 24, quase 25. Repare como as coisas vão se acalmando, como o silêncio já não angustia. Como tudo começa a fazer sentido. Talvez você não saiba colocar em palavras este sentido, mas você sabe que ele está presente. Depois da ceia, da troca de presentes, da constatação que você exagerou em tudo, na comida, na bebida, na roupa, nos presentes, nos pacotes, nas piadas, repare no alívio. É, no alívio.
Não é fácil, óbvio, esperar o nascimento de um Deus. Vai saber o que é isso ? Eu tenho certeza que você não sabe. Não adianta forçar, você não sabe. É, você mesmo. Eu sei que ficou quieto, mas continua por aqui. Pouquíssima gente sabe.
Fique com suas "verdades". Você arranca a barba do Papai Noel e acredita piamente que "provou" que ele não "existe". Não tem muita diferença do pessoal que decidiu crucificar Jesus. Eles só foram mais cruéis. Embora seu priminho de quatro anos não veja muita diferença entre você e eles.
Eu não sei o que significa o nascimento de um Deus. Mas desconfio. E fico esperando o alívio.
Feliz Natal para você também.
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18:19 Comentários:
O Assombro das Noites
Em 2001, quando li esta mensagem de Natal (para ler, basta rolar a barrinha lateral até o final. Ela está lá, em negrito e centralizada.), por um impulso que certamente nunca mais se repetirá, enviei a mesma para um monte de gente. Ingênuo, eu sei. Me poupo de comentar as "consequências".
Sempre que chega o Natal, como aconteceu em 2002, eu a leio. A vontade de dividir com amigos, principalmente, ainda permanece. Mas já não me iludo. Neste ano de 2003, era o único post certo. Não será.
Deixo o link para sua leitura, mas não me acho digno de aqui expô-la. Simplesmente porque não tenho como defendê-la, se preciso fosse. Me falta quase tudo. Prefiro então, porque mais condizente comigo, publicar esta pequena crônica do cansado Carlos Heitor Cony, que dia desses saiu na Folha de São Paulo. Despercebida, é claro.
"O Assombro Das Noites
Nunca esqueci a noite em que, acordando de um pesadelo, vi luz acesa na sala e fui ver quem estava lá. Ajoelhada diante da mesa, cabeça baixa, terço nas mãos, tia Zizinha rezava, madrugada alta, tudo em silêncio, ela magrinha, parecia um passarinho molhado, sentindo frio.
Era devota, a minha tia, não deveria ficar impressionado, mesmo assim fiquei. Sabia que ela rezava por todos nós, por mim, pelo meu avô que estava doente, pelo mundo inteiro. Evitei que ela me visse e voltei para a cama, perdera o medo do pesadelo, sabia que os fantasmas não mais me assustariam.
Anos depois, muitos anos depois, viajava com o Otto Maria Carpeaux, fazíamos palestras agendadas por diretórios de estudantes, centros de estudos, era um mambembe não-remunerado e estranhíssimo, pois Carpeaux era gago, eu falava mal e pronunciava as palavras de forma errada, mesmo assim, havia gente que deseja ouvir-nos.
Em Florianópolis, num hotel modesto, acordei no meio da noite e olhei para a cama ao lado. Estava vazia. Carpeaux sofria de insônia, imaginei que ele, sem fazer barulho, na ponta dos pés, tivesse saído do quarto, tomando cuidado para não me acordar.
Não acendi a luz, mas saí da cama, fui à saleta anexa ao quarto, que também estava escura. Voltado contra a parede, numa direção que eu não podia determinar (Roma? Meca? Jerusalém?) Carpeaux estava de joelhos, cabeça baixa, os braços estendidos, como um anacoreta medieval, perdido num deserto sem estrelas.
Carpeaux era judeu vienense, convertera-se ao catolicismo, segundo alguns, para conseguir um visto no Vaticano que o tirasse da Gestapo, que o procurava. Eu sabia tudo sobre Carpeaux, menos o seu passado europeu, sobre o qual ele nunca falava. Não frequentava igrejas, evitava qualquer discussão sobre temas religiosos.
Tia Zizinha... Carpeaux... Uma noite dessas, tomo coragem e fico de joelhos diante de meus espantos."
Tenho meus espantos, é verdade. Mas meu problema já não é mais coragem. Porque não é de outra forma que leio aquela mensagem de Natal, senão de joelhos.
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18:17 Comentários:
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Fim de ano é inevitavel. Me esquivo, chego a brigar, mas não tem jeito. Ao menos de um amigo secreto, acabo participando. Esta é A coisa mais idiota que já inventaram na face da Terra.
Eu até que tento estragar no dia, mas não dá muito certo. Cantar "com quem será, com quem será, com quem será que fulano cai casar..." quando um sujeito vai receber o presente da sujeita, é engraçado, as caras vermelhas e tal, mas passa rápido. Ficar gritando "Hum, não gostou, hein ?", de modo sério e grave, depois do sujeito ganhar um vale-cd também é alívio passageiro por demais.
Já. Já tentei ser sincero na minha vez e não adiantou. Acharam que eu estava brincando para "dificultar" a "descoberta". E ficar fazendo o óbvio também cansa. Hã, o óbvio ? Sim, o de sempre:
- Meu amigo secreto é uma pessoa especial, muito divertido, é homem, se veste muito bem...
- É o Alfredo !!! - respondo, apontando para o Alfredo que é um sujeito pobre, gordo e que não se veste bem de maneira alguma, mas que evidentemente ninguém dizia isto em voz alta.
- Não ! - rapidamente o da vez me corta, ficando embaraçado. Alfredo riu. - Bom, voltando aqui. Esse ano ele foi um compnheiraço aqui na firma...
- É o Jaime !!! - aponto para o mais filhodaputa de todos os funcionários que não move um dedo por ninguém e todo mundo sabe, inclusive ele.
- Não, pare de atrapalhar ! - o da vez começa a suar. Jaime inclina levemente a cabeça para o alto e finge desdenhar. -...bom, ele tem cabelos escuros, olhos claros, tem uma namorada misteriosa que não apresentou para ninguém ainda....
- É o Túlio !!! - aponto para o casado, com a esposa ao lado.
- Chega, não tem nada a ver. É o Tito. Estraga-prazeres... - Tulio está visivelmente constrangido e sua esposa o fita com ódio no olhar.
Essas coisas cansam demais. O espírito da idiotia é mais forte e a brincadeira sempre segue em frente. Dizem que eu não entendo o espírito da coisa. Engano, vocês é que não entendem de espírito.
Os piores são aqueles em que todos os participantes são muito amigos. Aí tem sempre uma besta que aproveita a ocasião para fazer confissões. Sorte minha que não sou alérgico.
Mas o mais triste é que sempre tem um limite máximo de preço do presente. Não entendo esta sanha igualitarista até nisto.
Preço mínimo, vá lá, porque filhosdamãe iguais à minha pessoa não vão sacanear a pobre alma, com presentes de 1,99. Mas preço máximo é palhaçada. E o pior é que o "teto" sempre impede que você peça um livro, mas é sempre o necessário para ganhar "kits" do Boticário.
E todo mundo dá esses kits prá todo mundo e todo mundo finge que gosta desses kits que deixam todo mundo com o mesmo cheiro imundo. Perdoem-me, ainda não bebi hoje (adendo post scriptum, but before the publishing : agora já bebi, but not enough).
Final de semana próximo passarei bêbado de sexta à domingo, sem intervalos. Inventaram um amigo-secreto na festa do sábado à noite.
Pois chegarei irreconhecível, já que no jantar de sexta à noite e no almoço de sábado a bebida é de graça e terá Johnny Walker "blue label" (para os leigos, 15 anos de espera). Sem contar as champagnes de no mínimo 100,00 (sim, a veuve clicquot amarela).
Levarei de presente um porta-retrato com a foto do Gugu segurando seu filho, pois sou adepto dos transgênicos. Torça para que eu não tenha tirado você. Aliás, preparem-se para minha performance Jack Nicholson, onde misturo os personagens dele dos filmes "Questão de Honra" e "Melhor é Impossível".
You want the truth ? You can't handle the truth ! E então incorporo Melvin Udall e passo a descrever meu amigo secreto.
Até segunda.
P.s.: avisam-me, após terminar este escrito e antes de publicá-lo, que o amigo secreto foi cancelado. Levarei o presente mesmo assim. Escolherei a esmo o amigo. A performance permanece confirmada.
posted by Chico |
21:28 Comentários:
Domingo, Dezembro 14, 2003
Olha que bacana o banner que o gentil Flamarion me presenteou. Auto-explicativo, não ?
Tem links novos aí ao lado. Dispensam comentários. E também publiquei novo post na Sociedade.
E você já reparou que desisti do "Who's fooling who?" ? Não, não, ainda não descobri a resposta, mas bobo por bobo, fico com meu apelido velho de guerra.
Mas não se deixe enganar, hein ?
posted by Chico |
22:23 Comentários:
Que coisa, não ?
Perguntam-me onde é que a coisa vai parar. Não sei.
Acho curiosa a coisa. Ela sempre está indo, nunca vindo. Eu tenho preguiça de ir atrás da coisa.
Qualquer tempo passado foi melhor. Dita e redita esta frase, não é diferente da coisa que se vai e sempre foi melhor antes de ter ido. Pela inércia, voto sim, senhor Presidente.
Dizem que Jesus morreu pela coisa. Como pouca gente entende o que isto significa, não é à toa que ninguém saiba onde a coisa vai parar.
Tô nem aí, grita uma fuleira no meu rádio. Eu sei, não precisa cantar.
Ninguém percebeu, mas "ô coisinha tão bonitinha do pai" é uma música gospel.
Me lembro de um filme americano chamado "It", traduzido para os jacus como "A Coisa". Talvez vocês se lembrem. Era de terror, um palhaço que na verdade era um monstro. O final é ridículo, faltou verba e o monstro não aparece. Não, me engano, aparece sim. Era uma aranha gigante.
Segundo Raul Seixas, duas aranha, duas aranha....
A coisa se transmuda muito facilmente. Pode ser até aquilo.
Aposto que Caetano e Gil sabem dizer o que é a coisa. Ou não.
Ah, a coisa. Juarez Soares, filósofo do futebol, sempre disse que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A nossa coisa não sei qual delas é. Mas é diferente da outra.
Uma coisa é certa: a coisa está preta.
Bom prá coisa. Com essa história de cotas para negros, ela deve conseguir arranjar uma boquinha. Mas se vai parar, é cedo para dizer.
Onde é que você quer chegar com este post ? Não sei. Ele é como a coisa, sabe lá Deus onde vai parar.
Lembra do filme "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" ? Lembra do final sem fim? Pois é...
P.s: onde será que a coisa vai parar, hein ?
posted by Chico |
22:19 Comentários:
A Você, Com Todo Carinho
Paulo Francis, em uma entrevista qualquer, respondendo a uma pergunta sobre restaurantes em Nova York, disse que não indicava nenhum, porque se assim fizesse, iria encher de brasileiros.
Isto me vem à mente sempre que recebo esses guias de bares e restaurantes da cidade. A Veja lança dois por ano aqui em Curitiba. O do verão acabou de sair.
Saber o que existe na cidade é muito bom, embora você só deva visitar esses locais depois de uns dois meses, quando a jacuzada já visitou todos e está "in" novamente.
Agora, a parte em que sai os "melhores" disso e daquilo é de chorar de rir. Por exemplo, por causa da Veja, todo mundo acha que a melhor batata suiça da cidade é a do Beto Batata. Mas não é mesmo. E como respeito Paulo Francis, jamais direi onde fica a melhor batata. Embora seja meio óbvio.
Outro exemplo. Brownie com sorvete. Pela Veja verão, é o da lanchonete estilo 50's, Peggy Sue. Na-na-ni-na-ni-na. Aquilo é bolo de chocolate com sorvete. É bom, mas brownie de verdade fica em outro lugar. Custa a metade do preço e é setecentas vezes superior. De novo, é óbvio, mas a gente fuleira que vive à custa de guia de revista não merece saber disto.
Estou pensando seriamente em digitalizar essa lista de melhores, com as devidas anotações, impimir e colar na porta da geladeira. Por que ? Ora, porque todos temos aqueles amigos "descolados", que ligam dizendo "vamos em tal lugar novo que EU descobri ?". Sempre respondo : "qual ? aquele que aquele viado indicou na Veja ?".
Noite salva, como se vê, porque gente descolada finge que é autêntica, e quando desmascarada, fica brabinha.
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22:16 Comentários:
Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Ditado Adaptado ao Brasil
Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Mas é tratado como louco.
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18:12 Comentários:
Mau Gosto
Dizem que tudo é questão de gosto. Reconheço que é um modo de parar de se incomodar. Dói na boca do estômago ouvir neguinho dizendo que não há diferença entre música popular e música clássica. "É mera questão de gosto !". Eu deixo que ele pense assim. Para mim é cômodo.
Não que ambas sejam "excludentes". Nada disso. Mas a diferença entre elas é a mesma que bijuteria e jóia. Existem bijuterias belíssimas, mas nenhuma tem o valor de uma mísera jóia. Mas enfim, tem quem ache que é mera questão de gosto preferir bijuterias à jóias.
Pensando nisto, resolvi contribuir com esta pseudo-humanidade.
Eu inventei um sistema. Simples, básico, sem erro. Quando você ler um livro, ouvir uma música, assistir um filme, um programa na TV, etc. e tal, espere a reação do seu corpo. Se arrepiar a nuca, não presta. Se arrepiar os braços, presta.
Se você está tentado a perguntar sobre: "E se o arrepio for no cu ?", digo-lhe que o fato de você automaticamente associar arrepio a cu denota apenas qual o seu gosto sexual. Vá para Bocaiúva do Sul, por favor, e não me incomode.
Creio que é um método simples, mas absolutamente confiável. Afinal, adaptei apenas o paradigma da modernidade. Se tudo é questão de gosto, retrocedamos mais um pouco e larguemos mão sequer de pensar sobre. Arrepiou o braço, é uma obra de arte. Arrepiou a nuca, é merda. Simples assim.
Exemplo. Lembremos quando a Heloísa Helena chorou na tribuna do Senado. Nuca arrepiada, é óbvio. Eu sei, eu sei que em você, o braço é que arrepiou. Efeitos colaterais da técnica. Facilita para você saber do que gosta. Mas facilita também a mostra das diferenças. Mas, ei, como você mesmo diz: questão de gosto, certo ? Você acha que a Heloísa Helena é um homem do cacete, coerente, o máximo em política. E eu é que não vou lhe convencer que coerência na burrice não torna ninguém melhor, ao contrário.
Ficou incomodado, não ? Mera questão de gosto não resolveu seu problema, certo ? Você está louco para argumentar em favor da HH. Eu sei, eu sei como funciona. Mas ei, foi você quem disse que não tem diferença entre bijuteria e jóia, lembra-se ?
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18:12 Comentários:
Sábado, Dezembro 06, 2003
Em Que Estado Fica Bocaiúva Do Sul Mesmo ?
Bocaiúva do Sul está na boca do povo. Por lá, o Prefeito não quer homem com homem, nem mulher com mulher. Mas para fazer isto, pelo visto, vale tudo. Muita gente levou a sério.
Eu me pergunto como se daria a constatação de quem é quem. Por via das dúvidas, quero distância de Bocaiúva do Sul. No meu, ninguém mete a mão.
O Prefeito já tinha proibido camisinhas na cidade. Depois deu amendoins de graça para todo mundo. Ele quer aumentar o número de cidadãos. Em Bocaiúva, ninguém trepa a cotento.
Dizem que é culpa dos OVNIS. Desde que o Prefeito construiu a pista de pouso para espaçonaves, dizem que coisas estranhas estão acontecendo por lá. De estranho, para mim, é só o fato do Prefeito ter ido ao Jô Soares em razão disto. Pensando melhor, estranho seria se não tivesse sido convidado...
Quando a seleção brasileira jogou em Curitiba dias atrás, o Prefeito avisou que as naves pousariam em Bocaiúva na mesma hora do jogo. A pedido do Onaireves Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol, ele conseguiu convencê-los a pousar em outro dia.
Hoje, Bocaiúva está tomada de gays. Passeatas acontecem todos os dias. Não se sabe se as naves pousaram, nem se os ET's já moram lá. Uns dizem que o Prefeito foi abduzido. Outros acham que os ET's são homofóbicos. Eu acho que os gays é que são os ET's. Enfim chegaram.
Perguntaram ao Prefeito se ele era heterossexual. Ele respondeu que não, que ele era homem muito macho.
Prá mim, faz todo sentido.
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12:33 Comentários:
Nem parece que o futebol brasileiro se tornou a coisa mais chata de todos os tempos. Esta semana cheguei a ficar com saudades de assistir a jogos nos estádios.
Primeiro, a briga entre argentinos e brasileiros no jogo São Paulo e River Plate no meio de semana. Finalmente, voltamos às boas.
Mas melhor do que a briga, foi a declaração do novo Serginho Chulapa, Luis Fabiano. A briga foi no final do jogo, que acabaria se decidindo nos pênaltis. Ele tinha duas opções. Ou ficava na dele ou ajudava seu companheiro na briga, com o bônus de poder bater em argentino. Logo se vê que não havia opção alguma. Surrar argentino era uma obrigação.
No fim do jogo, ele sustentou sua opção. Para ele, deu azar. Em todas as outras vezes que foi expulso, ele até acha que errou, mas desta vez não, desta vez foi puro azar mesmo. Concordo com ele.
O segundo fato que me comoveu foi aqui nessa terra paranaense. Como todos sabem o Estado do Paraná só possui dois times, Coritiba e Atlético Paranaense, rivais até a morte, graças a Deus. Pois bem, esta rivalidade anda muito murcha. Quando um vai bem o outro vai muito mal. Assim, fica meio sem graça. Salvo....
Exatamente, o ex-jogador Mário Sérgio Pontes de Paiva e atual técnico do Atlético, deu uma declaração essa semana dizendo que vai torcer contra os coxas nesta reta final, para eles não se classificarem para a Libertadores. Obviedade, bem sei, mas há quanto tempo não temos isso ?
Apesar dessas boas novas, nada indica que voltamos aos bons tempos. No campeonato brasileiro, as coisas estão chatíssimas. Já existe um campeão. Que será lembrado pela "tática" do treinador, pelo "conjunto", etc. e tal.
Saudades dos tempos em que o campeão era lembrado por aquela pedalada do Robinho na final de 2002, ou os trocentos gols do Alex Mineiro nas finais de 2001. Sim, porque existia uma final de campeonato. Agora os frouxos podem sorrir porque tem chances de serem campeões pela "regularidade".
Pro inferno com essa coisa morna.
P.s.: Ricardo Pinto, ex-goleiro do Fluminense e do Atlético Paranaense quase morreu de novo. Lembram que a torcida do Fluminense lhe espancou num jogo em que ele defendia o Atlético, lá pelos idos de 1996 ? Pois é, agora ele foi pescar em alto mar, de barco e se perdeu. Ficou uns dois dias fora até que o encontraram quase desidratado. Os deuses do futebol não perdoam.
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12:32 Comentários:
O Melhor Amigo do Homem
Dizem que o melhor amigo do homem é o cachorro. Vinícius de Moraes concordou, desde que o cachorro fosse engarrafado. Sou mais o Vinícius. Meu barbeiro também.
A dica veio do meu irmão. Era do lado do escritório e bem mais barato que qualquer outro lugar. Único senão: "não vá de tarde, porque na hora do almoço ele começa a beber no bar do lado". E assim, sempre fui pela manhã cortar meu cabelo.
Numa dessas, escutei a história de um louquinho que vai cortar cabelo lá e leva sua esposa. Ele fica ofendendo o barbeiro, perguntando se ele sabe cortar, dizendo que a lâmina está muito fria, etc. e tal. Meu barbeiro chegou à conclusão que ele está fingindo e já lhe cortou várias vezes a nuca, com a gilete fria. Mas ele gosta do louquinho. Sempre no final do corte o tal faz a mesma coisa. Ele dá um pulo na cadeira e pergunta para o barbeiro desde quando ele deixa mulher feia entrar ali. Pelo espelho, ele aponta a própria esposa. Que já desistiu, é evidente.
Dia desses ele pediu ajuda ao meu irmão para terminar de fazer uma palavra cruzada que há três dias ele não conseguia terminar. Faltava uma única palavra. Meu irmão conseguiu resolver o problema. Foi só dizer que "saudação jovial" não era "iá" e que ônibus só tem um "o".
Histórias de barbeiro é que não faltam, claro. Gostaria de ser cliente de um sujeito que possui estabelecimento ali pelos lados da "La Casa Di frango", no Juvevê. Mas ainda não criei coragem. Ele tem inúmeras histórias terríveis. A mais leve é quando um pai boa gente, querendo iniciar o filho de uns sete anos de idade nas coisas de homem das antigas, levou-o para seu primeiro corte com o tal.
O pai levou uma revista e pediu ao barbeiro que cortasse igual a um dos guris que aparecia numa foto. Era um cabelo "tigela". O barbeiro disse que: "cortar eu corto, mas que ele vai ficar parecendo um viado, não tenha dúvidas !".
Ontem, atarefado e esquecido, fui cortar o cabelo pela última vez no ano. Chegando, a "barbeira", companheira da figuraça, estava destruindo um cabelo de uma doméstica qualquer. Ele não estava. Ela me disse então: "vai no bar aí do lado e chama ele que eu vou demorar".
Lembrei que eram três da tarde. Tive a chance de fugir, mas ele me reconheceu quando passei em frente ao bar. "Veio cortar dotô !". E de um gole só terminou o cahorro transparente que jazia naquele copinho típico.
"Tava aqui adoçando a vida !".
Me comovi e me convenci. Ele não estava bêbado, mas com o braço firmado. Começou a cortar. Um escapamento de um carro estourou. Ele deu um pulo, um rodopio, bateu os braços qual passarinho, deu dois passos para trás como um bebê aprendendo a andar e se estatelou no banquinho de espera.
"Vixe, mãe ! Parece tiro de 22 !"
E me contou das diversas experiências que teve com assalto e tudo mais. Só ali, assaltaram duas vezes. Depois que ele comprou um 22, tentaram mais três. Nunca mais conseguiram.
"Vão proibir tudo, eu sei, dotô ! Tô sabendo. O Zé Centelha, dono do bar aqui do lado andou me falando. Mas eu quero que se dane. Antes eles do que eu !".
Ninguém discordaria deste sábio homem. Quis saber porque Zé Centelha. Ele deu uma risada misteriosa. Lembrei-me das palavras cruzadas e me calei.
Ele mudou a estação do rádio e baixinho me confessou que não suportava as músicas bregas que a parceira gosta. Deixou então numa "easy radio" qualquer. Uma canção dos anos 70 começou a tocar. E ele, dançando.
"O senhor não pegou a época da discoteca, né ?", "Ah, o senhor era muito novo !". "Era uma beleza. Era só luz e som. Luz e som. Não tinha droga, só diversão." "Ela acabou ali por 86....não, 82 já tava bem fraquinho..."
Adoro conversa de bêbado sem sentido ou mentirosa.
"...Depois veio o rap, aí fudeu tudo." Ele continuava dançando. Eu, depois de mais esta constatação genial sobre verdades históricas, já batucava no braço da cadeira.
A música acabou e começou "The Lady in Red". Ele continuou dançando no ritmo disco. E arriscou cantar. Percebi que ele estava cantando "I Will Survive" no ritmo de "The Lady In Red". Inexplicavelmente, no refrão, ele cantou os versos certos. No repeteco do refrão, não resisti e acompanhei: "the lady in red.....is dancing with me.....cheek to cheek....nobody's here...just you and me....it´s where I wanna be".
A velha e a doméstica olharam meio assustadas. Eu estava aliviado pois o corte ia se dando sem problemas e ele estava em outro plano espiritual. Me mostrou então como ele sabia cortar com uma mão só, sem ajuda da outra. Era realmente um fenômeno.
Terminando o corte, veio a hora de aparar com a gilete. Tentei não lembrar de Van Gogh. Ele se calou e se concentrou. Fez um excelente trabalho.
Paguei os R$ 8,00, dei feliz natal e feliz ano novo. Ele se emocionou e me abraçou. Não resisti e o troco dos R$ 10,00 deixei com ele. Para adoçar o final de ano.
Agora, só corto meu cabelo no período da tarde.
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12:30 Comentários:
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Às Vezes...
Oito da matina de hoje. Enquanto tomo meu café da manhã, assisto a um programa de entrevistas de um canal inexpressivo de TV aqui da terrinha paranaense. Talvez seja um dos melhores programas homorísticos involuntários da TV brasileira.
Intervalo. Há um breve noticiário de segundos de duração. A reportagem : passeata em Curitiba organizada por um deputado estadual que pretende ser prefeito da cidade ano que vem.
Todos acham que ele usa peruca. Para mim tanto faz, porque o mistério está em saber onde ele consegue encontrar aquela cor de tinta de caju para pintar a peruca. Mas divago.
A passeata tem por tema a paz, não à violência, etc. e tal. Só um dia, uma vezinha só eu gostaria que os bandidos os recepcionassem e explicassem porque não dá para parar... Mas divago de novo.
Descobrem então um casal, cujo senhor não se sabe a idade, mas possui cabelos brancos. Ele está indignado. Descobriu a filha de 15 anos no meio da turba. Ela deveria estar na escola, que é pública. Acusa então os organizadores de terem ido cooptar adolescentes nas portas das escolas, sem a permissão dos pais. Tudo isto é a repórter quem diz.
Enfim, o entrevistam:
- Se ainda fosse para levar essa criançada para a biblioteca, darem um livro, vá lá !!! Mas não para esta palhaçada....
O fim da reportagem mostra o casal, com a filha, de costas, se retirando da praça. A repórter informa que a assessoria do deputado não iria se manifestar a respeito do caso.
É cada vez mais raro, mas às vezes um dia não precisa nem começar para que já esteja ganho.
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19:25 Comentários:
Quando Moisés leu os 10 mandamentos, o grupinho que estava à esquerda do Sinai começou a vaiar: "Fora! Fora! Esse decálogo é individualista, repressivo e ditado de cima pra baixo !"
Millor Fernandes
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19:23 Comentários:
Adendo ou Verticalistas
"Em 1944, em The Nation, um intelectual moderno criticou asperamente determinado poeta por dizer que a diferença entre alto e baixo era mais fundamental que a diferença entre direita e esquerda.
(...)
Vira-te para onde quiseres, caro verme humano. Terás de subir a uma tribuna para te tornares homem. Alto e baixo são produtos da fé humana na linguagem.
(...)
Em sua famosa canção noturna, Niezsche disse: "O violino de minha alma cantou para si próprio esta canção. Alguém a escutou ?" E, porque ninguém a escutou, ele enlouqueceu. E não podia senão enlouquecer: nossa linguagem desaparece de nós se ninguém a escutar. E para quem escuta e obedece, fazendo o que é ordenado, o orador, o comandante, o chefe tem de ser o chefe. E essa odiada superioridade é a condição para a existência de todo e qualquer periódico, conferência, corte, exército, governo, literatura ou teatro.
A divisão em alto e baixo é condição da linguagem humana. Todas as máscaras de democracia, somadas, não podem ocultar o caráter divino da linguagem. Vocês me ouvem não porque sou melhor ou superior, mas porque o superior, o altíssimo, o sublime pode chegar a vocês através de mim. O homem que fala não "é" mais alto, mas se torna mais alto. Uma sociedade em que ninguém se torna mais alto que os demais é uma turba. Dez mil pessoas reunidas num mesmo lugar sem tribuna de onde um orador se possa fazer ouvir, ou sem um princípio que se possa estabelecer, é um montão de carne digno de pena."
(Eugen Rosenstock-Huessy, A Origem Da Linguagem, 2002, 1a. ed., editora Record, coleção Biblioteca de Filosofia, pp. 214-216.)
Ah, sim, claro, Estado pequeno. Mas na verdade, I don't give a flying fuck.
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19:22 Comentários:
Sexta-feira, Novembro 28, 2003
Paranauê, Paranauê, Paraná
O Paraná é uma província. Curitiba é uma província da província. Tudo tem seu lado bom. O Paraná tem. Mas eu discordo.
Se você nunca veio para cá, não perca seu tempo. Foz do Iguaçu é horrorosa. As cataratas são uma beleza. Porque não é obra de ser humano. Ou de paranaense.
De uma ponta a outra, além das cataratas, sobra Vila Velha, que o governo proibiu a visita e a Ilha do Mel. Ilha que, como já disse antes, é belíssima. Porque não faz parte do continente paranaense.
Curitiba também é festejada. Cidade com nome indígena e que ficou conhecida nos últimos tempos por causa de um sujeito que vaga pela cidade, de bicicleta, "vestindo" uma sunga e besuntado de óleo, não merece ser festejada. Chamam-no de Oil Man (ó aí Rebelo...). Eu chamo de Sebo. É mais coerente.
Nunca fui visitar lugar de turista por aqui. Temos alguns parques, que não são diferentes de nenhum outro que você conheça. Qualquer praia é mais bonita. Menos as paranaenses.
Eu sempre digo que, se forem filmar realmente um Mad Max IV, a locação deve ser o lixoral paranaense. Tire-se o mar através do computador e está pronto. Cenário e figurantes. Tempo fechado, com nuvens negras por toda parte e gente pobre, jacu, feia e fedida espalhada nas praias é o que não falta.
Mas voltando a Curitiba. O que de melhor a cidade tem, está perdendo. Seu mau humor. Aquela velha Curitiba em que vizinhos não se conhecem e nem fazem questão de. E se conhecem, não se gostam. Eu mantenho esta tradição.
Na verdade, paranaense diz que gosta do Paraná porque não tem escolha. Tivesse, ficaria com Santa Catarina, cujo litoral já é nosso.
E você reconhece de longe um paranaense. Ele é aquele sujeito que tem inveja de gaúcho, gosta de São Paulo e não do Rio, porque este é violento. Se você não achou nada demais nisto, então você é um paranaense e não sabia. E isto não é um elogio.
Eu disse que discordava.
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Segunda-feira, Novembro 24, 2003
Esquerda & Direita
Para mim, é coisa de soldado. Mas eu não marcho. Não gosto de exércitos.
Houve um tempo em que as coisas eram mais simples. Dois lados : EUA e URSS. Não havia ninguém que, conhecendo ambos, preferisse morar com os vermelhos. Eu disse MORAR, não passar uma temporada conhecendo prostitutas universitárias baratinhas...
Hoje as coisas não são tão simples assim. A viadagem ganhou foro de terceiro sexo. E tal como qual, surgiu também a Terceira Via em política. Nem cá, nem lá. Insosso demais. Não à toa, ressurgiram excrescências nazistóides, principalmente na Europa, como por exemplo, na Áustria e Itália.
Por falar em coisas simples, quando estou bêbado eu acredito na existência de marxianos. Quem dera o "x" da questão fosse uma piada besta.
Mas dizem que há mais coisas entre o céu e terra do que imagina a nossa vã filosofia. Hoje em dia o ditado popular é quase irreconhecível. Pouquíssima gente sabe o que é filosofia. Filósofo então, é como urso panda. Ainda não se extinguiu, mas também não se reproduz com facilidade.
Alguns, otimistas, dizem que o que há são professores de Filosofia. Não sou tão generoso. Para mim, são propagandistas. Há uma senhora diferença. Por exemplo, a Roberta Miranda dos filosofantes de plantão é o Duda Mendonça de Spinoza.
É tentador substituir "filosofia" por "ideologia" no ditado. Estaria mais de acordo com a atualidade. Atualidade já velha, que ainda espero se torne um passado distante. Mas pouco importam nossas crenças vãs. Já seria ótimo, realmente, se as tais mais coisas que estão entre o céu e a terra fossem aceitas no debate. Quem sabe assim, um dia, não venhamos a reconhecer que o que interessa de verdade está para além do céu e da terra ?
Ah, mas como dizia o poeta, "Mundo, mundo vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução."
Portanto, peço licença aos soldadinhos de chumbo, que enquanto vocês marcham com suas cabeças de papel, seja para a direita ou para a esquerda, eu vou ali assistir à sequência em DVD do Superman. Ao menos, ele vai para o alto. E avante...
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21:14 Comentários:
Ah sim, graças a um post sobre o Halloween eu consegui enganar o Flamarion que me convidou não só a publicá-lo no blog Sociedade dos Amigos da América, como também a me tornar colaborador do mesmo. Vez em quando por lá também despejarei minhas bobagens.
E o melhor de tudo é ver essa sua cara de tacho pensando "mas que diabos, desde quando ele é amigo da América ?". Oh, boy, posso não ser amigo da América, mas não quero ser confundido com anti-americanos mongolóides que abundam por aí.
De resto, quem me conhece sabe bem que não sou amigo de sociedade e país algum. E de coisas coletivas, se não envolvem onze homens da cada lado e uma bola, sempre quis distância. E agora é a sua vez de ficar com cara de tacho, não ?
Foi por isto que aceitei o convite.
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18:52 Comentários:
Quinta-feira, Novembro 20, 2003
Hoje, teve eleições das seccionais da OAB (ao menos aqui no Paraná teve). Terroristas idiotas preferiram a Turquia.
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18:16 Comentários:
Hoje também é dia da consciência negra. Sim, dizem que ela tem cor. Espero que a minha seja vermelha. No Rio é feriado, em homenagem a Zumbi. Segundo o Aurélio, zumbi também é termo aplicado a fantasmas que vagam pela noite morta. Eu diria que de dia, também. E pegam praia, para ficar da cor.
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18:15 Comentários:
Fui. Não me arrependi. Mas me irritei. E como me irritei. O chiqueiro do Pinheirão continua sendo um chiqueiro, mas agora com adornos de circo. Os palhaços, claro, são os torcedores que pagaram a bagatela de, no mínimo, R$ 60,00 para assistir ao Brasil enfrentar um estado da nossa federação, o Uruguay.
Eu não paguei nada. E ainda fui de graça nas superiores, que não saíam por menos de R$ 150,00. Belíssimo estatuto do torcedor, que em troca de cadeiras numeradas, deu a desculpa para a majoração absurda do preço dos ingressos. É o que dá querer se passar por país civilizado. Politicamente correto é isso aí. E então, nem mais futebol o pobre consegue assistir. E a TV agradece.
Eu sou das antigas. Futebol é praticamente sobrenatural. Pode ser o de Almeida ou qualquer outro. Treinadores que não trocam de roupa, literalmente, para dar sorte, me agradam. E torcedor legítimo tem que ser corneteiro. Qual é a graça de ir a campo e não chamar o Ronaldo de corno e gordo, não necessariamente nesta ordem ?
Mas jogo da seleção não tem torcedor corneteiro. Tem escumalha. Gente pintada, fantasiada, com cartaz para o Galvão. Gente que quando o Brasil está atacando, grita de nervoso. Quando estão nos atacando, também. E adoram fazer a tal da Ola. Pensando bem, o Pinheirão estilo circo não está tão longe da realidade. Quando riram porque eu tive a "ousadia" de chamar o Ronaldo de corno, quase me juntei aos paraguaios (tanto faz).
No meu setor, uruguaios. Evidentemente que estou sem voz de tanto mandá-los à puta que os pariu. Odeio este negócio de torcidas misturadas. No meu tempo, cada macaco no seu galho, como diria o Parreira. Claro que deu confusão. Se eu sou o Lula, corto todas as linhas de crédito e o repasse oficial de verbas do Orçamento da União. Eles que se anexem à Argentina.
Nada direi do jogo. De palpiteiros em futebol, bastam os oficiais. Vi o Casagrande e o Raul Plassman. Simpatizo com o Casão. Com o Raul, não. Se me permitem a rima idiota.
Ronaldo é gordo. Não está gordo. E quando quer, sabe jogar. Rivaldo irrita mais do que eu imaginava. Kaka é viado mesmo. Já Mong e Loid na zaga é algo inenarrável. Dida é mascarado. Todos são mascarados. Não estão nem aí.
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18:14 Comentários:
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
O Exterminador do Futuro
É fácil entender porque o governador do Paraná não quer soja transgênica por aqui. É uma questão de coerência. Afinal, com tanta gente da mesma família no governo, a transgenia soa pior que incesto.
Mas há exagero nessa denúncia de nepotismo do Requião. Eu, monarquista convicto, sou absolutamente a favor das famílias no poder. Assim, me sinto um pouco como súdito.
Aliás, o apelido do Requião sempre foi Maria, A Louca. Referência à rainha de Portugal, mãe de D. João VI. E para quem nada sabe de história, ela, lá pelos idos de 1780, proibiu a indústria da manufatura no Brasil e mandou destruir os teares existentes.
Requião é louco. Mas não é rei. Se o fosse, muitos o teriam por um déspota esclarecido. Ele realmente deixa bem claras suas posturas. Por mais idiotas que sejam. E por essas, não pode ser alcunhado de esclarecido.
Mas eu votei nele. E não me arrependo. Político é político. Seja de esquerda ou de direita, não presta. Assim, confesso que sendo honesto, já me basta. O Bob Requi é. Além de franco. Prefiro a franqueza da imbecilidade do Requião às meias-palavras de qualquer outro político.
E goste-se ou não dele, ele foi o único governante dos últimos tempos a diminuir impostos neste país. Vide o ICMS do pequeno empresário paranaense. Para mim, isto não só basta como merece aplausos.
Apesar desta belíssima idéia liberal, ele se gaba de ser o governo mais de esquerda do Brasil.
Eu falei em imbecilidades, não falei ?
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Quarta-feira, Novembro 12, 2003
Meu Querido Presidente
Lula é um barato. Me divirto pacas com ele. Essa dele chamar a Namíbia de país "limpinho", bem diferente do resto da África é espetacular.
A chiadeira foi geral. Tiraram muito sarro do Presidente. Eu achei o máximo. Afinal, a África é limpa ? Com aquela pobreza e guerras que parecem eternas, limpeza é algo obviamente supérfluo.
Eu acho que o Lula deveria viajar mais.
Lembra daquela, antes de assumir, em que visitou o Bush com a estrelinha do PT na lapela ? Fantástico. Mostra bem a quem ele serve. O Lula é muito transparente, gente !
E o pedido em Davos para se fazer um Fome Zero Mundial ? Excelente. Afinal, aqui foi um sucesso. Resolveu muito do nosso problema. Agora que ele é desnecessário, ele foi agrupado com outros programas e tornou-se um único Bolsa-Família. Aguardo ansiosamente pelo Forum de Davos do ano que vem.
