Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Feliz Ano Novo
Meu Natal foi uma beleza. Com um atrativo à mais. Dia 25 estreou o último "Senhor dos Anéis". Enfim estreei meu taco de beisebol que ganhei há 10 anos atrás. Peguei dois vestidos de Gandalf e uma família inteira, cujo pai era Aragorn; a mãe, a fada que não sei o nome e os filhos, estavam de hobbits. Foi muito agradável.
Oh, assistirei sim. Mas só depois que essa escumalha terminar de assistir suas cinco vezes seguidas. Ali pelo fim de fevereiro ainda pego em cartaz, tenho certeza.
Vou me encharcar do cheiro do mar e volto lá pelo dia 05 de janeiro. Enquanto isto, fique à vontade. Tem cerveja na geladeira. Se quiser chá, por favor se retire. A porta da rua é a serventia da casa.
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
O Natal sempre foi muito esquisito. Uma tensão no ar, uma correria sabe-se lá para que, uma boa vontade repentina, uma falta de paciência constante, angústia generalizada, stress e muito barulho. Onde você vai é só barulho. E então as pessoas acham que "o ano está acabando muito depressa".
Tenho poucas certezas. Natal em família é uma delas. O Natal ser muito melhor do que o Ano Novo, outra. E eu sempre gostei. Poupe-me da "constatação" que é uma festa para o "frio" e não tem sentido num país tropical. Você é que não tem sentido algum. Suma daqui.
Igualmente o "consumismo" do momento em nada me incomoda. Consumo o ano inteiro. Fico querendo aquele livro, aquele cd, aquele DVD e aquele terno o ano inteiro. Ainda bem que tem uma data a mais no ano, além do aniversário, onde posso ganhar tudo e mais um pouco. Me incomoda sim, o griteiro e a correria, mas até um débil mental sabe que isto "faiz parti".
Blá, blá, blá... não lhe dou ouvidos mesmo. Já disse para sumir daqui e leve sua catilinária anti-capitalista com você. Ah, você vai se eu lhe der só um bom motivo para a troca de presentes nesta época do ano ? Lhe dou três. E são Reis Magos.
As boas ações já me irritaram antes. Hoje, não. Que existam ao menos uma vez no ano. Que seja hipócrita, que seja ridícula. Que a Cida, diarista aqui de casa, possa ter ao menos um jantar no ano, com mesa farta e roupa "nova". Isto me convenceu.
Experimente olhar a noite do dia 24, quase 25. Repare como as coisas vão se acalmando, como o silêncio já não angustia. Como tudo começa a fazer sentido. Talvez você não saiba colocar em palavras este sentido, mas você sabe que ele está presente. Depois da ceia, da troca de presentes, da constatação que você exagerou em tudo, na comida, na bebida, na roupa, nos presentes, nos pacotes, nas piadas, repare no alívio. É, no alívio.
Não é fácil, óbvio, esperar o nascimento de um Deus. Vai saber o que é isso ? Eu tenho certeza que você não sabe. Não adianta forçar, você não sabe. É, você mesmo. Eu sei que ficou quieto, mas continua por aqui. Pouquíssima gente sabe.
Fique com suas "verdades". Você arranca a barba do Papai Noel e acredita piamente que "provou" que ele não "existe". Não tem muita diferença do pessoal que decidiu crucificar Jesus. Eles só foram mais cruéis. Embora seu priminho de quatro anos não veja muita diferença entre você e eles.
Eu não sei o que significa o nascimento de um Deus. Mas desconfio. E fico esperando o alívio.
Feliz Natal para você também.
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18:19 Comentários:
O Assombro das Noites
Em 2001, quando li esta mensagem de Natal (para ler, basta rolar a barrinha lateral até o final. Ela está lá, em negrito e centralizada.), por um impulso que certamente nunca mais se repetirá, enviei a mesma para um monte de gente. Ingênuo, eu sei. Me poupo de comentar as "consequências".
Sempre que chega o Natal, como aconteceu em 2002, eu a leio. A vontade de dividir com amigos, principalmente, ainda permanece. Mas já não me iludo. Neste ano de 2003, era o único post certo. Não será.
Deixo o link para sua leitura, mas não me acho digno de aqui expô-la. Simplesmente porque não tenho como defendê-la, se preciso fosse. Me falta quase tudo. Prefiro então, porque mais condizente comigo, publicar esta pequena crônica do cansado Carlos Heitor Cony, que dia desses saiu na Folha de São Paulo. Despercebida, é claro.
"O Assombro Das Noites
Nunca esqueci a noite em que, acordando de um pesadelo, vi luz acesa na sala e fui ver quem estava lá. Ajoelhada diante da mesa, cabeça baixa, terço nas mãos, tia Zizinha rezava, madrugada alta, tudo em silêncio, ela magrinha, parecia um passarinho molhado, sentindo frio.
Era devota, a minha tia, não deveria ficar impressionado, mesmo assim fiquei. Sabia que ela rezava por todos nós, por mim, pelo meu avô que estava doente, pelo mundo inteiro. Evitei que ela me visse e voltei para a cama, perdera o medo do pesadelo, sabia que os fantasmas não mais me assustariam.
Anos depois, muitos anos depois, viajava com o Otto Maria Carpeaux, fazíamos palestras agendadas por diretórios de estudantes, centros de estudos, era um mambembe não-remunerado e estranhíssimo, pois Carpeaux era gago, eu falava mal e pronunciava as palavras de forma errada, mesmo assim, havia gente que deseja ouvir-nos.
Em Florianópolis, num hotel modesto, acordei no meio da noite e olhei para a cama ao lado. Estava vazia. Carpeaux sofria de insônia, imaginei que ele, sem fazer barulho, na ponta dos pés, tivesse saído do quarto, tomando cuidado para não me acordar.
Não acendi a luz, mas saí da cama, fui à saleta anexa ao quarto, que também estava escura. Voltado contra a parede, numa direção que eu não podia determinar (Roma? Meca? Jerusalém?) Carpeaux estava de joelhos, cabeça baixa, os braços estendidos, como um anacoreta medieval, perdido num deserto sem estrelas.
Carpeaux era judeu vienense, convertera-se ao catolicismo, segundo alguns, para conseguir um visto no Vaticano que o tirasse da Gestapo, que o procurava. Eu sabia tudo sobre Carpeaux, menos o seu passado europeu, sobre o qual ele nunca falava. Não frequentava igrejas, evitava qualquer discussão sobre temas religiosos.
Tia Zizinha... Carpeaux... Uma noite dessas, tomo coragem e fico de joelhos diante de meus espantos."
Tenho meus espantos, é verdade. Mas meu problema já não é mais coragem. Porque não é de outra forma que leio aquela mensagem de Natal, senão de joelhos.
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18:17 Comentários:
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Fim de ano é inevitavel. Me esquivo, chego a brigar, mas não tem jeito. Ao menos de um amigo secreto, acabo participando. Esta é A coisa mais idiota que já inventaram na face da Terra.
Eu até que tento estragar no dia, mas não dá muito certo. Cantar "com quem será, com quem será, com quem será que fulano cai casar..." quando um sujeito vai receber o presente da sujeita, é engraçado, as caras vermelhas e tal, mas passa rápido. Ficar gritando "Hum, não gostou, hein ?", de modo sério e grave, depois do sujeito ganhar um vale-cd também é alívio passageiro por demais.
Já. Já tentei ser sincero na minha vez e não adiantou. Acharam que eu estava brincando para "dificultar" a "descoberta". E ficar fazendo o óbvio também cansa. Hã, o óbvio ? Sim, o de sempre:
- Meu amigo secreto é uma pessoa especial, muito divertido, é homem, se veste muito bem...