Me recordo também de um discurso que ele fez em Cuba, muito antes de ser eleito (se não me engano, foi em dezembro de 2001), onde agradeceu Fidel por ter feito o possível pela ilha. Genial !
E como Fidel continua firme e forte, certamente ele ainda fará agora até o impossível ! Quem sabe ele não imite Israel e construa um Muro a 12 léguas da praia ? Certamente não haverão mais "sequestradores" querendo levar cubanos "contra sua vontade" para viver sob o manto da "ditadura" americana.
Dizem que o Lula mudou de idéias. Bobagem. Ele sempre disse que era torneiro mecânico. Continua sendo. Mas é mais limpinho. Como a Namíbia.
De mais à mais, se realmente existe este vai e vem nas idéias do Presidente, isto só pode significar uma coisa. Conscientemente, Lula está nos ensinando a prática dos esportes radicais. Agora é Lula. Agora não sei qual Lula. Adrenalina pura.
Ú-húúú....
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Sábado, Novembro 08, 2003
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Muitos blogueiros andam lançando livros. Uns já eram escritores. Outros, a querer ser. Em razão disto, outras dúvidas vem agora a fazer companhia à única e singela que me assaltava desde que abri esta bodega: afinal, o que é um blogueiro ? Um bom blogueiro é um bom escritor ? Precisa de livro ?
Tenho cá comigo algumas respostas. Blogueiro não é escritor. Blogueiro é palpiteiro. Ponto.
Nada impede que um blogueiro queira também ser um escritor. Um bom blogueiro pode vir a ser um péssimo escritor. Mas um escritor péssimo jamais será um bom blogueiro.
Bom escritor DEVE escrever livros. Se tiver um blog, divirta-se.
Agora, a definição de blogueiro parte necessariamente da vaidade de cada um. Mas não pára por aí. Ela pode tanto ser o trampolim para um belo mergulho como o cadafalso do sujeito que já está com a corda no pescoço. Enfim, ela é problemática.
A resposta estará na sua capacidade de rir de si mesmo.
A pretensão é algo que me incomoda. Tem gente que se leva muito, demais a sério. Tenho pena. Agora, tem gente que devia se levar ao menos um pouco a sério. Mas se recusa.
Se só existisse essas duas hipóteses, me incluiria na segunda.
Não sei se blogueiro tem algo a dizer. Certamente ele acha que sim. Afinal, é um palpiteiro. O Felipe dispôs um texto do Fernando Pessoa, brilhante, em que diz mais ou menos isso: "alguém pode ter muito a dizer, mas há pouco a ser dito sobre este muito".
Tem toda razão.
E quer saber ? Como diriam no arquivo X, que nunca assisti, a verdade está lá fora. Melhor, a vida está lá fora.
Tem gente que não gosta de sair de casa. Nem no sábado à noite. Claro que isso não se deve levar a sério (sair ou não sair de casa). Creio que nem eles levam. Aliás, tem pouquíssima importância.
Mas, quando vejo posts publicados nos sábados, às onze da noite, sinto pena.
Há que se ter cuidado com a vida.
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17:58 Comentários:
Quarta-feira, Novembro 05, 2003
Soy Loco Por Ti America
Em vez do Halloween, querem o Dia do Saci. Halloween que, pela lei do Aldo Rebelo, deverá ser escrito como Raloim.
Dizem que o halloween é "imposto" pelo imperialismo. Que seja. Ainda bem que o Dia do Saci é uma legítima comemoração popular que não foi inventada por nacionalistóides !
Parece que esse mesmo grupo que propõe o Dia do Saci, fez tempos atrás um protesto quando a Havan colocou em frente à sua loja no Rio de Janeiro, uma réplica da estátua da liberdade.
Nada de novo no front. Carmem Miranda, em um passado já não recente, foi perseguida porque fez sucesso nos States (sorry, Rebelo, Isteites). Diziam que ela tinha voltado americanizada.
Hoje somos todos americanizados. Os EUA continuam odiados. Mas já não se ouvem casos de pessoas que se recusam a tomar coca-cola e assistir filmes americanos. Tá certo que o McDonald's sempre é depredado em atos anti-americanos. Mas só depois do lanche.
Claro que se pode ser contra a americanização. Mas ninguém, em sã consciência, pode negar que ela exista.
Há outra aculturação que ocorre no Brasil, e também não é de hoje. Do mesmo modo, é "silenciosa", vale-se da cultura, dos costumes, da imprensa e da educação. Alguns a chamam de "revolução cultural".
Claro que se pode ser contra esta "revolução". Mas ninguém, em sã consciência, pode negar que ela exista também.
Mas que se esforçam por negar, se esforçam. A melhor desculpa que deram até hoje, para não querer ver, é dizer que "cansei desta história". Mais ou menos o mesmo que desligar a TV da sala e acreditar que com ela, todos os canais pararam de transmitir.
Pensando bem, o Dia do Saci não é má idéia. Afinal de contas, que mal há nisso ? Eu não comemoro halloween mesmo.
Mas se é para ter o dia do saci, é melhor criar também o Dia da Mula Sem Cabeça...
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20:43 Comentários:
Domingo, Novembro 02, 2003
Da Central de Informações - I
Mudanças nesta bagaça. Aos poucos, como um Indiana Jones, vou entendendo estes hieróglifos chamados de "html".
A "charge" do Frank Sinatra aí ao lado é, não só homenagem, como um agrado à maioria dos que aportam por aqui. É que o grosso mesmo dos números desse contador muito do malandro aí ao lado é em razão do título desta bagaça, que é o mesmo da canção famosa do Sinatra. E não por acaso, como expliquei no primeiro post aqui publicado.
Assim, graças ao google, este pequeno sítio é, nada mais, nada menos, do que como o antigo Denorex. Parece, mas não é.
Mas a internet é isto mesmo. Tal qual nos desertos, existem oásis e as miragens que enganam os passantes. Esta bagaça é uma delas. A diferença é que não consegue enganar ninguém.
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18:57 Comentários:
Da Central de Informações - II
Ah, já ia esquecendo. Meu costume por aqui é atualizar uma vez por semana. Faço isto porque no escritório, não consigo publicar nada. Resta-me assim o descanso do lar para fazer isto.
E como eu realmente quero descansar e sossegar quando em casa estou, não tenho saco para atualizar isto com mais frequência.
Contudo, percebo que acabo tendo muitos posts para publicar de uma vez só, tornando a publicação chata e demorada. O que também deve acontecer com a leitura dos poucos que me lêem.
Desta forma, resolvi que vou publicar mais vezes, em intervalos menores.
Aos amigos que "assinaram" a newsletter, informo que a mesma continuará sendo enviada semanalmente, independente de quantas vezes aqui se publicou algo. Assim, não encho o saco de vocês com esses e-mail´s chatos, dia sim, dia não.
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18:56 Comentários:
Let's Face The Music And Dance
Aqueles domingos chuvosos, preguiçosos e intermináveis. Não há nada programado, nem vontade se tem de algo a fazer.
Um bom livro é vencido pelo tédio. Um filme só preenche o tempo vazio. A internet parece enfim, finita. E canções o deprimem. A TV é o tiro de misericórdia.
Nunca. Nunca notícias tristes deveriam chegar em domingos chuvosos. É golpe baixo.
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18:56 Comentários:

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18:55 Comentários:
Manhattan Connection
Com Paulo Francis, era imperdível. Com Arnaldo Jabor, insuportável. Agora, há Diogo Mainardi. Não é um Francis, muito menos um Jabor.
Mas quando o Caio Blinder começa a falar... Corte da câmera para o rosto do Diogo. Uma cara de absoluto tédio.
E assim, o programa voltou a valer a pena.
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18:54 Comentários:
Eu disse, eu não te disse ?
Eu sempre falei, muito antes da eleição presidencial do ano passado, que seria bom para o país que o PT ganhasse. Que Lula enfim, chegasse lá.
Por "n" razões que não tenho tempo nem paciência de aqui expor. E agora, com nem um ano de governo completado, a maioria dos meus achismos se confirmaram.
Creio que todos eles podem bem ser resumidos, ou ao menos epigrafados, numa única frase:
"O PT é um partido tão calhorda quanto o PFL".
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18:52 Comentários:
Sábado, Novembro 01, 2003

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16:26 Comentários:
Domingo, Outubro 26, 2003
Do Alto da Escada
I
Liberou a casa para o filho. Festa da faculdade. Era para isto que ele servia.
Deslocado. Era como se sentia. Ficava ali, perto da churrasqueira, puxando conversa com o assador. E lógico, ao lado do barril de chopp. Não raro, servia a molecada. Até chamarem-no de tio.
Fazia parte, enfim. No violão, arranhava uma bossa qualquer. Por vezes, palmas o acompanhavam. Em outras, formava-se um coral. Entre as músicas, um gole de chopp. Até que pediram para tocar "Andança".
A festa terminara. Ele então ficou a beliscar os restos que sobraram na churrasqueira. Mais um copo de chopp. Esticou-se em uma das cadeiras de praia esparramadas no amplo salão. Avistou o violão jogado no chão. Levantou-se, terminou o chopp, apagou as luzes e deixou para limpar tudo no dia seguinte.
No escuro ele subia as escadas que davam à casa. No último degrau, voltou-se para o salão de festas. Viu de novo o violão sem dono, que as brasas do carvão iluminava. E só então sentiu a falta do filho.
_______________________________________________________________
II
Começou a dieta. Voltou para a academia. Corria no parque nos fins de semana. Mas ainda tinha a aparência de 58 anos.
Fez bronzeamento artificial. Comprou um carro esportivo. Pintou os cabelos. As camisetas eram de marca e os jeans com o corte da moda. Passou a usar tênis cinza e vermelho, daqueles sem cadarço. Mas seus pés ainda estavam cansados.
Saía quase toda noite. Disfarçava que não ouvia os comentários maldosos. Ficou com uma ou duas meninas muito mais jovens. Tomou remédios para aumentar a potência sexual. Mas seus olhos mostravam que já tinha vivido.
Fim do verão. Já não corria no parque. Mantinha a academia e a dieta. Mudou a cor dos cabelos. O carro passou pela primeira revisão. O bronzeado já não fazia sentido. As roupas nunca fizeram. Desistiu de comprar um loft.
Vinha aí mais um aniversário. Lutava para não demonstrar o cansaço. Mas seus olhos não escondiam a tristeza. Ele continuava com a aparência de 58. E cada vez mais perdido.
_____________________________________________________________
III
Era um dia qualquer. Saía tarde do escritório. Pouca gente nas ruas. Começou a chover. Chegando em casa, viu alguém sentado na frente do portão. Era o filho. A mãe dele acabara de falecer. Abraçaram-se, sem nada dizer. Fez um café.
Levou o filho para casa. Lá chegando, ajudou nos preparativos do velório. O padrasto do filho não se incomodou. Passou a noite.
Não se importou com os comentários. Não chorava. Ficou próximo do filho o tempo todo. Bem no amanhecer, ficou só com o corpo. Retirou o véu e deu um singelo beijo na testa. Nada disse, nada pensou, nada rezou. E não pediu perdão. Lembrou-se então da música que um dia fora a preferida dela, "As Rosas Não Falam". E como em um video-clip, sua vida reprisou à sua frente, com a canção ao fundo e o cheiro da morte ao lado. Nos versos finais, "Devias vir para ver os meus olhos tristonhos. E quem sabe sonhavas meus sonhos, por fim", o filho entrou. Só então chorou.
Nada disseram. Mas abraçaram-se de modo diferente. Fim do enterro. Ninguém o cumprimentou. Quis perguntar ao filho. Não teve coragem. Despediu-se dele e surprendeu-se com o beijo inédito. Voltou para casa chorando. Desta vez, sem resistência.
A missa de sétimo dia terminara. Novamente, a ele, ninguém dera os pêsames. Procurou pelo filho. Não o avistou. Achou melhor assim. Sabia que não teria coragem de novo.
Três meses se passaram. Ficara mais próximo do filho. Mas nunca teve a coragem. Um belo dia, quando voltava para casa, no fim da tarde de um dia de trabalho, lá estava o filho de novo, sentado à frente do portão. Com as malas na mão.
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IV
O carro esportivo agora era do filho. Assumira os cabelos brancos. A dieta era menos rigorosa, mas não desistira da academia. Insistia com as roupas modernas. Último churrasco de faculdade do filho. Lógico que seria lá. Ajudou nos preparativos. Mas não ficou para a festa. Tinha um encontro marcado.
Quando voltou, a festa ainda estava animada. Do alto da escada, deu uma olhada no salão. Mostrou o filho à namorada. Lá estava o guri tocando o violão. Tinha esquecido que o havia ensinado. Ele desceu, não se fez notar e pegou dois copos de chopp. Sentou com a namorada no último degrau da escada e ficaram bebendo e olhando a festa.
O filho tocava bem. Todos acompanhavam. Até "Andança" ele tocou. Ao menos, não parecia gostar.
A festa acabara. A namorada já estava dormindo. O filho apareceu. Estava meio bêbado. Ele também. Perguntou se queria conversar. O filho preferiu ir dormir. Ele quis voltar ao salão. Parou no alto da escada. Não acendeu a luz. Lembrou-se de um dos antigos churrascos que o filho fizera. A brasa iluminava à meia-luz como naquele dia. A bagunça certamente era maior. Muita coisa ainda parecia fora do lugar. Procurou pelo violão. Não encontrou. O filho o tinha guardado.
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Segunda-feira, Outubro 20, 2003
O Meu Lugar
Enfim, calor em Curitiba. Arriscamos a piscina do clube. Claro, me incomodo, como sempre. Embora eu saiba que faça parte do jogo, aquela futilidade exibicionista sempre me irrita.
Como todo ano, fico intrigado achando que tem gente que deve morar dentro do clube, ou mesmo naquela piscina. É assim com aquela vó da Shakira e a velha do "Quem vai ficar com Mary?", que até então eu achava que tinha sido feita por computador, como o novo Hulk. Sempre estão lá quando você chega e ficam quando você vai embora.
E também como sempre, estavam lá "Os Ridículos", quarentões que acreditam que se passam por garotos de vinte, e "As Ridículas", meninotas de não mais de 14 anos que acreditam que se passam por garotas de vinte e dois.
E ao meu lado, minha esposa. Bela como sempre. Morena de sol, mas querendo mais. Biquini novo e lindo. Tinha levado uma revista para ler, mas só curtia o sol. E ria com meus comentários à fauna local, que a ela só diverte e pouco irrita. Quem me dera !
Paro um instante de falar bobagens e faço um minuto de auto-análise física. Estavam lá minha barriga saliente, meu cabelo por cortar, a pele ainda morena das férias, a sunga preta quase surrada e o ar de "tô nem aí". Lembro da dieta prometida e sempre descumprida. Reparo então no livro que levei para ler. Era "técnico", devido a estudos que voltei a fazer. Definitivamente, o ridículo era eu, que estava no lugar errado !
Me escondo na sombra do guarda-sol, abro o livro e tento ler. Desisto. Fico então a conversar com ela. A fauna ainda era o assunto. E ela ainda conseguia ficar rindo das minhas bobagens exageradas, sem dar bola para minha disfunção social. Então novamente me dou conta do que sempre soube, mas às vezes esqueço: que não importa onde, eu nunca estarei no lugar errado.
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18:23 Comentários:
Vida de Vizinho
Há uma coisa curiosa e irritante na vizinhança aqui de casa. Inclua aí umas duas, três quadras em todas as direções. É o seguinte : as pessoas adoram contratar aqueles "trios elétricos" nas comemorações de aniversários de familiares.
Não sabe o que é isto ? É simples. Trata-se de um carro de som que estaciona na frente da casa, começa a tocar Canção da América, do Milton Nascimento (que de uso tão abusado tornou-se uma das canções mais chatas de todos os tempos), e então liberam o microfone para que os responsáveis pela brincadeira (normalmente os pais) falem com o "homenageado". Normalmente sai assim: "Oooooiii Maria Cristina, aqui é sua mãããeeee...é seu aniversáááárriooo....tamo aqui....eu e seu pai.....fazendo você pagar esse micoooo....." e por aí vai. Ao fim, um "locutor" lê uma mensagem "sentimental" ao som de outra música piegas. A última que ouvi foi "Thank You", do Bon Jovi. E no grand finale, há queima de fogos de artifício. O espetáculo dura cerca de cinco, não mais que dez minutos.
O pior é que tem gente que gosta e imita o exemplo. Não passo um mês sem ser obrigado o ouvir essa jacuzada se exibindo.
Pois bem, na vizinhança de que falo, há também um puteiro. Até hoje, nos dois anos que moro aqui, nunca vi ou ouvi confusão, baderna, briga ou tiroteio vindo dali. Nem mulheres semi-nuas correndo pelo terreno da casa ou maridos sendo carregados bêbados por filhos envergonhados. Fora o outdoor com fotos das putas na frente da casa, poucos saberiam que ali é uma zona. Mas enfim, elas fazem parte da vizinhança.
Então, sexta-feira passada, o que é que acontece ?
"Amigo é coisa prá se guardar, do lado esquerdo do peito..."
Olho para minha esposa e vamos às janelas assistir a mais uma jacuzice. É por esses impulsos que eu entendo quem assiste o Ratinho. Contudo, não conseguimos identificar onde estavam. Restava a sacada e lá fomos. Custamos a crer, mas efetivamente o barulho vinha do puteiro. Firmamos os olhos naquela luz neon esverdeada que circunda a casa e vimos parte do carro de som. Na varanda da casa, várias pessoas. Gritos femininos. As putas em festa. Há fogos de artifício e tudo o mais.
Terminado os parabéns, eu e minha esposa não resistimos (a idéia foi dela). Enchemos os pulmões e cantamos:
"Com quem será......com quem será......com que seráááá....."
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18:22 Comentários:
Eu e a Guia
Guia turístico. Há coisa pior ? Não, não há.
Nas poucas viagens que fiz e espero continuar a fazer, evito ao máximo o contato com esta corja. Não consigo escapar dos traslados aeroporto-hotel-aeroporto, nem dos passeios "incluídos no pacote". Mas o resto, não há alegria maior do que chegar no mesmo local da turistralha, ver essa gente ser tratada como gado, obrigada a ficar nos locais em que os gordos guias determinam. E você lá, tão perto e tão longe. E sem ser obrigado a nada.
Chegamos. Calor insuportável. Pegamos as malas. Saímos da sala de desembarque. Lá estava aquela gorda medonha com uma plaquinha com nossos nomes. Dei um grunhido e me dirigi ao ônibus. Meia hora até o hotel. Ela falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou e falou. Eu olhava a paisagem e abstraía. Descubro ao chegar no hotel que precisava decidir ali, agora, prá já, sem falta, quais passeios faria no curto período que lá ficaria. "Não sei ainda", respondi tentando não cuspir na cara dela. "Mas como não ?!!!! Olha, tem...", e ela falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou e falou. "Então não vou fazer nenhum !", tentei encerrar. Quem me dera...
Meia hora depois, não comprei porra de passeio nenhum. Ela foi embora com ódio no olhar. Eu dei tchau com desprezo. Mas no dia seguinte era o passeio "grátis". 7h00 da manhã, lá estava ela, fingindo alegria mandando todo mundo entrar no ônibus. Ela me disse bom dia e eu dei um suspiro de tédio.
Todos a bordo. Casais em lua-de-mel, casais de velhos que se aguentam, maridos com amantes, esposas com amantes, algumas famílias, poucas crianças e a velha fumante e caduca. A gorda começou a falar. E falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou, falou e falou. Eu tentava dormir. Minha esposa então me cutucou. Era hora das brincadeiras de "quebrar o gelo". As pessoas tinham que se apresentar e fazer uma graça qualquer. E era a nossa vez. "Fique tranquila", disse à minha esposa. Levantei-me e disse, pausada e calmamente:
- Bom dia a todos. Meu nome não interessa a ninguém. Não quero contato com vocês. Cada um que cuide da sua vida. Não vim aqui para fazer amigos. E a minha parte neste passeio grátis eu quero em dinheiro.
Risos nervosos. Ouvi o sujeito atrás de mim perguntar baixinho à esposa, "Mas pode ?". A guia gorda ficou tensa. "Êê, brincalhão ! Olha que se não disser os nomes eu vou apelidar, hein ?"
- Não, gorda. Se me apelidar, eu lhe dou um chute no rabo. E por favor, estou esperando meu dinheiro. Descemos aqui.
Algumas pessoas se ofenderam. Um burburinho começou. A gorda disse que não tinha dinheiro, começava a suar em bicas. E o motorista, que eu via pelo retrovisor do ônibus, me parecia estar sorrindo. Pedi novamente a palavra:
- Por favor, por favor ! Sem falsos pudores. Concordamos todos que ninguém foi com a minha cara, certo ? Certo. Portanto, ninguém precisa dirigir-me a palavra, nem me responder a nada que eu perguntar, até porque não vou perguntar nada aos senhores. A gorda não tem dinheiro e eu não quero estragar a palhaçada de ninguém. Assim, se todos concordarem, vocês me "incluem fora" de qualquer brincadeira grupal, eu sigo a viagem no meu canto e todos ficamos satisfeitos.
Foi um tiro certeiro. Todos concordaram. A gorda não teve alternativa. A palhaçada continuou pela meia hora que durou a viagem até nosso destino. A guia ficava contando histórias da cidade, da região onde passávamos e eu ora espirrava "Mentira !", ora tossia "Lorota !". Risos eu ouvia vindos daqui e dali. Na saída, reparei em algumas das pessoas da excursão. Senti olhares invejosos em minha direção e um sujeito que me olhava emocionado, se aproximou: "Você é que tá certo, viu ! O mulher chata !". Respondi um "pois é" qualquer e não dei trela. Não gosto de gente covarde.
Mas claro, a gorda não desistiu. Tentou se aproximar de nós, sempre sem sucesso. Assim, eu ora fingia que dormia na minha cadeira de praia, ora chamava o garçom quando ela conseguia contato visual conosco. E quando se aproximava perigosamente, eu rosnava. E ela desistia. Mas havia a volta. E ela tentou dar uma de engraçadona. "Pessoal, agora que vamos voltar, faremos uma brincadeira que só quem participar poderá entrar no ônibus !!". E olhou rindo para mim. Fiquei impassível e não respondi.
A brincadeira era simples. Na verdade, o boteco onde nos obrigaram a ficar, "premiava" os turistas com alguns badulaques dos locais. Para tanto, eles faziam aquela brincadeira mexicana de colocar os presentes dentro de uma balão, penduravam-no, vendavam algum participante, rodopiavam-no várias vezes, davam-lhe então um pedaço de pau e ele devia tentar arrebentar o balão para ganhar o prêmio. Ouvi a explicação e não dei um pio. As pessoas me olharam curiosas. Pedi para ir primeiro. "Até que enfim, hein seu moço ! Até parece que eu mordo !", disse a gorda, já aliviada. Respondi:
- Você eu não sei, mas eu sim. - e dei uma baita mordida no braço sebento da gorda.
O olhar dela foi de desespero. Alguns correram, outros choraram e a maioria riu. Fingi que estava brincando, mas sabia que tinha machucado. Ela então me vendou. Me rodopiou e me deu o cajado. Até hoje não sei quem acertei. Mas foram várias pessoas. Ouvia copos quebrando, crianças chorando, garçons tentando me conter. Eu corria (a venda não era tão boa). Avistei então o vulto gordo, esbaforido e correndo pela areia. Não tive dificuldade em alcançá-la. Dei-lhe a primeira na cabeça. Ela caiu. Dei nos seios (dizem que dói uma barbaridade. Pelo que ouvi, é verdade.), na bunda, na cara dela. Fiquei gritando que "não tá quebrando !". Garçons enfim conseguiram me conter. Tiraram-me a venda. Lá estava ela, como uma baleia encalhada. Sangrava pela boca e nariz. Chorava compulsivamente.
Fingi surpresa. Me fiz de indignado comigo mesmo. Pedi mil desculpas. Não fiz de propósito. Até dei um copo d'água para ela. O pessoal ainda estava chocado. Aproveitei e disse:
- Qué isso, pessoal ! Faz parte do jogo ! Mas eu não ganhei, hein ? Vamos continuar, vamos animar ! E ó....eu tenho uma sugestão ! Já que nossa querida guia está machucada, vamos dar a vez para ela ! Que tal ?
A animação pareceu retornar. De grunhidos passou-se a vibração futebolística. A gorda se animou. Até se emocionou comigo. Delicadamente a levantei e coloquei-lhe a venda. Dei-lhe o cajado e a rodopiei muitas e muitas vezes. As pessoas pediam para eu parar. Os garçons já tinham desistido de intervir. Rodopiando levei a gorda para a areia. "Vai que é tua gorda !!!", e chutei-lhe o traseiro. Saí correndo. Foi uma cena ridícula, claro. Ela parecia uma bêbada, dando pauladas no ar. Caiu várias e várias vezes. Como todo mundo ria, ela continuava. E enquanto brincava, falava, falava, falava, falava, falava, falava, falava e falava.
Aos poucos, consegui levar todos para o ônibus. O motorista já tinha ligado o motor. Os garçons faziam o papel de platéia. Quando todos estávamos nas janelas, os garçons tiraram a venda da gorda, que estava caída na beira do mar. Dei o sinal e o motorista partiu, calmamente. A gorda tentou se levantar, caiu, gritou, chorou. Tentou correr, caiu de novo. E novamente chorou. O ônibus era uma alegria só. Pessoas se abraçaram. Muitos me cumprimentaram. Crianças me pediram autógrafos.
Tirei uma foto da gorda, como lembrança. Tenho ela ainda aqui, no porta-retratos do quartinho de quinquilharias. Vejo-o agora mesmo. Uma sensação agradável me percorre. Sinto-me alegre. Reparo bem na gorda. Ela chorava. E me lembrei que, embora ninguém escutasse, ela corria falando, chorando, falando, chorando, falando, chorando, falando, falando, falando e falando. Aí o ônibus sumiu.
Na dia seguinte, a agência tinha me deixado na recepção do hotel, a minha parte em dinheiro e mais R$ 100,00 (cem reais), com um bilhete pedindo desculpas, mas infelizmente não haveriam veículos disponíveis para fazer o meu traslado de volta para o aeroporto dali a sete dias. Em troca, me davam o dinheiro para o táxi. E portanto, a minha viagem, já de cara, foi um sucesso.
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18:17 Comentários:
Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Fim de Feira
Agora as coisas voltaram ao normal. Feliz ou infelizmente. Não fico aqui como um saudosista, uma viúva de um "ser de férias" que eu deveria ser sempre se me dessem "oportunidade". Não. Eu sou eu e minhas circunstâncias, já dizia Ortega Y Gasset, com o qual estou de pleno acordo. Assim, aceito minhas "circunstâncias" sem rodeios, estrelismos ou ecos de uma adolescência felizmente finda. Ao bom combate, pois.
Tá certo que é a primeira vez em cinco anos que consigo tirar mais de duas semanas seguidas de férias. Isto me dá direito a um muxoxo pelo menos. Feito isto, informo que tentarei voltar ao velho ritmo preguiçoso de publicar ao menos uma vez por semana.
Foi a primeira vez que tive tempo mesmo para pensar num post, escrever, ler, confirmar, recortar, revisar, etc. e tal. O que significa simplesmente uma única coisa: os posts ficaram gigantes. Assim, não tenho certeza se os publicarei. Paciência, é o que peço. E para "piorar", resolvi falar de coisa séria. De vez em quando, preciso falar dessas coisas. Assim, amanso uma fera "interna" que vez por outra tenta me engolir. Às vezes, é preciso pão e circo. Às vezes, água e chibata. Tento equilibrar as coisas, portanto, quando tenho chance (leia-se, tempo).
De todo modo, publicados ou não, não me incomodo se esses posts não forem lidos. No fundo, no fundo, não se destinam a nada mais que não um exercício contínuo meu em busca de um algo a mais que sabe-se lá Deus se virá.
Por fim, férias é bom e eu gosto. Pena que os wunderblogs ficaram longo tempo fora do ar. Logo quando eu teria tempo de ler os arquivos... Mas paciência. Ao menos, estão de volta, todos são e salvos e no melhor estilo. Caso você não saiba do que estou falando, wunderblogs é um portal que reúne gente boa da melhor qualidade. Tenho links para alguns deles aí, mas todos valem a visita: www.wunderblogs.com .
So, hey ho, let's go !
posted by Chico |
20:18 Comentários:
Mais fácil um camelo passar...
Estive em Maceió durante oito dias. Enquanto estava lá, assisti no jornal de uma emissora de TV qualquer, que somente um bairro de lá está fora da seguinte estatística: mais de 50% das pessoas estão abaixo da linha de pobreza. Em certo bairro, 69% dos moradores estão nesta condição. É demais. Só um Município de Alagoas está fora do "Fome Zero".
Não pude dar esmolas. A "oferta" de pedintes era por demais abundante. Mal e porcamente criei um "critério", dando esmola para repentistas e tipos assim. Mas pior do que isto era ver no rosto daquelas crianças sujas que perambulavam pedindo dinheiro aos turistas, uma indiferença absurda. Principalmente a si mesmas. Sua infância já tinha passado de há muito e sequer elas se davam ao "luxo" de se "fazerem de coitadinhas" para conseguir dinheiro. Vi muito turista pagando comida para essas crianças. Não ouviam "obrigado". Logos elas saiam correndo, pedindo mais dinheiro.
Haviam aquelas que vendiam queijo de coalho. Essas sim eram crianças. O olhar era infantil, machucado, triste. Mas não se podia negar uma certa "honra". De todos, me comovi. Principalmente daquela menininha negra que, na pracinha de frente para o mar, ajeitou uma pequena sacola plástica (dessas de supermercado) e ali fez cocô. Terminado, limpou-se com um pedaço de jornal, amarrou o saquinho e jogou-o no lixo.
E comovido assim fiquei a pensar. Certo, certo, sentimental eu sou mesmo. Até piegas, se duvidar. Mas eu tenho muito medo de quem não se comove com essas coisas. Da mesma forma como também tenho medo daquele que exagera demais no sentimentalismo, tratando esta pobreza como se fosse a pior coisa do mundo. Não raro expia ele, nessa convicção de que ele é bom porque se "importa", seu próprios pecados. Pobre diabo ! Mas perigoso...
Comecei então a refletir sobre a direita e a esquerda. Era inevitável, claro. Mas me deu sono. Decidi terminar de ler o "Diário de Um Pároco da Aldeia", de Georges Bernanos. Contudo, estava difícil me concentrar. Aquela pobreza realmente me incomodava mais do que eu imaginava. Um sentimento de injustiça cada vez mais tomava assento ao meu lado, naquele quarto refrigerado de frente para o mar. Mas então eu li:
"- Cale-se ! Você ainda não sabe o que é injustiça, ainda o saberá. Pertence a uma raça de homens que a injustiça fareja de longe, que ela espia pacientemente até que um dia.... Você não deve se deixar devorar. Acima de tudo, não deve acreditar que conseguirá fazê-la recuar, fixando os olhos nela, como um domador ! Não poderia fugir ao fascínio, à vertigem dela. Olhe-a apenas o necessário, e jamais a olhe sem rezar. (...) A palavra de Deus ! Devolva-me a palavra, dirá o juiz no último dia. Quando se pensa naquilo que alguns deles tirarão naquele momento de sua pequena bagagem, não se tem vontade de rir, não !
Será que mantivemos a palavra ? E se a mantivemos intacta, será que não a teremos colocado sob o alqueire ? Será que a demos aos pobres como aos ricos ? Evidentemente, nosso Senhor fala com ternura aos seus pobres, mas como lhe dizia há pouco, ele anuncia para eles a pobreza, não há como escapar disto, pois a Igreja detém a guarda do pobre, é claro. Isto é o mais fácil. Qualquer homem que tenha compaixão desempenha juntamente com ela essa proteção. Ao passo que ela é a única - está ouvindo ? - única, absolutamente única a guardar a honra da pobreza. Ah, nossos inimigos estão com a melhor parte ! "Sempre haverá pobres entre vós !", não é uma fala de demagogo, longe disso ! É no entanto, a Palavra, e nós a aceitamos. Pior para os ricos que fingem acreditar que ela justifica o egoísmo deles. Pior para nós, que fazemos o papel de reféns dos poderosos, toda vez que o exército dos miseráveis volta a atingir os muros da cidade ! Essa é a palavra mais triste dos Evangelhos, a mais carregada de tristeza. E se dirige primeiramente a Judas.
Judas ! São Lucas nos conta que ele mantinha as contas e que sua contabilidade não era lá muito clara, que seja. Mas afinal, era o banqueiro dos Doze, e quem é que já achou clara a contabilidade de um banco ? É provável que forçasse um pouco na comissão, como todo mundo. A julgar pela sua última operação, jamais teria se tornado um brilhante representante de agência de câmbio, esse Judas ! mas nosso bom Deus toma a nossa pobre sociedade tal e qual ela é, ao contrário dos farsantes, que fabricam uma sociedade no papel, depois a reformam a força, sempre no papel, é claro ! Em suma, nosso Senhor conhecia muito bem o poder do dinheiro, abriu perto de si pequeno espaço para o capitalismo, deu-lhe a sua oportunidade, e até mesmo fez o primeiro depósito: acho isso prodigioso, o que você quer ! Tão belo ! Deus não despreza nada. Afinal de contas, se o negócio tivesse sido bem sucedido, Judas teria provavelmente subvencionado sanatórios, hospitais, bibliotecas, laboratórios. Note que ele já se interessava pelo problema do pauperismo, assim como qualquer outro milionário.
"Haverá sempre pobres entre vós", responde nosso Senhor, "mas eu, vós não ma tereis para sempre." O que significa: "Não deixa soar em vão a hora da misericórdia. Melhor seria se devolvesse todo o dinheiro que me roubaste, em lugar de tentar encher a cabeça de meus apóstolos, com tuas especulações imaginárias sobre o negócio de perfumaria e os teus projetos de obras sociais. Além disso, acreditas adular assim meu conhecido amor pelos mendigos, e te enganas redondamente. Não gosto de meus pobres da mesma maneira que as inglesas gostam dos gatos perdidos, ou dos touros das touradas. Estas são maneiras de ricos. Amo a pobreza com um amor profundo, refletido, lúcido - de igual para igual - assim como uma esposa de flancos fecundos e fiel. Eu a coroei com minhas próprias mãos. Não a honra quem quer, não a serve quem não tenha primeiro vestido a túnica de linho branco. Com ela, não compartilha quem quer o pão da amargura. Eu a quis humilde e altiva, não servil. Não recusa um copo d'água, desde que seja oferecido em meu nome, e é em meu nome que o recebe.
Se o pobre tirasse o seu direito apenas da necessidade, vosso egoísmo o teria condenado muito cedo ao estritamente necessário, pago com um reconhecimento e servilismo eternos. Assim, hoje tu acusas a mulher que acabou de irrigar meus pés com um nardo muito caro, como se os meus pobres jamais devessem se beneficiar com a indústria da perfumaria. Pertences mesmo a essa raça de pessoas que, tendo dado dois centavos a um vagabundo, escandalizam-se com o fato de ele não se precipitar imediatamente até a padaria para se fartar com o pão amanhecido que o padeiro lhe vende a preço de pão fresco. No lugar dele, teriam ido também até o vendedor de vinhos, porque uma barriga de miserável tem mais necessidade de ilusão do que de pão. Infelizes ! O ouro de que fazeis tanta questão seria algo mais do que uma ilusão, um sonho, por vezes apenas a promessa de um sonho ?
A pobreza pesa muito na balança de meu Pai celestial, e todos os vossos tesouros de fumaça jamais equilibrarão os pratos. Haverá sempre pobres entre vós, pela mesma razão porque haverá sempre ricos, isto é, homens ávidos e duros, que procuram menos as posses do que o poder. Homens como estes existem entre os pobres como entre os ricos, e o miserável que vai curar sua bebedeira à beira do rio talvez tenha os mesmos sonhos que César, adormecido sob suas cortinas de púrpura. Ricos ou pobres, olhai-vos de preferência na pobreza, como diante de um espelho, pois ela é a imagem de vossa decepção fundamental, ela traz para este mundo o lugar do paraíso perdido, ela é o vazio de vossos corações, de vossas mãos. Somente a coloquei tão alto, a coroei, a desposei, porque conheço vossa malícia. Se eu tivesse permitido que vós a considerásseis vossa inimiga, ou apenas como estrangeira, se eu vos tivesse deixado a esperança de expulsá-la um dia do mundo, teria com o mesmo ato condenado os fracos. Pois os fracos serão sempre para vós um fardo insuportável, um peso morto, que vossas civilizações orgulhosas repassam umas às outras, com cólera e nojo.
Pus meu sinal sobre a fronte deles, e vós ousais vos aproximar deles se arrastando, vós devorais a ovelha perdida, nunca mais ousareis atacar a manada inteira. Se meu braço se afastasse por um momento, a escravidão que abomino ressucitaria por si mesma, sob um outro nome, pois vós mantendes vossas contas em ordem, enquanto o pobre não tem nada mais a dar, além da própria pele".
Amém.
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20:16 Comentários:
Façam Suas Apostas
Humpf ! É como eu reajo a certas modas. Agora, parece que Los Hermanos viraram cult. Coincidência ou não, logo depois do Chateando Veloso os apresentarem naquela coisa horrorosa do VMB. E ridiculamente usando uma barba postiça. Blogueiros bons acreditam que surgiu uma nova Legião Urbana. Sei não...
Até já fizeram parte, involuntariamente, de polêmicas virtuais. Não me lembro direito do ocorrido, mas parece que um show deles serviu de cenário para um encontro inusitado entre um filósofo e um bom blogueiro famoso. Parece que a tentativa era tirar um sarro da cara do filósofo. Mas esse respondeu e perdeu a graça. Até hoje não sei se foi mania de grandeza ou complexo de inferioridade a causa e o efeito de tudo isso. Mas enfim, como dizem os próprios Hermanos, na canção "Samba A Dois", "quem se atreve a me dizer, do que é feito o samba, quem se atreve a me dizer..."