- É o Alfredo !!! - respondo, apontando para o Alfredo que é um sujeito pobre, gordo e que não se veste bem de maneira alguma, mas que evidentemente ninguém dizia isto em voz alta.
- Não ! - rapidamente o da vez me corta, ficando embaraçado. Alfredo riu. - Bom, voltando aqui. Esse ano ele foi um compnheiraço aqui na firma...
- É o Jaime !!! - aponto para o mais filhodaputa de todos os funcionários que não move um dedo por ninguém e todo mundo sabe, inclusive ele.
- Não, pare de atrapalhar ! - o da vez começa a suar. Jaime inclina levemente a cabeça para o alto e finge desdenhar. -...bom, ele tem cabelos escuros, olhos claros, tem uma namorada misteriosa que não apresentou para ninguém ainda....
- É o Túlio !!! - aponto para o casado, com a esposa ao lado.
- Chega, não tem nada a ver. É o Tito. Estraga-prazeres... - Tulio está visivelmente constrangido e sua esposa o fita com ódio no olhar.
Essas coisas cansam demais. O espírito da idiotia é mais forte e a brincadeira sempre segue em frente. Dizem que eu não entendo o espírito da coisa. Engano, vocês é que não entendem de espírito.
Os piores são aqueles em que todos os participantes são muito amigos. Aí tem sempre uma besta que aproveita a ocasião para fazer confissões. Sorte minha que não sou alérgico.
Mas o mais triste é que sempre tem um limite máximo de preço do presente. Não entendo esta sanha igualitarista até nisto.
Preço mínimo, vá lá, porque filhosdamãe iguais à minha pessoa não vão sacanear a pobre alma, com presentes de 1,99. Mas preço máximo é palhaçada. E o pior é que o "teto" sempre impede que você peça um livro, mas é sempre o necessário para ganhar "kits" do Boticário.
E todo mundo dá esses kits prá todo mundo e todo mundo finge que gosta desses kits que deixam todo mundo com o mesmo cheiro imundo. Perdoem-me, ainda não bebi hoje (adendo post scriptum, but before the publishing : agora já bebi, but not enough).
Final de semana próximo passarei bêbado de sexta à domingo, sem intervalos. Inventaram um amigo-secreto na festa do sábado à noite.
Pois chegarei irreconhecível, já que no jantar de sexta à noite e no almoço de sábado a bebida é de graça e terá Johnny Walker "blue label" (para os leigos, 15 anos de espera). Sem contar as champagnes de no mínimo 100,00 (sim, a veuve clicquot amarela).
Levarei de presente um porta-retrato com a foto do Gugu segurando seu filho, pois sou adepto dos transgênicos. Torça para que eu não tenha tirado você. Aliás, preparem-se para minha performance Jack Nicholson, onde misturo os personagens dele dos filmes "Questão de Honra" e "Melhor é Impossível".
You want the truth ? You can't handle the truth ! E então incorporo Melvin Udall e passo a descrever meu amigo secreto.
Até segunda.
P.s.: avisam-me, após terminar este escrito e antes de publicá-lo, que o amigo secreto foi cancelado. Levarei o presente mesmo assim. Escolherei a esmo o amigo. A performance permanece confirmada.
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21:28 Comentários:
Domingo, Dezembro 14, 2003
Olha que bacana o banner que o gentil Flamarion me presenteou. Auto-explicativo, não ?
Tem links novos aí ao lado. Dispensam comentários. E também publiquei novo post na Sociedade.
E você já reparou que desisti do "Who's fooling who?" ? Não, não, ainda não descobri a resposta, mas bobo por bobo, fico com meu apelido velho de guerra.
Mas não se deixe enganar, hein ?
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22:23 Comentários:
Que coisa, não ?
Perguntam-me onde é que a coisa vai parar. Não sei.
Acho curiosa a coisa. Ela sempre está indo, nunca vindo. Eu tenho preguiça de ir atrás da coisa.
Qualquer tempo passado foi melhor. Dita e redita esta frase, não é diferente da coisa que se vai e sempre foi melhor antes de ter ido. Pela inércia, voto sim, senhor Presidente.
Dizem que Jesus morreu pela coisa. Como pouca gente entende o que isto significa, não é à toa que ninguém saiba onde a coisa vai parar.
Tô nem aí, grita uma fuleira no meu rádio. Eu sei, não precisa cantar.
Ninguém percebeu, mas "ô coisinha tão bonitinha do pai" é uma música gospel.
Me lembro de um filme americano chamado "It", traduzido para os jacus como "A Coisa". Talvez vocês se lembrem. Era de terror, um palhaço que na verdade era um monstro. O final é ridículo, faltou verba e o monstro não aparece. Não, me engano, aparece sim. Era uma aranha gigante.
Segundo Raul Seixas, duas aranha, duas aranha....
A coisa se transmuda muito facilmente. Pode ser até aquilo.
Aposto que Caetano e Gil sabem dizer o que é a coisa. Ou não.
Ah, a coisa. Juarez Soares, filósofo do futebol, sempre disse que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A nossa coisa não sei qual delas é. Mas é diferente da outra.
Uma coisa é certa: a coisa está preta.
Bom prá coisa. Com essa história de cotas para negros, ela deve conseguir arranjar uma boquinha. Mas se vai parar, é cedo para dizer.
Onde é que você quer chegar com este post ? Não sei. Ele é como a coisa, sabe lá Deus onde vai parar.
Lembra do filme "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" ? Lembra do final sem fim? Pois é...
P.s: onde será que a coisa vai parar, hein ?
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22:19 Comentários:
A Você, Com Todo Carinho
Paulo Francis, em uma entrevista qualquer, respondendo a uma pergunta sobre restaurantes em Nova York, disse que não indicava nenhum, porque se assim fizesse, iria encher de brasileiros.
Isto me vem à mente sempre que recebo esses guias de bares e restaurantes da cidade. A Veja lança dois por ano aqui em Curitiba. O do verão acabou de sair.
Saber o que existe na cidade é muito bom, embora você só deva visitar esses locais depois de uns dois meses, quando a jacuzada já visitou todos e está "in" novamente.
Agora, a parte em que sai os "melhores" disso e daquilo é de chorar de rir. Por exemplo, por causa da Veja, todo mundo acha que a melhor batata suiça da cidade é a do Beto Batata. Mas não é mesmo. E como respeito Paulo Francis, jamais direi onde fica a melhor batata. Embora seja meio óbvio.
Outro exemplo. Brownie com sorvete. Pela Veja verão, é o da lanchonete estilo 50's, Peggy Sue. Na-na-ni-na-ni-na. Aquilo é bolo de chocolate com sorvete. É bom, mas brownie de verdade fica em outro lugar. Custa a metade do preço e é setecentas vezes superior. De novo, é óbvio, mas a gente fuleira que vive à custa de guia de revista não merece saber disto.
Estou pensando seriamente em digitalizar essa lista de melhores, com as devidas anotações, impimir e colar na porta da geladeira. Por que ? Ora, porque todos temos aqueles amigos "descolados", que ligam dizendo "vamos em tal lugar novo que EU descobri ?". Sempre respondo : "qual ? aquele que aquele viado indicou na Veja ?".
Noite salva, como se vê, porque gente descolada finge que é autêntica, e quando desmascarada, fica brabinha.
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22:16 Comentários:
Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Ditado Adaptado ao Brasil
Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Mas é tratado como louco.
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Mau Gosto
Dizem que tudo é questão de gosto. Reconheço que é um modo de parar de se incomodar. Dói na boca do estômago ouvir neguinho dizendo que não há diferença entre música popular e música clássica. "É mera questão de gosto !". Eu deixo que ele pense assim. Para mim é cômodo.