Andei ouvindo os caras. Tem algumas coisas bacanas, outras muito boas e outras chatíssimas. "Cara Estranho" é excelente. Na Veja dessa semana saiu uma reportagem sobre os caras. Dizem até que tem gente que chora nos shows quando ouve algumas das canções. Se for em "De Onde Vem A Calma", eu entendo:
De onde vem a calma daquele cara
ele não sabe se é melhor viu
Como não entende de ser valente
ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não viu
e as vezes da como um fim
É o mundo que anda hostil
o mundo todo é hostil
De onde vem o jeito
tão sem defeito
que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
tá se exibindo prá solidão
Não vão embora daqui
eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
não solta da minha mão
Eu nao vou voltar
eu vou ficar sim
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar a mão sim
O mal vai ter fim
e no final assim calado eu sei
que vou ser coroado rei de mim
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20:09 Comentários:
Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Aperitivos
Voltei de viagem, mas não das férias. Me restam poucos dias, e ainda não terminei minha "programação". Falta ainda assistir a um ou dois filmes, bem como ler um breve ensaio justamente sobre um dos tais filmes. Portanto, serve este como justificativa. Espero postar algo ainda neste final de semana. Contudo, como não me aguento, relato abaixo um "diálogo" verídico que presenciei em Maceió:
Restaurante à beira-mar. Eu e minha esposa aguardamos nossos pratos, acompanhados, claro, de um gelado chopp. Chegam então, três casais de argentinos. Sentam-se na mesa ao lado. Lêem o cardápio e chamam o garçon. Perguntam sobre o "salmon a belle muniere". Estava escrito exatamente assim no cardápio. A conversa era evitada. Por gestos, tentavam se comunicar. Mais um garçon se aproxima, bem como o dono do restaurante. Conseguem então explicar que referido prato é o internacionalmente conhecido salmon a belle muniere. Fiquei impressionado com a capacidade de todos ali suporem que não conseguiriam se fazer entender falando cada qual sua língua, que vamos e venhamos, pausadamente, não fica nada difícil. Mas enfim, todos pediram referido prato. Quando eu já estava na metade do meu, chegam os deles. E o garçon, ao chegar à mesa, diz, empostando a voz:
- Excuse me ?
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21:43 Comentários:
Segunda-feira, Setembro 29, 2003
Chorume
"Líquido de elevada acidez, que se origina da decomposição de restos de matéria orgânica. Nos lixões, o chorume resultante do lixo é responsável pela contaminação do solo, lençóis subterrâneos e cursos d'água. Ao cair na água, ele necessita de grande quantidade de oxigênio para se decompor, o que pode ser fatal à fauna aquática, que morre por asfixia."
Tempos atrás, chegou-me um e-mail pedindo que fizesse uma lista das melhores bandas nacionais de pop-rock de todos os tempos. Evidentemente que não fiz. Nunca houve, não há e nem vai existir dez banda decentes de pop-rock brasileiro. Se bem me recordo, acho que deu umas quatro bandas. E a maioria só entrava na lista, claro, porque era limitada a este país. Talvez se englobasse o mundo todo, só os Mutantes tivessem uma chance. Mas tenho minhas dúvidas.
Mas então, visto que o desafio era idiota, pensei em um que realmente fosse difícil. Talvez seja a coisa mais difícil que já fiz em toda minha vida. Fazer uma lista das 10 piores bandas de pop-rock brasileiro de todos os tempos. Agora sim, a real challenge. É tanta ruindade, que certamente seria, como é, injusta. E perigosa também. Claro, lembrar-se de tanta coisa horrorosa era lembrar-se das músicas ainda piores que elas fizeram e ainda fazem aos borbotões. Foi difícil, muito difícil. Extenuante. Vomitei várias vezes. Mas enfim, terminei-a.
Segue ela abaixo, em ordem crescente de ruindade. Do menos pior ao mais tenebroso. Coloco também algumas razões das escolhas, para que, embora sendo uma escolha subjetiva e pessoal, demonstre que não deixa de estar fundamentada em dados concretos, obejtivos e absolutamente verdadeiros. Ei-la:
10) Karnak - quem ? nem eu me lembro direito também. Sei que tinha aquele gordo do André Abujamra. O que me basta, confesso. É fundamental que esse tipo de banda seja sempre colocada em listas de piores, para que sirva como incentivo à não existência de outras semelhantes.
09) Absyntho - "meu ursinho blau, blau de brinquedo, vou contar prá você um segredo....ai de mim, ai blau, blau...blau, blau, blau, blau, ela não me quer...". Por que será, né ?
08) Radio Taxi - ninguém em sã consciência teria a coragem de escrever uma música como Eva, com aquele eco de "flash....flash....flash.... de controles, botões antiatômicos...". Mas eles tiveram. E depois ainda vieram com "Garota dourada, quero ser teu irmão, eu sou teu irmão, namoraduuuu...". Deus me livre !!!
07) Inimigos do Rei - aquela banda que encontrou uma barata na cozinha e eles olharam prá ela e ela olhou prá eles, e depois eles se encontraram com Adelaide, a anã paraguaia. Se fosse só por isto, não estariam entre as dez piores. Certamente entre as quinze. Mas, findo o grupo, surge dos escombros o filósofo Paulinho Moska, para nos brindar com versos como estes: "Me chama de chão, me chama de chão, Me chama de chão, me chama ... Pisa que sou teu calo. Pisa que sou teu tapete. Pisa que sou teu tomate."
06) LS Jack - de banda de apoio do programa da Xuxa, passou a fazer composições próprias com refrões do estilo: "Ô Carlá". Sem maiores comentários.
05) Planet Hemp - certa hora, dentre aquele palavreado medonho e estúpido, o tal D2 afirma: "eu não sou menos digno porque fumo maconha". Não, você é menos digno porque faz este tipo de música. Por causa deles eu hoje sou a favor da liberação da maconha. Minha esperança é que, sem assunto, eles parem de fazer música.
04) Engenheiros do Hawaii - triste. Começou bem, lá nos jurássicos anos 80, com Infinita Highway e Refrão de Um Bolero. Belas canções. Mas daí resolveu que o Papa é Pop, e que o Papa não Poupa Ninguém. Se não fosse o início da carreira, certamente seria a pior banda de todos os tempos. Sorte deles que tem o Titãs.
03) Gabriel o Pensador - certo, certo, ele não é uma banda. Mas é tão chato quanto os 56 titãs juntos. E mais burro também. Certamente é a maior fraude que já existiu. Certa feita, numa de suas historinhas de nanar idiotas, ele diz/canta/grita : "A gente pensa que é livre pra falar tudo que pensa mas a gente sempre pensa um pouco antes de falar!". Certo, menos você, que certamente não sabe pensar antes de falar. Ou depois também. E o pior é que tem gente que realmente acha o cara "inteligente" !. Deus que me livre e que o Diabo os guarde.
02) Jota Quest - só não leva o título porque não estão aí há mais de duas décadas enchendo o saco. Certamente chegarão lá, o que poderá modificar essa listagem. Mas por enquanto, fizeram o suficiente para chegar em segundo lugar. Primeiro eles são péssimos músicos. O vocal é de arrepiar de tão ruim. As letras então, beiram o ridículo. Ultimamente andam fazendo uma "baladinha" atrás da outra, com letras quilométricas e pretensamente sentimentais, como esta : "Eu quero ficar só, mas comigo só eu nao consigo / Eu quero ficar junto, mas sozinho só nao é possivel / E preciso amar direito, um amor de qualquer jeito". Absolutamente ininteligível. Quer amar direito, mas de qualquer jeito ? Quer ficar só, mas sozinho não consegue ? Então se transforme numa mula. Quem sabe assim você consiga ficar só consigo mesmo.
01) Titãs - a pior banda de todos os tempos. De 48 integrantes, foram perdendo vários no meio do caminho. Parece que hoje estão apenas com 18 membros. E o mais incrível é que desta corja, só um sabe cantar (Paulo Miklos), mas é o que menos canta. Já o desafinadíssimo Sérgio Brito e a múmia Branco Melo, cantam um monte. Se tivessem mantido Arnaldo Antunes e o fanho Nando Reis entre eles, até dava um desconto. Mas agora, além das músicas "brilhantes" deles ainda temos que ouvir esse dois incomodando nossos ouvidos. Enfim, é o que eu sempre digo: bichos escrotos deviam ficar nos esgotos.
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10:28 Comentários:
Oscar Wilde
São curiosas as coincidências. Li "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde, semanas atrás. Gosto muito de Wilde. É de um cinismo, uma ironia e um bom humor fantásticos. E particularmente, para além da história em si, prefiro os diálogos travados entre certos personagens, ou mesmo frases soltas ditas aqui e acolá, que se inserem na história, mas que certamente podem ser lidas à margem dela.
Estava eu então a fazer uma pequena coletânea de frases ditas pelo personagem lorde Henry Wotton, o meu preferido no livro, quando então leio em blogs alheios, posts sobre Wilde, principalmente sobre este livro do "O Retrato...". Coincidência ou não, essas coisas sempre me intrigam. Mas enfim, terminei esta breve coletânea de frases, que disponibilizo abaixo, bem como descobri coisas sobre Wilde que não sabia.
"Os filantropos perderam toda a noção de humanidade. É a sua mais notável característica."
"Posso suportar a força bruta, mas a razão bruta é imperdoável. Há algo de injusto no seu emprego. Ofende a inteligência."
"A humanidade leva a si mesma demasiadamente a sério. É o pecado original do mundo. Se o homem das cavernas houvesse conhecido o riso, a história teria sido diferente."
"Muita gente vai à falência por haver investido demais na prosa da vida. Arruinar-se pela poesia, é uma honra."
"Minha teoria é que são sempre as mulheres que se declaram a nós e não nós às mulheres. Exceto, naturalmente, na classe média. Mas afinal a classe média não é moderna."
"Considero, para qualquer homem culto, o simples fato de aceitar o padrão de época uma forma da mais indecorosa imoralidade."
"Um cigarro é o modelo perfeito do perfeito prazer. É delicioso e deixa a gente insatisfeito. Que mais se pode desejar ?"
"Coisas como esta (assassinato), em Paris, põem um homem em evidência. Mas, em Londres, só causam danos. Aqui, nunca se deve começar por um escândalo. Este deve ser guardado para dar interesse à velhice."
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Sábado, Setembro 27, 2003
Da Central de Informações
Eu estou de férias. E portanto, a viver. Não me peçam para ficar perdendo meu tempo na frente de um computador. Serve este então, como explicativo da demora de novos posts. E também como aviso de que não volto de férias antes do dia 7 de outubro. Talvez, repito, talvez, publique alguma coisa aí pelo dia 28 ou 29 de setembro. Mas ainda não me decidi. Não passo meus dias de sossego a ficar pensando em idéias de posts. Me bastam o sossego e o tempo livre para leitura. E claro, para viajar. Fui a Gramado/RS nesta semana. Bela região. Mas uma das coisas que até agora me intriga é outra região, ao sul de Santa Catarina, por onde passei no caminho de ida e volta. São três cidades próximas chamadas Sombrio, Ermo e Turvo. Eu, hein !
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Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Holden Caufield À Brasileira
* O autor deste blog adverte: a leitura deste texto não é recomendável para os de estômago fraco e/ou os de fino trato.
Era temporada de verão. O lixoral paranaense era o destino de sempre. Pedro gostava de ir para Pontal do Sul, pequeno balneário ao norte do Estado, que só consta do mapa porque é porto de saída para se chegar à bela Ilha do Mel. Ilha esta que não por acaso, não faz parte do horroroso continente. Embora ilha, é na verdade um oásis de beleza naquela região tediosa. Devaneio-me, porém.
Como dizia, lá se foi Pedro para a velha casa de praia. O problema é que não foi só com a família desta vez. Mais dois tios e seus primos pequenos também foram. Dos primos até gostava porque faziam companhia aos seus irmãos menores e ele não precisava sobrar como babá. Mas dos tios... Na verdade, um era calado e misterioso, casado com uma mulher bonita e de quem ele gostava, pois achava-a boazinha. Se fossem só eles, nada reclamaria. Mas infelizmente também foi o outro. Um gordo. Não que ser gordo fosse problema. O problema é que ele achava que só porque era gordo, precisava ser nojento e engraçadão. Vê-lo almoçar ou jantar era algo degradante. E agüentar suas piadas, era pior ainda. Até porque, ao final delas, ele ria muito e sempre dava a impressão que enfartaria, até que vinha aquela tosse de enfizema ao final, o que era sinal de que nada aconteceria. O duro era que Pedro, com seus 14 anos, era sua vítima "preferida". Ou melhor dizendo, seu tema de piadas preferido. Não passava uma sem que Pedro fosse o envolvido ou o personagem principal. Pedro sabia que seriam duas semanas de sofrimento por causa do porco do tio. Mas era um bom guri. Valeria a pena porque reveria amigos que só encontrava na temporada. Além das meninas, é claro.
A casa em Pontal era longe do mar. Aliás, é bom que se diga que Pontal não tem rua à beira-mar. Há uma quadra imensa, sem qualquer construção, só com aquele mato rasteiro. Isto porque se trata de terreno especial da marinha. Desta forma, o mais próximo do mar que se pode morar é a uma quadra dele, mas que na verdade são duas, pela longa extensão. E sem vista, salvo se vc construir uma casa de dois, três andares. A de Pedro e sua família era há seis quadras do mar. Não dava para ir à pé, carregando os apetrechos. Assim, sempre iam de carro. Aliás, todo mundo ia de carro. E o melhor de Pontal era sua praia, porque possuía uma faixa de areia imensa, onde cabiam um estacionamento de carros, um espaço para canchas de futebol e vôlei, outra para guarda-sóis bem espaçados e outra grande para o tráfego de pedestres, que se estendia preguiçosamente até a beira d'água.
Na noite em que chegaram, o pai de Pedro fez o tradicional churrasco da chegada. Seu tio porco, obviamente, bebeu e comeu tudo o que podia e não devia. Certa hora, iniciou seu rol de idiotices. Por mais de uma hora, a família rira das piadas infames e histórias mentirosas da vida do gordo. Pedro era sempre personagem. Se irritou profundamente. Certa hora, não aguentando mais, disse:
- Pelo menos não sou uma baleia que nem consegue olhar o próprio pé !
A família se injuriou. Os pais de Pedro brigaram severamente com ele. O tio gordo se sentiu ofendido. E engatou mais uma piada sobre adolescentes rebeldes.
Dia seguinte, estavam todos na praia. Pedro já passara da época das sungas. Usava uma bermuda surfística laranja que lhe passava os joelhos. Incomodava, mas ele não se importava. Era preciso. Do mesmo modo, usava um óculos de sol daqueles tipo "mosca", mas que era infinitamente maior do que seu rosto. Parecia realmente uma mosca. Pedro não sentava-se à sombra do guarda-sol, nem em qualquer lugar. De pé, exibia-se e conferia o restante da praia. Enfim, era a época. Mas eis que, muito repentinamente, Pedro sentiu uma pontada no estômago. Preferiu não pensar nela. Impossível, as pontadas sucediam-se mais rápidas do que seus pensamentos. Era inconteste. Tratava-se de uma tremenda dor de barriga. O que fazer ? Não havia quiosques ou banheiros públicos. Ir para casa a pé era a certeza de tingir a nova bermuda pelo caminho. Pedir a seu pai que o levasse para casa, jamais. Imaginava seu tio tirando sarro de sua cara. Mesmo que não contasse nada e conseguisse enganar seu pai, as invencionices de seu tio poderiam ser piores. E mais terrível, certamente falaria em alto e bom som na praia, para todos ouvirem. Não, era preciso suportar.
Um gole d¿água. Alívio imediato. Nova pontada. Sentou-se. Quase cagou-se. "Caminhar certamente aliviará", pensava. Três passos após e estancou. Começava a fase do "fazer bico". A situação era dramática. Suava frio. Reparou em volta. Ninguém ainda percebera. Pensou em soltar um punzinho. Normalmente, alivia. Era muito arriscado. A bermuda era nova e o público imenso. "O mar !", lembrou-se. Estava há uns cem passos da água. Só conseguia andar em passos pequenos e contorcendo-se. Bela idéia. Chamou os primos para irem à água (que só podiam ir com alguém "adulto"). Mas sugeriu uma corrida de "marcha atlética". Ridiculamente ia ele e mais cinco crianças sacolejando-se até a praia. No caminho, Pedro soltava alguns puns que fazia com que seu primo menor, Marquinho, ao seu lado, se assustasse. Enfim, o mar.
Deixou-se balançar no ritmo da maré. O alívio então, viera. Relaxando, brincava com seus primos. O mar de Pontal sempre foi muito bom. Quase não tinha "correnteza" que ficasse "puxando". Naquele dia, ondas não haviam. Vinham ondulações malemolentes que passavam pelos banhistas e iam quebrar na beira d'água. Mais ao fundo, sequer tais ondulações haviam. Era uma piscina, e a água até que era limpa. Pedro estava quase esquecendo seu pequeno problema quando a pontada voltou. E com força total. Já não havia o que fazer. Seus primos brincavam de passar por baixo das pernas uns dos outros. Seu primo menor veio em sua direção, querendo brincar. Pedro estava petrificado. Marquinho mergulhou. Pedro fechou as pernas. Marquinho se debatia. Pedro peidava. Marquinho então surge. Em sua face, o terror era visível. O barulho embaixo d'água fora assustador. Pedro então saiu a nadar rapidamente em direção ao fundo. Ultrapassou as ondulações e deu-se por vencido. Era preciso. Ali e agora.
Abaixou sua bermuda e tentou ficar numa posição em que o cocô não lhe tocasse. Se prostrou numa posição de "sentado no vaso", mas desistiu, visto que merda bóia. Imaginou que, ainda nesta posição, poderia ficar de lado. Péssima idéia, arriscava se afogar e em se afogando, lambuzar-se. Resolveu ficar na posição de sentado, mas decidiu que a cada fase, rapidamente sairia do local da desova. Assim fez. Logo de cara, conseguiu se mover mais rápido. O trôço então surgiu, bailando-se ao seu lado. Não era suficiente. Nadou alguns metros e tentou de novo. Não teve a mesma sorte. Sentiu o toque e quanto mais se debatia, mais parecia lhe grudar. Nadou mais alguns metros. De repente, o vento muda, e com ele, a maré. As ondulações agora surgiam ali também, com mais força. Algumas já se tornavam ondas antes de chegar à beira. E ainda havia mais um tiro a ser dado. Conseguiu. Mas é inenarrável. Basta dizer que a visão do cocô debaixo d'água, subindo como um torpedo de submarino é mais aterrador do que se realmente se tratasse de um torpedo. Enfim, terminou. Aliviado, chacoalhou-se um pouco e vestiu a bermuda.
Procurou então sua obra. Novo desespero. As ondulações a estava levando para a beira. Olhou para os banhistas. Lá estavam seus primos, alguns desconhecidos e ele, seu tio porco. O trio de bostas se deslocava rapidamente com as ondulações. Pedro não sabia o que fazer. Dirigiu-se a elas velozmente e tentava fazer uma contra-correnteza com as mãos, pernas e sopro. Com a primeira, conseguiu afastá-la. Com a segunda, a luta era dura. A terceira já era caso perdido. A ondulação se transformara em onda e a merda surfava na sua crista. Olhou para ver o estrago. E viu então a merda indo em direção ao tio porco, que brincava de virar de costas para as ondas, deixando-as quebrar nele. O tiro foi certeiro. Estilhaçou-se nas costas do gordo. Como a área era extensa, nada sobrou para os lados. Quando a onda passou, Pedro viu as costas do tio pintadas inteiramente de marrom. E notou que sequer o tio percebera. Ficou ele ali, ainda de costas, esperando a próxima. Ocorre que Pedro esquecera-se do segundo cocô, que já o ultrapassara e na crista de outra onda, ia em direção ao tio. Só que o porco mudara de brincadeira. Agora, ele se quebrava nas ondas de frente. E esta era grande. No peito. Deu para escutar o estouro. Olhou o tio, que espantado, ainda não entendia o que acabara de acontecer. Passou então a mão pela tinta marrom que lhe grudou ao peito. O cheiro lhe veio e com ele, a certeza. O tio horrorizou-se. Olhou adiante.
Pedro já espertamente havia mergulhado e nadado para longe dali. Em lugar seguro, olhou então, o final da trilogia. A maior onda do dia trazia consigo o maior trôço. A maré era de uma certeza matemática. De novo, a direção era o tio. Que notou a nova bosta. Desesperado, mas com pouca mobilidade, tentou se mover e não conseguiu. Gritou e abanou os braços, inutilmente. As crianças então repararam. E também na merda que vinha. Gritaram com o tio e chamaram a atenção dos demais banhistas, que imediatamente vislumbraram também a bosta. E então, o tio. E de novo, a bosta. O tio tomou então a decisão mais acertada. Resolveu pegar um jacaré na mesma onda. Se lançou como Willy e nadou como nunca. Deu uma olhadela para trás e viu a onda vindo, mas a bosta já não mais em sua direção, embora ainda na mesma onda. Inexplicavelmente, conseguiu o jacaré. Estava longe da beira. Conseguiu olhar a merda a seu lado, vindo a seu encontro. Tentou então direcionar-se para a direita, longe dela. Não conseguiu. A visão da bosta vindo era terrível. Mas a visão do gordo pegando um jacaré era pior ainda. As crianças calaram. O entorno calara. Pedro apreciava de longe. A torcida era claramente pela bosta. Ao final da onda, o tio começou a sair dela. Tentou colocar os pés no chão, mas se desequilibrou e tomou um pacote. Com isto, a merda afundou também.
Os segundos de espera do pessoal da superfície pareciam eternos. Surgiu então o tio. Completamente "enmerdalhado". E afogado. Tomara muita água. E certamente não só isto. Foi inevitável. Risos espoucaram aqui e ali. As crianças apontavam e riam. Principalmente os filhos dele, dos quais, Marquinho. Pedro saiu da água, longe dali, com um sorriso no rosto. Se aproximou do tio, que com cara de terror e vergonha, não sabia o que fazer. Pedro perguntou rindo:
- O senhor está bem ?
- Hã ?
- Tá tudo bem tio ? - foi extremamente cínico.
- Acho que sim. Era merda ?
- Sim. A minha merda ! - orgulhoso confessou.
- Hã ?
- Isso mesmo. E agora, não vai fazer piada comigo ?
- Você fez de pr-propósito ? - ainda incrédulo.
- Certamente que sim !
- Como você teve coragem ?
- Sempre a tive. E agora, da próxima vez que resolver tirar sarro da minha cara, lembre-se que eu cago todo dia...
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Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Por Um Mundo Melhor
Estava eu saindo de uma audiência no Juizado Especial aqui de Curitiba. Para os que não fazem idéia do que isto seja, trata-se de um "tribunal de pequenas causas", como era conhecido antigamente. Caso você tenha interesse por mesquinharias, lá é o seu lugar. Pois bem, saía eu do local quando uma senhora, que suponho tenha uns sessenta anos (suponho porque gente pobre é muito judiada e se ela me falasse que tinha vinte, eu acreditaria), gorda, baixa, mulata "clara", carregando várias sacolas de supermercado e um papelzinho amarrotado trazido em uma das mãos, me pára e me pergunta:
- O sinhô sabe donde fica o juzizade saspaciá ?
- Como ?
- Juzizade saspaciá !
- Juizado Especial ?
- Isso, saspaciá.
Estávamos exatamente em frente ao prédio, que embora mal e porcamente, possui identificação.
- Sei sim, fica aqui perto. A senhora dobra à direita aqui e anda mais três ou quatro quadras. Fica ali na esquina, é um prédio grande. Não tem erro.
- Muito brigada !
- Disponha sempre. Só uma curiosidade, a senhora vai fazer o que lá ?
- Ah, eu entrei na justiçia contra o ospitar que tendeu minha fia, purque eles num deram antendemento em tempio e ela mórreu.
- Ah, tá. Bom, não se esqueça, o prédio fica na esquina. Não tem erro.
- Certu. Brigadão viu dotô !
- Vá com Deus !
Reparei por instantes na pequena senhora que se ia e notei que mancava levemente da perna esquerda, tinha o cabelo em forma de "coque" e vestia aquelas saias gigantes de gente crente com uma blusa de lã rosa surrada. Nos pés, sapatos sem salto. Uma sensação de alegria me percorria. Enfim me senti aliviado. Enfim descobri que também nasci para ser "voluntário". Em prol dos mais necessitados, fiz a minha parte. Mandei-a para aquele centro de alfabetização de adultos. Como é bom ajudar o próximo. Como é bom fazer parte desta "revolução silenciosa" que tanto falam. Agora também faço parte deste coro: Ajuda Brasil !
posted by Chico |
19:05 Comentários:
Thank You
"She loves you and you know you should be glad..." (The Beatles)
Existem dias chuvosos. Com aquele céu cinza parecendo eterno, aquela chuva fraca, quase garoa, mas que molha, gotejando nas janelas de modo melancólico e constante. Esses dias terminam assim, do jeito que começaram. Meio tristes, meio melancólicos. Normalmente, não parecem terminar num dia só. Se arrastam às vezes por semanas. Dificilmente o dia seguinte é de sol.
Dias assim é melhor não vacilar. Melhor ficar no roteiro. E assim se deve fazer. Mas nada melhor do que chegar em casa do trabalho e ver a mesa posta. Decorada e preparada para um fondue surpresa à dois. Jantar ideal para um dia como aquele. No som, Rita Lee "embossanovando" os Beatles. E o jantar, entre garfadas de carne e goles de vinho tinto, transcorre em paz, mais com o silêncio compreendido do que com conversas subentendidas. A chuva continua lá fora, combinando com o ritmo das canções. Mas desta feita ela faz parte da moldura de algo maior.
Dia seguinte, o céu está limpo e claro. O sol desponta e as nuvens sumiram. E eu sei o porque.
posted by Chico |
19:01 Comentários:
Formas de Abençoar
Essa dica eu devo ao Martim Vasques, que em seu blog disponibilizou o link para o site do poeta Alberto da Cunha Melo. Lá li esta pérola:
Formas de Abençoar
Fique aqui mesmo, morra antes
de mim, mas não vá para o mundo.
Repito: não vá para o mundo,
que o mundo tem gente, meu filho.
Por mais calado que você
seja, será crucificado.
Por mais sozinho que você
seja, será crucificado.
Há uma mentira por aí
chamada infância, você tem?
Mesmo sem a ter, vai pagar
essa viagem que não fez.
Grande, muito grande é a força
desta noite que vem de longe.
Somos treva, a vida é apenas
puro lampejo do carvão.
No início, todos o perdoam,
esperando que você cresça,
esperando que você cresça
para nunca mais perdoá-lo.
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18:59 Comentários:
As Conquistas da Liberação Sexual ou É Proibido Probir
Às vezes leio as revistas femininas que minha esposa lê. Na Cláudia deste mês, há uma reportagem sobre "o que os homens pensam sobre mulheres que ousam na cama". Li então o seguinte relato:
"Uma menina que conheci num bar me convidou para ir à casa dela. Ela ficou nua e pediu que eu ficasse também. Aí me disse para calçar de novo as botas. Depois falou: "Você vai me bater, não é ? Então bate !" Ao mesmo tempo, me deu um soco. Desci as escadas com a roupa pendurada no braço."
Eu chorei de rir. E rio ainda agora transcrevendo isto. Mas é tão triste...
posted by Chico |
18:56 Comentários:
Quarta-feira, Setembro 03, 2003
A Taça Do Mundo É Nossa !
Domingo. Estava eu a assistir ao jogo entre Criciúma x Atlético/Pr.. Evidentemente é o tipo de jogo que ninguém assiste, salvo se você torce para um dos times. É o meu caso, torcedor que sou do rubro-negro paranaense. Com dez minutos de jogo, eu já tinha me enchido. Era horrorosa a partida. O Atlético foi a Criciúma para não jogar e o time da casa concordou.
Eis que, ali pelos vinte minutos, uma falta violenta acontece. O juiz não marca nada. Como o estádio é das antigas, a cabine de transmissão da televisão era muito próxima da arquibancada. Escuto um berro:
- PRÁ MIM CHEGA, FILHO DA PUTA !
O berro era absolutamente definitivo. Incontestável. Sincero, violento, emocionante. Fiquei imaginando o sujeito vendo a falta acontecer, olhando para o juiz que então estica os dois braços à frente indicando a sequência do lance. Ele então deve ter se levantado, punho direito no ar, indicador da mesma mão estendido, o grito cuspido nas pessoas à sua frente. O próximo passo era de dois, um. Ou se retirar do estádio, em cumprimento à ordem tão definitiva dada a si mesmo ou invadir o gramado e fazer justiça com as próprias mãos. Mas é claro que ele não vai embora nem vai invadir gramado nenhum. Vai se sentar, reparar à sua volta esperando solidariedade (que às vezes vem), e então compra uma cerveja quente. E continua a assistir ao jogo.
O "filhodaputa" ainda foi ouvido várias vezes, com a mesma veemência e inutilidade. Acaba o jogo.
No Fantástico, resumo da semana:
1) O governo demitiu um diretor da FUNASA. Motivo: ele era marido de uma deputada do próprio PT, que votou contra a Reforma da Previdência. O próprio Fantástico deixa a conclusão no ar: Se ele foi contratado só porque era marido da deputada, é um absurdo. Se não foi, absurdo maior é demiti-lo por tal razão.
2) Equipe de médicos do famoso Instituto do Câncer no Rio, pedem demissão coletiva em razão dos inúmeros problemas que ali se avolumam desde a entrada da nova administração petista. Nem remédios tinha. E os cargos foram loteados para pessoas desqualificadas tecnicamente, mas vinculadas política e ideologicamente com o PT.
3) Novo Ministro do Tribunal de Contas da União será um senador do PMDB acusado de corrupção com inquérito parado no STF e na Comissão de Ética no Senado, desde o ano passado. Um dos requisitos para ser Ministro é ter "idoneidade moral e reputação ilibada". O PT que queria investigar o senador ano passado, aprovou a sua ida para o TCU na Comissão Especial e não fez um muxoxo.
Foi inevitável. Levanto-me do sofá, punho direito cerrado no ar, com o dedo indicador na fuça do Pedro Bial e grito:
- PRÁ MIM CHEGA, FILHOS DA PUTA !
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20:39 Comentários:
All You Need Is Love
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; (1 Coríntios - 13:8)
Assisti neste final de semana passado, ao filme "Uma Mente Brilhante", com Russel Crowe no papel do matemático John Nash, e a bela Jenifer Connely atuando como sua esposa, Alícia. Sinceramente, adorei o filme. E olha que eu assisti não com um, mas os dois pés atrás. Afinal, contar a história de vida de um matemático deve ser uma das coisas mais chatas do mundo. E o fato dele ser esquizofrênico não ajuda muito. Aliás, todo matemático é meio esquizofrênico. So....
Mas enfim, terminada a "película", não resisti ao sorriso que me veio ao rosto, nem a uma pequena lágrima no olho esquerdo (eis uma verdade política incontestável: o choro sempre começa do lado esquerdo). Isto porque o filme conseguiu me surpreender e muito, ao contar a história de John e Alícia, e não a do matemático louco ganhador do Nobel.
Para o filme, tanto fazia que John fosse esquizofrênico, alcoólatra, viciado em drogas, portador de deficiência, tivesse gases ou se não usava sapatos em razão do joanete. Da mesma forma, pouco importava se era matemático, biólogo, jurista, cheerleader ou ator. Muito menos se foi gênio, um sucesso, ganhador de Nobel, Oscar ou cinco estrelinhas da professora pela boa lição de casa apresentada. Isto não interessava. Tanto é que, se você só viu o filme, nem sabe afinal de contas, porque ele ganhou o Nobel. Tem uma vaga idéia de que se trata de uma teoria que "derruba" Adam Smith, mas no fundo ela fica parecendo mais uma inversão de outra muito famosa, de Vinícius de Morais: "as bonitas que me perdoem, mas feiúra é fundamental" (para quem não lembra, falo da cena da loira e suas amigas feias).
Para mim o filme é maravilhoso pela história de compromisso entre John e Alícia. Ele, quando decide que, se para ficar bom da cabeça ele teria que ficar tomando remédios que o incapacitavam para qualquer coisa, inclusive transar com sua mulher, então era melhor encarar a doença sem remédios, porque ele não abriria mão da esposa. Ela, mais ainda e a todo momento, quando não abandona o marido mesmo tendo todos os motivos do mundo para tanto, e nem quando o próprio pede a ela que o deixe enfrentar a doença. Naquele momento, Alícia mostra a ele que o que interessava era ele e ela e o amor que um sentia pelo outro. O restante da história de vitória contra a doença é, para mim, a melhor parte do filme. O final com o discurso do Nobel é só a cereja do bolo, bem ao estilo holywoodiano.
Mesmo descobrindo depois que na vida real dos dois, a coisa não foi bem assim, pois eles se separaram por trinta anos até reatarem o relacionamento, bem como sabendo da possível tendência homossexual de Nash (aliás, os gays reclamaram muito por isto não ser colocado no filme. Agora, se fosse a história de um esquizofrênico gay que não ganha pôrra nenhuma de Nobel ou algo assim, quero ver se ficariam tão contentes neste "retrato" de um gay louco.), isto não estraga em nenhum momento o filme, pois a história pode ser baseada na vida real, mas continua sendo uma ficção. E neste caso, a ficção é que deve ser contada mesmo.
Afinal, o filme mostra algo que hoje em dia é difícil de se ver. Um casal que, posto à prova, vive o verdadeiro sentido do casamento. Pois quem dentre nós realmente entende o sentido do casamento hoje em dia, do compromisso entre um homem e uma mulher quando juram perante Deus que ficarão juntos venha o que vier, na saúde e na doença ? Quase ninguém. Quem aguentaria estar no lugar de Alícia ? Quem a condenaria por ter ido embora ? Quem não entenderia uma separação ? De novo, quase ninguém. O filme, ao mostrar exatamente o significado disto, desta não desistência, deste compromisso com o outro, da recusa à saída mais fácil da separação, dá uma bela demonstração do que significa a responsabilidade do casamento.
E é aqui que eu acredito que este filme tem uma finalidade pedagógica. Isto porque. Concordo com aqueles que afirmam que o cinema só pode servir como "educação", se for utilizado como instrumento auxiliar. Por si só, filme nenhum "traz cultura" ou "educa" alguém. Agora que ele é um esplêndido instrumento auxiliar de educação não resta dúvidas. E este filme é um exemplo. Ora, todo mundo "sabe" que quem casa, casa "para sempre", na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza. Todo mundo sabe isto e não precisa estar casado para sabê-lo. Mas quem realmente "sabe" o que isto significa ? Este filme vem exatamente para mostrar, concretamente, o que significa uma comunhão de vidas, um compromisso verdadeiro entre um homem e uma mulher na saúde e na doença, etc... Eis a finalidade pedagógica.
E para além disto, eu particularmente me fascino com histórias em que, sem aviso prévio, a vida dá um tapa na cara da personagem, prostrando-a de joelhos e só deixando uma falsa escolha. Qual seja, encara o que vem pela frente, sem garantia de vitória ou foge. A escolha é falsa porque só se vive ao se encarar a vida. Teu livre arbítrio te permite fugir, mas a vida não admite a fuga e ficará te dando tapas na cara para sempre, até que a enfrente. É o caso de Alícia no filme. O problema não era "dela". O inferno da sua vida não era causado por "ela", mas a vida lhe deu um tremendo de um tapa e ela enfrentou a situação dignamente. Nessas horas entendo bem o "porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos"(Mateus - 22:14).
Não à toa, nas cenas finais, a "aura" de John e Alícia já não era deste "mundo". Era algo maior do que eles. O termo comunhão toma ali uma concretude que dificilmente se consegue colocar em palavras. A paz de espírito entre eles era algo quase palpável. A vitória do amor de um casal, em verdadeira comunhão de espíritos, venceu a tudo e a todos. Venceu uma doença incurável, mas poderia ter sido qualquer outra coisa. Enfim, em primeira e última instância, era e é uma questão de fé. Afinal, quem ama, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios - 13:7).
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20:35 Comentários:
Pontos Corridos - Parte II
Em post recente, que deve estar por aí, fiz referência à constatação de que o sistema de pontos corridos não aumentou o público nos estádios, como sempre seus defensores apregoaram. Falemos agora pois, da justiça dos pontos corridos.
Contudo, adianto-me. A questão não está na justiça, mas no valor dado à ela. Avaliando-se qual sistema é mais justo, o de pontos corridos leva vantagem sim. Contudo, ainda aqui, as coisas devem ser colocadas no seu devido lugar. Ele é mais justo, o que não significa que o de finais seja injusto. Pegue-se os últimos brasileiros. Ainda que o campeão não seja o que fez melhor campanha, o título ficou sempre entre os melhores. No caso, entre os oito. É injusto o oitavo ser campeão em lugar do primeiro. É. Mas é mais justo do que se o vigésimo quarto fosse o campeão. Agora, mesmo nos pontos corridos pode-se existir injustiças. Imagine-se que o campeonato chegue à rodada final também com oito equipes disputando o título. Qualquer uma que vença, merecerá. Contudo, e se o campeão só o foi porque venceu a partida com gol de pênalti inexistente ? Não é justo que alguém seja campeão desta forma.
Em suma, o sistema de pontos corridos é mais justo que o de finais, mas não é infalível. Mas o de finais, se numa escala de "justiça" está abaixo do de pontos corridos, não se encontra nesta mesma escala, próximo da injustiça. No máximo, do menos justo. Lembro aqui o time do Grêmio, campeão brasileiro de 1.996, tendo se classificado para as finais como oitavo colocado. Foi injusto ele ser campeão. Sim e não. Sim porque não teve a melhor campanha. Não porque nas finais, ele foi o melhor mesmo.
Contudo, e como já disse, a discussão é equivocada se como premissa tem-se somente a questão da "justiça" dos pontos corridos. Outros valores devem ser contemplados e buscados com um sistema de disputa. O que nos leva a uma especulação "filosófica" sobre o futebol. E não resta dúvidas que o futebol só vale quando visto pelo lado da "arte", do espetáculo, do show. O futebol brasileiro é assim reconhecido no mundo todo. Muitas vezes preferimos muito mais o gol que Pelé não fez do que aqueles que marcou. Quem, lembrando-se de 1.970, não traz à mente os dois gols que Pelé não fez ? Um que ele dribla o goleiro num jogo de corpo mas chuta para fora e outro que chuta do meio-campo quase encobrindo o goleiro ?
Até hoje ainda se discute muito o futebol-de-resultados x futebol-arte. A ofensividade x defensividade, etc. e tal. Claro que tal discussão é inócua pois não são termos contraditórios e sim complementares. Um não se basta sem o outro. Só futebol-arte dá em 1982. Só resultados pode até vir a dar 1994. Mas que chatice, não ? Imagine se todos os nossos títulos mundiais ficassem mais na lembrança pelo pênalti perdido pelo jogador adversário na final do que pelo nosso futebol apresentado ? E imagine se o título de 94 fosse ganho nos pontos corridos ? Chatice suprema. Afinal, quem prefere 94 à 2002 ? Creio que ninguém. Eu fico com Ronaldinho, naquele gol de falta contra a Inglaterra, do que com Branco naquele gol de falta contra a Holanda. Mas, divago. Volto ao tema.
Na verdade, futebol é entretenimento. Pode ter contornos culturais como no Brasil, até mesmo de relevância pública. Mas não deixa de ser e não pode ser tratado como se fosse algo maior do que entretenimento. Daí porque um dos valores a serem buscados é o espetáculo. Os belos jogos, os muitos e de preferência belos gols. Os dribles desconcertantes, as defesas impossíveis. E, last but not least, as partidas e os títulos inesquecíveis. A razão de ser do futebol é esta. Ele deve ser justo ? Deve, mas não se não puder ser um espetáculo. Ou seja, esse é o valor maior a ser buscado e concretizado. Por tal razão o melhor sistema de disputa é aquele que possibilite melhor tal concretização. E aqui amigo, o sistema de finais é muito melhor que o de pontos corridos.
Parto para um exemplo concreto dado por este campeonato brasileiro. No atual campeonato, tivemos São Paulo x Cruzeiro logo na primeira rodada do returno. Se fosse no sistema de finais, poderia ser a final deste ano. Como ainda tinham mais de vinte rodadas para se jogar, o que aconteceu ? Ninguém arriscou. Terminou num mirrado 1 x 1. E lembrar que no primeiro turno, quando a coisa ainda não estava pegando, o jogo foi 4 x 2, se não me engano, para o Cruzeiro. Que jogo você prefere ? Se for para ver esse 1 x 1 xoxo, prefiro que ele então, seja numa final, que por si só, torna o jogo bom.
Deste exemplo se retira a principal consequência do campeonato por pontos corridos. Ele só consegue ser bom se chegarmos ás rodadas finais com mais de um time com chances de levar o título. Mas não raro isto não acontece. Por vezes (e são muitas mesmo) o campeonato termina com quatro, cinco rodadas de antecedência. Isto é a morte da alegria do futebol. No sistema de finais, por pior que seja o nível do campeonato, por melhor que um time seja do que os outros, uma final é uma final e traz todos os ingredientes que possibilitam um espetáculo. Mesmo que o jogo seja fácil para um lado, a expectativa criada, a possibilidade da derrota torna a vitória muito mais saborosa e a comemoração muito maior.
Na verdade, essa questão toda pode ser resumida numa simples pergunta ( que devo ao amigo Nox, por me tê-la feito e mudado toda minha opinião sobre esse tema): quais as partidas que você considera inesquecíveis ? Provavelmente a sua resposta terá sido de clássicos regionais e finais de campeonato. Os primeiros não precisam de sistema nenhum para virarem inesquecíveis. E os segundos, não tem no sistema de pontos corridos. Ou seja, que o sistema de pontos corridos é mais justo que o de finais, não resta dúvidas. Mas a este preço, ele não vale a pena.
Para que este post não se torne maior do que já está, fico por aqui. Mas volto ao tema, tratando da tradição do nosso futebol em comparação com o europeu, bem como do equívoco maior em que incorrem os defensores dos pontos corridos, pois estão, na verdade, querendo resolver outros problemas que por ele não poderão ser solucionados.
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20:29 Comentários:
Quarta-feira, Agosto 27, 2003
"Pode ser um pecado pensar mal dos outros. Mas raramente será um engano."
H. L. Mencken
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19:11 Comentários:
As Jujubas E O Sentido Da Vida
Dedicado a todos os imbecis do planeta
Enfrento um sério problema no edifício onde tenho escritório. Isto porque ele fica na sobreloja e há mais treze andares acima. Existem três elevadores. Todos possuem aqueles visores enormes informando em que andar está passando ou parando. Todavia, quando estou saindo do escritório, e o elevador pára, sempre há os idiotas de plantão que acham que chegaram no térreo. A porta se abre, eu espero para ver se o idiota vai ficar no meu andar. Quase sempre (de cada três, um)saem do elevador crentes que estão no térreo. É um equívoco normal. Você está no elevador, acompanha os andares no visor, percebe a chegada do térreo, nem imagina que exista sobreloja e quando pára, você imagina que está no térreo. O problema não é esse. O problema é que os idiotas de plantão não se apercebem do mero equívoco e acham que estão em algum universo paralelo. Tem imbecil que simplesmente não atina que não está no térreo e que parou em outro andar. Ri nervosamente do lado de fora do elevador, e eu lá dentro, óbvio, já apertei o botão que manda fechar as portas. E sempre ouço:
- Credo! Não é o térreo ?
- Sim. - respondo fazendo cara de obviedade.
- Mas cadê a portaria ?
- O senhor pode escolher qualquer das portas. Cada uma sai numa rua. Não se lembra por qual o senhor entrou ? - digo fazendo cara de compreensão. Ah, no andar, são 6 salas.
- Não! Mas não era de vidro, com catraca ?
- Sim, mas isto tem depoooois que o senhor passar por uma das portas.
- Ahhhh... Qual vai dar na João Gualberto ?
- Esta aqui em frente - aponto para a porta de ferro que dá para o lixo e não tem luz.
- Obrigado!
- Disponha sempre !
Fecham-se as portas do elevador e escuto o som da porta de ferro batendo. Na saleta do lixo, de um metro por um metro, há outra porta de ferro muito pesada com saída para as escadarias. Contudo, o interruptor de luz fica no hall do andar. E no meu andar, naquele horário, não havia mais ninguém nas salas dos outros escritórios e no meu também.Dia seguinte, o porteiro me pergunta se soube do acontecido. Finjo não lembrar e pergunto o porque.
- Não é que o Sebastião, porteiro da noite, tomou-lhe um susto que o senhor não imagina !!
- É mesmo ?!
- É. Ele começou a escutar uns gritos de socorro, socorro, vindos de dentro do prédio. Ele gritava perguntando onde a pessoa estava, mas ela não sabia. Não sabendo o que fazer ele chamou os bombeiros !
- Mas e daí, o que aconteceu ? - digo já com dificuldades de esconder o riso.
- Os bombeiros chegaram e saíram vasculhando o prédio atrás do sujeito. Acharam ele na salinha do lixo ali do seu andar.
- Ah, sei, sei. E ficou tudo bem ?
- Nada. Aquela porta de ferro que dá para o seu andar tá com problema e não pode fechar senão ela não abre mais por dentro. E ele fechou.
- Mas não dava para sair pela da escada ?
- Dava, e foi isso que aconteceu. Só que...
- O que ?
- Bom, o Sebastião não sabia que as luzes se acendiam do lado de fora e o sujeito teve que descer as escadas no escuro mesmo. Só que ele não era muito esperto não. Foi descendo, descendo, descendo e foi parar lá na casa de máquinas da garagem.
- Mas que idiota, não ?
- Pois é ! O pior não foi isso. É que lá chegando o cara deve ter se assustado com o barulho do ventilador da casa de máquinas ou coisa assim e teve um piripaque.
- Morreu ? - confesso um certo espanto.
- Quase. Quando os bombeiros o acharam, ele estava encolhido no cantinho da garagem, na vaga do seu Alceu, sabe ?
- Sei, sei.
- Os bombeiros chegaram e ele ficava repetindo que ele preferia tomar a pirula azul...
- Pílula azul ?
- É um mistério, dotô ! E o senhor sabe que já é o sexto que acontece isso e diz a mesma coisa ?
- Sexto ?
- Isso ! O senhor não sabia ? Já é o sexto que fica preso naquela salinha e vai parar na garagem abilolado falando da tal pírula azul...
- Huuummm ! Pílula azul, pílula azul.... Parece coisa do Matrix... - penso alto.
- Quem ?
- É um filme, seu Jorge. No filme, chega uma hora em que a pessoa tem que decidir se toma a pílula azul ou vermelha. Se preferir a azul, não saberá a verdade sobre o mundo e voltará a viver sua vidinha normal, sem nem desconfiar que é controlado por computador.
- Virgem Mãe ! Então é isso ? E vem da onde essa pírula ?
- Sei lá, provavelmente do lixo, né ?
- É mesmo. A pessoa deve de sentir fome e vasculha, né ?
- É...
Nisso passa seu Ozório, o homem da casa de máquinas, com seu eterno companheiro, um saquinho de jujubas. Se inteira da conversa e seu Jorge fala de Matrix. Vejo que a conversa vai se alongar e chamo o elevador. Enquanto espero, fico reparando na alegria repentina do seu Ozório, que continuou conversando com seu Jorge. E então reparo nas jujubas. Estranho. Não vi nenhuma roxa, amarela ou laranja. Em compensação, no saquinho, brilhavam as vermelhas e azuis...
posted by Chico |
19:09 Comentários:
Kinhs Of Leon
Finalmente escuto algo que me faz não tirar o cd do carro. Já escutei umas quatro vezes direto e não cansei. Diversão pura. Chama-se Kings Of Leon. Uma gurizada americana. Banda formada por três irmãos e um primo. Já tem clipe passando na MTV e "Molly Chambers" tocando no rádio. No site dos caras, dá para ouvir e ver alguns clipes. Este eu recomendo.
posted by Chico |
19:05 Comentários:
Querendo Ser kubrick
Por mero acaso, neste final de semana, assisti a Vanilla Sky, estrelado e produzido por Tom Cruise. Gosto de assistir a filmes desta forma. Primeiro porque não tenho gastos extras, como entrada de cinema, locação de DVD, deslocamento, etc.. Muito menos crio expectativas. O filme me pega sem pré-conceitos e eu o assisto sem maiores pretensões.
Quando o melhor de um filme é sua trilha sonora, por certo não pode ser considerado um bom filme. E o que li e ouvi sobre Vanilla Sky era isto. Depois de assisti-lo, não achei nem a trilha sonora maravilhosa (apenas bons momentos. Aliás, aquela música que ele canta quando está bêbado de anestesia indo para refazer seu rosto é simplesmente horrorosa.) muito menos o filme tão ruim. É ruim, mas nem tanto.
Na verdade, assim que terminou o filme me veio à mente outros dois. Um também estrelado por Tom Cruise e dirigido por Spielberg, Minority Report, e outro também dirigido por Spielberg, Inteligência Artificial . De todos os três tive a mesma impressão. São filmes que acertam na escolha das "perguntas", mas que não sabem o que fazer com elas. Tentarei me explicar.
Nos três, a temática é a mesma. A questão do avanço tecnológico e da informática confrontando-se suas aplicações no dia-a-dia do ser humano. Em um, há robôs com sentimentos. Em outro, experimentos com drogas que tornam adolescentes em videntes de crimes. Por fim, no Vanilla Sky, uma empresa que congela os mortos, reconstruindo suas vidas, em determinado ponto do passado, fazendo-os viver "novamente".
Quem se lembrou de 2.001, que traz a mesma temática de tecnologia x homem, pensou como eu. Stanley Kubrick foi um dos maiores diretores de cinema em adiantar temáticas relevantes para o homem. Lembro de Laranja Mecânica com suas lavagens cerebrais "estatizadas", para lutar contra a criminalidade. Mais atual, impossível.
Mas Kubrick sabia como lidar com tais questões. Por várias vezes, apenas as colocava, sem radicalizar em respostas ou teorias. Até hoje pode-se discutir, afinal de contas, o que é aquele monolito negro de 2.001. Já nos filmes que citei, isto não acontece. Spielberg, que dirigiu Inteligência Artificial e Minority Report, falha fragorosamente. Em ambos não consegue enfrentar as questões que coloca. No primeiro, tenta e falha. No segundo, nem tenta. Limita-se a colocá-las na tela. O problema é que, para a história mesma do filme, era imprescindível lidar com as questões. Vanilla Sky traz Tom Cruise, astro também de Minority. Novamente, se tenta e se falha no tratar das questões.
O que pode parecer mera suposição, passa a ser mais provável quando se recorda que Inteligência Artificial era um projeto de Kubrick, que com seu falecimento, Spielberg levou adiante. É o único dos três que lembra o "jeito" kubrickiano. Mas pára por aí. Tom Cruise, cujo único papel decente até hoje se deu em De Olhos Bem Fechados, de Kubrick, deve sentir falta das críticas favoráveis que lhe renderam este trabalho. Daí arriscar-se em filmes mais "densos", até produzindo-os. Foi mordido pela "mosca". Arrisco dizer que em Minority Report, Spielberg quis consertar o estrago de Inteligência Artificial, tratando dos temas do gosto de Kubrick, mas do seu jeito. E Tom Cruise viu a chance de obter mais aplausos em outro trabalho consistente, como foi em De Olhos Bem Fechados. Falharam. Spielberg não sei se desistiu. Tom Cruise não, como se vê em Vanilla Sky. Agora, espero que tenha desistido de vez.
Pelo visto, Kubrick ainda deve pairar como um fantasma por um longo tempo. Logo, logo devem vir outros querendo "tomar seu lugar". Difícil. Kubrick vem de uma época em que diretores de cinema tinham bagagem cultural, além do talento nato, para tratar de temas de tamanha relevância. Não à toa, Kubrick passou um bom tempo longe dos cinemas antes de filmar "De Olhos...". Inconsciente ou conscientemente sabia que não havia espaço para fazer filmes à sua maneira. Tanto é que, "De Olhos Bem Fechados", um brilhante filme que trata da questão do sexo fácil dos dias atuais e faz uma defesa maravilhosa da monogamia e do casamento, foi muito pouco compreendido. Vi pouca gente gostando deste filme. Muitos só gostaram em face das cenas de sexo e orgias. Esses jamais entenderão o "Let¿s fuck !" que Nicole Kidman diz ao marido na cena final. Kubrick já não fazia parte do establishment nessa época. Acho que morreu na hora certa. Ao menos, não precisou assistir a essas imitações rasteiras que Spielberg e Cruise tentaram fazer dele.
Engraçado, terminando de digitar isto aqui, me lembrei de Tom Hanks naquele filme já antigo dos anos 80, "Quero Ser Grande", em que ele é uma criança que pede a um "mágico" (algo assim) para se tornar adulto. Ele tem o desejo atendido. Ganha o corpo de adulto, mas continua a ser uma criança...
posted by Chico |
19:03 Comentários:
Domingo, Agosto 17, 2003
Aviso
A edição desta semana (Meu Deus!!!!! Edição, eu disse edição. Não se preocupe, eu mesmo já mandei-me àquele lugar.) sairá em duas partes. Ando com problemas, para variar, nesta bagaça. Estava tentando resolver o problema dos arquivos quando acabei desconfigurando um monte de coisa. Assim, para que não fique textos inteiros perdendo a validade aqui na minha gaveta, publico alguns agora, e espero publicar outros no decorrer da semana.
E como podem ver, consegui, enfim, disponibilizar os arquivos. E mais, coloquei uma "busca" aí para facilitar a procura. Você pode não acreditar, mas já recebi pedidos (mais de uma vez), perguntando onde foram parar aquele(s) post(s). Agora resta saber se isto funciona...
posted by Chico |
20:06 Comentários:
Acredite Se Quiser
Amigos me questionam da razão de eu "assinar" este blog, valendo-me de um "pseudônimo". Não vejo relevância nisto. Mas, não custa explicar. No começo, assinava com meu nome de batismo mesmo. Um dia, tentando melhorar a template deste blog, sabe-se lá como, apareceu um "Who's Fooling" como meu "apelido". Provavelmente eu errei tudo quando configurava, e acabou saindo de um texto qualquer o "who's fooling" e se alojou como meu apelido. A partir dali, isto acabou aparecendo no lugar do meu nome.
Quando fui corrigir isso, me veio à mente o "who's fooling who ?". E eu achei bacana. Desde o início deste blog, fico me perguntando : "A quem você está enganando, hein, hein ?". E até hoje, não tenho resposta. Mas eis que começaram a surgir leitores desconhecidos. Gente que apareceu por acaso e cabou gostando do que leu. E não mais consigo fugir dos "hein, hein?" da minha cabeça. Desta forma, resolvi deixar o "Who's Fooling Who ?". Quero crer que se trata de medida profilática. Sujeito vem, lê as bobagens, concorda, discorda, tanto faz, e eis que lê: Who's Fooling Who ? Me parece bem apropriado. Até porque, impede-me que me leve a sério. E de mais à mais, quem eu queria que soubesse que eu tinha um blog, já sabia que era eu e não passaria a achar que se trataria de "outra" pessoa.
Sei que muita gente não concorda que se use pseudônimo. O Felipe, por exemplo, do Alexandrinas (link ao lado), disse num post bem recente que autor de blog que assina com pseudônimo, é café-com-leite. Aliás, transcrevo suas palavras: "Motivos óbvios: tudo tem seu preço, e a pena por escrever sob a proteção do pseudônimo é não merecer ser levado a sério, a não ser por simples cortesia. Num debate de idéias é assim: ocultou a identidade, virou café-com-leite".
Discordo. Primeiro porque assinar um nome qualquer aí, não significa que seja o seu verdadeiro. Segundo porque se é para se debater a sério qualquer coisa, só me interessa o que se diz, não quem o diz. E terceiro, fazendo uso das próprias palavras do Felipe, em post mais antigo: "Andei conhecendo um bom número de blogueiros e essa experiência me ofereceu a confirmação de uma velha teoria: o primeiro personagem que um escritor inventa é ele próprio. Portanto, devo revelar a vocês que o autor destas mal-tecladas linhas não é Felipe Ortiz-Ele Mesmo (hã? ouvi suspiros?), mas um pequeno puppet de papiê-machê ao qual dei meu próprio nome. E é assim com todos, em maior ou menor grau. Todo blogueiro é um personagem de si mesmo". Assim, concordando plenamente com isto, me sinto mesmo um personagem. So, who's fooling who ?
Na verdade, concordaria com o Felipe se blog fosse algo onde só houvesse debate de idéias. Mas não o é. É por demais anárquico para tanto. E não me parece imprescindível para um debate de idéias, que os personagens participantes apresentem RG e CPF. Mas enfim, cada qual com a sua opinião. E talvez minha opinião nem seja diferente da do Felipe, por um simples fato. Eu não quero ser levado a sério mesmo. Daí que a pena por utilizar-me de um pseudônimo mais me agrada do que qualquer outra coisa.
Agora, que isto me trouxe um problema, me trouxe. Principalmente nos comentários. Para que as pessoas que não me conhecem saibam quem eu sou, sou obrigado a assinar como Who's Fooling..., e somente neste momento me irrita o pseudônimo. Porque aí não estou a escrever um texto impessoal, mas sim a responder ou conversar com alguém "específico". Neste caso, prefiro me identificar mesmo. Quando são amigos que me conhecem, uso meu nome mesmo. Basta ler comentários por aí abaixo. Mas quando envolve pessoas que não sabem quem sou, me obrigo ao uso do pseudônimo.
Por fim, o pseudônimo também serve para evitar certas dores de cabeça. Sim, porque se isto aqui é meu, como minha casa, minha propriedade, é certo também que ela não tem portas, janelas, cerca, muro, etc.. Não sei se chega a ser engraçada, como na música do Vinícius de Moraes, cuja casa não tinha teto, não tinha nada. Mas leva a uma conclusão inevitável. Se entra quem quer e a hora que quer, é melhor ao menos, não deixar sua carteira na mesa de centro da sala. Ou pior, o controle remoto da TV dando sopa em cima do sofá.
Mas, a quem interessar possa, me chamo Francisco Escorsim, de Curitiba/Pr. Sou do signo de Áries, já me disseram o ascendente, mas eu sempre esqueço. Ando a beirar os trinta, e quanto mais velho ficar, melhor. Casado e bem casado, louco para ser pai. E sim, tenho ódio de gente imbecil, burra e/ou idiota, não necessariamente nessa ordem. Agora, releia tudo o que já publiquei aqui, seja palhaçada ou coisa séria e repare como agora ficou diferente, como você entende melhor as coisas, como as piadas ficaram menos ou mais engraçadas. Faça numerologia com as letras do meu nome, vodu ou qualquer coisa parecida. Reparou bem que agora dá para discutir minhas idéias de, por exemplo, esquerda, direita ou religião ? Antes, ora, antes o pseudônimo atrapalhava demais. Enfim, me leve a sério agora, por favor. "... hein, hein ?".
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20:00 Comentários:
Polêmicas Virtuais
Por falar em blogs, uma das coisas que me diverte (mas às vezes cansa também), são as polêmicas. O Polzonoff inventou uma história de que tinha se demitido para trabalhar no Mc Donald's. E narrou sua saga. Não é que teve gente acreditando mesmo, fazendo críticas a respeito do "capitalismo" e da "opressão" das grandes empresas, e aquele blá-blá-blá todo ? Pois é... No fim das contas, o Polzonoff teve que revelar a "verdade" antes que as coisas tomassem um rumo absurdo. Aliás, Polzonoff deve ter o recorde de polêmicas travadas por aí. Quando não o chamam para a "briga", ele mesmo procura uma. Se não me engano, já li umas três vezes ele dizendo que se sente meio obrigado a revelar certas "fraudes" em blogs alheios. Eu me divirto muito. Não sei se são fraudes ou não. Uma das "fraudes" é um cara chamado Martim, que agora tem blog próprio. Antes, escrevia em blogs e sites "coletivos". Acho que ele está bem longe de ser uma fraude, embora discorde de muito do que ele escreveu e escreve. Mas enfim, isto não vem ao caso. Me divirto com os cavalos de batalha do Polzonoff, e com suas polêmicas. Lembro que quando resolvi me meter nessa terra de blogs, estava a ocorrer uma pendenga entre ele e o Felipe, do Alexandrinas. Não me lembro bem da confusão, nem sei se entendi direito, mas parece que o Polzonoff achava um absurdo, cheio de "significados", o fato do Felipe gostar de usar terno com colete. Uma bobagem, é claro.
E dias atrás, houve uma confusão entre vários blogs sobre um post sobre gays. Só soube do entrevero porque o Gustavo, do Céu Dos Violentos foi um dos mais atuantes na pendenga. Tanto que até desistiu do próprio blog. Daí voltou atrás. Desisitiu de novo, e de novo voltou. Só essas idas e vindas dele já me divertiram bastante. Mas o que me fez rolar de rir foi ler gente se dizendo e-no-ja-da com a posição de outros sobre os gays. Não vou entrar aqui no mérito da discussão. Me parece encerrada e explicada. Mas quem se sente e-no-ja-do (es-cre-ven-do as-sim mes-mo) desse jeito "estilístico" é porque evidentemente não sente nojo nenhum. Ainda mais quando o nojo em questão surgiu do ódio à outra postura. Aí nojo sai como NOJO, não no-jo. E essa afetação toda me divertiu bastante.
Enfim sou fã de uma confusão. Meus amigos sabem o quanto me meto em polêmicas via e-mail nos grupos que participamos. Para tanto, sempre usei uma das recomendações que o Mainardi deu na Veja dia desses: "trate o resto da humanidade aos tapas e pontapés". Acrescento: mas sempre, sempre, com bom humor. Principalmente se o oponente se leva a sério demais. Aí ele vai se sentir e-no-ja-do ao extremo, subirá nas tamancas, borboleteara no ombro de amigos, queixando-se da violência com que você contende. Enquanto isto, lá está você, com aquele sorriso cínico no canto da boca, se divertindo pacas. Não há esporte melhor do que tirar alguém que se leva a sério, do sério.
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19:51 Comentários:
Quinta-feira, Agosto 07, 2003
Burros e Cínicos
Uma das coisas que me cansou nesse terra de blogs é a esquerda burra e a direita festiva. Aquela porque acha que simplesmente dizer que os outros são de direita, faz prova da sua superioridade. E quando arrisca encarar de frente, passa vexame de tão pobres que são seus argumentos. A única coisa que fazem com certa categoria é ironizar a direita festiva. Coisa que eu também gosto de fazer.
Já a direita festiva, parece condenada a cometer os mesmos erros dos esquerdóides. Explico-me: ninguém escolhe ser de esquerda neste país. Você, salvo raras exceções, cresce apredendendo a ser de esquerda. Você nunca leu Marx ou qualquer outra coisa. Mas você sabe que ele está certo. Pois eu acho que a direita festiva sofre do mesmo mal, com pequenas diferenças. O cara descobre Olavo de Carvalho. Ele não é tão burro ou cego ou de esquerda assim, e em vez de sair chutando os livros do velho, ele resolve ler com atenção e percebe que muito do que ele fala, ele tem razão. Então, como num passe de mágica, ele vira liberal, conservador e politicamente incorreto. Adora Mises, mas também nunca o leu. Autoridade no assunto, só se vier com o aval do Olavo de Carvalho. Se ele disse que é bom, então pode ler, sem problemas. Afirma que só escuta música clássica. Bach, Mozart, etc. e tal. Mas nunca se dignou a ir em um concerto, nem tem saco para ouvir um cdzinho até o fim. Até católico ele diz que virou, mas se você perguntar quantas vezes ele foi à missa, verá que foi menos do que você.
E lembrar que a primeira coisa que o Olavo de Carvalho fez quando se tocou da imbecilidade que era ser comunista e filiado ao Partidão foi calar a boca e ir estudar. Só depois de vinte anos, ele arriscou dar pitaco. Mas o direitista festivo não precisa de tempo nenhum. Ele já sabe os autores que devem ser lidos e um dia vai ler. Já sabe qual a "opnião" ou tese do Olavo de Carvalho para um monte de coisas. Aí ele escreve tratados no seu blog sobre as mesmas coisas, sabendo exatamente onde quer ou "tem" de chegar. Floreia bem o texto. E crê que está a passar a imagem de profundo estudioso do tema.
Há um ditado que diz que na juventude ou adolescência, somos todos de esquerda. Quando crescemos e amadurecemos, viramos de direita. Ah, quem me dera não fossemos tão burros na juventude, nem tão cínicos na maturidade.
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22:03 Comentários:
Growing Old
"Time rolls. / As days go by. / And now I've figured, / That I ain't gonna last. / Summer skies / Are leaving me behind"
Resolve - Beth Gibbons
Há dias, amigo. Há dias. Daqueles. Mas nem tanto também. Dias de ausência. Não doída. Nem alegre. Dias sem sentido, talvez. Ou pleno dele. Dias em que andar pelas ruas do centro da cidade lhe incomoda e ao mesmo tempo lhe conforta. Onde a indiferença que ontem também era tua, te aperta o peito. Mas isso já não lhe atrasa mais o passo. Dias em que saudades não machucam. Dias que se parecem com um intervalo entre duas canções de um mesmo álbum que se escuta pela primeira vez. Não se sabe se a seguinte será melhor do que a anterior. A única certeza é que a espera é finita. E que resta a você decidir se o que vem pela frente, será de plena ausência. Nesse instante, você se percebe consciente de tudo isto. E consegue então, rir de si mesmo.
"We've been had, / you say it's over. / Sometimes I'm just happy I'm older. / We've been had. / I know it's over. / Somehow it got easy to laugh out loud."
We´ve Been Had - The Walkmen
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21:59 Comentários:
Dica ?
Transcrevi acima um pequeno trecho de uma canção da banda The Walkmen. É do primeiro disco da banda. Que aliás, faz parte da nova cena roqueira de Nova Iorque. Tem muita babação de ovo em cima de tudo que venha dali. Creio que pouca coisa vai sobrar disso tudo. Como sempre, frise-se. Este disco doThe Walkmen até que é decente. Tem altos e baixos. Tem um quê de Echo & The Bunnymen, o que dispensa maiores apresentações. E as letras até que surpreendem. Aliás, transcrevo aqui uma delas. Primeiro por causa do título, que já me comprou antes mesmo de ouvir a música. Mas a letra não fica muito atrás. Dá uma lida:
Revenge Wears No Wristwatch*
Anger, anger, treats me hard.
I tell her I say.
I've heard it all before, I've had it up to here.
Such a mess, I am.
You say, something¿s wrong.
This kind of life style doesn't work.
I'm trying something else.
For a change, for a change.
That¿s ok, ok, ok.
I've heard it all before, I've had it up to here.
Such a shame, such a shame, such a shame.
* A Vingança Não Usa Relógio de Pulso
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21:57 Comentários:
Pontos Corridos - Parte I
E termina o primeiro turno do campeonato brasileiro. Saiu na Folha de São Paulo que é o campeonato com a menor média de público da história. E isto somente comparando com as fases classificatórias dos demais campeonatos, que sem exceção, tiveram finais. Se incluídas essas, o fracasso é maior ainda. Você pode se perguntar: mas há ainda metade do campeonato pela frente e essa média pode se modificar, certo ?
Errado. Por um simples motivo. No segundo turno, mais da metade das equipes não vão estar competindo para mais nada. Já estão fora da disputa pelo título, e vão se preocupar em não serem rebaixadas. O que, evidentemente, não chama público nenhum. Salvo nas últimas rodadas, quando o desespero bate. Portanto, a probabilidade desta média ficar menor ainda é muito mais provável do que o contrário.
E aqui chego onde enfim, queria chegar. Uma das teses que os defensores do sistema de pontos corridos utilizam para convencer de sua superioridade, é exatamente a maior participação do torcedor, com públicos maiores nos jogos. Pela lógica deles, havendo finais, o torcedor se guarda para as fases decisivas. E assim, os turnos classificatórios seriam sempre "meia-boca", sem "apelo". E pelos pontos corridos, toda partida valeria algo, o que tornaria a mesma mais atraente ao torcedor, lotando mais os estádios. Juca Kfouri cansou de falar isso. Ora, mas se assim teria que ser, basta o primeiro turno que ora findou, para desmontar esta teoria. Se valiam mais, por que as partidas levaram menos gente ? Vai me dizer que é por causa da crise financeira, né ? Pois é, é a mesma resposta do pessoal que sempre defendeu campeonato com finais...
Eis aí a primeira das teses dos pontos corridos vindo abaixo pela realidade dela mesma. Mas ainda sobram as demais, como a questão da "justiça". Deixo isto para outro post.
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21:54 Comentários:
Ainda AM
O amigo Chris escreveu num comentário aí abaixo, que embora ele concorde comigo quanto à questão das transmissões de futebol pelo rádio, a AM também não tá dando para aguentar. E me informa o absurdo dos absurdos, que até o Adílson Arantes está comentando jogos. Para quem não é aqui de Curitiba ou do Paraná, vou lhes poupar de explicar quem é Adilson Arantes. Simplesmente não vale a pena. Apenas faço a seguinte comparação: Adílson Arantes é como se fosse a Milena Celiberi comentando jogos na Globo, no lugar de qualquer comentarista. Dispensa-se maiores comentários. Evidentemente que não há o que se dizer a este respeito. Apenas constatar que a rádio AM também já não é mais o que era.
Na verdade, é bom que me explique: a ode à AM que fiz abaixo, fiz em prol de um passado que já não mais é recente. Daquela época em que se tinha Lombardi Jr. narrando, ou mesmo o Carneiro Neto. Hoje, Lombardi é falecido e Carneiro.... bem, o Carneiro Neto é "comentarista". Falha grave do velho. Ele só era bom comentarista porque narrava jogos comentando com um mal humor divertidíssimo. Me lembro como se fosse hoje, o velho narrando:
"Lá vai o lateral do Atlético. Olha lá, não está nem olhando para onde vai. Não vai acertar nunca este cruzamento. Levanta a cabeça Odemílson !!! É o que eu digo, esse time do Atlético não tem como ir bem em qualquer campeonato com jogadores deste porte.... Olha lá o Gol. Finalmente, hein Odemílson ? Goool do Atlético. Odemílson, que erra o cruzamento e acabou pegando o goleiro de surpresa. Gol quase "olímpico" de Odemílson..."
Ou então, o velho Lombardi Jr.:
"Atlétigooooooooooooooooooooooooooooooollllllllllllllll".
Tempos que evidentemente não voltam mais. Não sei se o Chris concordaria comigo, mas se pegarmos todos os "amigos da imprensa" que estão na ativa, ficaria muito difícil formar uma equipe decente. Arrisco-me: locutores, pela ordem de importância: Edgar Felipe e Luiz Augusto Xavier. Comentaristas: Sicupira e Capitão Hidalgo. Setoristas: qualquer um, desde que seja torcedor fanático da equipe que ele cobre. Fica bem mais divertido nos clássicos escutar os "relatos" parciais desses repórteres de campo, que inevitavelmente levam a uma discussão com o do outro lado, e o narrador tem que intervir antes que a coisa fique feia.
Mas, sonhar não custa nada: em outra rádio o Carneiro Neto voltaria a narrar, e chamaria o Augusto Mafuz para comentar somente os jogos do Atlético. Este velho é uma mala, é verdade. Mas a dupla com o Carneiro na época de ouro do rádio, era das melhores. E ainda, ficariam mudos os irmãos Fernando e Valmir Gomes, além do Marcelo Ortiz. Já a equipe da Transamérica FM seria relocada para cobrir esportes aquáticos. E voltaríamos a ter transmissões somente de Coritiba e Atlético Paranaense. Quem jogasse em casa, teria a preferência. E o Paraná Clube ? Por favor, por favor, vamos prestar mais atenção. Neste cenário é evidente que não existiria Paraná Clube.
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21:51 Comentários:
Quinta-feira, Julho 24, 2003
Acho que Voltei
Ok, ok, estou atrasado. Era para ser dia 20. Mas não deu. Ao menos, voltei. Há novidades aí nos links. Primeiramente, o "Céu É Dos Violentos", muito bom blog que trata de assuntos prá lá de sérios, com competência e conhecimento. Aprendo muito por ali. Eu, se fosse você, dava uma olhada. Outro ótimo blog é o FDR, que igualmente recomendo a visita. Por fim, o português "O Meu Pipi". E sim, o nome refere-se àquilo mesmo. Se você não for cheio de pudores e viadagens, vai se matar de rir com esse sujeito, assim como eu. Infelizmente, informo a saída do Diário Oficial, que na verdade, nem bem começou, né mesmo Dipp ? Tendo em vista que foi tirado do ar, não há porque ficar aqui, já que nem para acessar os belos links da página, não dá mais. Outros blogs infelizmente parecem ter terminado também. É o caso do Amarar e do Severiano. Como ainda estão "nu ar", ficam por aí.
Informadas as novidades, passo aos agradecimentos. Agradeço aos amigos e conhecidos que deixaram mensagens com elogios e comentários e também àqueles que por aqui passaram e nada falaram. E nem precisa mesmo. De novo, valeu LG pelas dicas de blogs.
Espero agora, voltar ao ritmo normal, publicando semanalmente, como era a praxe.
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21:07 Comentários:
Comentários aos Comentários
Olha, eu até estava escrevendo alguma coisa a respeito de comentários em blogs. Isto porque, não sei se vc's sabem, mas eu sofri o primeiro ataque de idiotas-de-comentários. No post intitulado "Da Necessidade do Ser Impiedoso", apareceu um tal de Mário, aquele, que não contente com o que leu, resolveu fazer um comentário, claro, imbecil. Mas apareceu um tal de Serjão, que resolveu o problema, sem que eu precisasse fazer qualquer coisa. Influenciado também pelos perrengues constantes em vários blogs, entre autores e comentadores, pus-me a refletir sobre o caso. Quem quiser saber mais, dá uma olhada no Ódio aí ao lado, nos arquivos do Polzonoff, e mais recentemente, no do Alexandre Soares Silva. Mas..... Estava eu a digitar um longo texto, em estilo "acadêmico", com itens e sub-itens, quando leio, para variar, isto. Especialmente o item 2. Daí desisti. Não há mais nada que precise ser dito.
posted by Chico |
21:04 Comentários:
Por Isso, Não Provoque.
Podem me chamar de mal-humorado ou o que for. Não me incomoda. Quem me conhece mesmo sabe o quanto me divirto com minhas "ranzizices". Agora, só peço que reconheçam que eu não incomodo ninguém. Eu não saio por aí dando tapas na cara das pessoas que não gosto, nem saio xingando meio mundo, como pode parecer. Em suma, eu não provoco. Mas quando me provocam, aí não tem jeito.
Eis então o que me ocorre. Estava eu lá, sentadinho, quietinho na minha carteira, esperando o início da prova. Lugares marcados, não conhecia ninguém que competia comigo naquele concurso público, ao menos naquela sala. Se aproxima a hora. Um lugar apenas sobrando. Exatamente atrás de mim. Eis que entra esta prostituta. Carregando duas bolsas e uma maleta. Detalhe: a prova era "sem consulta". Não havia o que levar, fora uma caneta preta. Pois bem, dizia eu que ela entrou na sala. Minto. Ela entra, dá um grito histérico e sai correndo. Aí volta. Aí sim com o pé direito.
Início profundo de irritação. Olho para os lados para encontrar solidariedade. Ninguém estava dando bola.
Adivinha onde ela vai sentar ? Claro, atrás de mim. Era o último lugar daquela fileira. Todas as carteiras possuiam espaço suficiente entre elas. Não para a prostituta. Ela obrigou dez pessoas a darem "um passinho" mais à frente. Terminada a logística, dou uma olhadela para trás, e vejo que a gorda sentou e sobrou exatamente o mesmo espaço que me obrigou a ir à frente. "Bom, pelo menos ela fica longe", pensei com meus botões. Então, inicia-se o ritual. Uma barulheira sem fim atrás de mim. Me odiando, olho de novo. Haviam 5 canetas, 3 lápis, 2 borrachas, 1 apontador e 1 régua. E ainda, 1 maçã, 3 barrinhas de cereal, 1 barra de chocolate e 1 pacote de biscoito de água-e-sal. Quando pensei que tinha acabado, surgem mais 2 garrafas d'água. Percebo que uma é com gás. Reparo então na porca. Lazarenta de feia. Uma legítima representante das gordas porcas e lazarentas. Fulmino-a com o olhar. Ela não nota. Está de olhos fechados, como que em transe. Vejo então a folhinha de arruda em uma das mãos e um pé de coelho na outra. Desisto. Chamo o fiscal:
- Por favor, eu quero me mudar de lugar.
- Desculpe, não há como. Os lugares são marcados e não há lugar vago.