Não que ambas sejam "excludentes". Nada disso. Mas a diferença entre elas é a mesma que bijuteria e jóia. Existem bijuterias belíssimas, mas nenhuma tem o valor de uma mísera jóia. Mas enfim, tem quem ache que é mera questão de gosto preferir bijuterias à jóias.
Pensando nisto, resolvi contribuir com esta pseudo-humanidade.
Eu inventei um sistema. Simples, básico, sem erro. Quando você ler um livro, ouvir uma música, assistir um filme, um programa na TV, etc. e tal, espere a reação do seu corpo. Se arrepiar a nuca, não presta. Se arrepiar os braços, presta.
Se você está tentado a perguntar sobre: "E se o arrepio for no cu ?", digo-lhe que o fato de você automaticamente associar arrepio a cu denota apenas qual o seu gosto sexual. Vá para Bocaiúva do Sul, por favor, e não me incomode.
Creio que é um método simples, mas absolutamente confiável. Afinal, adaptei apenas o paradigma da modernidade. Se tudo é questão de gosto, retrocedamos mais um pouco e larguemos mão sequer de pensar sobre. Arrepiou o braço, é uma obra de arte. Arrepiou a nuca, é merda. Simples assim.
Exemplo. Lembremos quando a Heloísa Helena chorou na tribuna do Senado. Nuca arrepiada, é óbvio. Eu sei, eu sei que em você, o braço é que arrepiou. Efeitos colaterais da técnica. Facilita para você saber do que gosta. Mas facilita também a mostra das diferenças. Mas, ei, como você mesmo diz: questão de gosto, certo ? Você acha que a Heloísa Helena é um homem do cacete, coerente, o máximo em política. E eu é que não vou lhe convencer que coerência na burrice não torna ninguém melhor, ao contrário.
Ficou incomodado, não ? Mera questão de gosto não resolveu seu problema, certo ? Você está louco para argumentar em favor da HH. Eu sei, eu sei como funciona. Mas ei, foi você quem disse que não tem diferença entre bijuteria e jóia, lembra-se ?
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18:12 Comentários:
Sábado, Dezembro 06, 2003
Em Que Estado Fica Bocaiúva Do Sul Mesmo ?
Bocaiúva do Sul está na boca do povo. Por lá, o Prefeito não quer homem com homem, nem mulher com mulher. Mas para fazer isto, pelo visto, vale tudo. Muita gente levou a sério.
Eu me pergunto como se daria a constatação de quem é quem. Por via das dúvidas, quero distância de Bocaiúva do Sul. No meu, ninguém mete a mão.
O Prefeito já tinha proibido camisinhas na cidade. Depois deu amendoins de graça para todo mundo. Ele quer aumentar o número de cidadãos. Em Bocaiúva, ninguém trepa a cotento.
Dizem que é culpa dos OVNIS. Desde que o Prefeito construiu a pista de pouso para espaçonaves, dizem que coisas estranhas estão acontecendo por lá. De estranho, para mim, é só o fato do Prefeito ter ido ao Jô Soares em razão disto. Pensando melhor, estranho seria se não tivesse sido convidado...
Quando a seleção brasileira jogou em Curitiba dias atrás, o Prefeito avisou que as naves pousariam em Bocaiúva na mesma hora do jogo. A pedido do Onaireves Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol, ele conseguiu convencê-los a pousar em outro dia.
Hoje, Bocaiúva está tomada de gays. Passeatas acontecem todos os dias. Não se sabe se as naves pousaram, nem se os ET's já moram lá. Uns dizem que o Prefeito foi abduzido. Outros acham que os ET's são homofóbicos. Eu acho que os gays é que são os ET's. Enfim chegaram.
Perguntaram ao Prefeito se ele era heterossexual. Ele respondeu que não, que ele era homem muito macho.
Prá mim, faz todo sentido.
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12:33 Comentários:
Nem parece que o futebol brasileiro se tornou a coisa mais chata de todos os tempos. Esta semana cheguei a ficar com saudades de assistir a jogos nos estádios.