Não havendo outro jeito, desisto de mim mesmo. Começa a prova. E começam os grunhidos. Eles se revezam, mas não param. "Iiiiii", "Ai meu Deus", "a-há", "ai caramba", "putz, eu sei que sei mas não lembro", "uffffff", "Hu-hum". Olho em volta em busca de solidariedade. Agora, estão se incomodando. Ótimo, qualquer coisa, ficarão do meu lado. Passa-se meia hora e os grunhidos não param. Ela então, resolve ir ao banheiro. Faz um escândalo. Sai saltitando e todos se irritam com o tilintar das pulseiras, brincos e correntes que ela carrega naquele corpo imenso de sujeira. Nesta hora, consigo lembrar da prova. Não dá dez minutos, ela volta, se espreguiçando. Quando senta, resolve comer. Impossível se concentrar com o barulho de um porco do mato comendo uma maçã. A cada queixada que aquela vaca dava, minha cabeça estalava de dor. E nem para beber água, ela ficava quieta. "Aaahhhh". Terminada a maçã, é hora de uma barrinha de cereal, por que não ? Ela não parecia comer, mas mastigava-a como um hamster. Demorou mais do que a maçã. E mais "aaaahhhh" de goles d'água. Novamente me pergunto se não devia andar armado.
Resolvo eu então, ir ao banheiro. No retorno, vejo que outra barrinha de cereal está sendo exterminada. E confirmo a tese do hamster. Ela realmente comia como um rato. Os dois dentes frontais arcados mais à frente, roendo a barra. Sento-me e os grunhidos recomeçam. Desisto mesmo. Chamo o fiscal:
- Por favor, o senhor poderia pedir para esta mulher parar de fazer barulho. Está impossível de se concentrar.
- É.
- É.
- É.
Enfim solidariedade do pessoal do entorno. O fiscal, percebendo a gravidade, se dirige à ela.
- Por gentileza, será que a senhora poderia fazer menos barulho ? Está incomodando o pessoal...
- Como assim ? Eu tô quietinha aqui no meu canto...
- Ah, não está não - não resisto - Você desde que chegou está incomodando.
- É.
- É.
- É.
- Mas como ? - ela insiste.
- Prmeiro, você conversa com a prova. - respiro para não xingar - Segundo, você faz muito barulho quando come.
- É.
- É.
- É.
- É - o fiscal se junta à nós.
- Até o senhor me ouve ? - pergunta para o fiscal.
- Olha, quando você come, você meio que exagera... - diz ele.
- Mas o que que eu estou fazendo ?
- Olha, eu comecei a reparar quando você estava chupando o chocolate...
Reparo que realmente a embalagem do chocolate estava aberta, e que havia um pedaço parecido com chocolate todo esgarçado dentro dela. Imaginei-a chupando. Quase vomitei.
- ...e depois, teve a segunda barrinha... - o fiscal estava relatando fielmente os eventos. Fiquei feliz por não precisar me incomodar tanto.
- Tá bom, tá bom, vou tentar me controlar.
- Não, você VAI se controlar. - digo em voz firme e grave.
- É.
- É.
- É.
- É.
Ela emudece. O fiscal se retira, todos voltam-se para suas provas e parece que a paz reinará. Dez segundos e "A-HÁ". Levanto-me, abro os braços e grito:
- ASSIM NÃO DÁ. COMO SE NÃO BASTASSE INCOMODAR OS OUTROS AGORA ELA PEDE COLA !!!!
O fiscal se retira da sala a passos largos. O outro, que não havia participado do colóquio anterior vem verificar o que está acontecendo. Ela já estava de pé, dizendo "É Mentira", "É Mentira". O pessoal do entorno apenas fazia "tsc-tsc" com a cabeça. Eu não a olhava. E ela tentava falar comigo:
- Por que você está fazendo isto comigo ? Você sabe que eu não pedi cola...
- Eu ouvi muito bem. Você pediu para confirmar se a resposta "era A".
- Não, não, você está se confundindo. Eu disse "A-há", "A-há" !!!
- Olha aí, tá vendo. Pedindo cola de novo. Eu não vou lhe dizer se é a A ou não. Vocês agora ouviram ? - pergunto para o entorno.
- É.
- É.
- É.
- Não, é um terrível mal-entendido. - diz ela, quase chorando e procurando por seu galhinho de arruda na mala.
Entra então o fiscal, acompanhado de dois policiais da Polícia Federal. Pega a prova da porca e lhe diz:
- Sua prova está sendo recolhida e a senhora está eliminada do concurso. E tendo em vista que o que a senhora acabou de fazer é um crime, estou neste instante, lhe dando voz de prisão. Esses policiais lhe levarão para a detenção, onde lhe lerão todos os seus direitos. Passe bem.
A sala aplaude em uníssono. Escuto até assovios e "u-hús" vindo do outro lado. Ela chora e esperneia. Quando se retira, os fiscais ficam recolhendo os pertences dela para depois lhe enviar. Escuto alguns "Que nojo" e "tá loco" vindo de trás de mim. Não arrisco olhar. Quando terminam, o fiscal que participou do imbróglio, me dá um leve tapinha nas costas, e vendo-o dirigir-se à frente da sala, faz um discreto sinal de Ok com a mão esquerda. Sorrio.
Termino a prova. Entrego-a e assino a lista de presença. O fiscal boa gente a recebe. Pergunto então se não será necessário que eu dê algum depoimento. Eles disseram que não havia necessidade. Eles "encontraram" diversos pedaços de papel soltos na mala da porca, com pequenas colas. Aquilo bastava. Na saída, passo pelo furgão da Polícia Federal. Então escuto:
- Mas era "A-Há", era "A-há"....
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21:02 Comentários:
AM, Sempre AM
Tem horas em que faz falta um ditador esclarecido. E como faz falta. Por exemplo, de uns tempos para cá, alguns imbecis se sentiram à vontade para começar a transmitir jogos de futebol em rádios FM. Isto é crime lesa-pátria. Isto não se faz. Duvido que Fidel deixasse essa pouca vergonha acontecer. Escutar jogo de futebol é na rádio AM. Não se discute isso. E cale essa boca. Não tem mas nem meio mas. Ou você vai querer me dizer que ouvir um jogo com trilha sonora rock´n roll de fundo é legal. Ou então, que é extremamente adequado, quando se vai cobrar uma falta, colocar aquelas onomatopéias de desenho animado, do estilo cavalo correndo (pocotopocotopocoto) quando o jogador corre para a bola. Por favor, por favor. Isto é um absurdo. Depois perguntam porque existem homens-bomba. Tá faltando alguns neste país. Daí que um bom ditadorzinho já mandava fechar essas rádios idiotas e prendia, com várias sessões de tortura, os responsáveis por esta barbaridade.
Jogo de futebol se escuta na AM. É imprescindível o chiado como trilha sonora, bem como o eco ao máximo quando acontece gol. Rádio AM é a única razão para que eu mantenha ativo aquele velho radinho de pilha, com antena gigantesca, três vezes o seu tamanho, cujo alto-falante é imenso para o tamanho do aparelho e só tem graça se você escutar em alto volume e colado no ouvido. Em qualquer lugar, me sinto no estádio quando escuto uma partida qualquer colado num radinho desses. Só falta ficar falando, a cada três minutos, comentários absolutamente pertinentes, permitindo um saudável colóquio com a patuléia que me circunda nas arquibancadas. Até, de vez em quando, cantarolar os cânticos das bestas organizadas, como se fossem mantras sagrados invocadores de ajuda divina para aqueles guerreiros em campo. E se ganhamos, ouvir aquela transmissão como se fosse o dia mais feliz da vida de todos, com uma alegria contagiante exalada dos comentários da equipe técnica e das entrevistas de vestiário. E se perdemos, o radinho é o consolo que nos resta, pois imediatamente a transmissão passa a ter um tom de marcha fúnebre de gente importante, sendo narrada ao vivo, como se uma nação estivesse de luto. E está, é verdade.
A única concessão que se pode fazer é, de vez em quando, soltar algum trecho de algum samba antigo, em momentos cruciais, como em escanteios ao final do jogo e entra a canção "Tem que ser agora, tem que ser agora", ou então, quando vai começar a partida e antes de trilhar o apito, vem o saudoso Gonzaguinha cantando "Eu acredito é na rapaziada". E claro, tais concessões só se admitem para o rádio AM. A FM que fique tocando as sete melhores merdas do dia deles.
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20:58 Comentários:
Ludopédio
Estava sentindo falta de falar de futebol por aqui. A partir de agora, este assunto será mais constante. Mas é evidente que o farei imbuído na defesa do interesse público. Assim, jamais me verão achando bacana o novo "estilo" da camisa deste ou daquele time, ou mesmo sua nova cor (?). Igualmente não me verá (mais) falando bem de campeonatos por pontos corridos ou da importância da "justiça" no futebol. Foda-se se o seu time foi o melhor nas vinte e três fases do campeonato. Perdeu na final é porque é time froxo, sem camisa. Tradição é Tradição. E sim, pancadaria em clássico (dentro do campo, frise-se), faz parte do espetáculo.
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20:56 Comentários:
Segunda-feira, Julho 07, 2003
A Quem Interessar Possa
Ando muito atarefado. Eis porque, nada publico por aqui há mais de duas semanas. E este pequeno post serve justamente para avisar que igualmente por mais duas semanas, nada publicarei por aqui. Quem sabe, ali pelo dia 20, eu volto. Há links novos a serem disponibilizados, agradecimentos a serem feitos e besteiras a serem escritas. Mas justamente por isto, publico hoje alguns posts já meio antigos, que aguardavam a vez de aqui surgirem. Espero que compensem as duas semanas de atraso e as próximas duas de espera.
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20:11 Comentários:
Da Necessidade do Ser Impiedoso
Lembro-me bem que, durante a catequese, ensinavam-me que aquele Deus impiedoso, castigador dos pecadores, que se impunha pelo medo despertado nos homens, era uma visão "errada". Que era algo do passado. Que desde então, e muito mais agora, o negócio é "Deus É Amor", um sujeito super gente-fina. Nada contra nenhuma das visões, salvo, evidentemente, o radicalismo das mesmas, que óbvio, cai em um reducionismo prá lá de idiota. Mas não creio estar errado em constatar esta visão atual.
Em sendo assim, não há como não rezar para que Deus apresente com um pouquinho mais de frequência, seu outro lado. Eu, particularmente, torço por isto. Nessas horas de muita "alegria em Jesus", de adesivos estampados em veículos, de missas campais feitas para se cantar a última do Padre Nota 10, é que creio ser necessária uma intervenção divina, através de pequenos milagres. Nada ostensivo, nem para muitas pessoas. De preferência, exclusivamente endereçado para uns e outros. E claro, de modo impiedoso.
Exemplos ? Pois não. Imagine-se passeando em um calçadão à beira-mar. Eis que, da cobertura do edifício em frente, você escuta um sonoro : "Só purrr Deus mesmu !!!". Nesta hora deve ocorrer a intervenção. Um vento quente perpassa este sujeito, que sente, pesadamente, um tapa de mão aberta no rosto. Assustado, olha em volta, mas percebe que ninguém ali poderia tê-lo feito. Assim que pensa em repetir o "Só purrrr...", outro tebefe, na outra face. Quando começa a crer-se bêbado, outro vento, mais quente ainda lhe susurra ao ouvido : "Pare". Até que isto efetivamente ocorra, os ventos e tapas se revezariam conforme a insistência do sujeito.
Mais um ? Ok. No mesmo balneário em que você se encontra, que possui 700 restaurantes de frutos do mar, há apenas uma pizzaria. Qualquer um tem todo o direito de querer comer uma pizza na praia. Nada de errado com isto. Eis que, na mesa ao lado à que você se encontra, há um casal que come porções de peixe e camarão. Nesta hora, vem o vento quente e "salpica" centenas de salmonelas nas referidas porções. Durante o período em que essas pessoas passam no banheiro, com diarréia e vômitos, o vento quente surge e susurra : "Entendeu ?". Se não, a diarréia aumenta e o vômito vem sem aviso, ou seja, sem ância. E cada vez o vento se repetirá com a mesma pergunta. Uma hora, eles entenderão.
Por fim, dou um exemplo de intervenção que ocorreu comigo. Lembram-se que, num desses posts aí abaixo, eu estava no lixoral paranaense, em um feriado, tomando uma gelada e comendo quitutes me balangando na rede em um sacada à beira-mar. E igualmente se recordam do ocorrido, quando surgiu uns imbecis vestidos de caubói, parando com sua caminhonete em frente ao edifício em que me encontrava, com o som nas alturas. Só me faltou o vento quente. Mas não precisava, pois eu tinha aprendido a lição. Aliás, relembrei-a. Nunca mais irei à praia nos feriados.
Veja você que, referidas intervenções e pequenos milagres são absolutamente pedagógicos. E nos dias que correm, é a melhor maneira de educação. E é crucial que ela se dê de modo individual. Nos tempos que correm, através do coletivo, você arranja qualquer desculpa ou racionaliza qualquer besteira para provar que o que ocorreu, não ocorreu. Da forma como preconizo e rezo que aconteça, o sujeito não tem como negar o evidente. Mas há uma questão que se levanta. Não periga neguinho achar que é coisa do Diabo ? Afinal, sacanear as pessoas não é coisa que Deus faça. Eis aí a supremacia da teoria do Deus É Amor. Não nego este perigo. É possível que sim.
Mas, isto seria equivocado. Porque percebam, nesse exemplo que comigo ocorreu. O Diabo inventou a música country, as roupas para idiotas e a Bavária quente que se encontra no isopor. Deus inventou a bossa nova, o boteco à beira-mar, sandálias havaianas, bermuda, camiseta regata e uma Bohemia geladíssima (ou um copo longo, gelo até a metade, completado com um doze anos digno do nome e água com gás, até o gelo boiar). O ser humano tem o livre arbítrio. Ele pode escolher o que ele prefere. Na maioria das vezes, fica com as opções do Demônio, como os imbecis do meu exemplo. Para esses portanto, Deus não precisa fazer mais nada. Sendo impiedoso ou meloso demais, o demônio já venceu por ali. Ou seja, quando ocorrer de um milagre acontecer com você, acredite: você está do lado certo. Mas periga se desviar. Eis aí uma pequena intervenção divina, mas absolutamente necessária para você se corrigir. Além de lhe lembrar que Deus não serve só para lhe passar a mão na cabeça e lhe conceder perdão.
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20:07 Comentários:
Eu Não Acredito em Bigodes, Mas Que Los Hay, Los Hay...
É muito comum você ouvir hoje em dia, que "foi-se o tempo do fio do bigode", onde então, se podia confiar na palavra de alguém. Desconfio que neste tempo passado, o mesmo era dito e repetido. A diferença é que, no passado, quem dizia isto tinha bigode, e ao menos, confiava no próprio fio. Hoje, é cada vez mais difícil encontrar alguém com coragem de ter bigode. E normalmente, quem diz o ditado, já raspou-o há muito tempo...
posted by Chico |
20:05 Comentários:
Enfim, o Fim da Promessa
Uma das coisas que eu mais odeio na face da terra são pessoas que, quando telefonam, acham que eu tenho a obrigação de saber que são elas. Normalmente, são pessoas idiotas. Conhecidos, parentes, certos amigos. Eu sei que são eles. Atendo, e no primeiro sinal da voz, já sei quem é. Mas eu não tenho a obrigação de saber. Trato muito mal essas pessoas. Sou grosseiro mesmo. E se resolvem se identificar, continuo com a grosseria. Que é para ver se aprendem. Não estou me aguentando. Digito essas palavras com ódio no coração.
Mas um instante por favor, que está tocando o telefone por aqui.
(quarenta e cinco segundos depois)
PUTAQUEOPARIU !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Chega desse negócio de promessa de palavrão. Meu limite estourou. Acabo de desligar esta merda de telefone, e adivinhem ?!? Claro, aquela tia porca, com voz anasalada de enterro. Puta ódio que sinto agora, viu ? "ôôôiii, cômô ê quê sê tââââ ?" Puta velha maldita. Pegue fogo para eu apagá-lo a tamancadas. Vá pro inferno. Maldita hora que meu tio te achou numa valeta aberta. Ô escroto da humanidade. Que vontade de lhe surrar e cuspir na cara, vadia.....
Pronto. Bem melhor agora...
posted by Chico |
20:04 Comentários:
Supermercado
"O que você pode fazer no supermercado enquanto a sua mulher/ seu marido está gastando tempo fazendo compras:
1. Vá buscar muitas caixas de preservativos e deixe uma em cada carrinho por onde passar, enquanto o respectivo dono estiver distraído.
2. Vá junto de um empregado e diga-lhe numa voz oficial "Temos um código 3 no armazém" Depois veja o que acontece.
3. Desafie os outros clientes a fazerem um duelo com rolos de papel higiênico.
4. Abra uma tenda no departamento de campismo e diga aos outros que os convida se eles trouxerem almofadas
5. Olhe bem de frente para a câmara de vigilância e utilize-a como espelho enquanto limpa o nariz.
6. Pegue em todos os bonecos do setor de brinquedos e disponha-os no chão de modo a formar um campo de batalha gigante.
7. Vá ao setor das armas, pegue numa espingarda e, com um ar de louco, pergunte no balcão de informações se sabe onde estão os anti-depressivos.
8. Vagueie com um ar suspeito enquanto murmura o tema da "Missão Impossível".
9. Esconda-se entre os ternos e quando alguém chegar perto, diga "Leve-me! Leve-me!".
10. Quando ouvir uma chamada ou um anúncio nos alto-falantes do supermercado, encolha-se numa posição fetal e grite "NÃO!!! Outra vez aquela voz!!!".
11. Vá até os sanitários e grite bem alto "Hei! Não tem papel higiênico aqui!".
12. Quando sair dos sanitários individuais, tranque a porta por dentro e saia por baixo da porta (repita esta operação em todos os sanitários). Se alguém o apanhar, diga que "a porta ficou trancada!!!".
Tirado daqui : Espírito de Porco.
posted by Chico |
20:04 Comentários:
E por falar em Supermercado...
Dizem que em Cuba, a situação é tão terrível que até as mulheres formadas em Universidades se obrigaram a virar prostitutas para ganhar a vida.
Também dizem que em Cuba, a coisa é tão boa que até as putas tem curso superior.
Você tem todo o direito de escolher e versão que mais lhe apeteça. Mas não tem o direito de ignorar a resposta desta mesma mulher cubana. E mais, sequer tem o direito de crer que a sua escolha vale mais do que a dela.
posted by Chico |
20:01 Comentários:
O PT e a Mentira
Essa confusão toda dentro do PT só serviu para mostrar que não existe santos por ali. PT histórico x PT governo, ou radicais x PT governo. A mim me parece que são muito mais parecidos do que se pensa.
Toda essa palhaçada tem um ponto de partida. A mudança do discurso histórico do partido, que vai contra 20 anos de todas as diretrizes partidárias. Isto é um fato incontestável. Não há muito o que se perder em elucubrações aqui. Interessa apenas demarcar o exato momento desta mudança. E ela surge com o início da campanha eleitoral para Presidente, em fins de 2.001 e início de 2.002. E se concretiza, digamos assim, na famigerada Carta ao Povo Brasileiro, escrita exatamanente há um ano atrás. E não sou eu quem digo isto. É o próprio PT, nas palavras do Lula, Palocci, José Dirceu e tutti quanti. Na verdade, trata-se de um documento pouco substancioso, sem qualquer projeto, mas com alguns pontos de relevo esclarecidos, como respeito a contratos, etc. e tal. E sim, desdiz muito do que o PT prega nos documentos oficias do Partido.
E aqui começaram os problemas. O primeiro deles é que referido documento não foi decidido nas instâncias competentes do Partido. Ou seja, sendo o PT, historicamente, um partido de bases e democrático, suas decisões sempre se pautaram pela oitiva dessas mesmas bases, com direito a voz e voto. Esta Carta não respeitou isto. Foi publicada como sendo do PT, mas sem o aval do Partido, enquanto instituição. Assim, só se poderá dizer que esta Carta representa a vontade e as idéias do PT, quando se tornar documento oficial do partido. Até agora, isto não ocorreu. E tem uma razão de ser. Para tanto, o PT governo teria que, obrigatoriamente, dizer porque razão mudou de idéia. Explicar porque o PT agora acredita em coisas que nunca acreditou, e pior, pregava extamente o oposto. Referidos esclarecimentos são absolutamente necessários de serem feitos. E não só para dento do PT, como, principalmente, para a sociedade. Sim, porque estamos a falar aqui da coisa pública. Todo brasileiro tem o direito de saber afinal, qual é a do PT. E este, o dever de responder. Não à toa, Heloísa Helena estava coberta de razão quando, naquela fatídica entrevista que deu à Veja, no início deste ano, expressamente disse isto. Ou seja, que o PT tem a obrigação de vir a público e dizer porque mudou. Visto por este prisma, não resta dúvidas de que os radicais tem toda razão no griteiro. E mais absurdo que isto, é a forma como estão sendo calados. Stálin não faria "melhor".
Contudo, ainda que referida Carta contenha todos esses problemas e entraves, ela possui uma "qualidade", que vale mais do que toda a história do PT e todos os documentos internos do partido. Isto porque, foi com base nela que o PT fez sua campanha eleitoral. Com base nela, venceu as eleições. E, chegando ao poder, se fizesse algo de diferente do que pregou na campanha, estaria dando um estelionato eleitoral. E portanto, ela é que interessa para a sociedade brasileira. Não para o PT, enquanto ente autônomo. Mas para o povo, o que se vendeu foi aquilo. E foi comprado. E o que vale no fim das contas, é isto. Muito melhor que se desagrade alguns radicais, por mais coerentes e dotados de razão, do que enganar uma sociedade inteira. E nesses seis meses de governo, este PT está cumprindo o que disse nesta Carta. Até a Veja, dia desses, conseguiu ver isto. Portanto, por esta ótica, o PT governo está com a razão.
Agora, o que resta disto tudo, ou melhor, o que interessa mesmo, são as explicações que devem ser dadas pelo PT governo. Afinal, por que mudou ? Por que estava equivocado antes ? É o mínimo que continua a se esperar de gente que se diz séria, transparente, democrática e, principalmente, ética. Me lembro bem que, durante o período eleitoral, sempre discuti com alguns seletos amigos petistas, que o PT tinha a obrigação de se explicar. Porque se não o fizesse, não daria para saber em que acreditar. Afinal, vencendo as eleições, se fizesse tudo ao contrário do escrito na tal Carta, se escoraria nos documentos históricos do partido. Seria coerente com sua história, mas criminoso com o país, pois estaria dando um estelionato em quem votou baseado nas promessa de campanha, que no fundo, eram mentiras. Se, ao contrário, respeitasse tal Carta, cumprindo-a enquanto governo, ponto para ele, por não mentir durante a campanha. E é o que vem fazendo. Mas ainda assim, falta uma explicação.
Na minha concepção, esta explicação não veio e duvido que venha. E se vier, deve ser de modo oficial, transparente, público, ético. Sim, porque ainda que mal e porcamente, algumas explicações foram dadas. Todas terríveis. Disse Lula, num de seus milhares de discursos: "Na época da oposição, fazíamos bravatas." Já o Deputado João Paulo, presidente da Câmara dos Deputados, questionado sobre a mudança de opinião do PT sobre a reforma da Previdência, querendo aprovar até um projeto do FHC que o próprio PT bloqueou no mandato daquele, respondeu: "Antes, o objetivo era chegar ao Poder." Como não veio explicação oficial, ficamos com isto. E se juntarmos ambas as tristes declarações: "Na oposição, fazíamos bravatas porque o objetivo era chegar ao poder."
Ou seja, esqueça o que dizem documentos oficiais do partido. Esqueça discursos inflamados, coerências conceituais. Nada disto importa. Só importa se servir como meio de se chegar ao poder. Não à toa, o jingle de Lula mais famoso é "Lula Lá". Assim sendo, não resta muito o que dizer. Apenas se constatar a irresponsabilidade para com o país, a falta de ética e de transparência. Triste, muito triste. Mais até do que revoltante. E lembrar que o PT se arrogava de partido "ético". Ah, também se arroga de democrático. Mas tendo em vista a forma como lida com seus discidentes, até o discurso democrático se comprova que se trata de uma bravata. Mas então, você deve estar se perguntando: onde está a semelhança entre os radicais e o PT governo, como eu escrevi no primeiro parágrafo ? Afinal, do exposto só se vê diferenças. E os radicais aparecem em clara vantagem, eis que eles não mudaram de opinião, e portanto, não mentiram em nenhum momento.
Ledo engano nesta conclusão. Como disse, o crucial para se analisar esta palhaçada, estava na demarcação do momento exato desta mudança. E ela se deu logo no início da campanha eleitoral. Até antes disto. Ou seja, os radicais já sabiam disto desde então. Por que só agora gritaram ? Só há uma resposta. Não acreditaram que fosse para valer. Imaginaram se tratar de tática de campanha. E o que concluo disto ? Simples. Assim como os petistas governistas, os radicais se valem do expediente da bravata para fazer política. No fundo, queriam que Lula mentisse para a sociedade e desse um estelionato eleitoral. Para que ? Para se chegar ao Poder, que é afinal, o que interessa. Ou seja, são muito mais parecidos do ques e imagina.
Enfim, por onde quer que se analise essa questão, só se vê bravatas e lutas inescrupulosas pelo Poder. E tem gente que acha lindo...
posted by Chico |
20:01 Comentários:
Domingo, Junho 22, 2003
"Mille punti, Papá !!!"
Segundo o nada discreto contador existente aí ao lado, recebi mais de mil visitas neste humilde espaço. Claro que não são mil pessoas que aqui aportaram. Duvido que dê cinquenta, ao todo. Mas o fato de retornarem é muito mais gratificante do que qualquer outra coisa. E assim vou indo com esta bagaça. Me sinto meio como o menino Giosué no filme "A Vida É Bela", do Roberto Benigni. Com mil pontos, ele achava que ganhava um tanque de guerra. No fim das contas, ganhou sua infância. Também nada ganho pelos mil, mas afinal, o que interessa é o fim das contas...
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20:41 Comentários:

posted by Chico |
20:40 Comentários:
Qualquer Semelhança com a Realidade é Mera, Mera, Mera, Mera Coincidência.
"Oooh, yessss......I´m the great Pretender...ú-ú-ú-ú"
- Oh, sim, eu sou um grandioso pretendente.
"Dust In the Wind.....All and all is dust in the wind..."
- Somente no vento... Tudo com tudo, somente no vento...
" Just The Way You Look Tonight...."
- O jeito que a rua nos olha, hoje á noite...
"You just to good to be true..."
- Você só é bom, é verdade.
posted by Chico |
20:38 Comentários:
Músicas para Casamento
- Ah, sei lá, amor, tem que ter sentido, sabe ? Não dá prá por só por colocar. Sei lá, acho que é assim.
- Tudo bem, querido, mas essa fica muito legal na tua entrada da igreja. Escuta só: "Você pintou como um sonhuuuu.....eu fui atrás com tudu..."
- Sei não. É meio jacú, né ?
- Ah, da onde fofo ?
- Tá, mas eu não gostei....
- Tá bom... Vc vai entrar com aquela do Tom Jobim mesmo ?
- Acho que sim. Tem mais sentido.
- Eu não acho, mas já que tá....
- EU acho que TEM. EU quem vou ENTRAR, portanto, É esta.
- Humpf, não precisa ficar nervosinho.
- NÃO estou.
- Bom, na saída, não se discute. É a "Velha Infância" dos Tribalistas.
- Como ?
- Não se faça de besta, vc sabe qual é. Aquela: "Eu penso em você-ê, até o amanhecê-ê..."
- Desculpa, mas não vai dar.
- POR QUÊ ?
- Porque é jacú. Parece novela.
- Da onde, ridículo !!!
- Eu não vou sair com esta música.
- Ah, vai. Ô se vai.
- Não, não vou. Teu pai não entrou contigo. Pois ele que saia.
- Vc está brincando, né ?
- Não, não estou. Nesta hora todo mundo tá indo pro carro mesmo, louco para chegar no clube e tomar umas, então, ninguém vai notar. Eu saio com o padre e te espero no carro.
- Eu estou perdendo a paciência, Carlos Henrique.
- Mas o senso de ridículo já se foi faz tempo, não ?
- Me diga uma boa razão, além desta idiota da novela, para não querer esta música.
- Tá, parecer com casamento da Maria do Bairro já não lhe basta. Tudo bem. Vejamos então. Essas musiquinhas da moda, logo se tornam prá lá de chatas e jacús. Já pensou em quem casou nos 80 ao som do Ritchie, hein, hein ? "Um abajur cor de carne..." Por favor, né, Maria Eugênia !!!
- Nada a ver. Não funciona assim...
- Ah, e o fato dessa música ter tocado em TODOS os casamentos que vc me obrigou a ver em tudo quanto é igreja ? Não fica ridículo, não ?
- Nada a ver. Convidados diferentes.
- Ah, meu saco. Tá bom. Vai esta merda então. Mas eu vou levar walkman...
- Chega de palhaçada. Próxima: entrada do salão. Que tal a da Ivete "E vai rolar a festa, vai rolar...."
- PLAFT !!!
- Ca-carlos, (snif), você me-me bateu ?
- Da próxima, vai ser de mão fechada.
- Ma-mas porque isso ?
- Ainda não desistiu dessa música ?
- Ma-mas é boa.
- PLAFT !!!! Sério, a próxima é de mão fechada.
posted by Chico |
20:37 Comentários:
Terça-feira, Junho 10, 2003
A glória política de Lula não é a redenção da pobreza. É a consagração da ignorância auto-satisfeita, tão orgulhosa de seu terno Armani quanto de não saber falar inglês.
Olavo de Carvalho
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22:11 Comentários:
Seção "Porque Não Posso Andar Armado"
ou
Seção "Porque Não Vou Mais ao Cinema"
Este fato verídico se deu quando fui assistir ao filme "Advogado do Diabo". Pouco importa se você viu ou não o filme. Bastava e basta ver os cartazes que o anunciavam, para se constatar que Al Pacino seria o diabo no filme. Ou seja, na fila de entrada, se você nunca tinha visto trailer ou anúncio, você descobria isto, pois o pôster sempre fica ali, ao lado da "catraca".
Muito bem. Entramos. Eu e ela. Sentamos. Ninguém à frente. Ninguém aos lados. Segundos antes de começar o filme, senta um casal ao meu lado. O mais próximo (na cadeira exatamente ao lado da minha), o homem. Após o filme vi que se tratava desses "saradões", provavelmente lutador de Jiu-Jitsu ou qualquer coisa que o valha. Começa o filme. Percebo que no decorrer, eles comentam entre si sobre o que passava na tela. Início de irritação profunda.
Chegando no final do filme, onde tem aquela cena ridícula de "monstros" se balançando pelo chão, teto e um painel de esculturas, Al Pacino se "revela". Claro que tal revelação era para Keanu Reeves, o outro ator principal do filme. Para qualquer chipanzé que assistia o filme, aquilo era prá lá de evidente. Aliás, se não o fosse, não era possível entender nada do que se passava na tela.
Então escuto um gritinho do cara ao meu lado, lançando-se da cadeira, prostando-se em pose de "Pensador" . E diz, em alto e bom som:
- Ahá !!! Descobri !!! O Al Pacino é que é o diabo !!!!.
posted by Chico |
22:09 Comentários:
E Por Falar Em Cinema...
Toda esta histeria por "Matrix Reloaded", ou qualquer desses filmes "imprescindíveis" de serem vistos já-ontem-hoje-antes-de-todo-mundo-aqui-agora, sempre me fazem recordar que eu fiz a melhor coisa do mundo quando simplesmente desisti de ficar assistindo a tudo quanto é filme só porque estava em cartaz. Porque não se engane. É, você mesmo. A maioria dos filmes que você foi e vai assistir é simplesmente porque saiu na Veja ou no jornal. E mais, porque você simplesmente não vai se aguentar em saber que todo mundo viu e você não. Esta é a principal razão que faz você gastar aquela fortuna nos finais de semana, para enfrentar filas, multidões, gente idiota e cabeçorras que certamente sentarão à sua frente, para assistir a um filme que, gostando ou não, daqui uns três meses, sequer você lembrará que existe.
Esta é mais uma das muitas coisas pelas quais sou grato àquela que me ama mais que tudo. Embora, ainda seja um custo ver um filminho no DVD, de vez em quando...
posted by Chico |
22:07 Comentários:
E Por Falar Nela...
Estava eu aqui a digitar essas rápidas linhas, quando escuto ela me chamando, aflita, da sala:
- Amor, venha ver aqui, rápido !!!!
Assustado, levanto, largo tudo e saio correndo pelo pequenino corredor que nos separa. Chego lá e ela está rindo. Ela zapeava pela TV, quando se deparou com o provavelmente medonho filme (eu nunca vi, nem vou ver) "Evita", aquele com a Madonna. Percebe que levei a sério o chamado. Pede desculpas.
- Não sabia que você não tinha ouvido eu falar para vir aqui rápido para ver "Evita" passando. Achei que esta tua corrida era brincadeira.
- Tudo bem. - respondo, me fazendo de chateado e voltando ao computador.
Ela então, grita de novo:
- Desculpa, devia ter me lembrado que para você correr assim, você só podia ter levado a sério. Só agora me lembrei que você não gasta energia com palhaçada...
Por essas e outras é que amo essa mulher. Só ela sabe bem a que ponto chega a minha preguiça.
posted by Chico |
22:05 Comentários:
Sábado, Maio 31, 2003
Não Devia, Não Consegui, Mas Não Resisto...
E eu que estava escrevendo um post longuíssimo para falar de Olavo de Carvalho, sob a desculpa do lançamento do blog dele (que já tem link aí do lado, embora o bom mesmo seja ir direto no site dele, principalmente, na parte "filosófica"), tentando entender porque ele irrita tanta gente, e porque, mesmo quem gosta dele, fica achando que ele está indo longe demais nesta história de só falar de política, quando me dei conta que já se passara quase duas semanas. Não atualizava esta bagaça, muito menos conseguia terminar o texto, que nunca ficava do jeito que eu queria.
Aí meu amigo, quer saber de uma coisa ? Não dá para ter blog para falar de coisa séria. Não de modo sério. Isto, definitivamente, é um passatempo. E se minha vida possibilitasse que todo meu tempo livre fosse destinado à um alegre e festivo passar, com certeza me perderia entre livros e estudos para fundamentar o que quero falar seriamente.
Deste modo, isto aqui vai cada vez mais tomando a cara que ele próprio cria. Não era o que eu queria, mas quem sabe seja melhor assim. Na maioria das vezes, amenidades e bobagens. Na minoria, também. De vez em quando, vou desdizer tudo que agora estou dizendo. Ainda bem. Assim, fica somente o desabafo. Fui completamente incompetente (por favor, atentar para o verbo. Fui, não sou. Espero.) para falar de e sobre Olavo de Carvalho.
Mas não resisto e finalizo, de modo curto, grosso e temerário. Olavo de Carvalho está fadado a fracassar nesta sua luta política que parece sem volta. Porque de duas, uma. Se ele "fracassar", significa que este país acordou e suas "previsões" serão para sempre vistas como paranóicas. Eis porque, ele atende ao Princípio da Caridade, antes de tudo. E perante Ele, será o seu sucesso. Agora, se ele "fracassar", é porque ele estava certo.
posted by Chico |
16:27 Comentários:
Mais do Mesmo
Mas alguém pode me perguntar: se você acha o site do cara melhor que o blog, por que não coloca aquele como link, em vez deste ? Boa pergunta. E é evidente que ninguém vai me fazê-la. Sou eu quem me faço. Mas finjo que alguém se importa. Pois bem, creio que é simples. A minha vontade era disponibilizar vários links aí. Principalmente para que me sirva este blog, de página inicial quando acesso a internet. Tenho sérias implicâncias com os "Favoritos", este espacinho mequetrefe que o windows reserva para você colocar seus links preferidos. Assim, muito melhor acessar tudo de uma página só. E quando ela é minha, "bah, que beleza". Só que, quero colocar em ordem, com titulações para cada grupo de links. Ocorre que não consigo fazer isto. Assim como até agora não consegui disponibilizar os arquivos da antiga template que estão se perdendo à medida que digito aqui. Não que sejam imprescindíveis, mas tenho ternura pelos primeiros escritos e gostaria de vê-los arquivados por aqui. Por esta razão, coloco só o blog do Olavo, e não o site. Porque por enquanto, esta lista aí é só para blogs mesmo. Mas, repito, não seja bobo, o que interessa (pelo menos por enquanto) está aqui.
Agora, se alguém quiser me dar uma mão quanto a esses assuntos "técnicos", por favor, comente aí.
posted by Chico |
16:25 Comentários:
Afinal, de que lado estou ?
Escrevendo sobre Olavo de Carvalho, mais especificamente sobre o seu embate político-ideológico que ele trava incansavelmente hoje em dia, deparei-me com este texto. Fiquei pensando na rotulação política de que ele fala. Se é assim, então já passou da hora de eu me definir politicamente. Porque até agora, eu sou sincero em dizer que não sei quem sou, nessa seara. E é simples. Para saber onde você está, você precisa saber quais são esses lados. Portanto, dependendo da definição que se faz do que seja ser de esquerda, direita e centro, você acaba se posicionando, é evidente. O problema é que essas definições andam bem complicadas. Não caio na esparrela de dizer que acabou-se a dicotomia "esquerda-direita". Acabou-se uma determinada dicotomia existente na realidade concreta. Mas a esquerda-direita está aí, em outros moldes, com outras faces. Mas está aí. Afinal de contas, antigamente, ser politicamente correto, moralista, etc. e tal, era coisa da direita. Hoje, não. toda a pataquada politicamente correta é instrumento político da esquerda. Se for este o critério, sou de direita, sem pestanejar. Mas temos outros inúmeros exemplos que podem ser tomados como critérios. E daí, amigo, uma hora sou de esquerda, outra de direita, outra de centro, e por aí vamos. E se o critério for a soma de todos, então digo-lhe que sou de centro, porque não vou ficar contando em quantas situações sou a favor disto ou daquilo. Sei que ora fico cá, ora lá, portanto, me botem no meio mesmo. Mas também não sou do tipo que fico mudando de convicção conforme toca a música. Longe disto. Muito menos me creio "complexo".
E continuando a refletir cheguei à conclusão do porque não me parecer tão crucial uma definição "política". Ou melhor, ela é importante sim. Mas não é DESTA relevância, que creio o autor do texto citado concordará comigo. Quem quer que coloque isto como fundamental para sua vida, está fadado a desiludir-se dela. Quem quer que concorde com o péssimo cantor Cazuza, naquela canção que diz "ideologia, eu quero uma para viver", jamais encontrará o que realmente se precisa para se viver. O sentido da vida não está em uma ideologia. Nada contra quem tenha qualquer ideologia. Não digo que ela é irrelevante ou desnecessária. Pode até ser. Mas creio que ela tem sua importância. Só que não é para tanto. Daí porque não vou ficar me preocupando com minha colocação política no quadro de "esquerda-centro-direita". Para algumas coisas, sou de esquerda. Para outras, de direita. Para a maioria, talvez um híbrido de tudo isto. Mas para a minha vida, tanto faz.
Mas se você está tão interessado assim por uma definição dessas, então lhe peço licença para rezar em alto e bom som, o Capítulo 4 dos Provérbios, da Bíblia Sagrada:
OUVI, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes a prudência. Pois dou-vos boa doutrina; não deixeis a minha lei. Porque eu era filho tenro na companhia de meu pai, e único diante de minha mãe. E ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive. Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá.
A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará. Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará. Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida. No caminho da sabedoria te ensinei, e por veredas de retidão te fiz andar. Por elas andando, não se embaraçarão os teus passos; e se correres não tropeçarás.
Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida. Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo. Pois não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono se não fizerem alguém tropeçar. Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência. Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.
Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no íntimo do teu coração. Porque são vida para os que as acham, e saúde para todo o seu corpo. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca, e afasta de ti a perversidade dos lábios. Os teus olhos olhem para a frente, e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados! Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.
"Não decline nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal". É isto. Para mim, no final das contas, é isto.
posted by Chico |
16:23 Comentários:
Qual é a desse cara ?
Pronto. Foi só falar em Bíblia, em rezar, que já escuto os rumores.
Para a maioria, que claro, são ateus, concluem: "Meu, este cara é crente !". Não, não sou. Mas para esta maioria de adeptos da religião mais fácil e prática de nossos dias, aquela dos que não crêem (incluo aqui inclusive aqueles que adoram aquela conversinha fiada do "Eu acredito em algo maior, além da gente, mas não tenho religião. Cara, John Lennon disse tudo: and no religion too".), talvez baste ser cristão para ser declarado crente. Não é à toa que vocês são burros. Pode espernear à vontade. Burro, burro e burro. E só não faço uso da palavra que quero realmente usar porque a promessa que me impus me impede de dizer palavrões. Mas, como diz Millôr, "para bom entendedor, meia palavra basta, não é mesmo,....ecil ?". Se bem que ateu nenhum é bom entendedor... E para vocês, cantarei uma canção, que creio, será auto-explicativa de minha religiosidade e como vejo a Deus. Assim sendo, peço a gentileza de aguardarem nessa sala ao lado, que possui inúmeras futilidades para que vocês passem o tempo até a música começar. E por favor, sejam organizados. O game do Matrix dá para todo mundo jogar.
Outros estão desconfiados. Católicos, porém antes de esquerda, não engoliram muito bem esta história de que a definição política não é tão importante. Estão separando livros de Frei Beto e do excomungando Leonardo Boff para me emprestarem e fazer eu entender a verdadeira palavra de Cristo, através dos olhos mágicos da Teologia da Libertação. E já me pedem contribuição para o Fome Zero. Desculpem, mas eu dou esmola na rua. Creio que isto já me retira do seu círculo de libertação. Mas para vocês também vai esta canção. Queiram por favor aguardar na outra sala ao lado da dos ateus, que enquanto esperam, pedi que D. Marilena Chauí os entretesse. Exatamente, a Sula Miranda dos filosofantes de plantão. Mas se você não estiver se aguentando de vontade de brincar com a Matrix, pode ficar na sala dos ateus também. Não há muita diferença mesmo entre vocês.
Por fim, entre gritos de aleluia, hurros de prazer, gestos aeróbicos que imitam um padre super-10 qualquer, enquanto cantam com o Padre Marcelo Rossi, crêem os carismáticos católicos que entre eles é o meu lugar. Desculpem, mas vocês, invejosos do Edir Macedo, estão errados também. Mas nem vou perder meu tempo explicando, afinal a música está tão alta que, se para falar com Deus, já é impossível, imagine para ouvir este agora herege, dizer alguma coisa. Mas, peço licença, desligo o play back, faço o Padre Marcelo sentar, mas não consigo tirar o sorriso daquele rosto. E chamo então os que aguardam nas salas ao lado. D. Marilena faça o favor de se chegar também. Todos prontos ? Muito bem. Quem quiser cantar junto, fique à vontade. Mas não admito qualquer coreografia. E na parte em que Deus canta, só ele canta, hein ? Vamos lá:
"Titulitis"
Allí al terminar, en el Juicio Final
se presentaba un alma importante a dar cuenta de su edad.
El Padre preguntó: "amaste querida?",
y tras suave carraspera empezó el alma a cantar:
Estudié un mogollón, estudié un mogollón,
fui magistrado, físico, psicólogo, inspector,
gané muy bien las pelas, pero me acordé de Dios
y colaboré con gente desde mi condición.
Porque con gente pobre, ya sabe mi Señor,
la importancia que tiene hablar desde otra posición,
Y Dios se levantó, lo miró con cariño
de pronto se volvió y a todos lanzó un guiño,
sus ropas remangó, descoronó el triángulo,
y bailándole al alma, con garbo le cantó.
... "Yo tengo un culo, yo tengo un culo,
y podéis pasar por él, tú y tus títulos".
Fui experto de drogas, asesor de integración,
leía y leía sobre marginación.
Realizaba gestiones, llené el ordenador,
tenía un gran despacho para dar impresión.
Porque con gente pobre, ya sabe mi Señor,
la importancia que tiene hablar desde otra posición,
... otros, otros, otros... ¡otros! tenían el contacto
con cada realidad, o mi cualificación perdería veracidad.
... "Yo tengo un culo, yo tengo un culo,
y podéis pasar por él, tú y tus títulos".
El alma entristecida se deshacía llorando
y Dios la consolaba: "venga, no es para tanto!
si pasarás el tiempo en nuestra Eternidad,
pero para que te acuerdes y nadie lo piense más,
un grupito de angelotes por siglos te cantarán
este nuevo versículo que el mensaje aclarará":
"Yo tengo un culo, yo tengo un culo,
y podéis pasar por él, tú y tus títulos".
Para quem entende pouco de espanhol, informo que "mongollon" significa, na música, "muito", ou "um montão". E "culo" é cú mesmo. E desde já digo que não quebrei minha promessa, porque não sou eu quem disse, mas sim o cantor, que é autor da mesma. Seu nome, Migueli. Um espanhol, cuja história de vida é mui digna, mas que aqui não vem ao caso contar. Apenas me entristeço por não poder disponibilizar o aúdio neste blog. Creio que não é fácil de achá-la por aí. Ainda mais na versão que tenho, orquestrada à lá Frank Sinatra, bem dançante. Se você imaginou ""New yor, New York", acertou. É por aí mesmo.
E então, já imagino os ateus rindo, crentes que se trata de uma ridicularização de Deus e etc. e tal. Os antes de esquerda, e aí sim católicos comemoram. Afinal, a música diz que Deus é a favor dos pobres. Venceram, portanto. Já os carismáticos ainda continuam cantando e dançando. Afinal, isto é o que importa. E como pano de fundo de todas essas conclusões, ainda se pode escutar Deus repetindo e repetindo o refrão: "Yo tengo un culo....yo tengo un culo....y podeis passar por él..."
Já eu, estou rindo da cara da tia Marilena, mandando ela passar com todos os seus títulos pelo cú do Senhor. Eu não posso com essa mulher.
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16:20 Comentários:
Segunda-feira, Maio 19, 2003
"Mas Louco É Quem Me Diz......E Não É Feliz........"
Seguinte: o nome do meu pai é Bortolo. É italiano e dizem que por lá, é um "João" de tão comum. Mas por aqui, passou-se a época em que poderia ser comum. O que não dá o direito das pessoas ligarem para o nosso escritório, perguntando:
- Por gentileza, o senhor poderia me dizer o telefone do "Bortoloto" lá de Cascavel ?
- Quem ?
- Bor-to-lo-to.
- Não conheço ninguém com esse nome...
- Mas aí não tem Bortolo ?
- Sim.
- Então ?
- Então, pergunto eu !!!
- Mas...não são parentes ?
(segundos de respiração de minha parte para não quebrar minha promessa dos palavrões)
- Não, minha senhora, não tem nada a ver. De onde a senhora tirou isto ?
- Do nome, oras !!!!
- Olha, a senhora vai me desculpar, mas ninguém, NINGUÉM é tão estúpido assim. Com licença, mas eu tenho mais o que fazer.
Desligo o telefone e vou tomar um café para esfriar a irritação. Dez segundos e toca o telefone, de novo.
- O Bortoloto está ?
- A senhora só pode estar brincando !!!
- Como ?
- Está, espera só um pouquinho.
Dou trinta segundos, engrosso mais a voz e falo:
- Pois não ?
- Sr. Bortoloto ?
- O de Cascavel ?
- Isto.
- Ele mesmo.
- O sr. poderia me passar o telefone da Edivânia ?
- Quem ?
- Da Edivânia, aquela sua cliente.
- Desculpe, mas não me recordo deste nome.
- O sr. se lembra, a Edivânia, daquela ação contra o Hospital, da ambulância...
- Ah, sim. Mas isto faz tempo.
- Pois é, mas eu precisava falar com ela, e lembrei-me do senhor e queria falar com ela.
- Olha, a quanto tempo você não fala com a Edivânia ?
- Ah, já vai um bom par de anos aí...
- É, logo se vê, pois a senhora não sabe nem que ela faleceu ?
- Como ?
- É, faleceu.
- Mas como assim ?
- Não sei, acho melhor a senhora falar com ela pessoalmente, que ela lhe explica tudo. Espera um pouco, já lhe passo o telefone dela.
Procuro um telefone na lista. Encontro.
- Anota aí. É 264-6462. Só tem uma coisa. Vai ser difícil a senhora conseguir falar com ela no telefone. Melhor dizer que a senhora está querendo visitar uma amiga sua que faleceu e que mora lá, pegar o endereço e ir direto.
- Ah, é ?
- É.
- Então tá bom. Muito obrigado.
- Foi um prazer. E não se esqueça: peça para falar com aquela sua amiga que faleceu e que está morando lá. Eles vão saber quem é. Por Edivânia, ninguém conhece ela.
- Tá bom, até logo.
- Até mais ver.
Se tivesse tempo, iria até o referido local descobrir como foi o encontro de Edivânia e A Monga.
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20:59 Comentários:
Segunda-feira, Maio 12, 2003
Agradeço-lhe, do Fundo do Meu Coração
O dia já não foi lá essas coisas. Quando você chega em casa, descobre então um motivo para se irritar. Eis que ela lhe pega pela mão, apaga as luzes e lhe tira para dançar um samba lento do Paulinho da Viola, que ela já estava escutando. E lhe acalma fazendo carinho em seus cabelos e lhe sussurando ao ouvido. Por instantes, ficamos em silêncio, com mestre Paulinho repetindo o verso: "A vida, portanto, meu caro, não tem solução..."
Desculpe, Paulinho, mas a minha teve.
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20:34 Comentários:
Novos Links
Aos poucos, vou acrescentando outros blogs nesta listinha de links aí ao lado. Os links dessas páginas ao lado já são muito bons, especialmente os do "Diário Oficial", "Alexandrinas" e "O Polzonoff". Peço licença aos autores das mesmas para indicá-las aqui também. Agradeço ao LG pela dica do "Escrotorio", e informo aos que por ventura ali se aventurarem a procurarem o post intitulado "Culhões Para A Aristocracia", datado de 07 de abril de 2003, que é hilário. Já no "O Salamandra", indico o post " O Bom Humor das Crianças", datado de 07 de maio de 2003. Igualmente hilário.
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19:38 Comentários:
O que será que será ?
Certas fofocas nunca se explicam. Às vezes, ninguém consegue descobrir se é verdade ou não. Dizem que Chico Buarque assinou um manifesto pró-Cuba. Dizem que Chico Buarque não assinou este manifesto. Pois eu digo que em Havana, há fitas - cassete piratas de Chico custando mais caro que mignon. Nelas, há somente uma música gravada. Em versão de estúdio e outra "ao vivo". Chama-se "Apesar de Você".
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19:27 Comentários:
Os Irritantistas
Sempre me irritei com os Tribalistas. E nunca ouvi o disco. Pelo nome e integrantes, você logo vê que pretendem ser um "movimento" musical. Claramente inspirado nos Tropicalistas, mas querendo ser bossa-nova, na verdade. E claro que eles dizem que não é nada disto. Contudo, quando se ouve as músicas (só conheço três), logo se percebe que o intento vai por água a baixo. Musiquinhas água-com-açúcar para tocar no rádio até cansar e embalar temas de casamentos. Nada de "inovador". Nada de "melhor". As letras então, de mocorongas para baixo, com raríssimas exceções. Também, com Arnaldo Antunes escrevendo... Mas, há méritos no trabalho. Na verdade, dois. Primeiro, o Carlinhos Brown não canta. Segundo: o Arnaldo Antunes canta pouco (acho). Decidi que não me irritarei mais com eles. Vê no que dá parar de falar palavrão...
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19:26 Comentários:
Eu gosto de fogos de artifício
Li num desses sites de notícias (desculpe, mas o link já saiu do "ar"), que um alemão de 63 anos, soltou fogos de artifício porque um seu vizinho gay faleceu. Detalhe: ele soltou os foguetes na hora em que o corpo saía para o enterro. Foi multado, condenado a indenizar a família do morto e o escambau. Informava ainda a reportagem que ele já havia tido problemas com outros vizinhos gays. Fico aqui a me perguntar: se o vizinho não fosse gay, ele seria condenado ?
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18:52 Comentários:
Quarta-feira, Maio 07, 2003
"Um Desafio" ou "Uma Promessa"
Quando eu fico irritado com alguém, tenho certos "palavrões" que simplesmente funcionam como um libertador automático do ódio. "Gorda porca lazarenta" é um deles. Se for mulher, funciona melhor ainda. Nada contra as gordas, as porcas ou as lazarentas, especificamente. Mas a força do vernáculo possibilita, através desses termos, uma certa expiação da raiva. Quando não tenho tempo para dizer "gorda porca lazarenta", me contento com um simples gorda, dito com água na boca e ênfase na primeira sílaba. Funciona muito bem. No trânsito, é muito comum a sua utilização. "Velha" também é um bom adjetivo destinado a mulheres, pela obviedade do seu conceito. Já para homens, me satisfaz um singelo "cabaço", forçando nas vogais, parecendo que a palavra possui duas sílabas tônicas, tanto na primeira quanto na segunda sílaba. Novamente, nada contra os cabaços ou mesmo à pessoa a quem é dirigida (que na verdade, sempre merece). Não sei se são velhas, gordas ou cabaços. Mas me tiram aquela vontade louca de dar um tiro no(a) sujeito(a) naquele instante.
Fiz este pequeno intróito para me facilitar uma confissão. Escrevo e digo palavrões de mais. Quem me ama mais que tudo, assim como eu a ela, já iniciou sua necessária intervenção, querendo fazer apostas de quanto tempo fico sem dizer um palavrão (escrever ainda não entrou na reclamação. Quer dizer, não tinha entrado...). Estou receoso de aceitar o desafio. Não sei como liberaria toda a energia que existe em mim contra todos os seres humanos imbecis deste planeta.
Tenho medo de pegar uma metralhadora e invadir cinemas que estejam passando filmes com Richard Gere. Tenho medo de roubar um caminhão, apontar com ele no "viaduto da Visconde" (ou se você não é de Curitiba, imagine a rua mais movimentada de sua cidade), acelerar tudo e ver no que dá. Tenho medo de cortar os fios do elevador, quando meu vizinho "de cima", aquele, entrar no mesmo. Enfim, tenho medo de virar um Jack Nicholson, como no filme "O Iluminado".
Mas sei lá, pode ser que eu veja a vida por outro prisma. Pode ser que eu aceite melhor a imbecilidade humana. Que aflore uma compaixão até então inativa. Enfim, que me torne um Forrest Gump, papel de Tom Hanks no filme homônimo. Aquele a quem, se encontrasse na frente, não perderia tempo em gritar em alto e bom som: "Cá-bá-ço".
Decidi aceitar o desafio. Um frio me percorreu a espinha neste exato instante. E como um condenado à pena de morte, faço minha última refeição, conclamando a todos os idiotas deste mundo, para que ouçam: "Vão tomar bem no meio do seu cú, cabaços filhos de uma puta velha, gorda, porca e lazarenta."
Livre, leve e solto. Como sentirei saudades desta sensação...
posted by Chico |
20:45 Comentários:
Quinta-feira, Maio 01, 2003
"Uma Ode à Infância" ou "Uma Tarde Qualquer"
dedicado a quem fez parte de cada momento, de cada lembrança
É impressionante o quanto fazer uma mudança é cansativo. Não, não falo em termos psicológicos, viúvas freudianas. Digo mudança de casa, de escritório. No caso, mudei meu escritório esta semana, para novo endereço, melhor localizado. Mas o que compensa todo este cansaço, são as descobertas que você faz, das coisas que você guardou, sabe-se lá porque e para quê. No caso, a coisa é ainda mais interessante porque meu escritório também servia de depósito de muitas coisas guardadas da minha infância e de meus pais. Assim, re-encontrei aqueles mini-dicionários de inglês-português que eu odiava. Aqueles livros de botânica do segundo grau, que nem assim é mais denominado. Coleções de livros que você sequer imaginava que seus pais possuiam. E melhor/pior, ainda nos plásticos, sequer abertos.
Dá uma olhada nos seus antigos cadernos, apostilas de cursinhos. Fotos prá lá de velhas. Fitas de video-game, como as do "Odissey" ( eu não era adepto do Atari. Na infância, o mundo se dividia entre os adoradores do Atari e do Odissey. Haviam outras alternativas, mas eram em tão menor número que mais lembravam a torcida da Portuguesa do que qualquer outra coisa). E ainda, aquelas do primeiro micro-computador que inventaram para crianças, o saudoso MSX, que só vinha com o DOS, e para rodar os joguinhos, você colocava fitas-cassete e em toca-cassetes, esperava carregar por quase uma hora, para aí sim conseguir jogar. E isto era tão chato que você se obrigava a passar mais de 10 horas jogando aquilo, porque ninguém tinha saco para "carregar" tudo de novo. Ah, que saudades que me deu do "Senhor das Trevas", do "Teseu" e tantos outros joguinhos.
E de repente, me deparo com um antigo toca-discos da Gradiente, de 1978. E claro, vários vinis com ele. Quase que com lágrimas nos olhos, encontro um disco do Zacarias, dos Trapalhões, autografado para mim e meus irmãos. Lembro deste dia. Passeavamos no Shopping. De repente, em uma loja de discos, lá estava ele, sem a peruca, o que me assustou. Não fez nenhuma gracinha, nenhuma risada daquelas. Apenas autografou, de modo automático, sem nem olhar para aquelas crianças que tanto se achavam as mais sortudas do mundo naquele instante. Ah, que alegria rever aquela assinatura, em que ele colocava seu verdadeiro nome (Mauro), logo abaixo do grande risco que ele fazia com seu "Z" inicial. Releio a contra-capa. Vejo que ele agradece aos Trapalhões, e escreve Mussum como sendo Muçum. Algumas fotos.
Evidente que não vou ouvir o disco. Evidente que não vou nem pensar nesta bobagem de assinar o nome "verdadeiro" abaixo do grande Zacarias. Evidente que nem vou lembrar da decepção da falta da peruca e da risadinha, quando o encontrei. Mas me lembrei, e como me lembrei daqueles finais de tarde e início de noite de domingos, quando assistia aos Trapalhões e feliz ficava por ser domingo. Lembrei dos Saltimbancos Trapalhões. E cantarolei em pensamento "Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos ricos...". Lembrei do Forró dos Trapalhões, e daí não deu prá segurar. Em alto e bom som, cantei: "A véia debaixo da cama, a véia criava um gato..."
Ainda bem que essas lembranças não me trouxeram aquele gosto amargo na boca. Aquela trava que fica na garganta, não se sabendo bem se é um choro contido ou um "eu" que escondido estava e liberto quer ficar. Não, nada disto. A alegria daquelas lembranças era a alegria que sentia quando assistia e convivia com os Trapalhões. Nada mais do que aquilo. A alegria da certeza de que um dia se foi criança. De que a infância ainda é parte de você. Mas que preso não estou. Que tudo aquilo que faz de mim o que sou, não me atrasa o passo. Como é bom saber que se foi feliz. Como é bom saber que se é feliz. Como é bom saber que a vida se viveu e se vive. Como é bom olhar adiante. E sempre que puder ou a chance aparecer, recordar daquilo que passou, na certeza de que fez parte deste caminho, e que se pobres já nascemos, igualmente ricos também surgimos. Cabe a cada um escolher como quer viver. Livre-arbítrio, graças a Deus.
Inúmeras outras memórias foram ressurgindo daquelas quinquilharias. Pedaços de antigos instrumentos musicais que recordavam o belo período em que estive em uma "banda". Cheiros característicos de épocas que não voltam mais, porque assim é e tem que ser. Enfim, o tempo passava e aquelas recordações passavam de lúdicas para estorvo. O que fazer com tudo isto ? Muito joguei fora. Com muito pouco fiquei. Fiquei com o disco do Zacarias e algumas fotos. A vida segue. Já estou instalado no novo escritório, que novas passagens, cheiros e quinquilharias acabarão por se agregar a essas recordações que me fazem quem sou, afinal. Que venham. Um adeus ao velho, singelo, sem dor. É hora de seguir. Comigo fica aquilo que presta.
E para o que não presta, se por acaso, resolver me assombrar em outros momentos de recordação e saudade, me trazendo aquela tristeza inexorável, daquelas de abater ? Para isto, meu amigo, encontrei das lembranças que não me são minhas, um velho disco de vinil, que certamente passarei para cd. Profilático, eu diria. Imprescindível, há de ficar. Ei-lo:

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13:33 Comentários:
Terça-feira, Abril 22, 2003
Nada Melhor
Aquele cheiro de mar. Aquela brisa suave. Um calor que lhe aquece a alma. Apartamento à beira-mar. Balanço na rede, pensando na vida. Uma gelada na mão, quitutes na outra.
Nada Pior
E vem aquele filho-da-puta com aquele som estourando, escutando Zezé Di Camargo e Luciano, na sua "caminhonete" e estaciona bem em frente ao seu prédio. Abre todas as portas e fica dançando devidamente caracterizado. O cheiro se transforma em odor de bosta. A brisa vira ventania que lhe gela o rabo, forçando-o a "fechar" a sacada e assistir à televisão. A rede se balança sozinha, como se abandonada estivesse. A gelada esquenta e os quitutes te dão diarréia. E você começa a pensar seriamente em andar armado.
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21:54 Comentários:
Vi a Fani Lerner passeando no calçadão de Caiobá com os netos. Achei que ela já tinha morrido. Pena.
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21:47 Comentários:
Seção "Por que não posso andar armado"
Feriado na praia de Caiobá no lixoral paranaense. A chuva deu um tempo. Saio para dar uma volta na beira da água. Perto do final da praia, quase junto à "pedra", várias "canchas" daquele jogo escroto chamado "paddle". Um rascunho de tênis para gente bem velha jogar. Algumas partidas ocorrem. Há torcedores. De repente, escuto uma velha berrar, manifestando-se sobre uma jogada de algum ex-amante:
- INTELIGÊÊÊÊÊNNTÊÊ !!!!
posted by Chico |
21:45 Comentários:
Seção Saudades
No Pura Goiaba aí do lado, apareceu esta foto abaixo. Apenas para explicar seu contexto, trata-se de uma montagem de uma camiseta no estilo daquelas da Fórum (que no horroroso original, vem com dizeres como "respeito", "paz" e outras viadagens politicamente corretas). O Ruy Goiaba disse que a única forma dele usar uma camisa daquelas era com este garoto propaganda, e com esses dizeres. Faço minhas as suas palavras.

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20:51 Comentários:
Terça-feira, Abril 15, 2003
Resquícios de Carnaval

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19:39 Comentários:
Tirado daqui.
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19:38 Comentários:
Me incluam fora disto
CMI Brasil ou Kolima ?
Tanto faz, desde que eu possa rir muito. De ambas as partes. Só tolos crêem que a "saída" está em "escolher" uma ideologia, um "lado", uma "verdade". Como disse o Polzonoff, que tem link aí do lado, blog que fala de política só dá para ler, se for escrito com bom humor. Pode ser raivoso, colérico, o que for. Mas que me faça rir. Porque só rindo para aguentar.
E que minha mão esquerda não saiba o que a direita está digitando. E vice-versa.
Blogueiro anônimo catador de milho no teclado
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19:30 Comentários:
Sábado, Abril 12, 2003
Reflexão sobre a Lei de Murphy
Imagine-se com 80 anos de idade. Agora, pense em quanto tempo você vai ser obrigado a aguentar Sandy & Júnior cantando. Demais, não é mesmo ? Agora reflita: seria tão ruim ser surdo ? Não, não é mesmo ? Então imagine-se surdo. Neste exato instante, Sandy & Júnior falecem em um desastre de avião. Eis a Lei de Murphy.
posted by Chico |
10:51 Comentários:
Artistas e a Guerra
Em um show do Pearl Jam, nos EUA, o vocalista Eddie Vedder, em certo momento, fez um protesto contra a guerra. Pendurou uma máscara do Bush no pedestal do microfone e depois deu-lhe uma surra. Boa parte do público foi embora, por discordar do ato. Ponto para ambas as partes. Ao artista, por ter a coragem de dizer ser contra algo que a imensa maioria de seu público é favorável, arriscando-se a perder dinheiro. Não que um artista precise ser a favor ou contra o que quer que seja. Mas já que quer se meter onde não foi chamado, que aguente as consequências. E ponto também, mais ainda, ao público, que sem fazer qualquer ato de violência contra a banda, demonstrou seu repúdio à atitude da mesma, sem aquela babação de ovo jacú que muito fã faz com seu ídolo, não importando o que este faça. Basta ver, como exemplo, nossos mpbbocas em relação aos "ídolos" Caetano Veloso e tutti quanti. Esses aí podem fazer o que quiser que vai ter gente para aplaudir.
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10:47 Comentários:
Mais sobre artistas e guerra
O fato acima relatado, ocorrido com o Pearl Jam, me parece relevante, principalmente depois do ocorrido com as terríveis Dixie Chicks. Elas se posicionaram contra a guerra e se obrigaram a pedir desculpas aos americanos, na televisão. Cagonas, é como eu as chamo. Já Madonna, malandra, proibiu que um clip que ela já havia gravado, contra a guerra, fosse ao ar. Em entrevistas, disse que era contra a guerra, mas em respeito aos americanos, não achava "de bom tom" lançar o vídeo. E como ela já não vende como antigamente, botou o rabinho entre as pernas e retirou-se. Declínio de quem um dia, gravou vídeos transando com santos e botando fogo em cruzes. Nâo faço aqui, valoração desses atos, mas apenas constato a "coragem" de uns e outros que sempre passaram uma certa imagem de rebeldes contestadores.
Ah, e o Eddie Vedder disse que não vai pedir desculpas pelo que fez. Ponto de novo para ele.
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10:36 Comentários:
Ruimbinho Barrichello
Seguinte: em todo esporte individual, a sorte é algo que tem quase tanta importância quanto a qualidade do esportista. Ou seja, vale a regra, todo bom esportista tem sorte, mas nem todo esportista sortudo é bom. E até em esportes coletivos, esta regra vale, ainda que mais atenuada. Veja-se por exemplo, o goleiro de futebol. De que forma dizer que um arqueiro azarado é bom goleiro ? Necas de pitibiriba. Portanto, toda essa celeuma sobre o Rubens Barrichello não tem razão de ser. O cara é a o sujeito mais azarado de toda a história da humanidade. De onze corridas no Brasil, ele terminou somente uma. Não tem como sustentar que ele é bom piloto.
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10:06 Comentários:
Domingo, Abril 06, 2003
Boas Novas ( para mim, pelo menos)
Já estava meio cansado daquela "template" anterior deste blog. Principalmente porque não me permitia colocar links de fácil acesso e sem prejudicar a aparência da bagaça. Por isto, arrisquei a mudança e confesso que gostei. Está mais limpo, mais fácil e mais completo. E inclusive, disponibilizei uma "mailing list", conforme se pode conferir logo aí ao lado. Desta forma, posso avisar aos amigos e àqueles que se interessarem, quando este blog for atualizado, evitando o tempo perdido dos poucos, mas fiéis leitores, que por aqui constantemente aparecem e nada de novo encontram. Assim sendo, peço a gentileza de se cadastrarem. É de graça e inodoro, o que é mais importante. Quanto aos links, por enquanto coloquei aí os que considero "mais urgentes". Amigos, desconhecidos que colocaram meu blog como link em seu blog e outros que leio com frequência. Aos poucos vou colocando outros, conforme meu tempo e paciência.
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12:51 Comentários:
Terça-feira, Abril 01, 2003
Uma Lenda Curitibana
Domingo no Shopping Mueller, em Curitiba. Um pedaço (grande) de gesso cai do teto, que passa por reformas. Pânico, corre-corre e toda aquela histeria típica de catástrofe. Ele foi pego de surpresa (óbvio). Passeava com seu amigo, em busca de meninas. Correndo com a multidão, percebe que a coisa não podia ser tão séria para ainda não ter caído tudo. E teve uma brilhante idéia. Bradou em alto e bom som:
- Aí galera. Não é nada disto. É mais uma dessas peças-pegadinhas do Festival de Teatro. São uns filhos da puta. Gente lazarenta. Mereciam uma surra. Ah, se eu pego um...
- Mas isto não pode ficar assim - ajuda seu amigo - Moçada, simbora para a Ópera de Arame !!! Vamo botá abaixo aquela merda!!!
(falando baixinho) - Faz isso não. A Ópera é das nossas. Sempre que tem peça de teatro, chove. A acústica é uma merda. E o público senta literalmente em arames. Tá certo que não é farpado, como deveria. Mas mesmo assim. Deixa ela lá.
- Tá certo. Pera lá gente. Não tem peça acontecendo lá mais. Ao Guaíra !!!
Jornais do dia seguinte reportam que uma multidão de centenas de pessoas tomaram as ruas da Capital paranaense, indo direto para o Teatro Guaíra. Lá, encenava-se "Esperando Godot", de modo contemporâneo, com músicas dos Tribalistas. Platéia lotada. Muita gente estúpida. Mas muita gente estúpida mesmo. Aos poucos, começou-se a ouvir um coro distante, que ganhava força. Após alguns minutos, se conseguia ouvir o grito rouco vindo das ruas:
- Uh ! Fudeu ! O Godot apareceu !!! .... Uh ! Fudeu ! O Godot apareceu !!!
Invadem o teatro. Poltronas em chamas. Atores desnorteados, perguntam-se: "Quem é Godot ? ". Os pagantes de ingressos tentam uma insubordinação, fazendo "psiu" e pedindo silêncio. Um senhor, nas primeiras fileiras, dá graças aos céus. Levanta-se, invade o palco é dá um direto na boca do ator principal, dizendo "Esta é pelo Sheakspeare do ano retrasado". "Esta é pelo Nelson Rodrigues do ano passado!!", "Esta é pelo ano que vem !!! "... Uma parte da platéia se confunde. Acha que aquilo faz parte da peça. Se assusta e faz menção de aplaudir. Quando o fogo se aproxima, dez casacos de pele automaticamente flamejam. O cenário era de horror. No canto da palco, os incitadores amigos cuspiam no diretor da peça e quebravam o cd dos tribalistas. Quando tudo estava por terminar, um dos amigos berra:
- Seguinte. Vamos nos separar em grupos de cinquenta e ir em todos os lugares onde possa existir essa gente.
Gritos eufóricos. Logo na saída, uma parte invade o Café do Teatro. "Artistas" são surrados sem dó, nem piedade, mas riem e aplaudem, crentes que se tratava de uma peça-surpresa. A cidade logo é consumida pelo levante popular. Teatros e bares descolados são depredados. Lá pelos lados da Água Verde, uma das facções do levante, já denominada: "Por uma Curitiba Livre, Leve e Solta", encontra um grupo de torcedores de qualquer time da capital devidamente caracterizados. Não precisam dizer muito e eles se integram ao quebra-quebra. Logo, a boate dos jogadores de futebol, "Carambola" é consumida pelo fogo.
Enquanto isto, no calçadão da XV, um grupo persegue um ex-prefeito de Curitiba que por lá passeava, chutando-lhe o rabo e gritando "Fora gorda maldita!!". Próximo ao McDonald´s dali, um grupo de quinze pacifistas aproveitam o ensejo e depredam o Mc, gritando pela PAZ. Nos arredores do Centro Cívico, embora não esteja confirmada a informação, passantes afirmam terem visto o governador do Estado derrubando as grades em volta da Assembléia e do Tribunal de Justiça. Um deputado petista, mancando e gritando "PROCEL você não vai, japa fdp ", tenta subir a rampa da Prefeitura para invadir, mas não consegue e escorrega. Não satisfeito, tenta por mais dez vezes, sempre com o mesmo resultado. Agora, terá que comprar outro terno, finalmente. Lá pelos lados do Cabral, manifestantes param em frente à casa de um ex-governador do estado e cantam músicas de protesto, especialmente "Apesar de Você" de Chico Buarque. Mas o proprietário, temendo por sua vida, já havia se instalado em seu bunker, que construiu ali pelos lado do Parque Tanguá.
Forças especiais do Exército foram chamadas para controlar a população. Tanques ainda permaneciam na Capital por mais uma semana. Á boca pequena, dizia-se que aquilo não daria em nada. Foram poucos mortos. Apenas 3 atores do Bostival de Teatro. Testemunhas afirmam que um deles acreditava que seu amante-gay, também ator, havia ficado preso nas chamas que consumiam o Café do Teatro. Ele então se jogou nas chamas gritando "Eu também vou". Um terceiro, da mesma companhia, crente que aquilo era uma peça, achou que era sua deixa e também se jogou ao fogo.
Cronistas não conseguiam encontrar palavras para descrever aquela desobediência civil da população mais obediente do país, a classe média curitibana. Em vão, procuraram por razões psicológicas, sociais e até religiosas. Mas a melhor definição foi dada por um senhor, que sempre frequenta a Boca Maldita, e foi entrevistado para o Jornal do Meio Dia da RPC:
- Ninguém mandou provocar, né mesmo ?
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21:41 Comentários:
Quinta-feira, Março 27, 2003
Morte aos Legionários
Uma das coisas mais insuportáveis que existe no mundo, são os fãs de Renato Russo e da Legião Urbana. Chega a ser difícil gostar da banda, por causa desses seres idiotas. E olha que gosto mesmo do som dos caras. Acho uma das poucas bandas relevantes do chamado "rock nacional dos 80". Ao lado, no máximo, do Ira. O resto, melhor deixar prá lá.
Mas os "fãs", esta gentalha que acha que Renato Russo é um "exemplo" de vida; que denomina esta fixação pela Legião, de "Religião Urbana"; que afirma, sem qualquer constrangimento, que "ele (Renato) é como se fosse meu irmão mais velho, meu amigo mais íntimo, que me entende..."; que confessa que a Legião é a trilha sonora da sua vida, sem perceber que isto só pode significar que a sua vida foi e é miserável. Enfim, este esterco humano me irrita muito.
Deveriam ser surrados em praça pública, com vara de marmelo, que é como se lida com crianças que se recusam a crescer. Principalmente o pessoalzinho na faixa dos trinta, quarenta anos.
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20:05 Comentários:
Um Exemplo....para não ser seguido.
Achar que Renato Russo é um exemplo de vida, é o pior de todos os "elogios" que podem fazer a ele. Afinal, que exemplo de vida é este, ô legionariozinho de merda ??!!! Um infeliz que, em busca de um sentido para sua vida, se afundou em bebida e sexo e não conseguiu mais sair do buraco, melancolicamente morrendo em razão disto ! Isto é exemplo ?
E antes que você, imbecil, que tem a certeza de que você é uma pessoa sensível, perceptiva e inteligente, só porque gosta de Legião Urbana, antes que se perca no raciocínio, devo esclarecer que, se na sua vida, Renato foi um bosta, como artista, era extremamente talentoso. Suas letras são, de longe, as melhores que qualquer outra de qualquer bandinha de rock nacional, e mesmo da MPB pós-80. Ainda que sabendo que muita coisa é cópia. Exemplos ? A frase "Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você", de Será, é cópia de uma frase idêntica de uma música do Soft Cell. A letra de "Quando o Sol Bater..." sequer é dele, pois é de uma lenda budista, salvo engano. O famoso refrão "É preciso Amar as Pessoas Como Se não Houvesse Amanhã", que ainda engana muito professor de Redação por aí, achando que foi seu "brilhante" aluno quem escreveu, é chupado de uma canção do Garth Brooks, que o próprio Renato regravou naquele disco gay "The Stonewall...". Fora a imitação descarada de Morrisey nos shows.
Ocorre que Renato nunca escondeu isto. Ele mesmo confessa suas influências e cópias. A primeira que citei, ele disse numa entrevista. A segunda, no próprio encarte do álbum "Quatro Estações", e a terceira é mais do que evidente. Basta ouvir as músicas. Ou seja, Renato sempre foi sincero e honesto. Daí uma das suas qualidades, que explica muito de seu sucesso. Afinal, em razão disto, sua vida pode ser lida através de suas letras. O que dá um tom quase poético e lírico à mesma. Contudo, "a vida não é filme, você não entendeu", já dizia Herbert Vianna (que se esforçou para morrer "jovem" e ser idolatrado como Renato, mas se deu mal se estrepando com o ultraleve). Ou seja, se como ficção, como arte, a tristeza, a dor, a confusão de Renato deram belas obras, principalmente nas letras, como vida real, a dele, foi uma tragédia, que não deve ser idolatrada, porque não serve de exemplo para ninguém. E para vislumbrar isto, basta uma análise perfunctória da obra da Legião, que pode ser vista como uma auto-biografia de Renato.