Primeiro, a briga entre argentinos e brasileiros no jogo São Paulo e River Plate no meio de semana. Finalmente, voltamos às boas.
Mas melhor do que a briga, foi a declaração do novo Serginho Chulapa, Luis Fabiano. A briga foi no final do jogo, que acabaria se decidindo nos pênaltis. Ele tinha duas opções. Ou ficava na dele ou ajudava seu companheiro na briga, com o bônus de poder bater em argentino. Logo se vê que não havia opção alguma. Surrar argentino era uma obrigação.
No fim do jogo, ele sustentou sua opção. Para ele, deu azar. Em todas as outras vezes que foi expulso, ele até acha que errou, mas desta vez não, desta vez foi puro azar mesmo. Concordo com ele.
O segundo fato que me comoveu foi aqui nessa terra paranaense. Como todos sabem o Estado do Paraná só possui dois times, Coritiba e Atlético Paranaense, rivais até a morte, graças a Deus. Pois bem, esta rivalidade anda muito murcha. Quando um vai bem o outro vai muito mal. Assim, fica meio sem graça. Salvo....
Exatamente, o ex-jogador Mário Sérgio Pontes de Paiva e atual técnico do Atlético, deu uma declaração essa semana dizendo que vai torcer contra os coxas nesta reta final, para eles não se classificarem para a Libertadores. Obviedade, bem sei, mas há quanto tempo não temos isso ?
Apesar dessas boas novas, nada indica que voltamos aos bons tempos. No campeonato brasileiro, as coisas estão chatíssimas. Já existe um campeão. Que será lembrado pela "tática" do treinador, pelo "conjunto", etc. e tal.
Saudades dos tempos em que o campeão era lembrado por aquela pedalada do Robinho na final de 2002, ou os trocentos gols do Alex Mineiro nas finais de 2001. Sim, porque existia uma final de campeonato. Agora os frouxos podem sorrir porque tem chances de serem campeões pela "regularidade".
Pro inferno com essa coisa morna.
P.s.: Ricardo Pinto, ex-goleiro do Fluminense e do Atlético Paranaense quase morreu de novo. Lembram que a torcida do Fluminense lhe espancou num jogo em que ele defendia o Atlético, lá pelos idos de 1996 ? Pois é, agora ele foi pescar em alto mar, de barco e se perdeu. Ficou uns dois dias fora até que o encontraram quase desidratado. Os deuses do futebol não perdoam.
posted by Chico |
12:32 Comentários:
O Melhor Amigo do Homem
Dizem que o melhor amigo do homem é o cachorro. Vinícius de Moraes concordou, desde que o cachorro fosse engarrafado. Sou mais o Vinícius. Meu barbeiro também.
A dica veio do meu irmão. Era do lado do escritório e bem mais barato que qualquer outro lugar. Único senão: "não vá de tarde, porque na hora do almoço ele começa a beber no bar do lado". E assim, sempre fui pela manhã cortar meu cabelo.
Numa dessas, escutei a história de um louquinho que vai cortar cabelo lá e leva sua esposa. Ele fica ofendendo o barbeiro, perguntando se ele sabe cortar, dizendo que a lâmina está muito fria, etc. e tal. Meu barbeiro chegou à conclusão que ele está fingindo e já lhe cortou várias vezes a nuca, com a gilete fria. Mas ele gosta do louquinho. Sempre no final do corte o tal faz a mesma coisa. Ele dá um pulo na cadeira e pergunta para o barbeiro desde quando ele deixa mulher feia entrar ali. Pelo espelho, ele aponta a própria esposa. Que já desistiu, é evidente.
Dia desses ele pediu ajuda ao meu irmão para terminar de fazer uma palavra cruzada que há três dias ele não conseguia terminar. Faltava uma única palavra. Meu irmão conseguiu resolver o problema. Foi só dizer que "saudação jovial" não era "iá" e que ônibus só tem um "o".