Não creio estar errado em dizer que, "Será", a primeira canção do primeiro disco gravado pela Legião, é quase que uma profecia da vida de Renato. Principalmente na sua parte final, que diz: "Nos perderemos entre monstros / Da nossa própria criação / Serão noites inteiras / Talvez por medo da escuridão / Ficaremos acordados Imaginando alguma solução / Pra que esse nosso egoísmo / Não destrua nosso coração. / Brigar pra quê / Se é sem querer / Quem é que vai nos proteger? / Será que vamos ter que responder / Pelos erros a mais / Eu e você?". Renato vai passar o resto de sua vida, lutando contra seus próprios monstros. E não vai vencer.
Na busca que todo ser humano tem, por um Sentido de Vida, Renato, nesta busca, perdeu-se por diversas vezes no caminho. De uma conflituosa sexualidade, que lhe deu um filho no início de carreira, para uma definição homossexual, que supostamente lhe traria o centro de sua própria vida, Renato não encontrou a "solução". Veja-se este conflito vivido através das letras de "Ainda é Cedo", "Por Enquanto", "Daniel Na Cova dos Leões" e "Soldados", dentre outras, dos primeiros três discos da Legião, para a decisão, gritada em "Meninos e Meninas", do "Quatro Estações". Passada esta fase, vem a "solução" paixão, atirando-se completamente em um relacionamento doentio, que lhe "quebrou a espinha". Deste baque, Renato não se recuperaria. Não acreditando mais em "Amor Romântico", tentava se contentar com amizades e uma vida "normal", sem os horrores que viveu, quando pensava que amava apaixonadamente. Também por aqui, não encontrou O Sentido. Nâo se necessita fazer referências às letras de músicas. Quase todas de "V" e "A Tempestade", falam disto. Complete este cenário com alcoolismo e terá uma breve descrição, dos monstros que Renato criou em busca de uma "solução".
No fim, é emblemático que, no último disco de inéditas da Legião, "Uma Outra Estação", a penúltima canção, Renato não tenha conseguido gravar sua voz, ficando apenas a parte instrumental e a letra no encarte. Por que emblemático ? Leia-se a letra de Sagrado Coração:
"Sei que tenho um coração / Mas é difícil de explicar / De falar de bondade e gratidão / E estas coisas que ninguém gosta de falar / Falam de algum lugar / Mas onde é que está ? / Onde há virtude e inteligência / E as pessoas são sensíveis / E que a luz no coração / é o que pode me salvar / Mas não acredito nisso / Tento mas é só de vez em quando.
Onde está este lugar / Onde está essa luz ? / Se o que vejo é tão triste / E o que fazemos tão errado ?
E me disseram! / Este lugar pode estar sempre ao seu lado / E a alegria dentro de você / Porque sua vida é luz /E quando vi seus olhos / E a alegria no seu corpo / E o sorriso nos seus lábios / Eu quase acreditei / Mas é tão difícil.
Por isso lhe peço por favor / Pense em mim, ore por mim / E me diga: - Este lugar distante está dentro de você
E me diga que nossa vida é luz / Me fale do sagrado coração / Porque eu preciso de ajuda."
Não há outra conclusão a se chegar, se não a de que Renato, combalido pela doença, fazendo a inevitável revisão de sua vida, percebe que da confusão em que sempre viveu, nunca conseguiu sair, e também não sabe como. E mostra toda a sua tragédia pessoal, daquele que sempre teve a consciência do que podia lhe salvar, "o sagrado coração", mas que era incapaz de acreditar "nisto". E ele tentava, de vez em quando como ele diz. Basta ver os altos e baixos dos discos. O "quatro estações" é um disco "prá cima", com belas canções, esperançosas (lembram-se ? "Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós", em "Se fiquei esperando meu amor passar"). "V" já é o inverso. É sombrio, um mergulho na tristeza e melancolia. O sexto, das flores e da terrível "Perfeição", volta ao otimismo, mais comedido, menos alegre e esperançoso, "só por hoje". E então vem a "Tempestade", e o final se anunciava. Ao lado da tristeza e melancolia, a desesperança que a certeza da morte traz. Renato cansa de cantar, implorar para que não o amem. Ele acredita em amizade, mas não quer estar apaixonado. Decide, em "Mil Pedaços": "Não sei por quê / acontece assim e é sem querer / O que não era prá ser. / Vou fugir desta dor".
Enfim, a solução: a fuga. E para tanto, o "errado" tinha que estar no mundo, não nele, Renato. Assim, na última canção deste disco, ele canta : "Não esconda a tristeza de mim / Todos se afastam quando o mundo está errado". Já não havia mais salvação. De frente com a morte, Renato sucumbe. Foge e entrega-se. Perde a última oportunidade de se encontrar, e se encontrando, aproximar-se do "sagrado coração". Aquele que poderia lhe salvar.
Por isto, não é à toa, e sim emblemático, que ele não tenha conseguido gravar aquela canção acima transcrita. Porque não era para o "mundo errado" que ele teria que cantá-la. O seu pedido de ajuda, tardio demais, só podia ser endereçado para além deste mundo. Para o "sagrado coração". Ao mundo, restava pedir para que orasse por ele. E não por acaso, a última música deste último disco com Renato vivo, termina com uma canção-oração, que pede: "Nossa Senhora do Cerrado ... Fazei com que eu chegue são e salvo." E agora, no fim de tudo, ouve-se "Será" novamente, com uma conotação fúnebre. Infelizmente, Renato perdeu-se entre seus próprios monstros, passou a vida com medo da escuridao, imaginando uma saída dela, e cada vez mais nela se embrenhando. Não permitiu ser protegido. Respondeu pelos seus erros, sozinho.
Que Deus tenha piedade de sua alma.
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19:58 Comentários:
Domingo, Março 23, 2003
E começou o Festival de Teatro de Curitiba. Sim, aquela bosta. Sim, assisti somente duas peças, e no primeiro ano. Aprendi e nunca mais fui. E soube que a estréia foi um "sucesso". Choveu pacas dentro da "Ópera de Arame", que fez jus ao nome. Parece que a peça era de uma temática "religiosa", falava de Cristo e tudo. Deus, boa gente como só ele, logo ordenou a São Pedro que fizesse chover a ponto de Noé. Espero que tenha alguma outra peça que fale do Diabo. Estou vendo as manchetes: "Incêndio de grandes proporções consome o Teatro Guaíra: 80 mortos e 150 feridos." Em certas coisas, até Deus e o Diabo concordam.
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15:40 Comentários:
Quarta-feira, Março 19, 2003
Explicações, explicações
Não sei o que aconteceu em março, mas as bruxas estavam soltas (estão, pois ainda não terminou o mês). A vida ficou uma loucura e meu computador "caseiro", como já disse, foi pro saco. Mas serviu para algo. Aprendi um pouco de "informática". Agora já sei formatar e instalar o windows de volta, com os drives dos meus hardwares. Nunca mais, nunca mais cairei no velho conto daquele guri que vem arrumar o computador e diz: "É, tem jeito não. Só formatando." Quando ele falar isto, saiba que ele não sabe qual é o problema. E formatando, quase sempre resolve. Afinal, você zera o computador. É como se você apagasse todas as letras de um livro e pudesse escrever tudo de novo. As folhas estão meio gastas, mas você escreve do mesmo jeito.
Mas valeu a pena para me livrar de três ou quatro rascunhos que preparava para publicar por aqui. Vi o quanto eram ruins ou sem necessidade. Pena é que perdi meus comentários sobre a homenagem ao Paulo Francis naquele programa da GNT, o Manhattan Conection.
Bom, agora as coisas estão normalizadas. Acontece que eu não tenho tido muito saco para isto aqui não. Começo a achar que estou enjoando. Graças a Deus, tenho uma vida, e portanto, isto é um mero hobby. Mas, tendo um tempinho, continuarei escrevendo por aqui. E apenas para informar os seletos amigos que sempre me visitam, que a partir de agora, atualizarei esta bagaça apenas uma vez por semana. Assim, passe por aqui vez ou outra, que prometo que aos poucos, vou preenchendo este "blog".
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18:45 Comentários:
Tirado daqui
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18:26 Comentários:
Terça-feira, Março 11, 2003
Problemas Demais...
Estou tendo sérios problemas para publicar por aqui. Meu computador "de casa" deu "pau e pelo trabalho, além de não ter tempo, nunca consegue-se publicar porque trava o computador na hora agá. Neste momento, graças a um computador alheio consegui publicar ao menos esta explicação. Que aliás, a forneço em consideração aos poucos, mas fiéis amigos, que se acostumaram a passar por aqui quase que diariamente, conforme me informa o pequeno contador no pé da página. Assim que conseguir solucionar os problemas, volto escrever.
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18:23 Comentários:
Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003
ONDE É QUE VOCÊ VAI PULAR CARNAVAL?
Com os dois pés no peito de quem me fizer esta pergunta...!
Este blog, de onde tirei esta resposta espetacular, vale dar uma olhada. Seu nome: Ódio.
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14:30 Comentários:
Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
Se por um lado, temos um anti-americanismo rasteiro auto-explicativo de tudo e para tudo, por outro imitamos só o que eles tem de mais imbecil. A última é a moda, dentro do politicamente correto que assola este país de há muito, de impôr cotas. Já fizeram lei para as universidades cariocas. Logo, logo, teremos em todo o país.
Sendo assim, faço minha parte nesta esquizofrenia coletiva e proponho as seguintes cotas :
1) 50% das vagas em academias para gordos, e esses serão obrigados a frequentarem. Assim, teremos uma nação mais saudável e sem aquela horrível desigualdade de pesos que nos assola. Se de um lado o Fome Zero pretende alimentar, por outro emagrecemos os privilegiados em calorias. E desta forma, ninguém poderá argumentar que atuo em causa própria, eis que faço parte, infelizmente, do time dos gordos. Ainda que um gordo leve.
2) 50% das cadeiras dos cinemas reservados para analfabetos, somente nos filmes estrangeiros legendados. De uma vez só, cultura e educação. Caso perguntem de que forma os analfabetos conseguirão aprender a ler as legendas, sem aula, responda que vale o mesmo princípio das cotas em universidades. Pouco importa o quanto se saiba, o que importa é se você faz parte dos judiados pela vida, e portanto, tem direito. P.s.: nos filmes nacionais não adiantaria colocar cotas, porque a procura é pequena e tem lugar para todo mundo, felizmente.
3) 50% das vagas para deputados federais e senadores para oriundos dos sanatórios. E vice-versa. Assim, os pobres loucos diagnosticados não serão discriminados absurdamente pelos sãos. Não duvido que o nível político melhore...
Pronto, cumpri minha parte. Agora, só falta me declarar negro...
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21:57 Comentários:
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19:34 Comentários:
Segunda-feira, Fevereiro 24, 2003
Nunca gostei de militares. Claro, em razão da ditadura. Com o tempo, aprendi a respeitá-los. Claro, desde que fiquem na deles. Contudo, daria tudo para ser um desses atiradores de elite americanos, lá no Iraque. Meu alvo: escudos humanos. De preferência, brasileiros. Obtendo sucesso, desertaria. E se pudesse, ainda trazia a cabeça de um e colocava na entrada da minha casa, deixando-a com um sorriso nos lábios. Creio que minhas visitas entenderiam o recado. E não se preocupem, eco-malas de merda, eu deixaria bem visível o selo que certifica não se tratar de espécie em extinção.
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20:04 Comentários:
Terça-feira, Fevereiro 18, 2003
Diogo Mainardi, na Veja desta semana, falando sobre a guerra no Iraque, disse que se todos os brasileiros estão de acordo em relação a alguma coisa, essa coisa só pode estar errada. Não chego a tanto, mas fico com o velho Nelson Rodrigues, e sua famosa frase: toda unanimidade é burra. Que aliás, de tão famosa, ironicamente se tornou unânime...
Com efeito, não há vozes dissonantes por aí. Fora o Mainardi, não vi ninguém defendendo ou ao menos justificando a guerra, ou ainda, apontando algo de bom (e há) nela. E acho isto muito perigoso. Sempre, quando não há debate, perde-se algo. Mas não pensem que vim aqui defender a guerra. Longe disto. Sou contra também. Só que não tenho nada para falar, que já não esteja sendo dito, mais e melhor. Já os Jabores desta vida, que mesmo não tendo e não sabendo o que falar, e ainda achando que são o máximo, desancam a falar do que sequer compreendem...
Agora, uma das coisas que me chamam a atenção é a forma como tratam certos assuntos. Compare-se o tratamento sobre a guerra atual e quando dos atentados de 11 de setembro de 2.001, nos EUA. Se hoje, dizem, a guerra não pode, não deve acontecer, e não pode haver nada de bom nela, quando dos atentados, ainda que os condenando, nas quatro primeiras linhas de qualquer coluna da época, o restante era simplesmente falando que os mesmos eram culpa dos próprios americanos, que eram reações, etc. e tal... Esse anti-americanismo rasteiro, sem consistência, infantil mesmo (tudo é culpa deles), simplesmente impede um debate maduro neste país. E não só para esta guerra. Para tudo mesmo. Afinal, nós só somos pobres porque eles são ricos...(valha-me Deus!)
Mas, enfim, assim as coisas se dão neste país. Quando há recusa em se pensar, restam os modelinhos prontos, os lugares-comuns, os slogans politicamente corretos para se colocar no lugar da inteligência.
Por fim, resta ressaltar a sagacidade e o bom humor das mulheres iraquianas. Quando viram nosso deputado federal, Dr. Rosinha, do PT do Paraná, passeando por lá às custas do nosso dinheiro (segundo ele para dar "solidariedade" e dizer aos iraquianos para que resistam bravamente), não se aguentaram e riram a valer da cara dele.
Fiquei feliz em saber que não sou o único...
posted by Chico |
21:31 Comentários:
A Ratoeira
por Bruno Tolentino
(...)
Não sei o que deu em mim
quando achei de me enfiar
que nem fita de cetim
neste bendito lugar !
Só depois de dar o laço
é que fui achar espaço
e tempo, tempo sem fim!,
para poder me queixar.
Mas não sei mais a que vim, mal sei ainda o que faço.
Faço versos, melodias
de minhas decepções,
e vou enchendo meus dias,
falando com meus botões,
com quem hei de conversar ?!
Dissimulo, assumo o ar
beato das confrarias
amargas que nem limões
e componho livrarias
com o intuito de me livrar...
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20:17 Comentários:
Segunda-feira, Fevereiro 10, 2003
Para quem, como eu, não sabe mais viver sem "baixar" músicas pela Internet, é bom se preparar. As gravadoras estão endurecendo cada vez mais a luta contra o mp3 e as redes de fast-track (como o Kazaa, p. ex.). Desta vez elas se espertaram e resolveram lutar no território inimigo. E tem chances de vencerem por aí. Comecei a suspeitar disto semana passada. Soube do novo cd do Tony Bennett, em parceria com a K.D. Lang. Corri no Grokster (versão clone do Kazaa) e procurei as músicas. Todas apareceram facilmente. Contudo, quando fui ouví-las, as mais de 10 canções do álbum tocavam a mesma coisa. 40 segundos da mesma música, que acho que nem no disco está. E depois dos 40 segundos, ficavam mais uns dois minutos em silêncio. Teimoso, baixei umas dez versões de cada música. O mesmo desfecho. Desisti. Pensei comigo que os sistemas anti-pirataria estão ficando melhores. Assim, basta esperar mais umas semanas e algum hacker boa gente quebra o código. Mas algo me dizia que a coisa não era por aí. Afinal, como fazer com que se possibilite a alguém gravar o cd, mas com outra música no lugar daquelas que tocam normalmente ? Muito esquisito...
Eis que então, lendo a coluna do Álvaro Pereira Jr. na Folha de S. Paulo de 10/02, descubro que o mesmo ocorre com outras bandas e artistas. Desta vez, o colunista informa que tentou baixar o novo do Massive Attack e não conseguia ouvir nada, porque os minutos dedicados à canção eram silêncio absoluto. Ele informa então que isto se trata de uma tática das gravadoras. Elas agora, além de aperfeiçoarem os sistemas anti-pirataria, resolvem "melar" as trocas através dessas artimanhas. E é muito simples. Criam dezenas de arquivos falsos, nomeando como se fossem as músicas verdadeiras, e espalham como se fosse uma epidemia. Assim como os vírus, um computador pega de outro o falso arquivo e fica difícil chegar a algum que contenha o verdadeiro conteúdo. Tentam vencer pelo cansaço.
Tenho que admitir que esta tática é muito mais inteligente, barata e eficaz do que as milhares que já tentaram. Ficar processando os caras que fazem os programas de troca, não dá em nada, porque cai um, vem outro na sequência. Sistema anti-pirataria é outra furada. Não dura um mês e já descobrem o furo. Assim, a velha tática do cavalo de tróia pode dar certo. Desde que os amantes de música não sejam persistentes, é claro...
Mas vamos ao que interessa. Como não pegar um arquivo falso ? Na coluna do Álvaro ele informa que deve-se ficar de olho no tamanho do arquivo. Normalmente, os falsos são bem menores do que os verdadeiros. O problema é saber o tamanho do verdadeiro... Assim, se parecer muito pequeno, não arrisque. Outra dica, mais consistente, é que os falsos são disponibilizados com baixo "bitrate", ou seja, qualidade ruim. Normalmente, são os velhos 128 Kb. A dica, mais segura, é não baixar com menos de 160 Kb. O ideal, de cd, é de 320. Mais aconselhável, 192 Kb.
Contudo, acho que o negócio mesmo é sair baixando tudo que aparece. Uma hora você acerta. É o que está acontecendo comigo. Digito uma das músicas do Tony Bennett. Aparecem quarenta versões. Baixo todas (sim, tenho conexão banda larga). Não preciso ficar esperando terminar o download. Logo de cara, já dá para saber se o arquivo é falso ou não. Ou nada toca, ou depois dos 40 segundos, emudece. E vou indo. Das dez ou doze músicas do cd, consegui baixar só quatro, por enquanto. Mas eu sou bem teimoso. Acho que até o final da semana, consigo terminar.
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22:07 Comentários:
Quarta-feira, Fevereiro 05, 2003
É tão inconcebível este fato ocorrido com aquele casal, que andando de carro, do nada, pararam, o marido sai, bate violentamente a própria cabeça no carro, arremessa seu filho de colo em um outro carro que vêm passando, enquanto a mãe pega sua filha pequena, a leva em direção a uma árvore e soca a cabeça da menina repetidas vezes contra o tronco. Só conseguem parar os pais aplicando injeções tranquilizantes.
Nos dias que se seguem, depoimentos médicos e de pessoas que conhecem o casal, parecem atestar que são normais, não bebem, não fumam, não se drogam. Teria sido um dia de fúria, como naquele filme com o Michael Douglas ? Não sei, sinceramente não sei.
Como nesse quadro pintado por Edvard Munch, o famoso "O Grito", ante um caso desses, só consigo ficar assim. Atônito, com o grito mudo, incapaz de compreender o próximo, quando tão longe ele consegue ir...
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19:58 Comentários:
Terça-feira, Fevereiro 04, 2003
Eis a figura chamada Léo Jaime, comentarista de futebol do SBT. E olhem só a descrição que fazem dele, no site do próprio SBT (não me contive, obriguei-me a confirmar este fato absurdo) :
Flamenguista roxo, o cantor, compositor, ator e escritor Leo Jaime faz sua estréia como comentarista esportivo nas transmissões do Campeonato Paulista.
Creio que não seria demais acrescentar a este rol de ocupações deste ser, a epígrafe "picareta". Tanto faz se vier antes de cantor ou depois de escritor. A ordem dos fatores não altera o produto.
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21:03 Comentários:
"Eu sou anticomunista desde os onze anos. E assumo minhas posições, mesmo quando, hoje, o intelectual virou esquerda porque essa é uma maneira do sujeito ser inteligente, de ser atual, de ser moderno e, principalmente, de se banhar na própria vaidade."
Nelson Rodrigues
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14:56 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 29, 2003
Dia desses, passeando pelos canais da TV, me assustei com um jogo da seleção brasileira de futebol, passando no SBT. Descobri que era um jogo sub alguma idade. Fiquei feliz. Afinal, gostando de futebol, quanto mais emissoras passarem jogos, melhor. E de preferência, em horários bem diferentes dos estipulados pela Globo. Neste caso, era na hora do almoço (de um sábado). Perfeito.
Mas eu devia ter me lembrado do Millôr (o otimista não sabe o que o espera).
Pois bem, resolvi identificar então o narrador, repórteres e comentaristas. O narrador era aquele Téo José, que narra Fórmula Indy. Nada demais. E dos comentaristas, estava Zetti, ex-goleiro do São Paulo e um tal de Léo Jaime. O Zetti não acrescentava nada. Ainda está muito verde. Me lembro do Casagrande no começo e agora, quando está muito melhor. Nâo sei se isto significa que ele seja bom. Mas é menos ruim do que antes. Espero que ocorra o mesmo com o Zetti, que tem perfil para isto. Mas e o tal de Léo Jaime, quem era ? Falava coisas absolutamente óbvias, que qualquer torcedor de arquibancada diria mais e melhor. Fim do primeiro tempo.
No "show do intervalo", mostram então quem é a figura. Quase vomitei o almoço. Léo Jaime era nada mais nada menos que o...Léo Jaime. Aquele, lembra ? Simulacro de cantor. Lembro-me das músicas Bambolê (Bam-bam-bam-bam-bam-bam-bolê), Sete Vampiras (ou gatinhas, sei lá) e a regravação absolutamente desnecessária de Gatinha Manhosa do Erasmo Carlos. Se não me engano ele já tentou até ser ator de cinema. Só podia ser brincadeira de mal gosto. Mas não era. E eu nem deveria me assustar, afinal, estamos falando do SBT.
Não consegui assistir ao segundo tempo.
Ah, e o Brasil perdeu.
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20:40 Comentários:
Só depois me lembrei da minha frase predileta do velho Millôr. Lá vai:
"TODO DIA LEIO OS AVISOS FÚNEBRES DOS JORNAIS; ÀS VEZES A GENTE TEM SURPRESAS AGRADABILÍSSIMAS."
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19:58 Comentários:
Terça-feira, Janeiro 28, 2003
Algumas frases do Millôr Fernandes, para estrear algumas mudanças na aparência desta bagaça:
O otimista não sabe o que o espera.
Para bom entendedor meia palavra basta. Entendeu ...ecil?
No Brasil o sol nasce pra todos. A chuva, só pro sul do país.
Jamais perdoe o que uma pessoa te diz quando está fora de si.
Além de ir pro inferno só tenho medo de uma coisa: juros.
Aumentou um pouco o número de alfabetizados no país. E aumentou muito mais o número de ignorantes cultos.
Os chineses inventaram - e tudo que é bobo repete - que uma imagem vale mil palavras. Diz isso sem palavras!
O ruim das amizades eternas são os rompimentos definitivos.
Brasil; um filme pornô com trilha de Bossa Nova.
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23:42 Comentários:
Propaganda da MTV, com a Sandy: "Não acredito que tem gente que ainda transa sem camisinha !!!"
Logo se vê que ela realmente é virgem.
posted by Chico |
18:50 Comentários:
Domingo, Janeiro 26, 2003
Li na Veja pela Internet, a entrevista da senadora Heloísa Helena. Destaquei alguns trechos, que considero interessantes. Comento sobre eles abaixo das respostas.
Veja ¿ A senhora discutiu com o ministro José Dirceu por ocasião da aprovação da indicação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Continua rompida com ele?
Heloísa Helena ¿ Muitas pessoas disseram que ficaram magoadas quando ele se referiu a mim na TV como "essa moça". Então, sobre esse rapaz, que é muito qualificado, eu digo apenas que espero que ele consiga honrar a sua trajetória de vida. Agora, todo mundo no PT sabe: eu sou absolutamente fácil de ser convencida pelo argumento. Mas, no cabresto, na força, é a pior tática para tentar me convencer. E, quando a força vem sem o respaldo da estrutura partidária ou, pior, quando a instância partidária é chamada só para legitimar ação de governo, fica mais difícil ainda.
> Se alguém aí tinha dúvidas das táticas do sr. José Dirceu, não mais pode tê-las. Se FHC foi acusado de rolo compressor, nem imagino a que nome se dê ao estilo José Dirceu. E pior, ele não fica só no seu partido. Vide as interferências no PMDB. Se fosse o FHC, o mundo caía de pau. Mas hoje, se é do PT, então, pode. Acho relevante o que ela fala, porque não é coisa de analista político. É quem sofreu e sofrerá na própria pele. É a prova inconteste.<
Veja ¿ A senhora se considera intransigente, como a classificam colegas do próprio PT?
Heloísa Helena ¿ Não é uma questão de intransigência nem de idéia fixa. Idéia fixa a gente só respeita em quem tem problemas de saúde mental. A questão é outra. Olhe: participamos de um plebiscito contra o pagamento da dívida externa. Aprovamos uma resolução que condena veementemente o acordo com o FMI e suas conseqüências ¿ e isso no Encontro Nacional, que é a instância máxima da democracia partidária. Exigimos uma CPI para identificar os banqueiros que tiveram lucros de 1 000% por causa de informações privilegiadas. Agora, como podemos deixar que pessoas que participaram desse processo dentro da estrutura do Banco Central permaneçam na direção do Banco Central? Ou nós temos a obrigação de humildemente nos desculpar perante essas pessoas que acusamos, suas famílias e a sociedade, ou nós temos a obrigação de abrir procedimentos investigatórios dentro da estrutura do governo.
Veja ¿ A senhora se refere a Tereza Grossi (diretora de fiscalização do Banco Central na gestão Armínio Fraga, que chegou a ser afastada do cargo por suspeita de envolvimento no escândalo do Banco Marka)?
Heloísa Helena ¿ Tem justificativa preservar a doutora Tereza Grossi? A dualidade inocente é uma condição da vida. Agora, a farsa a gente não pode aceitar. Ou nós estávamos fazendo vigarice política, ludibriando as pessoas quando ocupávamos a tribuna do Congresso para dizer essas coisas, e também quando pedíamos votos durante a campanha, ou nós temos de nos explicar agora. Porque o que não pode é se apropriar dos movimentos sociais para conseguir voto e depois fazer o discurso conforme o ouvinte. Isso eu não aceito e não aceitarei jamais.
> Simplesmente brilhante: ou nós estávamos fazendo vigarice política ou nós temos que nos explicar. Exatamente. Nâo há o que se acrescentar. E não somente para esses casos. Agora, o que parece é que, sim, era vigarice política. E como sempre, aproveitaram-se dos bem intencionados como a senhora, para convencer. "Agora qui é nóis, podi."<
Veja ¿ É verdade que a senhora ameaçou o senador José Serra com uma espátula de abrir cartas?
Heloísa Helena ¿ Ele falou coisas de que eu não gostei e fui conversar com ele.
Veja ¿ Com uma espátula na mão, senadora?
Heloísa Helena ¿ Se tem uma coisa que eu não suporto é gente que fica com futrica, que vem falar da minha vida pessoal. Eu não falo de ninguém e não admito que falem de mim. Ainda mais quando se trata de mentiras abjetas.
> Como disse um grande amigo meu: esta mulher é digna de pena. Realmente, é uma coitada. Louve-se sempre seu apego à consciência e a seus ideias, por mais equivocados que o sejam. Mas não dá para achar que ela serve de exemplo para alguém. Em outros trechos da entrevista, ela confessa que se irrita porque os senadores ficam enchendo ela que ela estava sorrindo um dia desses. Se irrita porque comentaram que ela estava usando vestido no dia da posse. E depois, demonstra como resolve seus problemas pessoais, como nesse pequeno entrevero com o Serra. Realmente, é uma coitada.<
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13:52 Comentários:
Quinta-feira, Janeiro 23, 2003
Vez em quando me libero a escrever "poesias". Sei lá se o são. De qualquer forma, vejamos como ficam por aqui.
Política, não rima, mas cola.
Não se aprende, na escola da vida
Se faz, se imita, se amolda.
E você, aqui, quem diria, já era....
Retórica, e torna e torna...
Tua arma e a dele, tão baixo.
Não faz, não difere, não serve.
E sempre, prá sempre, só voz.
Dialetica, quem sabe, começo?
Propositadamente, sem força, com a mente.
É isto, se quero e preciso.
Assim, mais perto, me espero.
Verdade, mais nada, agora.
Tão fora, de moda, da roda.
Sem ela, quem dera, histérica.
Com ela, na certa, aurora...
¿CONVERSA COM DEUS¿
Sem rima ou prosa,
Na Tua face meu dizer me incomoda,
Me calo, sem solidão ou desespero,
Tua condição te permite que me vejas por inteiro.
E o meu tudo é muito pouco
Perto daquilo que querias.
Ainda assim, não há culpa ou perdão,
Nem alegria ou tristeza,
Só o eu, nu... diante do espelho.
"AMADURECER"
Sem sentido algum, como se droga fosse.
Falta o teu carinho, como se preciso fosse.
Quero um novo brinquedo, uma nova distração.
Acomodação como faz bem.
Não, não está como eu queria,
Mas também não dói como devia.
E amanhã é só outro dia, como se pouco fosse...
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23:08 Comentários:
"Um Homem que tem Valor, não tem preço..."
(não sei quem disse, mas foi meu pai quem me ensinou.)
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22:57 Comentários:
NovoMuseu, mas EaArte ?
Visitei neste domingo, o NovoMuseu em Curitiba. Mas antes de falar disto, gostaria de apresentar o meu pré-conceito sobre o mesmo. Com efeito, quando surgiu a notícia deste museu em Curitiba, critiquei até não mais poder o governo estadual. E por um motivo simples: o referido governo passou oito anos se queixando de falta de dinheiro. Tinha que vender a Copel para fazer caixa, senão nem salário conseguiria pagar. Por colegas, sei que a rede estadual de ensino teve que contratar um número expressivo de temporários para cobrir a falta de professores em sala de aula. E tais temporários só receberam o salário de três meses de trabalho, no final de dezembro, porque não existia dotação orçamentária... Ou seja, havia e há inúmeras prioridades a serem contempladas, muito antes do que satisfazer o ego pessoal do ex-governador. E realmente, era disto que se tratava. Acompanhei na mídia o recorde de tempo na reforma do imóvel e construção de anexos. Ao mesmo tempo, acompanhei também as inúmeras críticas ao projeto. Dentre elas, a de que o tal museu era pura "forma", sem conteúdo, pois não havia o que colocar lá dentro.
Enfim, minha concepção estava formada, antes mesmo de ver in loco, o que seria o tal Museu. Pois bem, aproveitando os finais de semana de janeiro em Curitiba, onde a imensa maioria dos jacús estão no litoral, fui visitar o tal Museu, aproveitando que a entrada é "grátis". De imediato, ao chegar ao local e me deparar com aquele "olho" projetado pelo Niemeyer, fui arrebatado. Como obra de arquitetura, é realmente digna de aplausos. Na parte interior, vê-se que a reforma foi bem feita, aproveitando quase que totalmente a estrutura original (o que provavelmente deve ter feito a obra custar menos do que se imagina) do prédio "atrás" do "olho". São nove espaços de exposição no primeiro "piso". No piso inferior, há mais áreas, inclusive uma externa. Por ele, entra-se em um pequeno túnel que chega aos elevadores que levam ao interior do "olho", que internamente, também é um deslumbre.
Bom, saí do NovoMuseu com outra percepção. Há conteúdo, sim. E não apenas forma. Você leva quase que duas horas para ver todas as obras expostas. Não há dúvidas que é um belo museu que já virou ponto turístico. Tomara que torne Curitiba ponto de parada para grandes exposições. Contudo, não há como negar que o momento escolhido para fazer-se esta obra, não foi adequado. Como já disse, há outras áreas com graves deficiências no Estado do Paraná que devem ser atendidas antes desta. Portanto, que se critique sempre, tal circunstância. Mas que não se jogue "a criança fora, junto com a água do banho". O Museu veio para ficar e tomara que fique mesmo.
Mas e as obras expostas ? O conteúdo, afinal, se há em quantidade, corresponde em qualidade ? Temo que não.
Primeiro, falemos do que presta. Nas duas primeiras áreas de exposição, há obras de pintores mexicanos. Ao contrário do que havia lido nos jornais, possuía um bom número de quadros. Valem a pena. Na terceira e quarta áreas, um panorama da arte paranaense, com quadros basicamente emprestados de museus já existentes em Curitiba. Mesmo assim, um bom apanhado de quadros e esculturas.
Agora, do "meio-termo". Na sexta área, é destinada a mostrar mapas e maquetes de Curitiba, de várias épocas. A maquete gigante de Curitiba, é muito bacana. Contudo, há algumas televisões pequenas que mostram vídeos constantes sobre Curitiba. Constantemente mostram uma entrevista do Lerner e outra do Taniguchi. Acho que não precisa dizer mais nada...
Vamos então, ao lixo. Na quinta área, há umas coisas bem esquisitas que dizem que é arte, o que evidentemente discordo. Na sétima área, mais esculturas e quadros variados. Na oitava, área de "aúdio e vídeo". Há várias saletas escuras, com telões, mostrando inúmeros vídeos, supostamente artísticos. Num deles, para você sentir o estilo, mostra uma barriga de mulher, brincando com um iô-iô em forma do globo terrestre. "Profundo", muito "produndo"... Em outra, há duas telas, uma em frente à outra. Na primeira, mostra-se um casal dançando. Na outra, uma família assistindo ao casal... E ainda, em outra sala, uma tela com fundo branco, com uma corda projetada na tela, cortando-a na horizontal, pegando fogo, como se fosse um pavio...
Na nona área, uma exposição sobre cadeiras e seus variados designs no tempo. Interessante o enfoque. Mas me pareceu que só estava ali para ocupar espaço. Após isto, você "desce" um andar, com mais exposições de design de móveis (de repente, achei que estivesse no Barigui, numa feira de móveis) e outra, com algumas fotos de obras do Niemeyer e três maquetes dele. Muito pouco. Saindo por um túnel ao estilo Stanley Kubrick (ou Guerra nas Estrelas mesmo), chega-se ao elevador que lhe leva ao "olho". Se por dentro, é igualmente magnífico, não se pode dizer o mesmo das obras expostas. Há camihõezinhos de criança, bandeiras do Estado do Pará e de suas cidades e diversas Tv's ligadas mostrando a mesma cena (igual em loja de departamento). E aí, se chega ao "supra-sumo" da mostra. Três mulheres totalmente nuas, ligadas por um "lençol" vermelho, fazendo poses. Descubro que elas estão imitando quadros de Rafael. Se naquele instante o mímico da XV entrasse ali, não acharia estranho. Acho que até perguntaria: - e o cara da estátua, não veio ? Agora, se sou Rafael, dou uma surra de vara nelas e na "artista" que inventou isto.
Já comentei sobre algumas obras, mas há muito mais. Por exemplo, em três locais diferentes do museu, você se depara com um rodo enconstado na parede, com um pano velho e amarrotado no chão, aparentando limpar ora um pote de geléia quebrado (que ali está), ora um pacote de café estourado (que ali está), ora um pó branco (que creio ser açúcar, mas não me assustaria se fosse outra coisa...). Se você quiser dar uma de descolado, diga que aquilo é muito "profundo". Eu digo que é uma merda mesmo. Em outro local, você se depara com um plástico grudado ao chão, aparentando conter ar dentro, o que faz com que fique com um aspecto de bolha. Me disseram que era uma obra de arte, mas para mim, parecia que a reforma ainda não tinha terminado. Em outro local, você tem uma exposição de filtros d'água. E por aí vai.
É claro que não posso afirmar de quem é a culpa. Mas não há muitas opções. Ou os curadores são terrivelmente ruins ou a coisa tá feia.
Agora, se você acha que é preciso explicar porque isto não é arte, então é porque provavelmente você deve achar que Arnaldo Antunes é um poeta, Caetano Veloso um gênio e que Gilberto Gil como Ministro da Cultura é exatamente do que precisávamos...
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22:39 Comentários:
"A miséria impediu-me de acreditar que tudo vai bem sob o sol e na história; o sol ensinou-me que a história não é tudo."
Albert Camus
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19:06 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 22, 2003
"Eu não me orgulho de ter sido bêbado e drogado. Eu não me orgulho de ter mordido a cabeça de bichos nojentos. Mas, ei, as coisas poderiam ter sido pior. Eu poderia ser o Sting."
Ozzy Osbourne
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11:19 Comentários:
Domingo, Janeiro 19, 2003
Editorial do site Primeira Leitura deste domingo, 19/01. Uma análise de dois pontos relevantes deste início de governo Lula, podem significar muito mais do que aparentam.
Zeitgeist e pança cheia
O zeitgeist ¿ o espírito do tempo ¿ que elegeu o PT, à diferença do que querem alguns, permanece mais forte e atuante do que nunca. O partido, com efeito, não apenas assume o lugar do Príncipe, como também é ainda tratado como o herói sem máculas, não importa o que faça. Até agora, a rigor, foi testado em questões, convenha-se, irrelevantes. Vamos torcer para que o país não seja colhido numa daquelas situações-limite em que o princípio tem de falar mais alto do que o relativismo moral, este em voga como nunca.
Dada a maneira como a mídia chapa-branca trata o seu Partido Príncipe, não fica difícil entender por que nações, muitas vezes, entram numa espiral de irracionalidade e verdades únicas que não admitem contestações. No cerne de tal loucura organizada, está esse relativismo moral de que aqui se fala, que consiste em atribuir a algumas pessoas, entidades e instituições licença especial a ninguém mais concedida para fazer triunfar a sua vontade, que se quer confundir com a vontade coletiva.
Tratemos abaixo de dois episódios e confrontemos a interpretação oferecida pelo zeitgeist chapa-branca petista com a interpretação de Primeira Leitura.
FATO UM
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, envia Marco Aurélio Garcia, seu embaixador particular, como observador da crise venezuelana. O emérito professor retorna daquele país, sataniza a oposição venezuelana, a quem classifica de ¿golpista¿, sem matizes ou distinções, defende que o Brasil amplie a ajuda ao presidente Hugo Chávez e flerta claramente com a possibilidade de enviar funcionários da Petrobras para operar a indústria petrolífera daquele país, que estava em greve. Indagado se não seria essa uma atitude típica do que o petismo consideraria no passado um comportamento fura-greve, responde que não. Afinal, raciocina o professor, os grevistas daquele país estão fazendo um movimento de caráter político, e não reivindicatório. A ajuda especial à Venezuela de Chávez acaba não sendo enviada, cria-se o tal grupo de países amigos da Venezuela, e o presidente Lula afirma que grupo de amigos não quer dizer apenas ação entre amigos.
A VERSÃO DO ZEITGEIST ¿ Segundo a mídia chapa-branca, o zeitgeist petista, estamos, obviamente, diante de um novo protagonismo na América Latina. O Brasil, finalmente, assume o seu papel e nada mais faz do que defender as instituições na Venezuela, de que Chávez é procurador-em-chefe. Lula estréia, assim, no cenário internacional, com uma ação corajosa e vitoriosa, e a prova maior é justamente a formação do tal grupo. O professor Marco Aurélio Garcia, ciente de que a estrutura do Itamaraty é algo emperrada, que certos rituais da diplomacia retardam as boas soluções, acabou apressando um desfecho favorável ao Brasil e à Venezuela com sua firme condenação ao golpismo. As críticas de que estaria se imiscuindo na situação interna daquele país ao tentar enviar funcionários de uma estatal brasileira para trabalhar em lugar dos grevistas são ridículas. A exemplo do que ocorreu no Chile de Salvador Allende, é evidente que a greve busca legitimar um golpe de Estado. Ao se posicionar com firmeza em favor das instituições, o Brasil abortou o movimento golpista, e Lula logra a sua primeira vitória no cenário internacional. E contra a posição dos EUA, é bom que se diga. Que começam a ver que há uma nova altivez em Brasília.
A INTERPRETAÇÃO DE PRIMEIRA LEITURA ¿ O governo brasileiro fez bem em mandar um emissário ao país de Chávez para acompanhar a crise. Deveria, no entanto, ter sido alguém dos quadros do Itamaraty, que tem experiência nas relações internacionais. O professor Marco Aurélio Garcia, possivelmente bom petista, é péssimo mediador. Não foi ao país oferecer uma solução, mas uma pregação ideológica. Suas declarações, ao voltar da Venezuela, não um monumento ao preconceito e ao rancor político. Há golpistas entre os oposicionistas venezuelanos, é certo, mas nem todos querem golpe. O professor transforma Chávez na vestal da democracia, o que ele não é. A crise na Venezuela é, em grande parte, obra de seu presidente. Ademais, Chávez, ele mesmo um golpista no passado, usou da maioria que obteve nas urnas para solapar as instituições democráticas. As declarações de Marco Aurélio sobre a greve deveriam entrar para a história universal da hipocrisia. Seriam apenas reivindicatórias as greves que Lula, o Metalúrgico, liderou no fim dos anos 70 e início dos anos 80? Que direito tem o professor, na condição de emissário de um governo, de julgar a história de outro país? Finalmente, a formação do grupo de amigos da Venezuela e a declaração de Lula de que o grupo não pode ser mera ação entre amigos indicam que o trapalhão Marco Aurélio sai de cena para ceder lugar aos profissionais do Itamaraty. O Brasil tentou bancar o endosso total a Chávez e teve de recuar.
FATO DOIS
O Planalto, que se negou a fazer um acordo com o PMDB para que o partido integrasse as bases do governo ¿ nunca ninguém soube qual foi exatamente o preço estabelecido pelo partido ¿, age claramente para impedir que os peemedebistas escolham livremente o seu candidato à Presidência do Senado. Deixados à própria conta, o provável é que o indicado fosse Renan Calheiros (PMDB-AL), o que não é do gosto do governo. O PT, que tem a maior bancada na Câmara, deve fazer a presidência da Casa. No Senado, quem goza de tal condição é justamente o PMDB. Embora o comando petista negue, pressões as mais variadas ¿ de cargos a ameaças veladas de execução de dívidas contra parlamentares ¿ estão em curso para esvaziar a candidatura de Renan e entronizar no cargo o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). O centro da operação está a cargo do chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O QUE DIZ O ZEITGEIST ¿ Como diria FHC, o governo, quando quer, ninguém segura. José Dirceu nada mais faz do que o que se espera de um bom chefe da Casa Civil, que é garantir no Legislativo um comando dócil às vontades do Executivo. Ademais, não custa destacar que o Planalto está a dar uma escanteada num grupo de políticos do PMDB impróprio para menores. Em última instância, é obvio que estão em confronto as alas ética e fisiológica do partido. O que o presidente Lula faz, consoante com sua biografia, é a opção pela ética. Afinal, não seria de esperar que o Executivo assistisse impassível à eleição de um presidente do Congresso que, se não lhe é hostil, também não lhe é exatamente subordinado. A pressão que o Planalto faz está rigorosamente dentro dos marcos institucionais aceitos na relação entre os Poderes. Ao dar um chega pra lá em Geddel Vieira Lima e sua turma, o PT está deixando claro que certos comportamentos na vida pública não são mais aceitos.
O QUE DIZ PRIMEIRA LEITURA ¿ José Dirceu está submetendo o PMDB ao mesmo tratamento a que submete a esquerda do PT: vara. Assim como impôs uma espécie de centralismo democrático ao seus, busca fazer o mesmo no partido alheio. Imaginem se FHC, a seu tempo, tivesse agido com essa desenvoltura para fazer a Presidência do Senado. O mundo viria abaixo na pena dos mesmos colunistas que agora fazem a apologia das ¿habilidades¿ do PT... Por muito menos, por não haver desestimulado a candidatura de Aécio Neves no passado, FHC foi acusado de tentar passar o rolo compressor sobre os adversários. Aliás, é bom que se diga: na origem do racha da antiga base governista (e quem sabe da eleição de Lula...), está justamente o fato de que o ex-presidente deixou a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado correr segundo o ritmo das duas Casas. Seguindo o comportamento de qualquer governo que quer ver triunfar a sua vontade, o PT negocia cargos e faz pressões de bastidores. No governo alheio, tal prática é chamada de fisiologismo; no do PT, é pura habilidade de José Dirceu, seu conduttore. Convenha-se: Lula poderia ter atribuído a tarefa de interferir na eleição da presidência do Senado a José Genoino, atual presidente do PT, com vasta experiência parlamentar. Não vê motivos para disfarçar a pressão. De resto, entende este site que, para o país, as diferenças entre Sarney e Renan são certamente irrelevantes. Se houver, elas são de exclusivo interesse do petismo. Já a desenvoltura com que o Executivo avança sobre o Legislativo é, sim, de interesse do país. E cheira mal!
E FINALMENTE... ¿ Sim, caros leitores, a posição de Primeira Leitura em momentos como esses é das mais difíceis. Trata-se de, em companhia de alguns poucos veículos e/ou jornalistas que não cederam ao charme impositivo do PT, navegar contra a maré influente.
Querem alguns, inclusive dentro do próprio governo, que este veículo está a fazer ¿oposição sistemática¿. Bem, também esse mecanismo é velho conhecido do pensamento autoritário: ¿Ou você concorda comigo ou é sabotador, conspirador ou ladrão¿. Ao longo de duas décadas, muitas foram as reputações colhidas nessa armadilha do petismo. Alguns jamais se levantaram do desastre a que suas vidas foram conduzidas. Outros resistiram.
Mas que não se acuse o PT de agir apenas num lado da balança. Também algumas biografias manchadas pela antiga militância do partido foram submetidas à lavanderia petista para brilhar como neoconvertidos ¿às vontades do povo¿. Que Delfim Netto não nos deixe mentir... O ex-Judas de Lula, o Metalúrgico, é o mais novo candidato a Paulo, o Apóstolo, do petismo. Aquele, ao menos, recebeu um raio de luz e caiu do cavalo. A Delfim bastou uma atuação de discreta hostilidade aos tucanos.
É bem possível que Primeira Leitura esteja junto com o governo quando se conhecer, por exemplo, a sua proposta de reforma da Previdência ou de reforma trabalhista. Em outras circunstâncias, a atuação do ministro Palocci ou do próprio Dirceu já mereceu a nossa aprovação. Assim, a máquina de desqualificar reputações que quer nos acusar de oposicionistas sistemáticos é ridícula. Tanto quanto não precisamos submeter o nosso passado à lavanderia ideológica instalada no Planalto.
A exemplo do que havia no governo anterior, quando Malan era o czar da economia, a imposição de uma única verdade nos incomoda tanto quanto o triunfo de muitas mentiras. E, é claro: o governo não tem de nos engolir. Aliás, é bom mesmo que não engula. Até porque está com a pança bem cheia
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11:34 Comentários:
Sábado, Janeiro 18, 2003
Num desses posts aí embaixo, me referi ao seriado C.S.I. da Sony. Coincidentemente, a revista Época desta semana (12/01), traz uma reportagem sobre o mesmo. Antes de mais nada, preciso explicar que só leio revistas semanais, como Época e Veja, ou no barbeiro ou na casa dos outros. Desta feita, li na casa dos meus pais, onde almocei sexta-feira. É apenas uma medida profilática, para manter minha sanidade mental aos domingos, já que essas drogas viciam assinantes e leitores contumazes.
Mas gostaria de falar sobre este seriado. Para quem não sabe do que se trata, o seriado é sobre perícia criminal, mostrando como funciona o trabalho dos peritos. Trata-se de uma equipe de 5 peritos "de campo", mais alguns policiais e o pessoal de "laboratório", como médicos legistas, geneticistas, peritos em balística, etc. e tal. Em cada episódio, há um ou dois crimes que são investigados. Para quem curte bons suspenses e filmes policiais, é um prato cheio. O programa, de uma hora de duração, vc passa integralmente analisando os indícios e provas colhidos pelos peritos. Como todo bom filme de policial, a todo instante vc tenta desvendar antes o caso. Raramente, como todo bom suspense, vc consegue êxito. E o seriado é pródigo em efeitos especiais ( não, não são explosões e perseguições absurdas de carro), mostrando, p. ex., os "caminhos" seguidos pela bala, dentro do corpo humano, os instrumentos dignos do McGiver, para se coletar traços de sangue nos locais de crime, dentre outros. O roteiro é bem construído, raros são os furos. O trabalho de atores é muito bom. Enfim, por pura diversão, o seriado já vale uma olhada.
Mas o melhor, e claro que na Época não se diz nada sobre isto, são as questões morais, éticas, por vezes políticas, filosóficas e religiosas suscitadas pelas situações vividas pelos peritos. Veja-se p. ex., um episódio da primeira temporada (está na terceira). Particularmente, este me chamou muito a atenção. Tanto que, dias após, ainda com as questões suscitadas pelo episódio na minha cabeça, escrevi algumas linhas sobre ele, para não esquecer a história. Por sorte, nesta Internet maravilhosa, se encontra de tudo, e no site do programa, há disponibilizado os "scripts" dos episódios.
Trata-se de um vôo, onde na primeira classe, há um passageiro que aparenta absoluto descontrole. Ele incomoda a todos, xinga a comissária de bordo (aeromoça, para os antigos), e por fim, num acesso, tenta abrir a porta de "saída". Este cara acaba sendo morto. Durante a investigação, cheias de becos sem saída, os peritos percebem as inúmeras contradições das testemunhas do fato. Descobrem que, na verdade, vários passageiros, ao tentar conter o cara, exageraram na dose, e simplemente assassinaram o mesmo. Descobrem também que o cara não era um imbecil, mas estava tendo uma crise nervosa, devido a problemas no cérebro, que não saberei explicar, mas no seriado está bem explicado. Na verdade, é algo como aquelas síndromes que volta e meia são noticiados de gente que tem que ser tirada do avião, por estar tendo chiliques. Pois bem, no final, não havendo provas suficientes, todos acabam sendo liberados. A cena final é muito bacana. Todos os passageiros, aparentando carregar uma culpa do tamanho do mundo, estão dentro daqueles mini-ônibus de aeroporto e se deslocando para continuar o vôo. Na grade lateral da pista, estão os peritos observando os mesmos. Inconformados, não encontram resposta para o ocorrido. Vejam o diálogo travado entre eles:
- Essas pessoas deveriam estar sendo presas, e não indo para algum hotel. - diz Sara.
- Não está mais nas nossas mãos, diz Warrick. O caso foi terminado pelo Delegado e os Federais.
- E vc está tranquilo com isto ? Nós processamos os indícios por mais de 12 horas, expomos todo o caso e agora esses passageiros vão se entupir de Martinis e coquetéis de camarão ! Onde está a Justiça ? - diz Nick.
- Vc acha que isto se trata sobre Justiça ? - pergunta Warrick.
- Claro, do que mais seria ? responde Nick
- É sobre a natureza humana. Como as pessoas reagem quando suas vidas estão ameaçadas. - intervém Grissom
- Eu sei que vc não está perdoando-os pelo que fizeram. - diz Sara.
- Eu não estou descontando isto. Quero dizer, pensem à respeito. Há algum lugar mais vulnerável do que estar a 30000 pés dentro de uma lata ? - pergunta Warrick
- Sentir-se vulnerável não é desculpa. E onde eles estavam é irrelevante. Eles tiraram uma vida. - responde Sara.
- Porque suas vidas estavam ameaçadas... - diz Warrick.
- As vidas deles estavam ameaçadas quando Candlewell estava na Saída de Emergência, tentando abrí-la. Mas a distância que separa a saída do corredor é que faz a diferença entre legítima defesa e homicídio. - diz, Nick.
(Adendo: Candlewell é o passageiro morto. Segundo os passageiros, como ele estava tentando abrir a porta de emergência do avião, tiveram que contê-lo. Mas os peritos descobriram que ele não foi espancado ali, mas arrastado até o corredor, onde foi surrado até a morte)
- Natureza humana de novo ! Quero dizer: a adrenalina não vem com "botão" de desligar. - diz Warrick.
- Eu não me interesso pelo que vc diz. Eu nunca conseguiria matar alguém. - responde Sara.
- Se fosse entre eu e ele, eu conseguiria.- diz Warrick. E vc, Nick ?
(pensa um pouco) - Eu não sei. - responde Nick.
- Bom, está ficando perigosamente sério por aqui. - intervém Catherine.
- É, bom, nós estamos apenas falando sobre um homicídio. Se poderíamos cometê-lo. Eu não. Warrick sim. Nick está em cima do muro. Nós estamos terminando de "apurar os votos". - responde Sara.
- Catherine, vc é mãe. Vc e Lindsey (a filha) estão neste avião. Quão "longe" vc iria ? - pergunta Nick.
- Até o fim. - responde Catherine.
- Vc nem hesitou ! - indigna-se Sara.
- É verdade. Quando envolve a proteção da minha filha, eu luto até a morte. - responde Catherine.
- Viu, nós temos quatro pessoas aqui, todas com diferentes opiniões. Pense agora como aqueles passageiros devem ter se sentido. - diz Warrick
- O que vc pensa, Grissom ? - pergunta Sara.
- Eu não posso responder esta pergunta. - responde Grissom.
- Bom, isto é pular fora. É uma simples questão. O que vc teria feito se vc fosse um daqueles passageiros ? - pergunta Catherine.
- Não é sobre isto, responde Grissom. Vc's todos tem diferentes opiniões, mas vc's estão tomando o mesmo ponto de vista. Vc's se colocam no lugar dos passageiros. Mas ninguém se coloca no lugar da vítima. Esta é a questão.
- Desculpe-me, mas do que vc está falando ? - pergunta Sara.
- Ninguém parou para perguntar a Candlewell se ele estava bem. Eles simplesmente presumiram que ele estava chutando o assento de Nate, porque ele era um idiota. Porque ele ficava apertando o botão da comissária a toda hora, era porque ele estava simplesmente enchendo a mesma. Porque ele estava tentando usar o banheiro toda hora, porque ele ficava andando para lá e para cá, era porque ele estava "fazendo cena" e ameaçando a todos. - responde Grissom.
- Ele era uma ameaça. - diz Catherine.
- Não, ele se transformou em uma ameaça. Não precisava ter assim se tornado. As pessoas fazem suposições. Vc acabou de fazer isto. E eu penso que aqueles passageiros fizeram a suposição errada. E agora esse cara está morto. - insiste Grissom.
- Se essa é sua posição, como poderia ter sido evitado ? - pergunta Warrick.
- Se apenas uma pessoa tivesse parado para olhar este cara, para ouvi-lo, para tentar entender o que ele tinha de errado, talvez isto não tivesse acontecido. Precisou-se de cinco pessoas para matá-lo, mas somente uma poderia ter salvo sua vida. - finaliza Grissom.
Não tenho a intenção aqui, de analisar o episódio e as posições acima expostas. Quero apenas salientar a interessante discussão levantada. A história, o episódio em si, pode muito bem ser "aproveitado" sem se parar para "pensar" nessas questões. Mas é evidente que o que torna o seriado excelente, são essas questões. Aquilo que te incomoda, que mexe com vc, que te questiona. Em outro episódio, desta atual temporada, tem um caso de um ator famoso que mata uma prostituta. Como ele tem bons advogados, ele contrata um perito aposentado, mestre e professor daqueles do seriado, para acompanhar a investigação e possibilitar a contradita no tribunal. Durante o seriado, um a um dos peritos vão depor e vêem-se questionados e sem legitimidade, pois o perito aposentado desencava questões pessoais dos mesmos, ou mesmo defeitos menores durante a investigação, tentando fazer crer que esta estava comprometida. No fim, o chefe Grissom, não cai nas armadilhas do velho mestre e prova que, mesmo com todos os defeitos do mundo dos seus peritos e da investigação, não havia dúvidas que aquele ator matara a prostituta. Inúmeras questões éticas surgem nesta história, como p. ex., se é ético um perito aposentado passar para o "outro" lado. Se é lícito ao mesmo questionar miudezas da investigação, que não a comprometem, mas assim tenta fazer parecer. Se é lícito que questões pessoais sejam levantadas quando não dizem respeito ao caso. Por outro lado, se os peritos não deveriam atentar para os defeitos apontados, etc. e tal... Enfim, uma gama enorme de questões relevantes são levantadas, sem muito esforço, de modo inteligente e bem humorado. E assim se dá em praticamente todos os episódios.
E convenhamos, hoje em dia é muito difícil encontrar um mínimo e inteligência na TV. Principalmente em se tratando de novelas e seriados.
Por esta razão, sugiro mesmo esta série a quem queira assistir. Ela passa no canal Sony, disponível pela Net e pela TVA, às quartas, 22:00 horas. Reprisa no domingo, salvo engano, às 23:00 horas. Há também um "irmão" gêmeo deste seriado, com o mesmo nome C.S.I. Miami, feito pelos mesmo produtores, com o mesmo estilo, mas com atores diferentes. Há as mesmas questões, mas a qualidade dos atores é inferior ao original. Acho que leva um tempo até que ele possa ter cara própria. Mas vale dar uma olhada também. Este passa às sextas, 23:00 horas e reprisa no domingo tbém, às 22:00 horas.
posted by Chico |
20:37 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 15, 2003
Não sei não, mas me parece que tem Ministro aí, mais perdido que filho da puta no dia dos pais...
posted by Chico |
16:46 Comentários:
Essa eu li num blog aí chamado "Mau Humor". FIz uma junção e deu nisto:
- Sabe o que o Pete Townshend disse no seu interrogatório à polícia ?
- I Can´t Explain....but The kids Are Allriiiiiiight...
posted by Chico |
16:28 Comentários:
Terça-feira, Janeiro 14, 2003
Dia desses, tomando umas e outras num boteco qualquer, me entreti discutindo assuntos políticos com alguns amigos. Certa feita da conversa/discussão, me vi surpreso, sozinho, a defender a existência da "verdade". Em apertada e por certo injusta síntese, a maioria (todos que se manifestaram à respeito) discordaram de minha posição. Claro que as posições não foram bem elaboradas, mas pode-se resumir na minha postura (acredito em uma verdade), e as demais, que por mais diversas, encontravam ponto de apoio no sentido de que há verdades pessoais, e que não pode ser "imposta" uma verdade. Em suma, num certo relativismo. Como exemplo, falávamos sobre o Amor. Argumentaram que o Amor era algo para nós, diferente do que era para o índio, p. ex. Respondi que o Amor pode ser chamado de várias formas e entendido de várias formas, mas a comunicação humana seria impossível se todas essas formas não reconhecessem que "falam da mesma coisa". Na minha opinião, esta mesma coisa é a verdade dela mesma. E pode ser encontrada. Mas enfim, são assuntos filosóficos que muito pouco posso acrescentar. Por esta razão, navegando por aí, deparei-me com este texto escrito pelo filósofo Frithjof Schuon. Quem quiser saber mais sobre ele, vale dar uma olhada no site http://www.netdata.com.br/schuon/
Nenhuma Inciativa sem a Verdade
Frithjof Schuon
No começo deste século, praticamente ninguém sabia que o mundo está doente ¿ autores como René Guénon e Ananda Coomaraswamy estava pregando no deserto ¿, ao passo que hoje em dia quase todos o sabem. Mas estamos longe de todos conhecerem as raízes do mal e serem capazes de discernir os remédios. Em nossos dias, ouvimos freqüentemente que, para lutar contra o materialismo, a tecnocracia e a pseudo-espiritualidade, o que é necessário é uma nova ideologia, capaz de resistir a todas as seduções e a todas as investidas e de galvanizar os de boa-vontade. Ora, a necessidade de uma ideologia, ou o desejo de opor uma ideologia a outra, já é uma admissão de fraqueza, e todas as iniciativas que derivem deste ponto de vista errôneo são falsas e estão fadadas ao fracasso. O que é preciso fazer é rebater ideologias falsas com a verdade que sempre existiu e que nós não poderíamos nunca inventar, dado que ela existe fora de nós e acima de nós. O mundo atual é obcecado pelas tendências para o dinamismo, como se ele fosse um "imperativo categórico" e uma panacéia, e como se o dinamismo pudesse ter um sentido e uma eficácia independentemente da verdade pura e simples.
Nenhum homem de sã consciência poderia ter a intenção de substituir um erro por outro, seja "dinâmico" ou não; antes de falar de poder e eficácia, seria preciso falar da verdade e de nada mais. Uma verdade é eficaz na medida em que a assimilamos; se ela não nos dá a força de que necessitamos, isto prova apenas que nós não a apreendemos. Não é a verdade que tem de ser "dinâmica", somos nós que temos de ser dinâmicos graças à verdade. O que falta no mundo de hoje é um conhecimento penetrante e globalizante da natureza das coisas; as verdades fundamentais estão sempre acessíveis, mas não poderiam ser impostas àqueles que se recusam a levá-las em consideração.
Desnecessário dizer que o que está em questão aqui não são os dados totalmente exteriores que a ciência experimental pode nos fornecer, mas as realidades com as quais essa ciência não pode lidar, e que nos são transmitidas por canais muito diferentes, especialmente os do simbolismo mitológico e metafísico, para não falar da intuição intelectual, da qual todo homem tem, principialmente, a possibilidade. A linguagem simbólica das grandes religiões da humanidade pode parecer difícil e desconcertante para certas mentes, mas ela é, não obstante, inteligível à luz dos comentários ortodoxos; o simbolismo ¿ há que enfatizar isto ¿ é uma ciência real e rigorosa, e nada é mais aberrante do que acreditar que sua aparente ingenuidade advém de uma mentalidade simplística e "pré-lógica". Esta ciência, que podemos chamar de "sagrada", não pode ser adaptada ao método experimental dos modernos; o domínio da revelação, do simbolismo, da pura intelecção, obviamente transcende os planos físico e psíquico e assim está situado além do domínio dos métodos ditos científicos. Se acreditamos que não podemos aceitar a linguagem do simbolismo tradicional porque ela nos parece fantástica e arbitrária, isto apenas mostra que ainda não entendemos essa linguagem e não, certamente, que tenhamos superado seu nível.
É muito conveniente afirmar, como se faz de maneira tão capciosa em nossos dias, que as religiões ficaram comprometidas ao longo dos séculos e que seu papel agora terminou. Quando se sabe em que uma religião realmente consiste, sabe-se também que as religiões não têm como se comprometer e que são independentes de abusos humanos. De fato, nada que o homem faça tem o poder de afetar as doutrinas tradicionais, os símbolos e os ritos, na medida, é claro, em que as ações humanas permaneçam em seu próprio nível e não ataquem as coisas sagradas. O fato de que uma pessoa possa explorar a religião a fim de apoiar interesses nacionais ou particulares de nenhuma maneira afeta a religião como mensagem e patrimônio.
A tradição fala a cada homem a linguagem que ele pode entender, contanto que ele esteja disposto a ouvir; esta reserva é essencial, pois a tradição, repetimos, não pode ir à falência; é antes da falência do homem que se deveria falar, pois foi ele que perdeu a intuição do sobrenatural e o senso do sagrado. O homem se permitiu ser seduzido pelas descobertas e invenções de uma ciência ilegitimamente totalitária; isto é, uma ciência que não reconhece seus próprios limites e que por este motivo não tem consciência do que reside além deles. Fascinado pelos fenômenos científicos, bem como pelas conclusões errôneas que tira deles, o homem terminou por ser submergido por suas próprias criações; ele não está pronto para compreender que uma mensagem tradicional está situada num nível totalmente diferente, nem quão mais real é esse nível. Os homens se permitiram ficar deslumbrados tanto mais facilmente quanto o cientismo lhes dá todas as desculpas que eles querem para justificar seu apego ao mundo das aparências e assim, também, sua fuga diante da presença do Absoluto em qualquer forma.
O humanismo espinozista, deísta e kantiano pretendeu realizar um homem perfeito independentemente das verdades que dão ao fenômeno humano toda a sua significação. Como era obviamente necessário substituir um Deus por outro, esse falso idealismo deu lugar ao abuso de inteligência característico do século XIX, especialmente ao cientismo e, com ele, ao industrialismo; este último, por sua vez, realizou uma nova ideologia, tanto achatada quanto explosiva, o humanismo paradoxalmente desumano que é o marxismo. A contradição interna do marxismo é que ele quer construir uma humanidade perfeita destruindo o homem; o que significa que os militantes ateístas, mais apaixonados do que realistas, querem fazer vista grossa para o fato de que a religião é, por assim dizer, uma questão ecológica. Aceitando que a religião compreende um elemento de "ópio" ¿ não apenas "para o povo" ¿, este elemento é "ecologicamente" indispensável para o psiquismo humano; de qualquer modo, sua ausência gera abusos incomparavelmente piores que sua presença, pois é melhor ter bons sonhos do que ter pesadelos. Seja como for, só a religião, ou a espiritualidade, oferece aquele significado e aquela felicidade integrais ancorados na natureza deiforme do homem, sem os quais a vida nem é inteligível nem vale a pena ser vivida.
Um argumento fácil contra as religiões é o seguinte: as religiões e as denominações se contradizem umas às outras, portanto não podem estar todas certas; conseqüentemente, nenhuma delas é verdadeira. É como se alguém dissesse: toda pessoa afirma ser "eu", portanto não podem estar todas certas; conseqüentemente, nenhuma delas é "eu"; o que equivale a dizer que há apenas um homem para ver a montanha e que a montanha tem apenas um lado para ser visto. Somente a metafísica tradicional faz justiça ao rigor da objetividade e aos direitos da subjetividade; apenas ela é capaz de explicar a unanimidade das doutrinas sagradas e ao mesmo tempo suas diferenças formais.
"Quando o homem inferior houve falar do Tao, ele ri; não seria o Tao se ele não risse... A auto-evidência do Tao é tomada por escuridão." Estas palavras de Lao-Tse são mais atuais do que nunca; sem dúvida, erros e estupidez não podem deixar de existir enquanto sua possibilidade relativa não foi exaurida; mas certamente não serão eles que terão a palavra final.
Um ponto que gostaríamos de enfatizar é o seguinte: as pessoas falam prontamente do dever de ser útil à sociedade, mas esquecem-se de perguntar se essa sociedade é útil, isto é, se ela realiza a razão de ser do homem e, portanto, de uma comunidade humana; é claro que se o indivíduo deve ser útil à coletividade, esta deve por sua vez ser útil ao indivíduo. A qualidade humana implica que a coletividade não poderia ser o objetivo e a razão de ser do indivíduo, mas, ao contrário, que é o indivíduo ¿ em sua posição solitária diante do Absoluto e, portanto, pela prática de sua função mais elevada ¿ o objetivo e a razão de ser da coletividade. O homem, seja concebido no plural ou no singular, é como um "fragmento de absolutez" e é feito para o Absoluto; ele não tem outra escolha. O social pode ser definido em termos da verdade, mas a verdade não pode ser definida em termos do social.
Estas considerações nos levam à inutilmente controversa questão do "altruísmo": há "idealistas", na India como no Ocidente -- o que pode ser visto no sentimentalismo de um Vivekananda -- que prontamente criticam "aqueles que procuram sua própria salvação" em vez de se preocuparem com a salvação dos outros; uma alternativa absurda, pois das duas uma: ou é possível salvar os outros ou é impossível fazê-lo; se é possível, isto implica que nós primeiro procuramos nossa salvação pessoal, caso contrário salvar os outros é impossível, precisamente; de qualquer modo, não é favor a ninguém ficar apegado aos próprios erros. Aquele que é capaz de se tornar um santo mas negligencia tal possibilidade não pode salvar ninguém; é pura e simples hipocrisia esconder as próprias fraquezas e indiferença por trás de uma capa de boas ações. E outro erro, relacionado ao que acabamos de mencionar, consiste em acreditar que a espiritualidade contemplativa é oposta à ação ou torna o homem incapaz de agir; uma opinião desmentida por todas as Escrituras, particularmente pelo Bhagavad Gita.
Nenhuma iniciativa sem a verdade: este é o primeiro princípio da ação, sem, contudo, ser uma garantia de sucesso. Ainda assim, o homem deve cumprir seu dever sem se perguntar se será vitorioso ou não, pois a fidelidade a princípios tem o seu próprio valor intrínseco, ela traz seu fruto em si mesma e significa ipso facto uma vitória na alma do agente. Estamos na "idade de ferro", e a vitória exterior pode se dar apenas por meio de uma intervenção divina; não obstante isso, uma atividade lógica e espiritualmente correta pode ter efeitos incalculáveis, e de qualquer modo efeitos parciais, não só fora como dentro de nós.
posted by Chico |
17:09 Comentários:
Sexta-feira, Janeiro 10, 2003
- (abre o jornal no café da esquina e começa a ler) Hum, quer dizer que o Brasil está intervindo na Venezuela, é ?!
- Não, não é intervenção não. - diz o amigo. É uma ajuda a um governo constitucional. Estão tentando dar um golpe de Estado lá. É diferente.
- Mas, ué. Os opositores não estão querendo apenas eleições antecipadas ?
- Isto é conversa pro mundo engolir. Na verdade, nem tem muita gente contra o Chavez, mas a mídia de lá perdeu muitos privilégios. Sabe como é, quando vc compra briga com esses tubarões, e vence legalmente, eles sempre dão um jeito de dar um golpe. Lembra de 64?
- Sei, sei. Mas pelas fotos aqui, não me parece pouca gente...
- (cortando) Montagem. Devem ter pego das passeatas pró-Chavez de anos atrás. (bebe um gole de cappucino feito com leite e chocolate importados)
- Mas os cartazes dizem "Fora Chavez". Sabe, tipo aqueles do "Fora FHC".
- Péra lá. O "Fora FHC" era um grito legítimo dos excluídos por este modelo sangue-suga que só traz a miséria.
- Ah, o do Chavez não traz ?
- Que qué isto ? Vc tá por fora, hein ? O Chavez é um herói bolivariano. (outro gole do capuccino feito com importados)
- Ah, então a Venezuela vai muito bem?
- Não consegue, né ? Com este embargo americano... (pede um brownie para acompanhar)
- Mas o embargo não é em Cuba?
- Como vc é inocente, gente...
- Então me explica, pô.
- É o seguinte: o governo venezuelano é constitucional e está sofrendo fortes pressões das elites do país para que renuncie. É golpe, puro e simples. O Brasil não está intervindo, primeiro porque está ajudando um governo constitucional e democraticamente eleito. É uma ajuda simples, que nem ajuda tanto assim. Portanto, não é intervenção.
- Mas e o embargo ?
- Que embargo ? Vc está confundindo as coisas. Isto aí é em Cuba. (toma um gole rápido)
- Sei, sei. Mas me diz uma coisa: na Colômbia, o governo também é constitucional e democraticamente eleito ?
- Parece que sim.
- Sei, sei. E por que dizem que a ajuda que os EUA dão para esse governo constitucional da Colômbia é intervenção ?
- (toma um gole bem demorado) Mas aí os americanos estão invadindo com o exército e tudo o mais. É praticamente uma invasão. Aí não dá.
- Mas na Colômbia não tem um pessoal que é narcotraficante e vive querendo dar golpe, forçando isto através de sequestros de civis e com atos terroristas ?
- (ficando bem irritado) Vc tá de má fé!!! Os narcotraficantes são inimigos das FARC. Na verdade, a milícia de direita é que financia os traficantes para barrar o avanço das FARC.
- Mas e aquela história que saiu no jornal há poucos dias, de que tem gente das FARC nos morros cariocas, dando aulas para traficantes, para poderem tirar o Fernandinho Beira-Mar da prisão ?
- (se engasga com o brownie) Não sei do que vc está falando.
- Mas as FARC fazem atos terroristas e sequestram pessoas ou não ?
- Aí vc está com essa retórica americana na cabeça, de que os atos contra eles devem ser chamados terroristas. Ali, não. Ali, eles lutam por ideais. As FARC são uma resistência contra tudo isto que está aí. Infelizmente, há baixas nesta caminhada, mas totalmente explicáveis. (come vorazmente o brownie)
- Bom, então deixa ver se eu entendi. Na Venezuela e na Colômbia, os governos são constitucionais e democraticamente eleitos, certo ?
- Tá...certo. Digamos que na Colômbia também seja assim.
- Ambos sofrem dura oposição. Na venezuela, das tais elites que vc falou... Ah, me veio uma pergunta agora. Quais são os atos de violência que esse pessoal da Venezuela está fazendo mesmo ?
- Por enquanto estão só com greve e passeata. Mas isto é o que a imprensa mostra, né ? (termina o café e começa a se mexer para ir embora)
- Bom, então tá. Na Venezuela, em tese, não tem violência, como na Colômbia.
- Mas é diferente o tipo de violência...(vai levantando)
- Vc acha que sequestro é menos violento do que uma greve ?
- (pedindo a conta) Não é isto que eu falei... (não olha mais para o outro)
- Então, qual é a diferença ?
- Na Colômbia os opositores estão do lado certo, pôrra. (com a face bem vermelha e olhando fixamente para a conta)
- Tá bom, não precisa se irritar. Não tá mais aqui quem falou...
- Ótimo. Entendeu agora ? (visivelmente aliviado)
- Mais ou menos.
- Por que mais ou menos ? (ambos saindo do local)
- E se os EUA ajudarem os opositores venezuelanos ?
- Aí, não!!! Aí é intervenção!!!
- Sei, sei...
- Que é, não vai discordar de novo ? Não vai perguntar qual é a diferença ?
- Não, não. Deu prá entender bem agora.
- Finalmente, hein ?
- É, agora me lembrei bem de 64.
- Claro! Acho que vc entendeu mesmo.
- É, tava me lembrando daquele menino que morreu numa passeata contra o regime...
- Lembro bem. Terrível, terrível. Uma violência. Nada justifica.
- E lembra que diziam que a ditadura era constitucional ?
- É, foram uns hipócritas e cínicos mesmo.
- E os EUA ajudaram eles, né ?
- Intervenção, intervenção, é o que eu digo...
- Pois é. Hipócritas e cínicos... Quanta diferença...
posted by Chico |
21:00 Comentários:
Quarta-feira, Janeiro 08, 2003
Não acredito que consegui possibilitar comentários aqui. Segui à risca o "ajuda" e deu certo. Se bem que gostaria que este comments ficasse abaixo do meu post. Mas já tá valendo. Quem sabe um dia eu consiga colocar links também ? Por enquanto, vou comemorar esta pequena vitória internética, tomando uma cerveja e assistindo ao seriado C.S.I., na Sony. Até outra hora.
posted by Chico |
22:07 Comentários:
Hoje eu estava muito bem disposto a escrever alguma coisa por aqui. Mas depois de assistir, numa das chamadas do Jornal Nacional, que o fato do Lula ter montado na garupa da bicicleta de um sujeito que veio do Acre para a "posse", virou manchete, meu bom humor foi pro espaço...
posted by Chico |
22:03 Comentários:
Terça-feira, Janeiro 07, 2003
É... entrei nesta também.
Sempre "namorei" essas home pages pessoais, etc. e tal. A vontade sempre foi grande. O tempo sempre foi curto. E a preguiça sempre venceu.
Mas um belo dia, inspirado por um grande amigo, quase que por acaso, e por isto mesmo, resolvi tentar.
Primeiro problema: um título. Primeira idéia: já cadastrada. Outras idéias: igualmente cadastradas. Me enchi. Desisti. Depois de três dias, resolvi tentar de novo. De novo, nada. Apelei. Peguei o primeiro cd que vi em minha prateleira. Era uma coletânea do Frank Sinatra. Dando uma passeada pelos nomes das canções, de cara gostei desta: Something Stupid. Realmente, caía como uma luva. Não só porque assim me sentia, mas porque a letra "tinha a ver". Explico. Coloquei a canção para tocar. Relembrei a letra. Estava com a razão. Ela se "aplicava". Conta ela a história de um cara que tenta conquistar uma garota. E ele sempre fica esperando pelo melhor momento, o melhor clima, a melhor roupa e perfume, etc.. Porém, por mais perfeito que tudo esteja, ele sabe que estragará tudo dizendo coisas estúpidas, como "Eu te amo".
É como me sinto ao escrever e ter coragem de "publicar". Uma hora (e ela sempre existe), eu direi coisas "estúpidas". Caso você não tenha entendido o que eu quis dizer, me reservo o direito de explicar o que entendo por "coisas estúpidas" em outro "post". Adianto apenas que é evidente que "eu te amo" não é estúpido. Mas nos dias de hoje, não sei não...
Segundo problema: escrever o quê ? Diário pessoal ? Tô fora, mil vezes fora. Emitir idéias, opiniões, críticas sobre tudo e todos ? Quem sabe ? Pode ser. Ainda não sei. Só sei que este pequeno interstício em minha preguiça congênita e na minha severa noção de ridículo está acabando.
Melhor postar logo...
posted by Chico |
21:08 Comentários:
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