Histórias de barbeiro é que não faltam, claro. Gostaria de ser cliente de um sujeito que possui estabelecimento ali pelos lados da "La Casa Di frango", no Juvevê. Mas ainda não criei coragem. Ele tem inúmeras histórias terríveis. A mais leve é quando um pai boa gente, querendo iniciar o filho de uns sete anos de idade nas coisas de homem das antigas, levou-o para seu primeiro corte com o tal.
O pai levou uma revista e pediu ao barbeiro que cortasse igual a um dos guris que aparecia numa foto. Era um cabelo "tigela". O barbeiro disse que: "cortar eu corto, mas que ele vai ficar parecendo um viado, não tenha dúvidas !".
Ontem, atarefado e esquecido, fui cortar o cabelo pela última vez no ano. Chegando, a "barbeira", companheira da figuraça, estava destruindo um cabelo de uma doméstica qualquer. Ele não estava. Ela me disse então: "vai no bar aí do lado e chama ele que eu vou demorar".
Lembrei que eram três da tarde. Tive a chance de fugir, mas ele me reconheceu quando passei em frente ao bar. "Veio cortar dotô !". E de um gole só terminou o cahorro transparente que jazia naquele copinho típico.
"Tava aqui adoçando a vida !".
Me comovi e me convenci. Ele não estava bêbado, mas com o braço firmado. Começou a cortar. Um escapamento de um carro estourou. Ele deu um pulo, um rodopio, bateu os braços qual passarinho, deu dois passos para trás como um bebê aprendendo a andar e se estatelou no banquinho de espera.
"Vixe, mãe ! Parece tiro de 22 !"
E me contou das diversas experiências que teve com assalto e tudo mais. Só ali, assaltaram duas vezes. Depois que ele comprou um 22, tentaram mais três. Nunca mais conseguiram.
"Vão proibir tudo, eu sei, dotô ! Tô sabendo. O Zé Centelha, dono do bar aqui do lado andou me falando. Mas eu quero que se dane. Antes eles do que eu !".
Ninguém discordaria deste sábio homem. Quis saber porque Zé Centelha. Ele deu uma risada misteriosa. Lembrei-me das palavras cruzadas e me calei.
Ele mudou a estação do rádio e baixinho me confessou que não suportava as músicas bregas que a parceira gosta. Deixou então numa "easy radio" qualquer. Uma canção dos anos 70 começou a tocar. E ele, dançando.
"O senhor não pegou a época da discoteca, né ?", "Ah, o senhor era muito novo !". "Era uma beleza. Era só luz e som. Luz e som. Não tinha droga, só diversão." "Ela acabou ali por 86....não, 82 já tava bem fraquinho..."
Adoro conversa de bêbado sem sentido ou mentirosa.
"...Depois veio o rap, aí fudeu tudo." Ele continuava dançando. Eu, depois de mais esta constatação genial sobre verdades históricas, já batucava no braço da cadeira.
A música acabou e começou "The Lady in Red". Ele continuou dançando no ritmo disco. E arriscou cantar. Percebi que ele estava cantando "I Will Survive" no ritmo de "The Lady In Red". Inexplicavelmente, no refrão, ele cantou os versos certos. No repeteco do refrão, não resisti e acompanhei: "the lady in red.....is dancing with me.....cheek to cheek....nobody's here...just you and me....it´s where I wanna be".
A velha e a doméstica olharam meio assustadas. Eu estava aliviado pois o corte ia se dando sem problemas e ele estava em outro plano espiritual. Me mostrou então como ele sabia cortar com uma mão só, sem ajuda da outra. Era realmente um fenômeno.
Terminando o corte, veio a hora de aparar com a gilete. Tentei não lembrar de Van Gogh. Ele se calou e se concentrou. Fez um excelente trabalho.
Paguei os R$ 8,00, dei feliz natal e feliz ano novo. Ele se emocionou e me abraçou. Não resisti e o troco dos R$ 10,00 deixei com ele. Para adoçar o final de ano.
Agora, só corto meu cabelo no período da tarde.
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12:30 Comentários:
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Às Vezes...
Oito da matina de hoje. Enquanto tomo meu café da manhã, assisto a um programa de entrevistas de um canal inexpressivo de TV aqui da terrinha paranaense. Talvez seja um dos melhores programas homorísticos involuntários da TV brasileira.
Intervalo. Há um breve noticiário de segundos de duração. A reportagem : passeata em Curitiba organizada por um deputado estadual que pretende ser prefeito da cidade ano que vem.
Todos acham que ele usa peruca. Para mim tanto faz, porque o mistério está em saber onde ele consegue encontrar aquela cor de tinta de caju para pintar a peruca. Mas divago.
A passeata tem por tema a paz, não à violência, etc. e tal. Só um dia, uma vezinha só eu gostaria que os bandidos os recepcionassem e explicassem porque não dá para parar... Mas divago de novo.
Descobrem então um casal, cujo senhor não se sabe a idade, mas possui cabelos brancos. Ele está indignado. Descobriu a filha de 15 anos no meio da turba. Ela deveria estar na escola, que é pública. Acusa então os organizadores de terem ido cooptar adolescentes nas portas das escolas, sem a permissão dos pais. Tudo isto é a repórter quem diz.
Enfim, o entrevistam:
- Se ainda fosse para levar essa criançada para a biblioteca, darem um livro, vá lá !!! Mas não para esta palhaçada....
O fim da reportagem mostra o casal, com a filha, de costas, se retirando da praça. A repórter informa que a assessoria do deputado não iria se manifestar a respeito do caso.
É cada vez mais raro, mas às vezes um dia não precisa nem começar para que já esteja ganho.
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19:25 Comentários:
Quando Moisés leu os 10 mandamentos, o grupinho que estava à esquerda do Sinai começou a vaiar: "Fora! Fora! Esse decálogo é individualista, repressivo e ditado de cima pra baixo !"
Millor Fernandes
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19:23 Comentários:
Adendo ou Verticalistas
"Em 1944, em The Nation, um intelectual moderno criticou asperamente determinado poeta por dizer que a diferença entre alto e baixo era mais fundamental que a diferença entre direita e esquerda.
(...)
Vira-te para onde quiseres, caro verme humano. Terás de subir a uma tribuna para te tornares homem. Alto e baixo são produtos da fé humana na linguagem.
(...)
Em sua famosa canção noturna, Niezsche disse: "O violino de minha alma cantou para si próprio esta canção. Alguém a escutou ?" E, porque ninguém a escutou, ele enlouqueceu. E não podia senão enlouquecer: nossa linguagem desaparece de nós se ninguém a escutar. E para quem escuta e obedece, fazendo o que é ordenado, o orador, o comandante, o chefe tem de ser o chefe. E essa odiada superioridade é a condição para a existência de todo e qualquer periódico, conferência, corte, exército, governo, literatura ou teatro.
A divisão em alto e baixo é condição da linguagem humana. Todas as máscaras de democracia, somadas, não podem ocultar o caráter divino da linguagem. Vocês me ouvem não porque sou melhor ou superior, mas porque o superior, o altíssimo, o sublime pode chegar a vocês através de mim. O homem que fala não "é" mais alto, mas se torna mais alto. Uma sociedade em que ninguém se torna mais alto que os demais é uma turba. Dez mil pessoas reunidas num mesmo lugar sem tribuna de onde um orador se possa fazer ouvir, ou sem um princípio que se possa estabelecer, é um montão de carne digno de pena."
(Eugen Rosenstock-Huessy, A Origem Da Linguagem, 2002, 1a. ed., editora Record, coleção Biblioteca de Filosofia, pp. 214-216.)
Ah, sim, claro, Estado pequeno. Mas na verdade, I don't give a flying fuck.
posted by Chico |
19:22 Comentários:
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